“Como Mentem as Sondagens”, de Luís Paixão Martins (2023)

Que as sondagens mentem com quantos dentes têm, já a gente sabia, mas confirmámos agora, depois da leitura deste livrinho do consultor LPM, o tal careca de boné, que é apresentado como o tal que conseguiu a maioria absoluta para o António Costa.

Exagero, claro – quem conseguiu essa maioria absoluta foram os eleitores que, borrifando-se nas sondagens que davam um empate técnico entre PS e PSD, decidiram votar em massa no PS.

Paixão Martins, com abundância de citações norte-americanas, explica como as sondagens têm tudo para induzir em erro: a amostra é pequena, o inquérito está mal conduzido, a interpretação dos jornalistas é abusiva e a distribuição dos indecisos é uma catástrofe!

Gostámos de ler e aconselhamos a todos, sobretudo a quem está à espera da próxima sondagem para decidir em quem votar.

As redações do Correio da Manhã- 2

1. Cascais – Esfaqueado em rixa num Café – Um homem de 35 anos foi esfaqueado numa rixa num café na Parede, Cascais. Agressor foi detido e também hospitalizado.

– Esfaqueou-se?…

2. Guimarães – GNR e INEM ameaçados – Um homem, de 60 anos, foi detido após ter assustado familiares com duas facas em Selho São Lourenço, Guimarães, e de ter ameaçado uma equipa do INEM e uma patrulha da GNR. Acabou por ser detido.

– As facas eram de serrilha?…

3. Portalegre – Choque faz três feridos – Uma colisão entre dois carros, ocorrida ontem na EN371 entre Arronches e Degolados, Portalegre, causou três feridos. Um foi levado ao Hospital de Portaslegre.

– Terá sido o Degolado?…

4. Porto – Furta secador de cabelo – A PSP deteve, na Rua Fonte de Contumil, um homem de 23 anos, desempregado, que furtou um secador do interior de um cabeleireiro.

– Devia querer abrir um cabeleireiro, já que está desempregado. Se tivesse furtado um secador do exterior de um cabeleireiro, talvez não fosse detido…

“O Historiador”, de Elizabeth Kostova (2005)

Tinha este livro na estante desde 2005. Penso que lhe peguei, em tempos, que o comecei a ler, mas desisti, talvez porque o tema não me interessou e porque era demasiado volumoso para a minha vontade de o ler.

Com efeito, é um calhamaço de 598 páginas, em letra miudinha e o tema do livro não me entusiasma muito – vampiros, mais precisamente, Vlad III Tepes, o Impalador, também conhecido por Drácula.

Elizabeth Kostova (New London, Connecticut, EUA, 1964) escreveu este romance ao longo de dez anos, tendo como inspiração o seu próprio pai, que era professor, e que lhe contava histórias sobre vampiros. Nessa altura, a família vivia na Eslovénia, mas viajava pela Europa, tal como o pai da protagonista do livro.

Histórias de vampiros, mortos-vivos e ofícios correlativos, não são da minha preferência e tive de fazer um esforço para ler este tijolo até ao fim, mas como o li em voz alta, e a minha audiência foi muito compreensiva, consegui ir até ao fim.

Por alguma razão os direitos do livro foram adquiridos pela Sony, por quase 2 milhões de dólares e o filme ainda não chegou sequer à produção. E por alguma razão estava intocável na minha estante há 18 anos!

No fundo, o livro poderia ter um terço do tamanho se Kostova soubesse, ou quisesse, ser mais sintética. Repleto de referências históricas, o livro resume-se à busca pela tumba do Drácula que, afinal, parece que fica em França – ou será que é em Istambul, Bulgária, Roménia, ou até Filadélfia?

Não aconselho.

“Empúsio”, de Olga Tokarczuck (2022)

O excelente livro “Viagens” deu-me a conhecer esta escritora polaca ((Sulechow, 1962). Li-o em 2019, que foi o ano em que Tokarczuck recebeu o Nobel.

Depois desse livro, li todos os que foram publicados em Portugal: “Conduz o Teu Arado Sobre os Corpos dos Mortos”, “Outrora e Outros Tempos”, “Casa de Dia, Casa de Noite” e “Histórias Bizarras”.

Todas essas leituras fizeram com que Olga Tokarczuck se tornasse uma das minhas escritoras preferidas.

E surgiu, agora, este “Empúsio” – neologismo que é uma amálgama linguística de Empusa, figura mitológica grega e Simpósio.

A acção decorre em 1913 na cidade termal de Gorbersdorf, na Baixa Silésia. É lá que existe um famoso sanatório que permite a cura da tuberculose, graças a um conjunto de tratamentos que consistem, fundamentalmente, em repouso, boa alimentação, caminhadas, duches e massagens. Embora o bacilo de Koch já fosse conhecido, ainda não existiam os anti-tuberculostáticos, nem a BCG.

A principal personagem é um jovem engenheiro hidráulico, de Lviv, chamado Mieczyslaw. Está alojado na Hospedaria para Cavalheiros, onde vai conviver com mais quatro ou cinco personagens, todos homens, claro. Aproveitam as caminhadas e as refeições para, depois de beberem boas quantidades de uma tintura alcoólica, discutirem assuntos importantes como a morte, a religião, a arte, a democracia ou, acima de tudo, as mulheres, que eles menosprezam.

Diz Lukas (pág. 52):

“- As mulheres são por natureza mais delicadas e mais sensíveis e, por isso, tendem com facilidade a agir impensadamente”

Diz outro (pág. 54):

“- Nos homens, a força de vontade ajuda a combater alguma das tentações da loucura, mas as mulheres, que praticamente são desprovidas dela, não têm armas para lutar”

Diz o médico, o Dr. SemperweiB (pág. 173)

“- Cozinheira… Sabe que a culpa dos nossos fracassos é das nossas mães. São elas que moldam a nossa atitude para com o mundo e os nossos corpos. São estas as mais recentes descobertas de uma ciência chamada psicanálise. (…)

São as mães – prosseguiu – que contagiam os filhos com uma emotividade excessiva, o que faz com que fiquem vulneráveis a muitas doenças e fraquezas do espírito e, principalmente, a efeminação interior. A mulher, mutável e sempre instável, não é capaz de incutir no filho a consciência de que o mundo é o nosso desafio, que as suas leis são duras e a sua ordem exige de nós uma atitude sólida, com os pés bem assentes na terra, em vez de sucumbir a ilusões.”

Sobre a democracia e ideologias (pág. 120):

“- Bom senso e racionalismo. Tudo o que é mau advém de invenções e ideologias. Não há necessidade de acrescentar o que quer que seja ao mundo; o mundo é como vemos. É como é. Há leis que podem ser descritas. O seu número é finito. Algumas delas, ainda não as conhecemos. Deus existe e criou o mundo. Os seres humanos são, por natureza, canalhas; logo, precisam de ser controlados e de aprender constantemente. Os ricos são ricos porque são talentosos e têm bons contactos. Foi sempre assim e assim será sempre. A liberdade e a democracia podem existir, mas sem exageros. Os dez mandamentos são a matriz de todo o europeu, seja ele alemão, italiano ou romeno. Tem de haver algum tipo de ordem.”

Olga Tokarczuck escreve isto livro num tom irónico – aliás, o subtítulo demonstra essa ironia: “romance de terror naturopático”.

Ao que parece, todos os anos, aparece, na montanha que rodeia a aldeia onde fica o sanatório, o corpo de um homem jovem, todo esfrangalhado. Existem uns seres sobrenaturais – Tuntschi. Serão mulheres que emergem da Natureza?

O final é duplamente surpreendente: descobrimos quem está a narrar toda esta história e o protagonista sofre algo de inesperado.

Mas antes, não resisto a transcrever este excelente pedaço de prosa (pág. 243):

“Para já, sentimos os odores dos seus corpos que, saindo das camisolas, se elevam e ligam uns com os outros; são todos diferentes. Fommer cheira a pó, levemente almiscarado, um cheiro a papel seco, como se farfalhasse – o cheiro de uma pele velha, ressequida, de um porta-moedas desgastado. Lukas tem um cheiro forte – é um odor a medo e prontidão para a luta, a auréola invisível de um guerreiro insatisfeito que, tendo perdido a força física, participa numa guerra à distância, gritando ordens e comentando as jogadas dos estrategas. O cheio de August era completamente diferente – espalha vapores orgânicos de matéria podre, em breve consumidos por processo de putrefação e de decomposição das partículas do corpo; está rodeado de um cheiro a leite azedo, de despensa onde ficaram esquecidas reservas de comida, um cheiro já incontrolável mas ainda susceptível de se camuflar com água-de-colónia e um requintado sabonete para barbear. Por seu lado, Opitz está envolto numa nuvem de carboneto – um cheiro que faz ranger os dentes e salivar. Não há odor que possa ultrapassá-lo. Em contrapartida, Wojnicz espalha amplamente o seu cheiro, sem o saber. Enxota todos os outros cheiros, relegando-os para segundo plano, e domina-os; apesar de exalar esse odor, sente-se perdido e inseguro. É como se as suas feromonas estivessem carregadas de electricidade, avassaladoras, semelhantes ao cheio do pêlo de uma raposa ou de um cabrito que foge do caçador.”

Mais um grande livro de Olga Tokarczuck, traduzido do polaco, como sempre, por Teresa Fernandes Swiatkiewicz.

As redações do Correio da Manhã

A última página do Correio da Manhã é inigualável. Há que comprimir as notícias em poucos parágrafos, o que dá nisto:

1. Caiu a um poço ao salvar uma cabra – Um homem, com 40 anos, foi ontem resgatado pelos Bombeiros de Mira de um poço onde caiu ao tentar salvar uma cabra, em Portomar. Estava em hipotermia.

– A cabra…

2. Morta enquanto dormia – o MP de Guimarães acusou um homem por matar a mulher, à facada, enquanto esta dormia. Jorge Ferreira está preso.

– Se ela estivesse acordada, talvez ele não fosse acusado…

3. Ferido após cair em esgoto – Um homem, de 66 anos, ficou ferido com gravidade após cair num esgoto público, enquanto procurava umas chaves.

– É o que faz procurar chaves num esgoto…

A pilinha do Dr. Barreiros e o buraco do Dr. Toy

Em vésperas de festejar os 50 anos do 25 de Abril, assistimos a grandes êxitos da música portuguesa, protagonizados por dois dos nossos maiores cantautores nacionais: Quim Barreiros e Toy.

Agora que o Natal está a chegar, nada melhor do que oferecer aos nossos familiares os novos grandes êxitos destes dois ícones da estupidez nacional, tão adorados por tunas académicas, festivais populares e autarquias em geral. É uma maneira de dizer aos nossos familiares que queremos que eles se fodam.

O Dr. Quim Barreiros, do alto dos seus 76 anos, descobriu agora que a sua pichota se chama sarapanta. Aparentemente, foi esse o nome que a sua mãezinha querida lhe deu, conforme os versos do seu novo grande êxito:

Eu tenho um sarapanta/ Que a minha mãe me deu
Anda sempre escondido/ Quem manda nele sou eu

Ficamos, portanto, a saber que a mãe do Dr. Barreiros chamava sarapanta à sua pilinha, mas que, hélas!, é ele que manda nela!

Apesar disso, o Dr. Barreiros anda sempre com aquilo escondido, vá-se lá saber porquê!… Deve ter vergonha daquela coisa. Porventura, espreme-a, em vez de a abanar, depois de fazer chi-chi.

Pelo desenrolar do poema – obra-prima do Dr. Barreiros – ficamos a saber que a sua sarapanta só se levanta quando lhe mexem. Ora leiam:

Ora mexe mexe mexe/ Aqui no sarapanta
E quanto mais lhe mexes/ Mais ele se levanta

Apesar dos seus 76 anos, o Dr. Barreiros não precisa de Viagra ou Cialis. Basta que lhe mexam na coisa, e ela logo se levanta. Felizardo! Deve ser do acordeão!…

Continuando a ouvir esta peça lúbrica do cancioneiro nacional, ficamos a saber que há quem goste de fazer sexo oral ao Dr. Barreiros.

Há quem lhe faça festinhas/ Há quem o queira beijar
Se lhe apertam o pescoço/ Ele começa a cantar

Que o Dr. Barreiros tenha uma pila que cante, eis algo que nós desconhecíamos!

Resta perguntar, por que carga de água o Dr. Barreiros decidiu chamar sarapanta à sua pila. A explicação é que foi a única palavra que ele conseguiu encontrar que rimasse com “levanta”.

Apetece, portanto, dizer, como dizia Paulo Fernando, no Dois do Quelhas, que este disco é intocável, mas, felizmente, não é inquebrável!

E por isso, vamos parti-lo!

Quanto ao buraco do Dr. Toy, trata-se de uma canção que serve como anúncio ao Intermarché e que seria suficiente para que todas as donas de casa nunca mais pusessem os pés naqueles espaços comerciais.

No spot publicitário vemos o Dr. Toy, de mangueira na mão, preparando-se para meter combustível no seu carro, com duas lambisgoias sorridentes atrás dele. E ele canta:

Eu meti em todas/ agora sei como é
Eu meti em todas/ e agora só meto no intermarché
Com a mangueira na mão/ sempre acerto no buraco
É da minha formação/ a meter nunca fui fraco
Meto sempre devagar/ e fico com a certeza
Onde meto é o lugar/ que não dá muita despesa

Por outras palavras: o Dr. Toy gosta de meter, desde que não gaste muito dinheiro. Portanto, deve procurar, naqueles anúncios manhosos do Correio da Manhã, onde poderá satisfazer as suas necessidades sem desperdiçar muito dinheiro.

São estes enormes poetas que fazem de Portugal o grande país que é!

O Dr. Barreiros e o Dr. Toy querem fazer de conta que são grandes poetas brejeiros, mas não passam de lavajões malcriados. Desconhecem a elegância da poesia satírica.

A propósito, talvez não seja má ideia recordar um dos sonetos de Bocage. Talvez estes dois doutores percebam a diferença, embora duvide.

“É pau, e rei dos paus, não marmeleiro,
Bem que duas gamboas lhe lobrigo;
Dá leite, sem ser árvore de figo,
Da glande o fruto tem, sem ser sobreiro

Verga, e não quebra, como zambujeiro;
Oco, qual sabugueiro, tem o umbigo;
Brando às vezes, qual vime, está consigo;
Outras vezes mais rijo que um pinheiro;

À roda da raiz produz carqueja;
Todo o resto do tronco é calvo e nu;
Nem cedro, nem pau-santo mais negreja!

Para carvalho ser falta-lhe um u;
Adivinhem agora que pau seja,
E quem adivinhar meta-o no cu.

É o que eu desejo ao Dr. Barreiros e ao Dr. Toy.

A indecente e má figura de Passos Coelho

Esclarecimento: Pedro Passos Coelho foi um político português que exerceu o cargo de primeiro-ministro entre 2011 e 2015.

Quatro anos.

Foi líder da Juventude Social Democrata entre 1990 e 1995 e licenciou-se em Economia pela Lusíada em 2001, com 37 anos. Mais vale tarde do que nunca…

Esteve também ligado a uma coisa chamada Tecnoforma e parece que não pagou segurança social durante uns anos porque achava que não era preciso, mas não tenho bem a certeza.

Assim de repente, não me lembro de mais nada.

Enquanto foi primeiro-ministro, cortou salários e pensões, eliminou subsídios de natal de férias, bem como feriados nacionais, seguiu escrupulosamente os desígnios do FMI, indo além dos mesmos e foi humilhado nas eleições seguintes, não conseguindo que o programa do seu governo fosse aprovado na Assembleia da República, apesar de, aparentemente, ter tido mais votos que os restantes partidos.

Desde então, refugiou-se na sua casa, em Massamá, rapou a cabeça e assumiu a figura de um D. Sebastião dos subúrbios.

Triste a nação que sonha em ser salva por uma personalidade como esta!…

Aproveitou agora a queda do governo do Costa, para emergir do pântano em que se encontrava e, mostrando à superfície aquela cabecinha rapada, disse de sua justiça, que Costa se demitira por “indecente e má figura”.

Trata-se de uma frase feita que Coelho terá aprendido algures, talvez no seio do PSD, onde Durão Barroso se retirou para a União Europeia e Santana Lopes foi demitido após meia-dúzia de meses como primeiro-ministro – ambos por decente e boa figura. Ou ele próprio, Passos Coelho, que, apesar de ter tido mais votos, foi incapaz de fazer passar o seu programa de governo no Parlamento, por deficiente e péssima figura.

Passos Coelho não é digno de representar a população de Massamá!

“As Sete Luas de Maali Almeida”, de S. Karunatilaka (2022)

Karunatilaka nasceu em Colombo, Sri Lanka, em 1975 e com este livro ganhou o Booker Prize.

É um livro estranho e tive alguma dificuldade em seguir esta narrativa por várias razões; por um lado, o ponto de partida não me é muito agradável: um fotógrafo, Maali Almeida, está morto e vagueia pelos meandros da capital do Sri Lanka, em busca de quem o matou e porquê. Almeida, um homossexual não assumido e jogador inveterado, escondeu algures umas caixas com fotografias comprometedoras para alguns dos notáveis do seu país.

O autor mistura a realidade do seu país com a mitologia do Sri Lanka. Na minha opinião, há espíritos, demónios e fantasmas a mais e, muitas vezes, perdi-me na narrativa.

Para quem tencione ler, aconselho a aprender, primeiro, um pouco sobre a mitologia do Sri Lanka.

Marcelo Sem Cunha de Sousa

Marcelo não meteu nenhuma cunha.
Não senhor!
Limitou-se a receber o mail do Dr. Nuno Rebelo de Sousa e a encaminhá-lo para o Chefe da sua Casa Civil.
Será possível fazer alguma coisa quanto a isto? – perguntava.
Tratem disto como se o Dr. Nuno não fosse meu filho.
Não quero cunhas, é só para saber…
A Casa Civil reenviou para o gabinete do Primeiro-Ministro.
O Presidente da República quer saber se se pode fazer alguma coisa.
Mas nada de cunhas – é só para saber. E não foi o filho que pediu.
Mas o mail é do filho do Presidente?
É do filho do Presidente, mas é como se fosse outra pessoa qualquer.
Compreendi-te!
O Gabinete do Primeiro-Ministro reenviou para o Ministério da Saúde: o Presidente está interessado nisto. Foi o filho que pediu, mas como se não fosse.
Sem cunhas, sem cunhas!
O Ministério da Saúde reenviou para a Administração do Hospital de Santa Maria.
Assunto delicado: o Presidente faz questão, aliás, é o filho do Presidente, mas faz de conta que é outro cidadão qualquer – mas nada de cunhas, ok?
A administração acatou a sugestão.
E assim se fechou o círculo.
Sem cunha nenhuma!
Não percebo por que estão tão ofendidos.

Cavaco precisa de uma segunda opinião

A culpa parece ser da confusão no SNS.

É óbvio que a medicação não está a fazer efeito.

Todos nós vimos as sincinesias que o senhor apresenta sempre que está em público. Para quem não se lembra, os movimentos sincinésicos são movimentos involuntários e desnecessários, que, por vezes, os mais idosos efectuam. Frequentemente, esses movimentos são efeitos secundários da medicação que se toma para outras patologias.

Parece-me que Cavaco Silva está completamente tomado por esses movimentos e deve ser isso que complica a escrita dos seus textos para o Público.

Hoje, por exemplo, fez publicar um texto em que diz que todos os cronistas e comentadores foram enganados pelas contas certas do PS. Todos, mas todos, sem excepção – menos ele, claro, o iluminado Sr. Silva, o tal que é tão honesto que ainda há de nascer alguém mais honesto do que ele – ele, que nada teve a ver com o sr. Loureiro, muito menos com o seu chefe de bancada, Duarte Lima.

Claro que estou a ser injusto.

Sou a favor do envelhecimento activo.

Com 84 anos, Cavaco merece ter voz activa num partido de futuro como o PSD!

Os jovens devem rever-se nele, no seu exemplo, no homem que aproveitou os dinheiros da União Europeia para asfaltar o país, que reduziu os barcos de pesca, que cortou as entradas dos futuros médicos nas faculdades, que amarfanhou a agricultura.

No entanto, talvez fosse melhor alterar-lhe a terapêutica…

Que dizem?