“A Fraude”, de Zadie Smith (2023)

Desta escritora britânica, com raízes na Jamaica, já li “Dentes Brancos”, “Swing Time”, “O Homem dos Autógrafos” e “Uma Questão de Beleza”.

Este novo livro é completamente diferente dos anteriores. Trata-se de um romance histórico, embora Zadie Smith consigo escrevê-lo como se fosse uma história actual.

Embora o livro se baseie “vagamente” na vida do escritor William Harrison Ainsworth (1805-1882), contemporâneo de Charles Dickens, de quem era amigo, a protagonista do livro é a sua prima, Eliza Touchet.

A Sra. Touchet é uma mulher que se interessa pela justiça, pela literatura, pelo abolicionismo, pelas mulheres do primo, por quem tem uma paixão não completamente correspondida (William só se interessa pelos seus romances, já que publicou mais de 40) – e sendo assim, tão interessada, o julgamento do chamado Caso Tichborne vai ocupar-lhe muito do seu tempo. Neste caso, um carniceiro da classe baixa na Austrália, afirma ser o legítimo herdeiro de um património substancial, fazendo-se passar pelo filho (alegadamente morto) de uma rica senhora. Para dar o toque que Smith gosta, Andrew Bogle cresceu como escravo na Jamaica, mas vai tornar-se testemunha importante no caso.

Temos assim dois temas que percorrem este calhamaço de 530 páginas: a vida da Sr. Touchet e do seu primo e o caso Tichborne.

André Passos Ventura Coelho

Foi esta estrangeirinha que o Marcelo arranjou, com a ajuda da Gago.

Deitando abaixo um governo de maioria absoluta que ia a meio do mandato, proporcionou a eleição de 50 deputados grunhos e os lacraus começaram a sair de debaixo das pedras.

O Passos com três esses já tinha começado a levantar aquela cabeça em forma de melão, agora ainda mais saliente, graças ao rapanço – mas com o lançamento do livro “Identidade e Família”, a coisa está mais séria.

O livro reúne textos de retrógrados ilustres, nomeadamente, João César das Neves, José Ribeiro e Castro, Gonçalo Portocarrero de Almada, Paulo Otero, e outros. Nesses textos, ataca-se a chamada ideologia de género, a alegada destruição da família tradicional, a possibilidade de a eutanásia passar a ser legal, a liberalização do aborto e afins.

Este grupo de energúmenos consegue associar a “disforia de género a várias patologias psiquiátricas”, sendo incapazes de se autodiagnosticarem. Não será preciso ser um psiquiatra de elite para diagnosticar três ou quatro patologias a um senhor que compara o aborto com a venda de um carro ou de uma casa.

Aquele economista que parece ter sido ungido por Deus quando era pequenino, o João César das Neves, diz mesmo que as “senhoras, alegadamente tiranizadas, nunca se queixavam”. Se não foi ele que disse, foi um dos outros senhores. Portanto, como as senhoras não se queixavam, conclui-se que não levavam porrada dos maridos.

Outro destes perigosos extremistas, disse, numa cerimónia pública, para “não termos medo de enterrar o 25 de Abril”.

E o Passos Coelho associa-se a esta corja.

Na plateia que assistia à apresentação do livro, destacava-se o futuro primeiro-ministro, quando o Coelho for Presidente: o André Ventura.

Será que vou ter de emigrar depois dos 70 anos?!

Leitão Amargo

Não gosto muito de leitão.

E quando o leitão é amargo, ainda menos.

O novo primeiro-ministro, escolheu como porta-voz do governo, um tal Leitão Amargo. Vi-o hoje, pela primeira vez, na conferência de imprensa após a primeira reunião do novo governo. Quando se convoca uma conferência de imprensa, é suposto haver notícias. Leitão não tinha nada de novo para dizer. Então, o que disse durante mais de meia-hora? Banalidades, conversa de chacha; encheu chouriços com vulgaridades e ataques deselegantes ao anterior governo. Afinal, a única decisão do governo da AD foi ignorar o logotipo da República escolhido pelo governo anterior e repor o logotipo antigo. Ouvimos um bruaá da população, que aguardava, com ansiedade, as novas decisões do governo.

Eles avisaram que ia haver mudança e, para já, mudaram o logotipo.

Agora só falta mudar o resto – ou seja, este governo!…

“A Mais Breve História de Israel e da Palestina”, de Michael Scott-Baumann (2021)

Scott-Baumann é mestre pela School of Oriental and African Studies de Londres e trabalhou como voluntário para o Israeli Committee Against House Demolitions, tendo realizado trabalho de campo na Cisjordânia. Não sei se este currículo será prova de independência, mas, ao ler o livro, pareceu-me que sim.

De um modo conciso e muito claro, o autor descreve os principais acontecimentos, as guerras, os acordos, o papel da Grã-Bretanha, dos Estados Unidos e da ONU nesta guerra sem fim, começando pelas origens do conflito (a Segunda Guerra Mundial e o Mandato britânico) e indo por ali fora até aos dias de hoje. E, apesar do livro ter sido editado em 2021, o autor acrescentou um epílogo para falar do ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023 e da retaliação israelita.

Se já tinha uma opinião formada sobre este conflito, a leitura do livro reforçou-a: Israel está a proceder ao paulatino extermínio dos palestinianos e Netanyahu é um dos piores líderes israelitas dos últimos tempos.

Muitos dos acontecimentos descritos no livro são bem conhecidos, mas assim lidos, cronologicamente, dão uma ideia muito mais firme do conflito. Mas também coisas que desconhecia, como esta:

“Netanyahu sabia que podia desafiar o presidente norte-americano (Obama) e não pagar qualquer preço político, devido à força do lobby de Israel nos Estados Unidos, constituído, sobretudo, por judeus e pelos muito mais numerosos cristãos evangélicos (muitos destes últimos creem que a segunda vinda de Cristo só acontecerá quando todos os judeus tiverem regressado à Terra de Israel – isto é, à terra bíblica, que incluía a Judeia e a Samaria).”

Se Trump for reeleito em novembro, a vida dos palestinianos só poderá piorar…

Quem é Marques Mendes?

Ninguém sabe.

Será que é porta-voz do Presidente, uma vez que foi escolhido por Marcelo para o Concelho de Estado?

Ou será, antes, porta-voz escolhido por Montenegro para ajudar o PSD a ter esta vitória esmagadora nas eleições, conseguindo mais 54 mil votos que o PS, quase um estádio da Luz cheio?

Há quem diga até que ele nem sequer existe e que é uma espécie de robot criado pelo canal de Balsemão.

O que é certo é que há vários anos que Marques Mendes surge, todos os domingos, a garantir banalidades na estação televisiva adequadamente chamada Sic – outra coisa não seria de esperar, aliás.

Antes das eleições, açoitou o PS por não satisfazer as reivindicações dos polícias, professores, médicos, enfermeiros, engenheiros agrónomos, desentupidores de canos e ofícios relativos. Agora, que o PSD vai formar governo, garante que não se pode dar tudo a todos!

Gente de má fama, goza com Mendes, dizendo que ele não está à altura da posição que ocupa. E que não é tão bem informado como diz ser.

Será que é, afinal, um espião?

Assim uma espécie de agente secreto – qual 007 ao contrário, isto é, faz de conta que é pequenino, mas, no fundo, é um homenzarrão mascarado?

A verdade é que ninguém sabe, ao certo, por que carga de água ele continua a cagar sentenças todos os domingos na Sic.

Pouca gente viu Marques Mendes fora da televisão. Eu, por exemplo, nunca o vi na rua, com a mulher, a fazer compras ou a passear o cão. É por isso que há quem diga que ele só existe na televisão, isto é, mesmo dentro daquele pequeno rectângulo, o que está de acordo com o seu tamanho.

Se calhar, Mendes não tem existência real – é apenas uma espécie de fantoche.

É isso mesmo…

Um fantoche…

“Paradaise”, de Fernanda Melchor (2021)

Depois de “Temporada de Furacões”, em 2017, esta escritora mexicana publicou, em 2021, “Paradaise”. O estilo é o mesmo, a enxurrada de obscenidades, também. Neste livro, de pouco mais de cem páginas, Polo, um adolescente sem eira nem beira, é empregado de um condomínio fechado chamado Paradise (pronunciar Paradaise). A sua vida é uma merda e só pensa em embebedar-se para se esquecer do que tem de enfrentar na sua casa, uma mãe que pouco lhe liga e uma prima, que talvez tenha engravidado. Estabelece amizade com um gordo, Franco, que está obcecado por uma das habitantes do condomínio. É uma mulher atraente, com formas generosas, casada e mãe de filhos, o que não impede o gordo de ter sonhos eróticos com ela.

Esta ligação entre Polo e o gordo vai correr mal, está-se mesmo a ver.

“A verga de Franco palpitava e da ponta brotava uma tira de leite que se enredava entre os seus dedos adormecidos, dedos que de repente já não eram a cona apertada da senhora Marián ou o seu cu franzido mas só os seus dedos de gordo, sujos de gordura e de queijo em pó.”

Fernanda Melchor não tem problema em usar linguagem o mais gráfica possível, bem traduzida, na minha opinião, pela dupla de tradutores, Cristina Rodrigues e Artur Guerra.

“Era óbvio que o tipo nunca tinha estado com uma mulher, que nunca tinha metido a sua pichazinha punheteira numa cona, e por isso é que estava obcecado em meter a tranca na única gaja que lhe sorria e falava com ele com boa vontade, sem mostrar desprezo perante a visão das suas banhas e das suas borbulhas de púbere.”

Para quem, como eu, já tinha lido a anterior novela de Melchor, esta já não foi grande novidade.

“O Mundo Livre”, de Louis Menand (2022)

Que grande empreitada foi a leitura deste calhamaço! São 1106 páginas, das quais, 967 são de texto propriamente dito e as restantes, de notas.

Menand, nascido em Nova Iorque em 1952, é um crítico, ensaísta e pensador, colaborador da New Yorker, professor de Harvard e vencedor de um Pullitzer, em 2002.

Este livro – editado agora pela Elsinore e traduzido por Paulo Tavares e Sara Felício – livro que foi finalista do National Book Award, fala-nos da arte e do pensamento durante a Guerra Fria, com especial incidência na Música, Literatura, Pintura, Crítica, Cinema, Filosofia, entre outros temas. Claro que os Estados Unidos e os seus intelectuais são os mais citados, mas o autor também nos fala da Europa.

Todos os grandes nomes da arte e do pensamento do mundo ocidental figuram no livro.

Aprendi muito com ele e poderia citar muitos exemplos. Escolhi apenas estes (e já são bastantes):

Sobre George Kennan, página 26:

“Kennan (historiador norte-americano, cujos escritos inspiraram a Doutrina Truman) acreditava que a forma de governo pouco tinha que ver com a qualidade de vida de uma nação, admirando as autocracias conservadoras, como a Áustria antes da guerra e Portugal sob o regime de Salazar. «A democracia, como os americanos a entendem, não é necessariamente o futuro de toda a humanidade», escreveu ele em 1985”.

Sobre George Orwell, página 64:

“Orwell… Era um socialista cujas críticas aos socialistas – «toda aquela triste tribo de mulheres de sentimentos elevados, pessoas que usavam sandálias e bebedores de sumo de fruta com barba que vinham a correr aos magotes em direcção ao cheiro do ‘progresso’ como moscas varejeiras atraídas por um gato morto», como descreveu alguns deles – podiam ser tão mordazes como as de qualquer membro do Partido Conservador”.

Sobre a diferença entre os Estados Unidos e a Europa, no que respeita à educação, página 395:

“Em 1955, enquanto 84% dos americanos em idade de frequência do ensino secundário estavam na escola, o número para a Europa Ocidental situava-se nos 16%. Em Itália, em 1951, apenas 10% de toda a população possuía mais do que a instrução primária; em 1961, o número era de 15%. No Reino Unido, uma nação com um perfil económico genericamente comparável com os Estados Unidos, cerca de 17% dos jovens entre os 15 e os 18 anos eram estudantes a tempo inteiro em 1955. Em 1957, apenas 9% dos britânicos com 17 anos ainda andavam na escola.”

Sobre os Beatles, página 417:

“Quando os Beatles apareceram para a primeira sessão (Georges) Martin, com o intuito de os envolver no processo, levou-os à sala de controlo para que ouvissem uma gravação. «Se houver algo de que não gostem, digam-me», transmitiu-lhes ele. «Bom, para começar», disse George, «não gosto da tua gravata».”

Página 424:

“A longevidade da banda poderá ser atribuída ao puro talento na escrita de canções, que parece ter evoluído à medida que a base dos seus fãs foi envelhecendo. Na prática, os Beatles compuseram num leque de estilos invulgarmente amplo. O Álbum Branco (oficialmente, The Beatles), lançado em novembro de 1968 e o trabalho que a banda considerou o seu último esforço de grupo completo, é uma mistura de quase doze géneros musicais, desde o folk rock até ao blues, passando pela surf music, pelo heavy metal e pelo ska. No entanto, a banda conseguia fazer todas as canções que tocava soarem como uma canção dos Beatles.”

Página 440:

“Pela primeira vez, todas as faixas (de A Hard Day’s Night) eram composições dos Beatles, e o surpreendente acorde de abertura da música que dá título ao álbum anunciava uma nova atenção à musicalidade. Esse acorde, tocado nas três guitarras (a de Harrison era uma guitarra de doze cordas), mais a bateria, com Martin ao piano, e normalmente identificado como um sol de sétima com uma nona acrescentada e uma quarta suspensa, mas não há consenso sobre que notas são exctamente tocadas e em que instrumento”.

Sobre Henry Miller, página 505:

“Tal significava que o livro estava sujeito a um número incerto de acusações locais e, no final, houve quase 60 casos em torno de Trópico de Câncer por todo o país. Como passara a ser do conhecimento geral, tudo o que a polícia tinha de fazer era entrar numa livraria, pegar num exemplar do livro e abri-lo na página cinco, onde apareciam as palavras «mandrilarei todos os refegos da tua cona», e podia apreender todos os exemplares”.

Sobre a segregação racial nos Estados Unidos, página 512:

“Em julho, o embaixador das Nações Unidas da antiga colónia francesa do Chade, Adam Malick Sow, encontrava-se em viagem entre Nova Iorque e Washington quando parou para beber café num restaurante em Maryland, o Bonnie Brae, e recusaram servi-lo. O mesmo acontecera a três outros diplomatas africanos na mesma estrada, a Route 40, mas o embaixador Sow queixou-se pessoalmente a Kennedy e o governador de Maryland, J. Millard Tawes, teve de apresentar um pedido de desculpas público. Kennedy quisera fazer desaparecer o problema – «Não podes simplesmente dizer aos africanos para não andarem na Route 40?», perguntou ele a Wofford. «Diz aos embaixadores que não aconselho que vão de carro de Nova Iorque até Washington». Kennedy, evidentemente, ia de avião.”

Sobre o poema O Uivo, de Alan Ginsberg, julgado por obscenidade, página 645:

“Os elementos da acusação tentaram relembrar ao juiz os casos de palavras obscenas no poema, pedindo a Schorer (o editor) que os justificasse. Questionaram-no, por exemplo, acerca deste verso: «O mundo é santo! A alma é sagrada! A pele é sagarda! O nariz é sagrado! A língua e o caralho e a mão e o olho do cu sagrados!» Qual era o valor literário de tais palavras?”

Sobre a discriminação das mulheres nos Estados Unidos, página 726:

“Não obstante, de acordo com vários indicadores, as mulheres americanas estavam numa situação pior em 1963 do que em 1945 ou até em 1920. Em 1920, 20% dos diplomas de doutoramento tinham sido atribuídos a mulheres; em 1963, apenas 38%. A idade média do primeiro casamento foi baixando: quase metade de todas as mulheres que casaram em 1963 eram adolescentes. Entre 1940 e 1960, a taxa de natalidade de um quarto filho triplicou”.

Uma curiosidade do cinema francês, durante a guerra, na página 871:

“A estrela de Os Rapazes da Geral (Les Enfants du paradis), Arletty, foi condenada a uma pena de prisão por «colaboracionismo horizontal» com um oficial da Luftwaffe. (Arletty teve uma forma de expressar a sua falta de arrependimento: «o meu coração pertence a França, mas o meu rabo pertence ao mundo inteiro»)”

Sobre a guerra do Vietname, na página 913:

“Quando o envolvimento activo americano terminou, já os Estados Unidos tinham lançado o triplo de toneladas de bombas sobre o Vietname do Norte, um país do tamanho do Illinois, do que as lançadas pelos Aliados em toda a Segunda Guerra Mundial.”

E na página 915:

“A missão militar americana foi catastrófica a vários níveis. A idade média dos militares americanos no Vietname era de 19 anos. (Na Segunda Guerra Mundial, situara-se nos 26 anos). em 1970, cerca de 60 mil drogavam-se, com ópio ou heroína, e foram registados mais de 800 incidentes de fragging – oficiais feridos ou mortos pelos próprios soldados. Meio milhão de veteranos sofriam de perturbação de stress post-traumático, uma proporção superior à de qualquer uma das duas guerras mundiais.”

Lemos este livro todo de enfiada, mas ele também pode ser útil como consulta. Uma empreitada que nos ajudou a esclarecer muitas dúvidas e nos deu a conhecer muitos pormenores relacionados com a História contemporânea.

“Misericórdia”, de Lídia Jorge (2022)

Livro curioso, este.

Lídia Jorge consegue manter-nos presos na leitura de um livro que, no fundo, é um diário de uma idosa internada num Lar – coisa que, à primeira vista, pode parecer um pouco desinteressante.

No entanto, a narradora, que é a própria velhota, consegue manter-nos interessados, contando-nos o dia-a-dia de um lar, com a entrada e saída dos diversos cuidadores, com o ataque das formigas, que invadem as camas dos idosos, com o sr. Tavares, que é truculento e malcriado, o sr. Peralta, que toca piano, a menina Joaninha, que se atira a todos os velhos, a funcionária brasileira, que acaba grávida de um húngaro e por aí fora. Às tantas, o Lar é uma metáfora do país.

Curiosamente, a filha da narradora é escritora e quer fazer amor com o Universo e o genro assobia como um pássaro. Depois de muitas aventuras, a história termina com a chegada da pandemia do covid.

Aconselho.

Passos com três ésses

Passos Coelho veio à superfície e participou num comício da AD no Algarve.

Escusava de se ter incomodado.

E porquê Passos com três esses?

S de sonso (sujeito que esconde as suas verdadeiras intenções), porque Passos não quer que a AD vença com maioria absoluta, quer que a AD vença, mas seja obrigada a aliar-se ao Chega para governar. E aí, o Montecoiso tem de dar o dito por não dito. Portanto, o sonso Passos não foi ao comício ajudar Montecoiso – foi apertá-lo.

S de sujo (ignóbil, indecente, sórdido, torpe, em que há fraude), porque Passos esteve envolvido naquela cena da Tecnoforma, que nunca foi esclarecida e, depois de ter prometido, na campanha eleitoral, que não iria tocar nas pensões nem subtrair subsídios de Natal, foi isso mesmo que fez depois, quando chefiou o governo.

S de sacana (finório, espertalhão…), porque Passos teve a lata de se referir à imigração e de a ligar à falta de segurança, durante o discurso que proferiu no comício no Algarve. Passos sabe que Portugal é um dos países mais seguros do mundo e sabe que os imigrantes, neste momento, são essenciais para manter em funcionamento muitos sectores da nossa economia, nomeadamente, o turismo. No entanto, apesar de saber isso, deu a entender que são os imigrantes que provocam a insegurança que algumas pessoas não sentem, mas acham que existe.

Mas três esses são poucos para Passos!

Safardana, sacrista, sevandija, sabujo, sórdido, sebento – tudo isto sem ofensa, claro!

Para quando a sua adesão ao Chega?

O Ventura já tem o boletim de inscrição pronto. Basta assinar.

O Chega não chega!

O debate com os dez partidos sem assento no Parlamento, mostrou que, afinal, o partido do Ventura é apenas um de entre muitos, e que devíamos prestar mais atenção aos Chegas que para aí andam. Afinal, os reaccionários portugueses não têm razões de queixa. Têm muito por onde escolher, caramba! Percebemos que, afinal, a comunicação social tem sobrevalorizado o Chega do Ventura, esquecendo todos estes pequenos Chegazinhos que adoptaram outros nomes.

Pergunto, por exemplo, por que razão um fascista insiste em votar no Ventura quando tem um partido como o Ergue-te? Ainda ontem, o líder desse partido, o extraordinário Pinto Coelho defendeu o fim do direito à greve e propôs que a Ponte 25 de Abril se volte a chamar Ponte Salazar, algo que poderá mudar a vida de toda a malta que atravessa aquela ponte todos os dias.

Estás a pensar votar no Ventura? Não sejas burro – vota no Pinto Coelho, porra!

Mas há mais!

És contra o aborto e achas que essa história do aquecimento do planeta é uma grande treta? Então, por que carga de água hás de votar no Ventura, quando tens um partido, o ADN, liderado pelo extraordinário Bruno Fialho, que defende que a IVG deixe de ser paga pelo SNS e critica aquilo que chama fraude climática. Isso é que é ser de Direita! O Ventura é um aprendiz, caneco!

E isto é para não falar na Nova Direita, o partido daquela senhora chamada Ossanda Líber. Até o nome dela é parecido com Líder. Deve ser dela a liderança da Direita. Ela diz que quer limpar a Direita e afirma que Portugal não pode depender da emigração e avisa que há partidos de esquerda infiltrados na escola. Alguma vez o Chega teve a coragem de dizer tal coisa?!

Quanto ao RIR, o tal partido que diz que deve levar-se a sério, a sua nova líder, Márcia Henriques, diz que, nas escolas, os miúdos comem pior do que os cães, coisa de que o PAN nunca se lembrou, muito menos o Chega!

Outro partido que quer limpar a direita é a Alternativa 21, que junta, em coligação, o Movimento Partido da Terra, que diz derivar do partido fundado pelo arquitecto Ribeiro Telles, cujo corpo se afundou na tumba ao ouvir isso, e o Aliança, o partido fundado pelo Santana Lopes, o ex-e-actual- membro do PSD.

Já o líder do Nós, Cidadãos, Rocha Afonso, disse ser preguiçoso, como qualquer português, e isso é lá com ele. Por sua vontade, não se candidatava a estas eleições, mas, enfim, não teve outro remédio…

O líder o Partido Trabalhista é aquele senhor que se despiu no Parlamento da Madeira. Não teve grande êxito e tenta, agora, ser eleito, para mostrar os pêlos do peito no Parlamento da República.

Todos estes líderes de todos estes partidos mostraram ser muito mais disruptivos que o panhonhas do Ventura.

Ao pé deles, o Andrézinho não passa de um principiante.

Se são verdadeiramente de direita, votem em qualquer um deles e caguem no Ventura!