“Oh William!”, de Elizabeth Sttout (2021)

De Elizabeth Strout, tinha lido o excelente “Olivia Kitteridge”, livro com o qual venceu o Pullitzer.

Neste “Oh William”, Strout retoma uma sua personagem, a escritora Lucy Barton que, num tom coloquial, nos conta alguns episódios da sua vida e do seu relacionamento com um dos seus ex-maridos, William, que descobre que, afinal, tem uma meia irmã, de quem a sua mãe nunca lhe falou.

O livro tem uma estrutura narrativa contínua, isto é, não está dividido em capítulos, mas em pequenos textos em que a narradora, Lucy, nos vai contando o que se passa, como se estivesse sentada na nossa sala.

Fiquei com muita curiosidade em conhecer os restantes livros desta escritora.

“Informadores da Pide – Uma Tragédia Portuguesa” – de Irene Flunser Pimentel (2022)

Em plena época de incêndios, apete dizer que Portugal é um país de incendiários.

Não é verdade.

O que Portugal é, é um país de delatores, de denunciantes, de traidores – pelo menos, é este o sentimento que fica depois de ler este brilhante livro de Irene Flunser Pimentel que, sem juízos de valor (a não ser nas notas finais, também elas brilhantes) nos conta a história desta verdadeira tragédia portuguesa.

Quantos terão sido os informadores da Pide? Talvez cerca de 20 mil!

Não se sabe ao certo quantos foram, mas foram muitos milhares e instalaram na sociedade portuguesa o clima de medo que todos (pelo menos os da minha geração) sentiram, nos anos da ditadura. Transcrevo da página 166:

“O facto de muitos anónimos escreverem recorrentemente ao Ministério do Interior e à PIDE a oferecerem os seus serviços como informadores é revelador de que existia, no seio da população portuguesa, uma espalhada cultura de denúncia. Se foi um facto que a PIDE/DGS teve muitos informadores, a principal razão da sua eficácia foi o «clima de desconfiança criado pelo pressentimento da sua existência». O mesmo terá acontecido com a escuta telefónica, com a qual a PIDE «obtinha mais vantagens» ao difundir a suspeita de que haveria um número incalculável de telefones vigiados pela polícia, do que com as escutas que efectivamente executava.”

Muitas vezes, os informadores traíam alguém em troca de algum favor, para conseguir um emprego melhor, para receber dinheiro, para obter uma casa – era o espírito da cunha, do favorzinho, que ainda hoje impera na nossa sociedade. Claro que, graças a essa delação, alguém era preso, talvez torturado, mas o informador não se preocupava com isso.

Portugal, um país de delatores. Exagero? Talvez não. Transcrevo da página 140:

“O excesso de denúncias chegou mesmo a ser criticado e condenado pelos próprios ministros do Interior da ditadura, como se pode ver através de duas circulares de épocas diferentes, separadas por vinte anos, 1951 e 1971, da autoria dos então detentores dessas pastas. Preocupado com a quantidade de denúncias anónimas ou de candidaturas a informador que regularmente lhe chegavam, o ministro do Interior, nomeado na remodelação governamental de agosto de 1950, Joaquim de Trigo Negreiros, enviou, em 11 de outubro de 1951, uma circular à PIDE, a queixar-se da generalização da delação.”

As denúncias por vezes – muitas vezes – eram mesquinhas, como esta (página 218):

“…o mesmo elemento da polícia política denunciou o presidente da Câmara de Mourão, por ver «com indiferença o pessoal» da DGS, ao não cumprimentar, no café, o chefe e os agentes do posto fronteiriço de S. Leonardo.”

Lemos em conjunto este livro que nos fez, mais uma vez, recordar a importância do 25 de Abril de 1974 e gostaria de esfregar as suas páginas nas trombas de alguns tipos que por aí andam a tentar fazer o tempo andar para trás.

E termino citando uma das notas finais da autora:

“Viu-se que houve informadores em toda a sociedade portuguesa, desde operários a assalariados rurais, a escriturários, comerciantes, proprietários, médicos que traíram o seu juramento, jornalistas, fotógrafos, presidentes de Câmara e directores de empresa, militares e civis, homens e mulheres, jovens e de meia-idade, padres, que transmitiram o que ouviam na confissão, professores dos vários graus de ensino que denunciaram alunos e estudantes. Viu-se também que quase todos, além de ganhos financeiros e de partilha do poder em ditadura, utilizaram o velho hábito da «cunha» para arranjar um emprego melhor ou subir na carreira da Administração Pública».

De facto, uma tragédia portuguesa!

“Shuggie Bain”, de Douglas Stuart (2022)

Douglas Stuart nasceu em Glasgow em 1976, sendo o mais novo de três irmãos. O seu pai abandonou a família e os três irmãos foram criados pela mãe, dependente do álcool. Quando Douglas tinha 16 anos, a mãe morreu, devido a doença relacionada com o alcoolismo. Depois disso, viveu com os irmãos mais velhos, depois numa espécie de pensão. Conseguindo tirar um curso de design de moda, mudou-se para Nova Iorque aos 24 anos.

“Shuggie Bain” é o seu primeiro livro e arrecadou logo o Booker Prize. Agnes Bain e Shuggie Bain são os principais personagens. Ela é a mãe, alcoólica, e ele é o filho, dependente da mãe, mas, ao mesmo tempo, o seu único apoio.

Conhecendo a biografia de Douglas Stuart, percebemos que o livro tem que ser autobiográfico.

A acção decorre nos anos 80, na cidade de Glasgow, nos bairros sociais com os problemas do desemprego na época da Tatcher, as drogas e o álcool.

“Ouvira dizer que a Tatcher já não queira trabalhadores a sério. O futuro, para a chefe do Governo, era a tecnologia e a energia nuclear e a saúde nas mãos dos privados. Os dias da indústria tinham acabado e os ossos dos estaleiros Clyde e dos caminhos-de-ferro Springburn jaziam na cidade como dinossauros em decomposição. Os bairros estavam cheios de rapazes trabalhadores a quem haviam prometido o ofício dos pais e que agora não tinham qualquer futuro. Os homens perdiam a sua masculinidade.”

Com as devidas distâncias, algumas passagens fizeram-me lembrar os bairros sociais onde trabalhei como médico durante mais de 30 anos.

“As mulheres olharam umas para as outras, Bridie falou primeiro.

– Temos de arranjar-te um subsídio. Vais ao escritório na segunda de manhã. Vais dizer-lhes que precisas de uma pensão de invalidez, se não vão pôr-te a ir ao fundo de desemprego todas as quintas.

– E dão-me uma pensão de invalidez?

– Ah, não te rales, ‘miga. Basta eles verem onde moras e está feito. Olha para este bairro. – Bridie apontou para a rua vazia – Estás a ver novos empregos a aparecer por estes lados? O nosso é o clube da invalidez, e todas as segundas-feiras é dia de o clube ir levantar o subsídio.”

Aconselho vivamente.

“Comboios Rigorosamente Vigiados”, de Bohumil Hrabal (1965)

Hrabal (1914-1997) é um dos maiores escritores checos, embora a sua obra não seja tão divulgada como, por exemplo, a de Milan Kundera, pelo menos, em Portugal.

Da sua biografia, consta o seu amor por gatos e cerveja e consta, também, uma morte bizarra: caiu de uma janela num hospital de Praga, quando dava de comer aos pombos.

Viveu a ocupação nazi e a repressão do post-guerra. Teve diversos ofícios, nomeadamente, foi ferroviário e essa experiência usou-a na escrita desta pequena novela passada durante a ocupação nazi.

O narrador é Milos, um jovem estagiário dos caminhos de ferro e tem um problema de ejaculação precoce, o que o diminui perante a Masa, a sua amada. Procura inspiração no seu colega, o sinaleiro Hubicka, capaz de carimbar as nádegas da telegrafista. Muito curiosa, também, a personagem do senhor chefe da estação, que cria pombos e que os trata como se fossem bebés.

Um pequeno livro que vale a pena ler e um autor que eu gostaria de conhecer melhor.

“A Ilha das Árvores Desaparecidas”, de Elif Shafak (2021)

Mais um livro muito curioso desta escritora turco-britânica. Se “A Bastarda de Istambul” abordava o conflito entre turcos e arménios, neste “A Ilha das Árvores Desaparecidas”, o pano de fundo é o conflito entre gregos e turcos em Chipre.

A propósito de um amor (quase) impossível entre a turca Defne e o grego Kostas, a autora conta vários episódios relacionados com o conflito entre os turcos e os gregos que dividiu Chipre em dois.

Kostas é botânico e Shafak polvilha o livro com muitas curiosidades sobre árvores, plantas, aves e insectos. Graças a outra personagem, Meryem, ficamos a conhecer diversos usos e costumes do lado turco de Chipre, bem como inúmeros provérbios.

Outra curiosidade deste romance reside no facto de uma figueira ser também uma personagem, que ajuda a fazer avançar a história, como observadora do mundo que a rodeia, em particular do casal Defne-Kostas.

Finalmente, a filha do casal, Ada, que já nasceu na Grã-Bretanha, representa uma geração de imigrantes que nunca chegaram a conhecer o seu país de origem, mas que têm uma secreta curiosidade em saber mais coisas sobre ele.

Recomendo.

“As Pessoas Invisíveis”, de José Carlos Barros

José Carlos Barros (Boticas, 1963), ganhou o Prémio Leya de 2021 com este romance que li em três tempos.

A história começa por altura da Segunda Guerra Mundial, à exploração de volfrâmio e à amizade entre um engenheiro alemão e Xavier Sarmiento, um jovem que descobre que tem o dom de curar, graças a mezinhas e rezas e outros truques.

Vamos acompanhando este Xavier, que depois se torna chefe de milícias e espalha o terror em África. A história conta-nos, então, um dos massacres mais esquecidos ocorridos em Moçambique. E, no fim, dá a volta, terminando com o filho de Xavier, já nos anos 80, pouco depois da morte de Sá Carneiro.

Com uma linguagem muito curiosa que, aqui e ali, faz lembrar alguns romances e Aquilino, Barros vai dando conta de episódios da política nacional, como este:

“Tudo acontece longe de Vilarinho. Os planos dos alemães para a invasão de Portugal, depois de a França ter caído sob o domínio do Terceiro Reich. Os planos do Caudilho de ocupar o país vizinho e de ficar com os portos estratégicos à sua mercê. Os planos de Roosevelt para a ocupação dos Açores e de Cabo Verde. Os planos de todos para tomar conta do país, enquanto Salazar mexe os cordelinhos invisíveis da neutralidade e vai andando assim, se se molhar, entre os pingos da chuva.”

Aliás, o livro tem algumas citações de Salazar, como esta:

“Depois do próprio Salazar, em 1933, desafiar os Governadores Coloniais a participarem do esforço de «organizar a protecção das raças inferiores, cujo chamamento à nossa civilização cristã é uma das concepções mais arrojadas e das mais altas obras da colonização portuguesa»”.

Quase no final do romance, em eleições dos anos 80, em Vilarinho houve três votos no Partido Comunista.

“Até que o padre Américo confessou que um dos votos era da sua responsabilidade. Que estava na cabina de prumos metálicos e tabopan perfurado, a debruçar-se sobre o boletim, quando perdeu o sentido e parecia que o demónio lhe tomava a mão. E então pôs uma cruz no quadradinho da foice e do martelo, a significar assim o esconjuro e, por essa via, a eliminação do que o símbolo representava. E, ainda possuído por uma entidade exterior, ainda meio atordoado, dobrou a papeleta em quatro, caminhou em direcção da mesa, introduziu-a na urna e recolheu o bilhete de identidade. E só quando saiu da escola se compenetrou do erro e da gravidade dele. E que desde domingo nem conseguia dormir.”

Recomendo.

“Encruzilhadas”, de Jonathan Franzen (2021)

Franzen é, actualmente, um dos maiores escritores norte-americanos e, pelos vistos, é especialista em escrever “tijolos”.

Já tinha lido Liberdade (684 páginas) e Purity (694 páginas); este Encruzilhadas conta com 677 páginas.

Na contracapa deste livro pode ler-se que “os romances de Jonathan Franzen são célebres pelas personagens inesquecivelmente vigorosas e pela sua perspicaz visão da América contemporânea.”

Estou de acordo, e é talvez isso o único defeito dos seus romances, o serem demasiado americanos.

Neste Encruzilhadas, cuja acção decorre num curto período entre 1971 e 72, conhecemos a família Hildebrandt. Russel é um pastor menonita numa igreja nos subúrbios de Chicago; o seu casamento com Marion está num marasmo; ela engordou e deixou de lhe despertar desejo sexual. Entretanto, na paróquia, surgiu uma viúva jovem por quem Russel perde a cabeça. Marion tem, no entanto, um passado bem curioso, que sempre ocultou ao marido, nomeadamente, um internamento por crise psicótica. O casal tem quatro filhos. O mais velho, Clem, pretende oferecer-se como voluntário para o Vietname: Becky é a estrela do liceu; Perry, com 14 anos, é toxicodependente; Judson tem apenas 9 anos e quase não conta para a história.

Todas estas personagens travam as suas lutas individuais tendo a religião como pano de fundo.

Cada capítulo é dedicado a uma destas personagens e, depois de um começo um pouco complicado, embrenhamo-nos na história e é difícil parar de ler.

“Histórias de Cronópios e de Famas”, de Julio Cortázar (1962)

Quando, em 1975, comprei “Todos os Fogos o Fogo”, de Cortázar, este livrinho que agora a Cavalo de Ferro decidiu reeditar, escapou-me.

O livro está dividido em quatro partes: a primeira parte chama-se “Manual de Instruções” e inclui, por exemplo, Instruções para Chorar, Instruções para Cantar, Instruções para matar formigas em Roma e outras.

A segunda parte tem o título “Ocupações Particulares”, onde Cortázar falar da sua enorme família e de como ela se comporta para caçar jaguares ou em velórios, para além de outras ocupações particulares.

A terceira parte, chamada, “Material Plástico”, reúne pequenos contos, como este, intitulado “Progresso e Retrocesso”:

“Inventaram um vidro que deixava passar as moscas. A mosca vinha, empurrava um pouco com a cabeça, e pof!, já estava do outro lado.

Alegria enorme da mosca.

Foi tudo destruído por um sábio húngaro ao descobrir que a mosca podia entrar mas não sair, ou vice-versa, por causa de um defeito qualquer na flexibilidade das fibras desse vidro, que era muito fibroso. Em seguida inventaram o cata-moscas com um torrão de açúcar no interior, e muitas moscas morriam desesperadas. Assim acabou qualquer hipótese de confraternização com estes animais dignos de melhor sorte.”

Finalmente, a quarta parte reúne as “Histórias de Cronópios e de Famas”. São seres imaginários e, juntamente com os esperanças, formam um conjunto surrealista inventado por Cortázar. Por exemplo, “Conservação das Recordações”:

“Para conservarem as suas recordações, os famas embalsamam-nas da seguinte forma: depois de fixada a recordação com todos os pormenores, envolvem-na dos pés à cabeça num lençol preto e encostam-na de pé contra a parede da sala, com um pequeno cartão que diz: «Excursão a Quilmes» ou «Frank Sinatra».

Os cronópios, em contrapartida, esses seres desarrumados e mornos, deixam as recordações à solta pela casa, a gritar alegremente, andam entre elas e quando uma passa a correr acariciam-na suavemente e dizem: «não te magoes» ou «cuidado com os degraus». (…)” Não há dúvida que é um livro diferente e penso que já ninguém escreve assim… e é pena…

Outros livros de Cortázar: Um Certo Lucas; O Jogo do Mundo;

“Contos de Odessa”, de Isaac Babel

Muito oportuna esta edição da Relógio de Água. Numa altura em que a Ucrânia, e nomeadamente Odessa, estão permanentemente nas notícias, pelas piores razões, o lançamento destes Contos de Odessa dão uma ideia de como seria a vida nessa cidade, nos primeiros anos do século 20.

Isaac Babel nasceu em 1894, em Odessa, e terá morrido em 1940, num Gulag, às mãos do KGB – quer isto dizer que foi contemporâneo do domínio russo dos czares e, depois, dos bolcheviques.

A imagem que transparece de Odessa, nestes contos, é de uma cidade violenta, a que chamam a Marselha do Mar Negro, em que digladiam gangues, contrabandistas, malfeitores, ladrões e bêbados, judeus e gentios.

O livro é traduzido do russo por Nailia Baldé e a linguagem de Babel é muito peculiar. Os assaltantes do bairro de Moldavanka têm em Bênia Krik o seu chefe, conhecido como o Rei. Logo no primeiro conto, estamos no casamento do Rei:

“Os convidados sentaram-se à mesa sem respeitarem idades. Uma velhice tola não é menos tolerável do que uma juventude cobarde. Também não respeitaram as fortunas. O forro de uma bolsa bem recheada é feito de lágrimas.”

Ao longo dos oito contos deste pequeno livro, vamos conhecendo muitas figuras deste bairro de Moldavanka, como, por exemplo, Liovka.

“Um dia, Liovka, o mais novo dos Krik, conheceu Tabl, a filha de Liubka. Em russo, Tabl significa pombinha. Ele viu-a e desapareceu de casa por três dias. Ficava deliciado com o pó das calçadas desconhecidas e com os gerânios nas janelas alheias. Passados três dias, Liovka voltou para casa e encontrou o pai no jardim. O velho estava a cear. Madame Gorobtchik estava sentada ao lado do marido e olhava em redor como uma assassina.”

Um livro muito curioso.

“Tomás Nevinson”, de Javier Marías (2021)

Suspeito que, depois de escrever, ou enquanto escrevia, “Berta Isla”, Javier Marías achou que tinha em mãos uma muito boa ideia e que podia e devia explorá-la.

Berta Isla era casada com Tomás Nevinson, um homem com dupla nacionalidade, inglês e espanhol, e versado em muitas línguas e capaz de fazer diversos sotaques e tons de voz.

Cedo foi recrutado para os serviços secretos britânicos e nesse primeiro livro, embora saibamos alguns episódios da sua vida de espião, sabemos, sobretudo, como a sua mulher suporta as suas longas ausências e até a notícia da sua morte que, afinal, era claramente exagerada.

Neste volume de 650 páginas, Marías conta-nos o regresso de Nevinson do mundo dos mortos, a sua reintegração na embaixada de Londres em Madrid e, finalmente, descreve-nos, em pormenor, a sua nova missão.

Javier Marías é abundante em descrições dos pensamentos e das angústias das personagens; por exemplo, demora cerca de cem páginas para descrever o encontro de Nevinson com o seu chefe, altura em que vai conhecer a sua nova missão.

Esta última missão de Tomás Nevinson consiste em tentar descobrir qual de três mulheres, que vivem numa determinada cidade, teve um passado terrorista, ligado ao IRA e à ETA – e o livro é muito crítico em relação a estas duas organizações terroristas, descrevendo os seus atentados nos anos 90 do século 20.

Travestido em professor de inglês, Nevinson, com outro nome, claro, vai aproximar-se das três mulheres, tentando perceber qual delas teve um passado de terrorista.

E, finalmente, quando se descobrir qual delas é a tal, será que Nevinson é capaz de a matar?

Curiosa esta frase, colocada na boca do protagonista e muito actual: “E esse conceito moderno de crimes de guerra é ridículo, é estúpido, porque a guerra se compõe sobretudo de crimes, em todas as frentes, e do primeiro ao último dia”.

Recomendo.