Bom dia, Sr. Manuel Acácio: quanto à física quântica…

Todos os dias, de segunda a sexta, a rádio TSF ocupa duas horas da sua programação, das 10 ao meio-dia, com um Fórum, onde o jornalista Manuel Acácio atende telefonemas de ouvintes sobre os mais diversos temas, desde as transferências no futebol, ao aumento do número de casos de covid 19.

Tenho o cuidado de não ouvir o programa, mas, por vezes, sem querer, tenho o rádio ligado e oiço o Sr. Monteiro, taxista, que nos liga em viagem, a dizer que o governo quer destruir o tecido empresarial português com este aumento de impostos, ou o Sr. Galhardo, reformado, que nos liga de Santarém, a dizer que a nova legislação sobre as barrigas de aluguer é uma desgraça porque tem uma tia que gostaria de engravidar, mas está desempregada, ou ainda o Sr. Joaquim, que nos liga de Vila Pouca de Aguiar e que quer deixar o seu depoimento sobre os novos medicamentos anticancerosos, cujo preço não está regulamentado pelo governo.

Por exemplo, o Sr. Armando, comerciante de Paredes, participou no Fórum sobre fruta normalizada, adopção por casais do mesmo sexo, máquinas de radioterapia que estão fechadas há anos no Hospital de Santa Maria, e aumento do preço dos combustíveis. E isto é paradigmático. Qualquer pessoa pode ligar para o Fórum e dizer as maiores barbaridades sobre qualquer assunto e programa mais democrático não há.

As pessoas não têm o direito?

Claro que têm!

Mas isso é informação?

Duvido.

Mas gostaria de ouvir o Sr. Armando, comerciante de Paredes, dizer qual a sua opinião sobre a radiação de corpo negro, no âmbito da física quântica e o que o governo devia fazer quanto a isso.

Cada vez mais o cão morde no homem

A comunicação social, em geral, adopta, cada vez mais, esta atitude de procurar sempre a defesa das minorias, o que poderia ser uma coisa digna de aplauso, mas que acaba por ser uma posição irritante.

O exemplo mais recente desta atitude centra-se no combate à pandemia.

Ninguém estava preparado para o covid 19.

Quando se fizerem as contas, no final de mais esta pandemia, ninguém se poderá vangloriar de ter antecipado o problema e de o ter enfrentado com notável sucesso.

Ao longo destes meses, a comunicação social tem enchido a boca com o exemplo da Suécia. Hoje, o rei dos suecos declarou publicamente que o país tinha falhado, no que respeita combate contra o covid, sobretudo nesta segunda onda.

Outro exemplo que a comunicação social levou aos píncaros, nomeadamente a Dona Sandra Felgueiras, da RTP, foi o da República Checa. Também já passou à história, perante o aumento do número de casos.

Por cá, os jornais e as televisões partiram sempre do princípio de que o SNS é uma merda e que a ministra da Saúde é uma incompetente e que a directora-geral da Saúde, uma tonta. Os hospitais estiveram sempre à beira da ruptura, os doentes estiveram sempre a morrer por falta de diagnósticos, nunca houve testes suficientes, as medidas foram sempre insuficientes ou, pelo contrário, foram a mais, os ventiladores eram poucos, depois eram suficientes, mas faltava-lhes um adaptador para o oxigénio (gostava de saber se os jornalistas fazem ideia do que é um ventilador, quanto mais uma cena para o oxigénio…).

O Público e a RTP conduziram um inquérito sobre a avaliação que os portugueses fazem do trabalho das autoridades, no que respeita ao combate ao covid.

Anunciaram, em parangonas, que 17% dos inquiridos classificavam como mau ou muito mau o desempenho da ministra Marta Temido; no entanto, mais de 80% disseram que o trabalho dela foi razoável, bom ou muito bom.

Idêntico raciocínio fez a comunicação social em relação a António Costa ou Graça Freitas, ou seja, as opiniões positivas ou razoavelmente positivas foram escamoteadas, em favor da minoria das opiniões negativas.

Mas, no que respeita à vacina contra o covid, a atitude da comunicação social é ainda mais preconceituosa.

Os jornalistas, em geral, ignoram que Portugal é um dos países do Mundo com taxas mais elevadas de vacinação – e que essa vacinação é feita, toda, nos nossos Centros de Saúde. As nossas equipas de enfermagem vacinam contra o tétano, poliomielite, tosse convulsa, parotidite, sarampo, rubéola, meningite, etc, há décadas.

E como são ignorantes neste campo, os jornalistas encheram a boca com os alemães, que estão a preparar pavilhões para vacinações em massa, como quem diz, vêem como eles são bons e nós somos uma merda?!…

Afinal, parece que a Pfizer não vai ser capaz de fornecer o número de doses que previa, pelo que, a nós, Portugal, cabem 9 750 doses, para já. Para as nossas enfermeiras, vacinar 9 750 pessoas vai ser como limpar o cu a meninos.

Ontem mesmo, os jornais embandeiravam com a notícia de que a França e a Alemanha iam começar a vacinação a 27 de dezembro. Afinal, parece que TODOS os países da União Europeia vão começar nesse dia. Portugal TAMBÉM!

Finalmente, no tal inquérito do Público e da RTP, perguntava-se se os portugueses estavam dispostos a ser vacinados contra o covid.

Três em cada quatro responderam que sim, mas isso era mau, em termos de notícia. Pois se estava estabelecido, pelos órgãos de comunicação social, que a campanha de vacinação ia correr mal, que não havia pessoal suficiente, que os centros de saúde não seriam capazes de cumprir a tarefa – era preciso dar uma ideia diferente da opinião geral dos inquiridos.

Por isso, noticiou-se que um em cada quatro portugueses não pretende ser vacinado para já…

Ora, porque não vão dar banho ao cão?…

Títulos de jornais

Devo ser dos poucos Homo Sapiens que ainda lê jornais todos os dias. Falo de jornais em papel, claro.

Uma coisa que me irrita solenemente é aquilo que considero ser a preguiça jornalística.

Deve ser essa preguiça que leva a títulos destes (no Público de hoje).

Ora, se todos os dias são detidas cinco pessoas, quem será que as liberta para que possam ser presas, novamente, no dia seguinte?

Este erro semântico é sistemático.

Bastaria que o jornalista titulasse assim: “Em média, cinco pessoas por dia são detidas…”

Ou ainda: “Violência doméstica: cinco detidos por dia, em média”.

Outro tipo de título que me irrita é o que encerra erros ortográficos, como este, publicado no Sol de sábado passado.

O Matteo Salvini, além de ser um perigoso direitista, “custumava”?

Do verbo “custumar”?

Que porra de verbo será este?

Como é possível, com os correctores informáticos, continuar a cometer erros destes?

Será que o corrector sublinhou a palavra “custumava” e o Sr. João Campos Rodrigues achou que o corrector estava enganado ou, por outro lado, tão preguiçoso como o colega do Público, nem sequer reviu o texto?

Enfim, eu é que sou chato…

Os bons e os maus, segundo os media

A comunicação social deixou de ser imparcial há muito tempo. Sobretudo nas televisões.

Hoje em dia, raramente podemos assistir à transmissão de uma notícia.

Segundo o Grande Dicionário de Língua Portuguesa (obra em doze volumes, da responsabilidade da Sociedade de Língua Portuguesa, editada em 1981, quando óptimo ainda levava o pê…), notícia significa “conhecimento, informação; nota, observação, apontamento; resumo, exposição sucinta de um acontecimento”, etc.

Gosto desta última definição: exposição sucinta de um acontecimento.

Exactamente o contrário do que se passa, hoje, em dia, na comunicação social televisiva.

O massacre informativo banaliza a verdadeira importância dos acontecimentos.

E a tomada de posição dos jornalistas, que deviam ser isentos e imparciais, desvirtua a realidade.

Os acontecimentos na Venezuela são um bom exemplo. A comunicação social decidiu que Juan Gaidó é bom e Nicolás Maduro é mau.

A partir deste pressuposto, todas as notícias sobre a Venezuela pecam por parcialidade. Então, se o povo da Venezuela está à míngua, cheio de fome, com uma inflação galopante, sem medicamentos, morrendo nos hospitais por falta de assistência, vegetando à fome por falta de alimentos, como se explicam as manifestações a favor de Maduro, onde milhares de venezuelanos dançam, cantam e clamam pelo chefe supremo?

Mas Guaidó é apoiado pelos Estados Unidos e Maduro, pela Rússia – portanto, mais uma razão para os media considerarem Guaidó bonzinho e Maduro, um perigoso ditador.

Sendo apoiado pelos EUA, Guaidó tem o apoio de Trump. Ora, Trump é mau, segundo os media. É um bronco, mente constantemente, é obsceno, mal-educado e inculto – o contrário de Obama, que era bonzinho, muito delicado, tinha uma mulher inteligente, ambos pretinhos e tudo!

Trump é quase tão mau como Bolsonaro, que é nazi, retrógrado, reaccionário.

Quem já foi muito má e agora é excelente, foi Angela Merkel. No tempo da troika, a senhora era péssima; depois, quando decidiu acolher refugiados, passou a ser muito boazinha, sobretudo em compensação com aquele tipo da Hungria, que é mesmo muito mau.

No que diz respeito a França é que a coisa está mais complicada. Os coletes amarelos são maus porque partem montras, mas são heróis porque têm um luso-descendente entre os chefes, que até perdeu um olho numa manif. Claro que o Macron é mau, porque apoia os ricos e não quer saber dos coletes amarelos, mas se calhar é bonzinho porque vai reconstruir a Notre Dame em cinco anos…

E acho que chega para mostrar o meu ponto de vista.

Um acontecimento deve ser noticiado como aconteceu, sem mais devaneios ou pinceladas da autoria do jornalista que, assim, se quer tornar o centro da notícia.

É frequente ouvirmos os jornalistas queixarem-se das condições de trabalho, que a polícia não os deixou entrar, que o político não respondeu às perguntas, que a sala tinha má acústica. E este é o principal problema de algumas profissões.

O principal objecto da medicina são os doentes, da educação, são os alunos e do jornalismo, é a notícia.

O resto é encher chouriços.

PS – Como é possível que um jornal televisivo demore hora e meia e apenas se detenha sobre três ou quatro notícias?…

Tavares pobre

Há um restaurante muito famoso na Rua da Misericórdia (também conhecida como Rua do Mundo, por razões que a malta de hoje não percebe) – restaurante esse que se chama Tavares, mas que é conhecido como Tavares Rico. O adjectivo “rico” juntou-se ao Tavares por razões óbvias, desde sempre, desde a sua inauguração em 1784. É rico pela decoração, pelos lustres, pelos preços e requinte dos comeres e dos beberes, pelos frequentadores.

Há também um jornalista chamado Tavares, muito famoso na terra dele, que é Portalegre e, por isso mesmo, foi escolhido para organizar as comemorações do 10 de Junho deste ano, pelo Presidente Marcelo.

Assina João Miguel Tavares e eu chamar-lhe-ia Tavares Pobre.

Pobre pelos temas que escolhe para a sua coluna da última página do Público, pobre pela argumentação que usa e que é tristemente fraca, limitada, pobre, numa palavra.

Além desta coluna destacada (acho que é semanal), o Tavares (pobre) faz também parte do Programa Governo Sombra, da TVI e da TSF, onde tem, todas as semanas, a possibilidade de explanar as suas ideias e argumentos. Pobres, quase sempre.

Claro que, por vezes, Tavares acerta. Como é um dos nossos tudistas (especialista em tudo), dá opiniões sobre tudo e mais alguma coisa – o que aumenta as possibilidades de, de vez em quando, dizer coisas acertadas.

Agora, Tavares anda muito preocupado com o facto de, no Governo do Costa, haver muitas relações familiares: há um ministro casado com uma ministra, há um ministro que é pai de uma ministra, parece que também há primos e primas e, talvez amantes.

Na crónica de hoje, Tavares debruça-se sobre o facto de a mulher do novo ministro Pedro Nuno Santos, Catarina Gamboa, ter sido nomeada chefe de gabinete do secretário de Estado adjunto e dos Assuntos Parlamentares.

No fundo, Tavares acha isto um escândalo, propondo que, no futuro, o símbolo do PS passe a ser um punho, uma rosa e “um bonito bouquet matrimonial”.

É uma piada, claro, porque Tavares é muito engraçado, tendo carreira certa na stand up comedy quando deixar de trabalhar nos jornais.

Parece que o ministro Pedro Nuno Santos decidiu explicar-se, quanto ao facto de a mulher ter sido nomeada chefe de gabinete, explicando que a conhece dos tempos da Juventude Socialista e que se apaixonou por ela porque, como é natural, passavam muito tempo juntos.

Tavares percebe isso e acrescenta que isso também acontece com os jornalistas. E escreve: “passei os primeiros oito anos da minha carreira a trabalhar no Diário de Notícias, e se não tivesse já namorada quando para lá entrei seria difícil não acabar enrolado com alguém da redacção”.

Este é um argumento que deve deixar a mulher do Tavares em brasa. Afinal, no fundo – e como Freud explicaria lendo o texto do Tavares – o homem teve ganas de se enrolar com alguém lá da redacção e só não o fez porque já tinha namorada. Pobre Tavares!…

E Tavares acrescenta: “tirando o tempo que estamos a dormir, passamos o dia todo com aquelas pessoas. Qual é o espanto dos jornalistas casarem com jornalistas e os políticos com políticos? Mas sabem o que é que se dizia (e ainda se diz) dos jornalistas? Que não conhecem o mundo para além das redacções. Que perderam a ligação às pessoas comuns. Que vivem em circuito fechado. Que essa forma de vida é limitada, pobre e pouco saudável.”

Claro que Tavares não corre este risco porque, apesar de passar a vida entre as redacções e os estúdios de televisão, não está casado com uma política.

O que Pedro Nuno Santos devia fazer era obrigar a mulher a ficar em casa a cuidar das coisas domésticas, assim como Vieira da Silva, se fosse um pai como deve ser, obrigaria a filha a cuidar da família, em vez de se meter em políticas.

Tavares ficaria assim mais feliz.

E pobre.

De Tancos para Pyongyang?

Os factos, toda a gente conhece: desapareceram dos paióis de Tancos algumas armas.

Até agora, ninguém sabe se foram desaparecendo ao longo dos tempos, se desapareceram todas no mesmo dia, se nunca chegaram a fazer parte do inventário, quem as desviou, se eram obsoletas – nada!

Parece que há inquéritos a andar, investigações em curso.

Mas eis que, de repente, o Expresso descobre um relatório que arrasa o actual Ministro da Defesa e apresenta vários cenários possíveis, entre eles, o roubo das armas por mercenários portugueses com destino à Guiné-Bissau e Cabo Verde (Cabo Verde?!… para quê?!…), ou ainda, para jihadistas.

O Presidente da República, que é o Comandante Supremo das Forças Armadas, desconhece o relatório; o Governo também parece não o conhecer.

Será uma “fake news”?…

Ontem, o actual director do Expresso, Pedro Santos Guerreiro, foi à Sic garantir que o relatório existe mesmo – e até levava consigo um caderno de folhas A4.

Claro que não disse quem era o autor do relatório porque isso não interessa nada.

Disse, isso sim, que “armamento nuclear” andava por aí, sem ninguém saber onde.

Nuclear?

Ele disse armamento nuclear?

Disse.

Então mas agora Portugal também já é uma potência nuclear e guarda as suas armas nucleares em Tancos, à mão de semear?!

Note-se que Pedro Santos Guerreiro é um jornalista premiado; ganhou o Prémio de Excelência em Jornalismo Económico, quando era director do Jornal Económico, prémio esse, de 30 mil euros, patrocinado pelo Banco Espírito Santo (dois anos depois, o Banco foi para o galheiro).

De armas é que parece que não percebe peva!

Jornalistas com viroses de merda

O jornalismo tablóide passou a ser a regra.

Em todos os assuntos, procura-se o acessório, o mexerico.

No caso da nova epidemia do sarampo, como disse o ministro da Saúde, a opinião está a ganhar à Ciência.

Ah, eu sou contra as vacinas! Porquê? Porque acho que causam autismo…

Acho.

É uma questão de achar que deita para o lixo décadas de estudos.

Ouvi na RTP uma senhora, adepta da macrobiótica, que era contra as vacinas porque uma médica de medicina tradicional chinesa lhe tinha dito que as vacinas não eram seguras. Por causa do mercúrio.

Mais uma vez, um achismo.

A tal médica que, por ser de medicina tradicional chinesa deve ser especial, achava que as vacinas não eram seguras…

E então, a tal senhora, não vacinou a filha – também porque quer uma vida sem químicos.

Sem oxigénio, símbolo químico O2, ou água, símbolo químico H2O, presumo.

Os jornalistas, em geral (acredito em excepções), estão mal informados, o que é um contrassenso (acordo ortográfico de 1990).

No que respeita, por exemplo, à jovem de 17 anos que faleceu, vítima da epidemia de sarampo, o Expresso diz que a mãe da jovem, depois de a filha ter feito uma reacção anafilática a uma vacina (difteria, tétano e tosse convulsa) decidiu não vacinar nenhuma das irmãs mais novas, hoje com 5 e 12 anos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No entanto, o Sol, diz que a jovem de 17 anos, terá feito reacção alérgica à vacina do sarampo aos “2 meses”, o que é impossível, uma vez que a primeira dose dessa vacina é dada aos 12 meses, e afirma que a mãe da jovem vacinou as irmãs, agora com 19 e 13 anos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dirão que são pormenores.

São pormenores, de facto.

Mas se as versões são tão diferentes neste caso, tão simples de verificar, o que se passará em outras notícias que vamos papando por aí?

Um palerma que não gosta de mamas

A Câmara de Lisboa decidiu colocar cartazes a favor do aleitamento materno.

Como se vê na foto, o cartaz mostra um casal jovem e a mãe está a dar de mamar ao bebé.

O slogan é simples: “Dar de mamar – um presente para a vida!”

E acrescenta-se apenas: “Aleitamento materno – Presente: Saudável; Futuro: Sustentável”

Simples e eficaz.

Mas o Expresso não gostou.

Um palerma qualquer, autor da rubrica Gente, que nunca assina o que escreve, faz comentários alarves sobre o cartaz.

Diz, por exemplo, que o “slogan é bafiento”. Em que sentido, ó meu parvalhão. Dar de mamar é, ou não é, um presente para a vida, minha grande besta?

Depois, faz comentários sobre “as opções capilares do rapaz” e sobre “a classe com que a mãe dá de mamar com a perna traçada”.

Que raio é que este gajo tem contra o penteado do rapaz? Que importância é que tem o corte de cabelo do pai para a mensagem que se quer transmitir?

E quanto à perna traçada da rapariga? Será que a mãe deste energúmeno não cruzava a perna quando lhe dava de mamar? Será que ele nunca viu nenhuma mulher a dar de mamar? Será que ele próprio nunca mamou?

Claro que o idiota pretende, no fundo, atacar o actual Presidente da Câmara, Fernando Medina, dizendo que a Câmara “se mete onde não é chamada”.

Porquê?

A Câmara não pode colocar cartazes a favor de boas práticas, a favor do aleitamento materno, contra o tabagismo, incentivando a prática de exercício físico, por exemplo?

A cegueira ideológica desta malta é inenarrável e sua azia, intratável.

Ao autor anónimo deste texto lamentável, desejo que os seus filhos (ou netos), possam mamar nas tetas das suas mamãs, mesmo que os pais usem rastas.
2016-09-10-15-43-01

A direita com dor de corno

A direita está à brocha…

Pela primeira vez, na história da jovem democracia portuguesa (é mais nova que eu!), os partidos à esquerda do PS votaram a favor do Orçamento Geral do Estado.

Que confusão isto deve fazer a algumas cabeças…

Passos Coelho até já adoptou como slogan “social-democracia sempre!”.

Liberal de merda!…

Quanta à sucessora de Portas, a azougada Assunção Cristas, disse hoje que o CDS admite governo com PSD e PS, mas sem António Costa.

Infantil.

É o mesmo que dizer que António Costa admite governo de PS, PSD e CDS, mas sem Passos Coelho ou Assunção Cristas.

Ou que a Catarina Martins aceita governo BE, PS e PCP, mas sem o Jerónimo de Sousa.

Ou que o Jerónimo admite governo do PCP, PS e BE, mas sem o António Costa e a Catarina.

A Assunção é uma querida mas tem pouco jeito para isto.

Quanto ao ex-primeiro-ministro, continua a inaugurar e a visitar lares de terceira idade, como se continuasse no poder.

Todos os dias surge nos telejornais, a fazer declarações, com aquele ar solene de quem continua à frente dos destinos da Nação.

Ainda ontem, no jornal da RTP, aparecia num lar qualquer, a falar sobre a função social do Estado, ele, que tudo fez para eliminar essa parte das obrigações do poder central, entregando-a à caridadezinha. E a criatura disse coisas, atacando o governo actual.

Um pouco aflitos, os jornalistas da RTP, como contraditório, repetiram afirmações do ministro Vieira da Silva, que foi inaugurar três lares ou algo semelhante, mas que não teve direito a reportagem.

Passos Coelho parece que continua a ser primeiro-ministro.

Hoje mesmo, o DN publica uma longa reportagem sobre o novo dia-a-dia do Passos Coelho, titulando na primeira página: “A nova vida de Passos: não tem segurança, ganha menos e almoça no gabinete”.

Tenho uma novidade para vocês: quero que o Passos se foda!

As máximas de Rogeiro

Nuno Rogeiro, o famoso espião português, deu uma entrevista ao i.

Não li.

Só tomei nota dos destaques.

Primeiro destaque: “Já vi Scud na Síria e no Iraque. Peguei em metralhadoras e disparei mas não tenho licença de porte de arma”

É preciso licença de porte de arma para disparar Scud?

Segundo: “Conheço o mundo da espionagem por dentro”

Duvido… continuas vivo…

Terceiro: “O Harry Potter é muito popular entre os prisioneiros de Guantánamo”

E a Cinderela, não?

Quarto: “Muitas personagens da série ‘Segurança Nacional’ são iguais a pessoas que eu conheço”

Não estarás a confundir as séries? Não será antes dos Simpsons?

Quinto: “Timbuctu ou a Síria não seriam os melhores sítios para ter uma apendicite”

E uma blenorragia?

Impagável, este Rogeiro…