João Miguel Iznogoud Tavares

Em 1962, os belgas Goscinny e Tabary criaram uma personagem de banda desenhada a que deram o nome de Iznogoud. Trata-se de um grão-vizir que se quer tornar califa e tudo engendra para o conseguir. É um ser desprezível, que recorre à mentira, à trapaça, às armadilhas mais torpes, no sentido de tirar o califa do Poder e ficar com o seu lugar.

João Miguel Tavares é um cronista que partilha com Iznogoud todas essas qualidades. Aproveita todo o rabo de notícia para construir um ataque ao governo. No fundo, Tavares, tal como Iznogoud, quer tirar o governo do Poder e colocar lá alguém do seu agrado.

Ao longo das últimas crónicas, Tavares tem acusado membros do governo, incluindo o Costa, de dizerem meias-verdades – isto é, não estão propriamente a mentir, mas também não dizem a verdade toda.

E afinal, Iznogoud faz o mesmo. Constantemente. É a sua técnica habitual.

O título da crónica de hoje, por exemplo, é este “Visitar Viktor Orbán e esquecer Pedrógão Grande”.

António Costa assistiu a parte de um jogo de futebol, sentado ao lado do primeiro-ministro húngaro. É verdade. E António Costa não foi a Pedrógão Grande no sexto aniversário dos grandes incêndios. Também é verdade.

Mas, acontece que Costa não foi visitar Orbán. Dizer isso é mentir. E Costa não esqueceu os incêndios de Pedrógão. Dizer isso também é mentir.

Portanto, que credibilidade merece um cronista que mente assim, tão descaradamente?

A mesma que nos merece um personagem de banda desenhada.

Desprezível.

Não quero saber!

Eu quero lá saber quem telefonou para o SIS!

Não insistam: não quero saber quem deu a ordem para ir buscar o computador!

Quero lá saber se o adjunto ia de bicicleta ou de trotineta, ou se foi ele que deu dois murros na senhora ou se foi a senhora que lhe deu uma canelada!

Estou-me a cagar para as notas do adjunto! O gajo pode tê-las escrito na reunião secreta ou depois, em casa, quero lá saber!

Foi o Galamba que lhe ofereceu dois socos? E depois, o que tenho eu a ver com isso?!

Ah! Foi o Pinheiro que insultou o Galamba! Quero lá saber!

Estou farto desta merda!

Será que não há mais nada para discutir?

Toda a comunicação social a falar sempre da mesma coisa há semanas, porquê?

Que ganham com isso?

Tirando as imagens do Benfica campeão e do Almeida ciclista, é só conversa fiada sobre os incidentes no Ministério das Infratorturas.

Caçam o tipo do governo na Convenção do Bloco de Esquerda e atacam-nos com as perguntas do costume: foi o senhor que deu a ordem?

NÃO QUERO SABER!

Cambada de obsessivos! Agarram-se a um assunto como lapas e não largam, como se desse assunto dependesse a vida das pessoas!

A malta está-se a lixar para quem chamou o SIS!

Convençam-se disso: ninguém fala nessa merda a não ser vocês!

Deslarguem, porra!

Em que ficamos, sr. Vieira Pereira?

O editorial do Expresso de hoje deixou-me um pouco perplexo.

O director, Pereira de seu apelido, parece que ficou zangado com o facto de o Governo ir aumentar os reformados. Ou então, não percebi bem o que ele escreve.

Pensava que o sr. Pereira achava que o António Costa tinha utilizado um truque para enganar os reformados, quando lhes deu meia pensão em outubro do ano passado e a outra metade em janeiro deste ano.

Diz o sr. Pereira:

«Em setembro do ano passado, António Costa foi acusado de usar um simples truque para proceder a um corte no crescimento esperado das pensões. Anunciou a atribuição de um suplemento extraordinário de meia pensão, ao qual se juntaria um aumento em janeiro de 4,43%.»

Mas agora, que Costa resolve aumentar os pensionistas segundo a fórmula de cálculo institucionalizada, o sr. Pereira diz:

«Foi divertido ver António Costa, Fernando Medina e Ana Mendes Godinho a abrirem o aparente saco sem fundo do erário público e começarem a distribuir dinheiro ou a prometerem distribuí-lo nos próximos anos».

Portanto, em setembro do ano passado era um truque, agora é divertido. No ano passado, o Governo estava a tirar poder de compra aos pensionistas, agora está a enriquecê-los!

Mais à frente, o sr. Pereira faz a defesa de Mário Centeno.

Sim, leram bem: Centeno, que foi acusado de, com as cativações, aldrabar as contas públicas, agora é louvado.

Diz o sr. Pereira:

«Durante anos, pela mão e ofício de Mário Centeno, o Partido Socialista ganhou o estatuto de partido das contas certas, da redução do défice e da dívida pública. (…) Num ápice tudo mudou.»

Portanto, afinal, no tempo de Centeno é que era bom. No tempo de Medina, tudo é mau. Afinal, quando o sr. Pereira atacava o então ministro das Finanças por abusar das cativações, estava a fingir. No fundo, ele adorava a política de Centeno. Estava era a fingir…

Em resumo, o que o sr. Pereira queria era um de duas coisas:

– se os aumentos dos pensionistas ficassem como estavam, zurzir no governo porque diminuía o poder de compra dos velhotes

– se o governo aumentasse, como aumentou, os pensionistas, zurzir no governo porque está a adoptar medidas eleitoralistas

É por estas e por outras que o Expresso vai perdendo credibilidade.

O sr. Pereira vai ficar na história como um dos jornalistas que está a afundar o Expresso.

God bury the queen!

Não há meio de enterrarem a senhora, caramba!

Desde que a rainha morreu, já lá vão cinco dias, que as televisões não largam o osso! Longas e intermináveis reportagens sobre o protocolo London Bridge preenchem os telejornais e os repórteres, de vestido negro, elas, de gravata preta, eles, com ar compungido, descrevem-nos, ao pormenor, o dito protocolo.

Ficamos a saber a que horas o corpo da rainha sai de um lado e vai para outro, a que horas o novo rei calça os sapatos e aperta o nó da gravata, quantos dias vai ficar o féretro – sim, o féretro, porque a realiza vai num féretro, enquanto a malta vai num caixão – quantos dias o féretro vai ficar exposto para que os súbditos possam ir prestar a sua vassalagem, e mais uma série de pintelhices, como se eu precisasse de saber essas coisas, como se eu fosse alguma vez olhar para um caixão, ainda por cima de uma rainha, ainda por cima estrangeira!

Claro que eu posso sempre desligar a televisão, mas o hábito é antigo; desde pequenino que vejo telejornais…

A saloiice das televisões tem sido manifesta, o espanto dos repórteres é evidente, os apresentadores salivam-se e ainda faltam mais cinco dias para isto tudo terminar.

Será a altura de alterar um pouco o hino e gritar God bury the queen!

Please!

O deslocamento da rotina

O novo governo de António Costa entregou ontem, na Assembleia da República, o seu Programa.

Ainda não o li.

Felizmente, outros o leram por mim.

É o caso do director do Público, Manuel Carvalho.

Carvalho deve ter lido o Programa e diz que ele “celebra a rotina”.

No seu artigo de opinião de hoje, carvalho escreve:

“Se há elogio a fazer ao programa do Governo é que entre a sua longa lista de medidas é difícil encontrar alguma que careça de sentido, que seja errada, que esteja condenada ao fracasso ou implique um retrocesso”.

Ora bem, isto parece ser positivo.

O Programa do Governo do Costa não tem nenhuma medida sem sentido, não tem nenhuma que esteja errada ou condenada ao fracasso, nem nenhuma que implique um retrocesso.

Aplausos, portanto.

Ou não?

É que Carvalho acrescenta:

“Tudo ali parecer demasiado óbvio, certinho, previsível, alcançável ou razoável”.

Parece, pois, que Carvalho queria que o Programa do Costa fosse obscuro, esparvoado, imprevisível ou disparatado.

E o director do Público diz mais:

“Tudo ali acusa falta de rasgo, de ambição ou de propósito transformador. Um programa para um país conformado, não para um país com sentido de urgência”.

Partindo do princípio de que percebemos o que é um “país com sentido de urgência”, ficamos com a ideia de que Carvalho queria um programa de governo com ideias malucas, propostas de ruptura, medidas desmioladas que abanassem o sistema.

Carvalho fez-me lembrar uma doente minha que sofreu um descolamento da retina e que decidiu renomear essa patologia, chamando-lhe “deslocamento da rotina”.

Era isso que Carvalho queria no programa do Governo: um deslocamento da rotina…

Onde estavas no 11 de setembro?

Com este título, o jornal Público tem feito uma série de textos sobre os 20 anos dos atentados às torres gémeas, em Nova Iorque.

A esta pergunta, respondem na edição de hoje, Marcelo Rebelo de Sousa, Rui Rio, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins.

Marcelo diz que estava na Faculdade e que acompanhou as notícias pelo rádio do carro, a caminho de casa; Catarina estava no Porto e, inicialmente, pensou que se tratava de um acidente; Rio estava em campanha pela Câmara do Porto, num almoço; e Jerónimo estava na sede do PCP.

Eu estava a fazer consultas no meu Centro de Saúde; um colega meu disse-me que um avião tinha embatido numa das torres do World Trade Centre. Descrente, interrompi a consulta e fomos os dois ao café da esquina, ver a televisão e chegámos a tempo de ver o segundo avião embater na outra torre.

Tinha estado em Nova Iorque em 1994 e em 1999 e, de ambas as vezes, tinha subido ao topo das Torres, admirado o panorama lá de cima, as pontes sobre o rio East, a Estátua da Liberdade, o Empire State, o Central Park, Manhattan em vista aérea – e era difícil acreditar que os Estados Unidos eram, assim, atacados no seu coração.

Na edição de hoje do Público, também João Miguel Tavares sente necessidade de escrever sobre o que sentiu no dia em que as torres gémeas vieram abaixo.

E diz isto: “foi no dia em que dois aviões destruíram as torres gémeas que eu descobri que era de direita”.

JMT faz esta revelação como quem sai do armário da orientação política: um acontecimento traumático que o faz, enfim, encarar a realidade: JMT era de direita!

Diz JMT que, na altura dos atentados, tinha 28 aninhos!

28 anos e ainda não sabia a sua orientação política, coitadinho!

Foi, portanto, graças a um atentado terrorista que ele percebeu que era de direita.

Até hoje!…

Só falta JMT agradecer à Al-Qaeda…

Quem fala assim…

Folheio quatro jornais ao fim de semana: Público, Diário de Notícias, Nascer do Sol e Expresso.

Às vezes, mais.

Indolentemente, vou virando as páginas, em busca de algo que me desperte a atenção.

Como se costuma dizer, leio as gordas.

No pasquim Nascer do Sol, deparo com esta citação de André Coelho, um dos vice-presidentes do PSD:

“Rui Rio é uma personalidade com características humanas únicas e incomuns”.

Vê-se que André Coelho admira o seu líder ou, pelo menos, quer fazer-nos crer que o admira. O que fará de Rui Rio uma personalidade única e incomum? Possui uma imensa bondade, capaz de despir a camisa para cobrir um pobre? É dono de uma inteligência rara que ofusca todos os demais? Que características humanas incomuns terá Rui Rio? Três rins? Um coração com cinco cavidades?

Como não li a entrevista que ocupava quatro ou cinco páginas, nunca saberei por que razão André Coelho assim classifica Rui Rio.

Mais à frente, no mesmo jornal, outra entrevista, desta vez com a criminóloga Ana Guerreiro.

Destaco as gordas:

“As mulheres não são mais que seres humanos”.

Esta deixou-me estarrecido.

E eu que pensava que as mulheres seriam uma espécie de mistura entre a humanidade e os deuses. Afinal, nada disso! Simples seres humanos, como os homens…

Mas a criminóloga diz mais:

“As mulheres têm necessidades e vontades próprias”.

E o mito está desfeito: não só as mulheres não passam de seres humanos, como, ainda por cima, têm necessidades e vontades próprias.

Claro que, para se chegar a este tipo de conclusões definitivas, deve ter que se estudar criminologia a fundo.

Mas a melhor gorda estava guardada para o fim. Na última página do Público, João Miguel Tavares vomita todo o seu ódio por tudo o que cheire vagamente a esquerda. Três vezes por semana, se não estou em erro.

Nunca consegui acabar de ler um único texto escrito por esta criatura; acho-os banais, sem nenhuma ideia nova, sempre tendenciosos e, ainda por cima, JMT tem a mania que é engraçadinho e se há coisa que abomino são os engraçadinhos.

No topo do artigo deste sábado, a citação de JMT diz:

“O Governo socialista é como aqueles casais sem imaginação que só conhecem duas ou três posições na cama, e as repetem incessantemente sempre que há alguma energia, ou, neste caso, muito dinheiro”.

Estão a ver?

JMT, a propósito do dinheiro que a União Europeia envia para Portugal, faz uma analogia com o sexo; pretende, portanto, ter graça.

Já o Ary dos Santos dizia, com tristeza, que, em Portugal, o humor tinha centímetros, a distância que vai do rabo ao pipi.

Mas acho curioso que o JMT ache que um casal que faça amor utilizando duas ou três posições, não tem imaginação.

Pelos vistos, JMT, além de jornalista, é muito bom na cama, imaginativo, saltando da posição de missionário para a quase-lótus, e desta para a união suspensa, saltando depois para a meia-prensa, logo seguida da giratória, e sabe-se lá que mais posições – coisa que o Governo socialista não é capaz.

E o mais engraçado é que, olhando para a foto de JMT que acompanha todos os seus artigos, não sou capaz de o imaginar a foder…

Bom dia, Sr. Manuel Acácio: quanto à física quântica…

Todos os dias, de segunda a sexta, a rádio TSF ocupa duas horas da sua programação, das 10 ao meio-dia, com um Fórum, onde o jornalista Manuel Acácio atende telefonemas de ouvintes sobre os mais diversos temas, desde as transferências no futebol, ao aumento do número de casos de covid 19.

Tenho o cuidado de não ouvir o programa, mas, por vezes, sem querer, tenho o rádio ligado e oiço o Sr. Monteiro, taxista, que nos liga em viagem, a dizer que o governo quer destruir o tecido empresarial português com este aumento de impostos, ou o Sr. Galhardo, reformado, que nos liga de Santarém, a dizer que a nova legislação sobre as barrigas de aluguer é uma desgraça porque tem uma tia que gostaria de engravidar, mas está desempregada, ou ainda o Sr. Joaquim, que nos liga de Vila Pouca de Aguiar e que quer deixar o seu depoimento sobre os novos medicamentos anticancerosos, cujo preço não está regulamentado pelo governo.

Por exemplo, o Sr. Armando, comerciante de Paredes, participou no Fórum sobre fruta normalizada, adopção por casais do mesmo sexo, máquinas de radioterapia que estão fechadas há anos no Hospital de Santa Maria, e aumento do preço dos combustíveis. E isto é paradigmático. Qualquer pessoa pode ligar para o Fórum e dizer as maiores barbaridades sobre qualquer assunto e programa mais democrático não há.

As pessoas não têm o direito?

Claro que têm!

Mas isso é informação?

Duvido.

Mas gostaria de ouvir o Sr. Armando, comerciante de Paredes, dizer qual a sua opinião sobre a radiação de corpo negro, no âmbito da física quântica e o que o governo devia fazer quanto a isso.

Cada vez mais o cão morde no homem

A comunicação social, em geral, adopta, cada vez mais, esta atitude de procurar sempre a defesa das minorias, o que poderia ser uma coisa digna de aplauso, mas que acaba por ser uma posição irritante.

O exemplo mais recente desta atitude centra-se no combate à pandemia.

Ninguém estava preparado para o covid 19.

Quando se fizerem as contas, no final de mais esta pandemia, ninguém se poderá vangloriar de ter antecipado o problema e de o ter enfrentado com notável sucesso.

Ao longo destes meses, a comunicação social tem enchido a boca com o exemplo da Suécia. Hoje, o rei dos suecos declarou publicamente que o país tinha falhado, no que respeita combate contra o covid, sobretudo nesta segunda onda.

Outro exemplo que a comunicação social levou aos píncaros, nomeadamente a Dona Sandra Felgueiras, da RTP, foi o da República Checa. Também já passou à história, perante o aumento do número de casos.

Por cá, os jornais e as televisões partiram sempre do princípio de que o SNS é uma merda e que a ministra da Saúde é uma incompetente e que a directora-geral da Saúde, uma tonta. Os hospitais estiveram sempre à beira da ruptura, os doentes estiveram sempre a morrer por falta de diagnósticos, nunca houve testes suficientes, as medidas foram sempre insuficientes ou, pelo contrário, foram a mais, os ventiladores eram poucos, depois eram suficientes, mas faltava-lhes um adaptador para o oxigénio (gostava de saber se os jornalistas fazem ideia do que é um ventilador, quanto mais uma cena para o oxigénio…).

O Público e a RTP conduziram um inquérito sobre a avaliação que os portugueses fazem do trabalho das autoridades, no que respeita ao combate ao covid.

Anunciaram, em parangonas, que 17% dos inquiridos classificavam como mau ou muito mau o desempenho da ministra Marta Temido; no entanto, mais de 80% disseram que o trabalho dela foi razoável, bom ou muito bom.

Idêntico raciocínio fez a comunicação social em relação a António Costa ou Graça Freitas, ou seja, as opiniões positivas ou razoavelmente positivas foram escamoteadas, em favor da minoria das opiniões negativas.

Mas, no que respeita à vacina contra o covid, a atitude da comunicação social é ainda mais preconceituosa.

Os jornalistas, em geral, ignoram que Portugal é um dos países do Mundo com taxas mais elevadas de vacinação – e que essa vacinação é feita, toda, nos nossos Centros de Saúde. As nossas equipas de enfermagem vacinam contra o tétano, poliomielite, tosse convulsa, parotidite, sarampo, rubéola, meningite, etc, há décadas.

E como são ignorantes neste campo, os jornalistas encheram a boca com os alemães, que estão a preparar pavilhões para vacinações em massa, como quem diz, vêem como eles são bons e nós somos uma merda?!…

Afinal, parece que a Pfizer não vai ser capaz de fornecer o número de doses que previa, pelo que, a nós, Portugal, cabem 9 750 doses, para já. Para as nossas enfermeiras, vacinar 9 750 pessoas vai ser como limpar o cu a meninos.

Ontem mesmo, os jornais embandeiravam com a notícia de que a França e a Alemanha iam começar a vacinação a 27 de dezembro. Afinal, parece que TODOS os países da União Europeia vão começar nesse dia. Portugal TAMBÉM!

Finalmente, no tal inquérito do Público e da RTP, perguntava-se se os portugueses estavam dispostos a ser vacinados contra o covid.

Três em cada quatro responderam que sim, mas isso era mau, em termos de notícia. Pois se estava estabelecido, pelos órgãos de comunicação social, que a campanha de vacinação ia correr mal, que não havia pessoal suficiente, que os centros de saúde não seriam capazes de cumprir a tarefa – era preciso dar uma ideia diferente da opinião geral dos inquiridos.

Por isso, noticiou-se que um em cada quatro portugueses não pretende ser vacinado para já…

Ora, porque não vão dar banho ao cão?…

Títulos de jornais

Devo ser dos poucos Homo Sapiens que ainda lê jornais todos os dias. Falo de jornais em papel, claro.

Uma coisa que me irrita solenemente é aquilo que considero ser a preguiça jornalística.

Deve ser essa preguiça que leva a títulos destes (no Público de hoje).

Ora, se todos os dias são detidas cinco pessoas, quem será que as liberta para que possam ser presas, novamente, no dia seguinte?

Este erro semântico é sistemático.

Bastaria que o jornalista titulasse assim: “Em média, cinco pessoas por dia são detidas…”

Ou ainda: “Violência doméstica: cinco detidos por dia, em média”.

Outro tipo de título que me irrita é o que encerra erros ortográficos, como este, publicado no Sol de sábado passado.

O Matteo Salvini, além de ser um perigoso direitista, “custumava”?

Do verbo “custumar”?

Que porra de verbo será este?

Como é possível, com os correctores informáticos, continuar a cometer erros destes?

Será que o corrector sublinhou a palavra “custumava” e o Sr. João Campos Rodrigues achou que o corrector estava enganado ou, por outro lado, tão preguiçoso como o colega do Público, nem sequer reviu o texto?

Enfim, eu é que sou chato…