No dia 25 de novembro de 1975, eu era um simples redactor do Telejornal da RTP – o único canal de televisão que existia no país.
Naquela altura, redactor era o nome correcto – jornalista veio mais tarde.
Quando os para-quedistas ocuparam os estúdios do Lumiar da RTP, ficámos um pouco sem saber o que fazer – mas quando vimos alguns dos nossos colegas de redação, de armas na mão, percebemos – pelo menos, eu percebi, que aquela não era minha guerra.
Entretanto, o Duran Clemente ocupou a emissão e começou a explicar o que era difícil de explicar.
Eu e mais alguém, achando que aquilo estava a ir longe de mais, abandonámos o nosso local de trabalho.
Desci a rampa que dava acesso aos estúdios do Lumiar e vim para casa.
Quando cheguei ao nosso pequeno apartamento em S. Domingos de Benfica, disse à Mila: estou desempregado!
Estava na RTP como jornalista desde junho de 1974, a convite do Álvaro Guerra e, achava que, graças ao 25 de novembro, estava desempregado.
Felizmente, durante o mês de dezembro de 1975, arranjei lugar como repórter do Jornal de Notícias, com filial no Bairro Alto. A família não ficaria sem ordenado.
No fim de dezembro de 1975, o Joaquim Letria telefonou-me: não queres voltar para a RTP?
Claro que queria!
Voltei e fui nomeado responsável pela edição da noite do Telejornal.
Foi assim o meu 25 de novembro e quero que esses filhos de um cabrão, todos, de Direita, se fodam todos bem fodidos – não sabem o que é temer ir parar com os costados em África, a dar tiros e a defender o que nunca foi nosso, o boçal do Ventura e dos seus apaniguados que nem sabem estacionar os carros em sítios legais, os palermas do CDS, como aquele pateta que inventou as rosas brancas do 25 de novembro, como se a disputa entre as duas datas fosse uma questão de flores!
O 25 de abril para além de nos dar a liberdade, livrou-nos da guerra colonial. Claro que nos permitiu, também, ter monstros como o Ventura, que é um ignorante merdoso, falso cristão e absoluto cabrão.
Apesar de tudo, prefiro ter de aturar energúmenos como o Frazão e aquele forcado amador que, com a sua barriga gordurosa suja as cadeiras de S. Bento, do que continuar sob o jugo dos marcelistas e da Pide.
Mas tenham muita atenção: os sacanas do Chega, se conseguirem chegar ao governo, vão estacionar no Martim Moniz e em todo o lado, sem seguir nenhuma regra porque passarão eles a ser os senhores de isto tudo!









