“À Espera dos Bárbaros”, de J. M. Coetzee (1980)

Gostei muito deste romance de Coetzee, agora reeditado pela D. Quixote.

A acção passa-se algures no tempo e no espaço. De facto, nunca ficamos a saber em que local é aquele e em que época estamos.

O narrador é o magistrado daquela cidade muralhada, situada perto de um lago e de um pântano, com o deserto no horizonte. Para lá desse horizonte, algures, estão os bárbaros, que talvez ataquem a cidade, ou talvez não.

O Império estende os seus braços até à cidade, que fica na fronteira e para lá envia soldados para combater os bárbaros.

Entretanto, o magistrado está velho e procura conforto junto de uma prisioneira que foi torturada. Passado algum tempo, decide levá-la de volta ao seu povo e, com esse seu gesto, cai em desgraça e é, ele próprio, preso e torturado.

Mas a vida dá muitas voltas e o magistrado ainda há de voltar a ter lugar de destaque na cidade.

Coetzee escreve bem, como se sabe, e as suas descrições da cidade, do lago, dos pescadores, do deserto, da sucessão das estações, fazem com que visualizemos o que ele descreve.

Muito bom.

Outros livros de Coetzee: A Infância de Jesus; A Vida e o Tempo de Michael K.; Diário de Um Ano Mau; O Homem Lento; No Coração Desta Terra; Verão; Jesus Na Escola; A Morte de Jesus

“Canção Doce”, de Leila Slimani (2016)

Há quem diga que os escritores escrevem sempre o mesmo livro.

De certo modo é o que se passa com esta excelente escritora franco-marroquina.

Em “O País dos Outros”, a história gira em torno de Mathilde, uma jovem francesa que se casa com um marroquino e que vai viver para o país do marido, sofrendo, depois, todas as desventuras que daí advêm; em “No Jardim do Ogre”, é Adéle, uma jornalista casada com um pediatra e obcecada por aventuras sexuais, que vai caindo numa espiral de desgraças; neste “Canção Doce”, é Louise, uma ama obsessiva-compulsiva que domina a história.

Dos três livros, este foi o que mais me impressionou pelo tema. Logo no primeiro capítulo, ficamos a saber que a ama assassina as duas crianças e ficamos logo incomodados.

Depois, Slimani vai contando a história que leva Louise ao precipício e o método que usa é semelhante ao que usou em “No Jardim do Ogre”, com a história de Adéle.

E porque o tema central do livro me incomodou, quando acabei o livro, senti um certo alívio…

A realidade nas capas das revistas

Andam todos preocupados com a aprovação do Orçamento e outras minudências, mas as verdadeiras notícias estão nas capas das revistas.

Foi graças à capa da Nova Gente que fiquei a saber que “Marcelo vai ser operado”. Trata-se de um exclusivo da revista, o que quer dizer que até o próprio médico do Presidente não devia saber disto. E a Nova Gente é radical, ao acrescentar, como subtítulo: “O Presidente da República não escapa à cirurgia”.

Mas a capa da Nova Gente tem ainda outro exclusivo: “Jorge Jesus foi almoçar a um dos seus restaurantes favoritos”. Que grande cacha! E a revista convida-nos: “veja toda a reportagem”. Não vi, mas imagino o treinador do Benfica a mastigar o rosbife como mastiga a pastilha elástica durante os jogos.

A capa da TV Mais, por seu turno, informa-nos que “Alexandra Lencastre leva novo namorado aos Globos” e, além da foto da dita cuja, a sorrir, vemos uma pequena foto do namorado, com olhos de carneiro mal morto, fitando-nos por cima dos óculos de ver ao perto.

Ficamos ainda a saber que Débora tem uma “vida marcada pelo sofrimento: drogas, traição e aborto”, que, convenhamos, é um trio do camandro!

Ao fundo da capa, à direita, finalmente, uma boa notícia: “João Mota e Mariana Monteiro: reconciliação à vista”.

Passando para a TV 7 Dias, temos muitas revelações, das quais vou apenas destacar duas. A primeira é sobre Catarina Manique, “que se lesionou a sério durante as gravações, encantou-se por um segurança de Óbidos”. A segunda é sobre Francisco Martins, que se perdeu “por uma veterinária da margem sul”. Penso que isto serão mensagens cifradas com um alcance que não consigo lobrigar…

Passando por cima da informação de que “mãe de Rafael arrasa Goucha e Ana Garcia Martins”, a revista informa que “Ronaldo falha funeral de grande amiga”. Afinal, o craque não falha só penaltis…

O exclusivo da revista Top! é diferente, revelando que Lapo Elkan e Joana Lemos casaram “em segredo na propriedade do casal em Tavira, no valor de 7 milhões”. Fico sem saber quem vale 7 milhões: a propriedade ou o casal?

Já a TV Guia debruça-se sobre Gouveia e Melo, com o título “O pesadelo do vice-almirante”. Não vale a pena ficarem em suspenso, porque a revista esclarece logo a seguir que ele é “vítima de conspiração em momento de glória”. O que vale é que “o povo quer vê-lo a mandar no país”. Mas, como não há bela sem senão, ficamos a saber que o vice-almirante “vive com a ajuda de um pacemarker e tem o desejo de ter netos e de morrer no mar”. isto, no caso do pacemaker dar o berro, claro.

A revista Maria anuncia que “Sandra Costa revela: a cirurgia mudou a minha vida sexual”, mas o destaque vai para a Carolina que “troca a filha por fortuna”.

Na Lux, ficamos a saber que “José Carlos Malato foi sexualmente abusado em criança” e, finalmente, na Mariana, “Lourenço confessa: «O meu pai não sabe quem sou».

Depois de tanta informação, quem quer saber do Orçamento?

“No Jardim do Ogre”, de Leila Slimani (2014)

Depois de ter lido o excelente No País dos Outros, fiquei com curiosidade em ler os restantes romances desta autora franco-marroquina (Rabat, 1981).

Este No Jardim do Ogre não fica atrás. Lê-se de um fôlego e é difícil parar de ler.

Slimani conta-nos a história de Adéle, uma jovem atraente, que trabalha como jornalista e que é casada com um médico. Apesar de ter uma vida boa, Adéle sente-se insatisfeita e procura a felicidade nas suas aventuras sexuais, arranjando sempre mentiras cada vez mais inverosímeis para enganar o marido que, pelos vistos, não se interessa muito por sexo.

Adélia provém de uma família modesta e tem uma relação conflituosa com a mãe, e indiferente com o pai. Tem vergonha da família.

Richard, o marido, vem de uma família abastada, mas Adéle considera os sogros e os cunhados aborrecidos, enfadonhos. É um suplício passar o Natal em casa deles, mas pior é passar o Ano Novo em casa dos pais.

Vinga-se bebendo muito e fodendo ainda mais, com colegas do jornal, colegas do marido, desconhecidos.

Adéle é possuída pelas suas pulsões sexuais e troca tudo por uma nova aventura, incluindo deixar o seu filho de dois anos, dias seguidos, à guarda de amas.

As situações vão-se complicando ao longo do livro e o desfecho não pode ser bom.

Gostei muito.

“A Anomalia”, de Hervé Le Tellier (2020)

Le Tellier (1957) formou-se em Matemática, depois em Jornalismo, é linguista e autor de diversos romances, contos, etc.

Com este “A Anomalia”, ganhou o Goncourt do ano passado. A Presença editou-o agora, com tradução de Tânia Gadanho e capa de Catarina Sequeira Gaeiras.

Li-o em duas penadas e é difícil parar de o ler. Le Tellier conseguiu, como disse Le Figaro, escrever o romance impossível porque para além de ser bem escrito é, simultaneamente, um thriller e um romance fantástico.

A ideia central de A Anomalia, é uma grande ideia: um avião da Air France aterra em Nova Iorque em março e, três meses depois, esse mesmo avião, com os mesmos passageiros e a mesma tripulação, aterra novamente.

Como disse o autor, numa entrevista ao Expresso, todos nós gostaríamos de nos confrontarmos connosco próprios, em carne e osso, de podermos ver e falar com um nosso duplo, mas que não fosse uma imagem num espelho ou um clone: fôssemos exactamente nós mesmos.

Os conflitos que este “simples” acontecimento desencadeia são a substância deste livro, que foi um dos melhores que li nos últimos tempos.

“A Boa Sorte”, de Rosa Montero (2020)

Desta escritora espanhola, já tinha lido Instruções para Salvar o Mundo (2008) e A Ridícula Ideia de Não Voltar a Ver-te (2013), dois livros que me agradaram, sobretudo o segundo.

Este A Boa Sorte é uma história bem contada, embora não tenha nada de especial e de muito original.

Montero conta-nos a história de um arquitecto famoso e bem-sucedido que, fugindo de uma situação-limite, que vamos descobrindo ao longo do livro, decide mudar-se para uma localidade perdida de Espanha, comprando um apartamento miserável e começando a trabalhar num supermercado local. Conhece, então, uma sua vizinha, que também trabalha Uma imagem com textoDescrição gerada automaticamentenesse supermercado e que tem ascendência romena. Ele já passou dos 50 anos e ela, Raluca, está quase com 40. Claro que acabam por se envolver, só que a tal situação-limite persegue o arquitecto e as coisas complicam-se.

A história está bem escrita, com a técnica dee capítulos curtos que te obrigam a não largar o livro e acabas por lê-lo em duas penadas.

Embora não traga nada de novo, aqui está um livro que te faz boa companhia.

A edição é da Porto Editora, com tradução de Helena Pitta; o design da capa é de Manuel Pessoa e não percebo por que raio tem a hemiface de uma rapariga; será que representa Raluca, que tem um olho artificial? No entanto, o protagonista é, sem dúvida, o arquitecto, portanto, fico sem perceber muito bem a intenção…

O galo

Era um insone de longa data.

Durante anos, tomou comprimidos para dormir. Se não os tomasse, ficava horas a contemplar o tecto, na semiobscuridade do quarto.

Experimentou todas as técnicas, desde a respiração sincopada à contagem de carneiros. Nada resultava, a não ser o comprimido mágico, tomado uma hora antes de ir para a cama.

Muitos mais anos depois, conseguiu deixar os comprimidos e o seu padrão de sono modificou-se radicalmente: adormecia facilmente, mas tinha acordares precoces.

Bastava encostar a cabeça à almofada para que os seus olhos se fechassem e o sono se abatesse sobre ele. No entanto, se um golpe de vento fazia bater uma janela, se o camião do lixo fazia um pouco mais de barulho ou se uma ambulância passava com a sirene ligada, era certo e sabido que acordava. Depois, para voltar a adormecer era o cabo dos trabalhos.

As coisas pioraram com o aparecimento do galo.

A partir de certa altura, por volta das 5 da madrugada, um galo cantava.

E ele acordava.

E o galo repetia o seu canto três ou quatro vezes e ele já não conseguia voltar a adormecer.

Um galo em plena cidade!

Quem teria tido a ideia?

Ainda pensou em voltar aos comprimidos, mas decidiu-se por algo de mais radical.

Na madrugada seguinte, assim que o galo começou a cantar, saiu de casa, empunhando a faca mais bem afiada que possuía.

Seguindo o som, encontrou-se, cara a cara, com o galo, num quintal vizinho.

Para que é a faca? – perguntou o galo.

Mas tu falas?! – espantou-se o homem.

Claro que falo! Para que é a faca?! – insistiu o galo.

O homem estava perplexo e hesitou um pouco.

Estás espantado com quê? – questionou o galo – Todos os animais falam! Desde sempre! Mas raramente o fazemos à frente de vocês, humanos. Para que é a faca?! Querias cortar-me o pescoço?

O homem fez que sim com a cabeça.

Porquê?! – perguntou o galo.

Por causa do barulho, – respondeu o homem – Assim que começas a cantar, acordo e não consigo voltar a adormecer.

Desculpa, – disse o galo – está na minha natureza cantar de madrugada. Vou tentar cantar mais baixinho.

E assim foi.

O galo passou a cantar mais baixo e o homem nunca mais acordou de madrugada.

Tudo se consegue com o diálogo.

“Casa de Dia, Casa de Noite”, de Olga Tokarczuck (1999)

Diz-se que há escritores que escrevem sempre o mesmo livro.

Tokarczuck insere-se nessa categoria. Desde que ganhou o Nobel, em 2019, os seus títulos anteriores têm sido publicados em Portugal e verifico que, no fundo, a escritora polaca escreveu sempre o mesmo livro, embora sempre diferente.

Entrei em contacto com esta ex-psicóloga clínica através do excelente Viagens, de 2007. Li, depois, Conduz o Teu Arado Sobre os Ossos dos Mortos, de 2009, e depois, Outrora e Outros Tempos, de 1992.

Todos estes livros, a que dificilmente poderemos chamar romances, têm estrutura idêntica: são pequenos textos que nos vão contando pequenas histórias, são descrições curtas de lugares e de acontecimentos, como se fossem peças de um puzzle que nós vamos juntando na nossa cabeça. No final, quando terminamos o livro, ficamos com a impressão de que ficámos a conhecer aquele sítio e aquelas pessoas.

Este Casa de Dia, Casa de Noite, não foge à regra. A acção passa-se algures depois do final da segunda Grande Guerra, numa aldeola polaca que foi ocupada pelos alemães. A narradora vai-nos contando pequenas histórias, da sua vizinha Marta, dela própria, de um monge que queria ser rapariga, de um casal que enfrenta a rotina da vida, e de muitos outros.

Veremos se Olga Tokarczuck consegue manter este estilo nos seus próximos escritos.

Onde estavas no 11 de setembro?

Com este título, o jornal Público tem feito uma série de textos sobre os 20 anos dos atentados às torres gémeas, em Nova Iorque.

A esta pergunta, respondem na edição de hoje, Marcelo Rebelo de Sousa, Rui Rio, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins.

Marcelo diz que estava na Faculdade e que acompanhou as notícias pelo rádio do carro, a caminho de casa; Catarina estava no Porto e, inicialmente, pensou que se tratava de um acidente; Rio estava em campanha pela Câmara do Porto, num almoço; e Jerónimo estava na sede do PCP.

Eu estava a fazer consultas no meu Centro de Saúde; um colega meu disse-me que um avião tinha embatido numa das torres do World Trade Centre. Descrente, interrompi a consulta e fomos os dois ao café da esquina, ver a televisão e chegámos a tempo de ver o segundo avião embater na outra torre.

Tinha estado em Nova Iorque em 1994 e em 1999 e, de ambas as vezes, tinha subido ao topo das Torres, admirado o panorama lá de cima, as pontes sobre o rio East, a Estátua da Liberdade, o Empire State, o Central Park, Manhattan em vista aérea – e era difícil acreditar que os Estados Unidos eram, assim, atacados no seu coração.

Na edição de hoje do Público, também João Miguel Tavares sente necessidade de escrever sobre o que sentiu no dia em que as torres gémeas vieram abaixo.

E diz isto: “foi no dia em que dois aviões destruíram as torres gémeas que eu descobri que era de direita”.

JMT faz esta revelação como quem sai do armário da orientação política: um acontecimento traumático que o faz, enfim, encarar a realidade: JMT era de direita!

Diz JMT que, na altura dos atentados, tinha 28 aninhos!

28 anos e ainda não sabia a sua orientação política, coitadinho!

Foi, portanto, graças a um atentado terrorista que ele percebeu que era de direita.

Até hoje!…

Só falta JMT agradecer à Al-Qaeda…

As sementes de Scott Ring

Scott Ring trouxe duas sementes.

Foi avisado pelos seus superiores da Nasa que não podia levar nada da Estação Espacial, mas Scott não resistiu.

Scott Ring foi o recordista da Estação, tendo lá ficado um total de 378 dias seguidos. Outros astronautas foram e vieram, e Scott aguentou lá em cima, em órbita, mais de um ano. Sem interrupções.

Quando regressou à Terra, fechou-se em casa e por lá ficou.

Aliás, os chefes da Nasa também não queriam que ele andasse por aí, correndo o risco de dar entrevistas. Foi avaliado por uma equipa de psicólogos e verificou-se que estava afectado. Seria melhor que ficasse sossegado, em casa, sem falar com ninguém, nomeadamente com a comunicação social. Diria coisas inconvenientes, certamente.

Mas o próprio Scott Ring não sentia necessidade de falar com ninguém; preferia ficar fechado em casa.

E, ao contrário do que lhe foi dito com firmeza, trouxe da Estação Espacial, duas sementes de beringela.

Duas sementes que tinham sido sujeitas a diversas experiências, nomeadamente a um banho de raios cósmicos.

Scott saiu da Estação com um punhado dessas sementes e expô-las à radiação durante o seu passeio espacial.

Depois, as sementes foram enterradas numa mistura orgânica de composição secreta e, depois, transladadas para os laboratórios da Nasa. Excepto as duas sementes que Scott sonegou.

Quando chegou a sua casa, no Wisconsin, Scott enterrou as sementes em dois vasos. Colocou o primeiro vaso junto à janela da cozinha, que apanhava muito sol logo pela manhã e o segundo vaso foi para o quintal da sua casa, num local sombrio

Nos dias seguintes, foi vigiando os dois vasos, sem qualquer resultado.

As sementes que trouxera do espaço pareciam não gostar dos ares do Wisconsin.

No entanto, cerca de vinte dias depois, o vaso da cozinha começou a exibir umas folhinhas verdes. O outro, nada.

Scott entusiasmou-se, mas por pouco tempo.

As folhinhas verdes depressa mirraram e desapareceram.

O ex-astronauta deprimiu-se. Por um lado, sentia-se triste devido ao abandono dos seus colegas da Nasa, que tinham deixado de lhe falar, por outro, estava esperançado que, com aquelas sementes, pudesse, novamente, voltar à ribalta.

Na semana seguinte, a meio da noite, ouviu um ruído estranho, vindo do quintal. Foi ver. Do vaso que lá colocara, erguia-se agora uma planta vigorosa, carregada de beringelas gigantes.

No dia seguinte, logo pela manhã, Scott colheu uma das beringelas, abriu-a ao meio. Recheou-a com queijo feta e assou-a. Estava deliciosa.

Ao jantar, fez uma salada com outra das beringelas espaciais. Lambeu os beiços e adormeceu de barriga cheia.

Acordou por volta das 4 da manhã, com o quarto todo iluminado.

Esquecera-se de desligar a luz?

Não! A luz provinha dele próprio. Scott iluminava todo o quarto com uma luz fosforescente, esverdeada.

A intensidade do brilho de Scott foi aumentando à medida que ele ia comendo as beringelas espaciais. À noite, já não precisava de acender as luzes: ele próprio iluminava toda a casa.

Deixou de sair de casa. O brilho esverdeado que dele imanava assustaria as pessoas, certamente. Scott era, agora, um ex-astronauta radioactivo.

Na planta do quintal restava apenas uma beringela e Scott comeu-a grelhada no jantar daquela noite fatídica.

Nessa noite, quase duas semanas depois de ter deixado de acender as luzes, Scott decidiu experimentar acender a luz da sala. Queria ver se havia alguma reactividade entre a luz eléctrica e a sua luz própria.

A explosão foi ouvida no Dakota do Sul.