“Trinta Milhões de Orgasmos”, de Minh Tran Huy e Jul (2025)

Um pequeno livro sobre as idiossincrasias dos pénis e vaginas de alguns animais. A autora é uma jornalista francesa de origem vietnamita e Jul é um ilustrador mais ou menos humorista.

O livro fala-nos das coisas esquisitas que acontecem pelo mundo animal, desde pénis com espinhos a vaginas em forma de elipse. Desde o canguru e a dama com três vaginas à libélula e o pénis-colher, dos bonobos e o sexo hippie ao polvo e o pénis amovível, passando pelo cão e o nó copulatório ou pelo pato e os labirintos da vagina, o livro exemplifica o que de mais estranho se passa na vida sexual de alguns animais – texto acompanhado de desenhos a propósito.

Divertido.

“Vocação para os Desastres”, de José Carlos Barros (2026)

E eu ainda vou atrás das críticas publicadas pelo Expresso. Ainda há bem pouco tempo levei uma banhada com “A Morsa”, de Ana Cláudia Santos, uma colecção de contos que me deixou ligeiramente irritado, e agora, levei com mais esta colectânea de contos de um autor que já escreveu muita poesia e três romances, o último dos quais, até ganhou o Prémio Leya.

Mas esta série de contos é de uma pobreza confrangedora. Depois dos dois primeiros, que ainda papei, seguem-se coisas banais e sem interesse. Há “contos” armados em poemas, ou serão “haiku” (?), como este, chamado Memórias do Amor e que reza assim:

“A realidade é uma mentira. Eu sei que estavas nesta fotografia em que não apareces. Recordo perfeitamente o que me dizias ao ouvido no momento do flash”

Depois, há “Um Exame no Liceu de Chaves”, que podia ser uma espécie de redacção de um aluno do 12º ano, e há, também, “O Riso de Mireiya Carvajal”, que nos conta odisseia, em Cuba, de um treinador de futebol com o nome muito parecido com José Mourinho.

Senti-me enganado…

Demagogia, Demagogia, Demagogia!

Sim, é possível acabar com a guerra, se todos formos bonzinhos!

Sim, é possível acabar com a fome no Mundo se todos não desperdiçarmos comida!

Sim, é possível acabar com os microplásticos nos oceanos se todos deixaram de deitar lixo para o mar

Sim, é possível ser muito estúpido para acreditar nestas tretas!

“Indignidade – Uma Vida Reimaginada” – de Lea Ypi (2025)

Livro muito interessante desta professora de Teoria Política na London School of Econimics, especializada no estudo do marxismo.

Nascida em 1979 na Albânia escreveu este que foi considerado o livro do ano pelo Financial Times, Sunday Times e Washington Post, entre outros.

A ideia para este livro nasceu de uma foto que a autora encontrou nas redes sociais e que mostrava a sua avó Leman Ypi e o seu avô, nos Alpes, em 1941, durante a lua de mel. Ora, Lea Ypi pensava que todos os arquivos referentes à sua avó tinham sido destruídos na altura da ditadura comunista de Enver Hoxha na Albânia. Ora, se aquela foto existia, poderiam existir mais documentos sobre Leman.

A autora vasculhou, então, os arquivos de vários países (a sua avó nascera na Grécia) e descobriu muitas coisas, acabando por escrever esta obra que é um misto de biografia e romance.

Para quem, como nós, esteve recentemente na Albânia e nos países vizinhos, foi muito curioso ler este livro e recordar parte da História daquela região conturbada da Europa balcânica.

A pedalada do Luís!

Montenegro não vai tirar férias.

Já avisou os jornalistas de que vai ser difícil acompanhar o Governo durante estes verão! Espero que tenham a nossa pedalada, disse.

Correr atrás do ministro da Educação, com toda aquela trapalhada dos exames, já vai ser difícil – mas mais difícil vai ser apanhar o Ministro dos Incêndios e dos Reboques.

Depois da época dos Antónios – estamos mesmo na época dos Luíses!…

“A Morsa – Contos de Inocência e de Violência” (2026)

Que coisa mais desenxabida!

Fui levado a comprar este livrinho por uma crítica lida já nem sei onde (Expresso? Público?). Gosto de livros de contos, e comprei-o com essa intenção.

A autora nasceu em 1984 e tem muito boa imprensa porque este livro é mau, muito mau.

Consegui ler até à página 78 e desisti quando li:

“Vera levantou-se e atendeu: alguém lhe disse que o pai morrera. Morrer não é só desaparecer e deixar de ser visto, é também deixar de existir. É parecido como viajar, porque quer o morto quer o viajante estão ausentes, só que o morto já não existe e, porque ainda existe, o viajante pode voltar a ser visto”.

Ó Ana Cláudia, vai dar banho ao cão!

“O Nervo Ótico”, de Ma2014)ria Gainza (

Livro muito curioso desta crítica de arte e escritora argentina. Depois de ter lido o seu livro Um Punhado de Flechas, fiquei curioso, e decidi procurar este outro, mais antigo. Trata-se de uma narrativa que mistura crítica literária, autobiografia e ficção.

Gainza conta-nos histórias passadas consigo e com os seus amigos e familiares, talvez alguma inventadas, enquanto nos conta, também, histórias de alguns artistas plásticos.

“No que diz respeito aos homens, minha querida Pepita, são mais perversas as virtudes do que os vícios” – diz a escritora, citando alguém e a narrativa deste livro parece comprová-lo, contando-nos alguns episódios de Lautrec e de outros artistas, que deixam muito a desejar no que diz respeito à virtude.

É um livro curioso.

“Perdeu-se Relógio de Senhora”, de Alice Brito (2026)

Alice Brito, advogada e escritora, nascida em Setúbal, em 1954, conta-nos a história de três mulheres cujas vidas se vão entrecruzar perto do 25 de Abril.

O livro tocou-nos muito porque a autora tem praticamente a nossa idade e conta coisas que nós também vivemos, os anos do salazarismo, o medo da Pide, a euforia do 25 de Abril, as contradições da esquerda – e os tiques da sociedade fechada de Portugal, antes da democracia, o papel secundário das mulheres, a maneira como os poderosos mandavam na sociedade, os costumes retrógrados, o medo e a vergonha de se perder a virgindade antes do casamento, a recusa da homossexualidade, etc.

E depois, Alice Brito tem expressões que podiam muito bem ser minhas, caramba! Eu costumo dizer que, para mim, o melhor da tropa foram as lições de dança, e ela diz, na página 34:

“O outro chegou e fez continência. Os dedos espetados em direcção à sobrancelha, muito hirto, a cumprir a coreografia própria do baile militar”

E quanto à culpa que nos é inculcada desde crianças:

“A culpa faz mesmo parte deste sangue judaico-cristão que nos corre nas veias. Do sangue na da cabeça a abarrotar de moral e outras coisas sem préstimo”

Alice Brito vai conta as suas histórias como se tivesse a conversar connosco, por isso, o texto tem muito de oralidade:

“Se um martelo pisar o dedo a uma criatura nortenha, se ela estiver sozinha, poderá balbuciar um foda-se, e fica por aí. Mas, se estiver acompanhada, é provável que a dita criatura nortenha grite foda-se caralho, e atire o martelo com força para qualquer lado, num gesto quase mecânico de exteriorização da dor.”

O ódio ao Salazar é óbvio e apoiamo-lo:

“Tinham cantado na escola o Parabéns a você a Salazar, que fazia anos num dos primeiros dias de maio, ou num dos últimos de abril, não sei nem me apetece ir ver, que se foda o ditador”

Estas três citações poderão ser redutoras e muitas outras poderia fazer, mas penso que estas mostram bem o estilo divertido, embora o assunto seja muito sério.

Ao longo da narrativa, a autora fala de muitas coisas de que nos lembramos muito bem porque também as vivemos, e talvez tenha sido também isso que nos fez gostar muito deste livro que, de uma maneira simples, nos conta como foi a vida em Portugal antes do 25 de abril, sobretudo para os que sempre ansiaram por liberdade.