Montenegro e o climatério

Já estamos habituados às calinadas de Montenegro no português.

O empresário de Espinho é o típico cidadão que diz “visionar”, em vez de ver. Foi ele que disse “aqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”, em vez de “aqueles que morreram”.

Esta frase ainda é mais estranha porque, se a analisarmos bem, ficamos com a sensação que o primeiro-ministro quis dizer que os falecidos não evitaram morrer, como quem diz, só morreram porque não tiveram cuidado.

Agora, temos a questão do “climatérico”.

Montenegro insiste nas alterações climatéricas, em vez de usar o termo correcto, que é, climáticas.

Um mestre em climatologia, pela Universidade de Coimbra, chamado Paulo Dias, escreveu uma carta para os jornais, em que diz, com muita piada, que o primeiro-ministro “funde a meteorologia com a ginecologia ou a agronomia”.

É que o termo “climatérico” deriva de climatério que é a “transição para a menopausa ou ainda o amadurecimento final de frutos, como a banana.”

Esta da banana é novidade para mim, mas quanto ao climatério, conheço-o bem, profissionalmente.

Portanto, o empresário de Espinho deve pensar que é mais fino dizer climatérico do que climático.

Climático é para o povo – climatérico, é para os grandes crânios do Governo!

Oxalá Montenegro tenha os afrontamentos próprios do climatério…

Segurem-me senão sou Presidente!

O Ventura foi derrotado em toda a linha.

Diz que teve mais percentagem que a AD, mas teve menos votos.

Apesar de estar todos os dias em todos os canais televisivos, todas as rádios e todos os jornais, foi derrotado, massivamente, por um tipo que não aparecia há onze anos!

Diz que em breve vai governar este país, quando teve apenas 1,7 milhões de votos, contra os 3,5 milhões de votos que o rejeitaram.

Apesar de dizer que o Seguro era um candidato das elites e que ele, Ventura, era o candidato do povo, as elites, afinal, valem o dobro do que vale o povo.

Somos um país elitista, segundo o político de Mem Martins.

Dizia Ventura que Seguro não tinha opinião sobre nada – mesmo assim, mais de 68% dos eleitores preferiram-no, portanto, a esmagadora maioria dos portugueses não tem opinião sobre coisa nenhuma.

E Ventura acabou por ter a pior votação de um derrotado numa segunda volta.

De nada lhe serviu ir à missa – 20 minutos atrasado, aliás.

Será que o André só vai à missa nos dias em que há eleições?

E porquê naquela igreja da Baixa de Lisboa?

Será porque há estacionamento mais fácil?

Não há uma igreja no Parque das Nações, caramba?

Que fracasso que é o Ventura!…

Grandes frases de grandes políticos (um deles muito pequeno, aliás)

“Tratai dos feridos e enterrai os mortos”

– Marquês de Pombal, depois do terramoto de 1755

“O nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perderem a vida”

– Luis Montenegro, depois da tempestade Kristin

Monte, sim – Negro, não – Montenegro, talvez

Monte não escolhe Seguro – Negro não quer Ventura.

Monte será anti-socialismo. Negro detesta populismo.

Montenegro está à rasca!

Se aconselha voto em Ventura, que votou contra o Orçamento, estará sempre à espera de ser esfaqueado pelas costas.

Se nos diz que vai votar em Seguro, teme que lhe lixem as leis laborais e a ministra da Saúde, aquela beleza de cabelo louraço e saia-casaco vermelho.

É verdade que o Monte apoiou Marques e o Negro foi pelo Mendes.

É verdade que a derrota foi total, aviltante, humilhante.

Uma grande derrota para um pequeno candidato – piada gasta, mas verdadeira!

Derrotado o seu candidato, Montenegro pensa que não precisa de tomar partido.

Para ele, tão democrata é o socialista envergonhado das Caldas da Rainha, com o fascista encapotado do Algueirão.

Com aquele ar trocista e sardónico, Montenegro faz de conta que tem maioria absoluta e que pode governar a seu belo prazer.

Agora, do alto das sua baixeza, até decidiu pôr em tribunal o Volksvargas, acusando-o de notícias falsas.

Ó Montenegro, não sejas mesquinho – vota Seguro e volta para Espinho!

Vou engolir um sapo, seguro!

No tempo do Soares versus Freitas, não engoli sapos. Votei em Soares com convicção e sem hesitação. Freitas era para quem queria boas colheitas, representava as Direitas.

Agora, a hesitação era muito maior!

Em quem votar?

Em tempo de gripe, votar no António Filipe?

Aceitar a eterna sina e votar na Catarina?

Ficar entre o branco e o tinto e votar no Jorge Pinto?

Fora de questão, e isso não é segredo, votar no Mendes ou no Cotrim Figueiredo?

De nenhum estou perto, de todos estou distante e também não voto no almirante.

Fico assim angustiado, agarrado ao presente, com medo do futuro.

Irei votar no Seguro?

Vou fazer como o Cunhal aconselhou:

Escondo-lhe a cara, tapo-lhe o nome,

Contruo ali mesmo um grande muro.

E com grande mágoa, voto no Seguro!

PS – E a minha sanidade mental assegura – nunca votaria no cabrão do Ventura!

Boticas: o próximo alvo de Trump

Os Estados Unidos invadiram a Venezuela e prenderam o seu presidente Nicolas Maduro.

A partir de agora, segundo Trump, o petróleo da Venezuela passa a ser gerido pelas empresas norte-americanas.

O resto não interessa para nada.

A seguir, Trump já anunciou, será a Colômbia com o seu petróleo, gás natural, carvão, ouro, prata, recursos hídricos, café e cacau.

E o México, com o seu petróleo, prata, outro, cobre e chumbo.

E ainda a Gronelândia, rica em lítio, níquel, cobalto, terras raras…

Lítio?

Disseram lítio?…

Boticas que se cuide. Trump já deve ter perguntado ao seu satff onde fica aquela terreola onde há grandes reservas de lítio.

O que nos vale?

O nosso valoroso ministro dos Negócios Estrangeiros.

Será Rangel que se oporá a qualquer invasão norte-americana.

Ele já disse: levem-nos os Açores, mas deixem-nos o nosso lítio!

Please!

Um primeiro-ministro saloio

Começo por dizer que os saloios da Malveira me merecem todo o respeito.

No entanto, o termo saloio é usado na linguagem corrente como sinónimo de palerma, atrasado, deslumbrado com os ricalhaços, assim uma espécie de novo-rico que se quer armar em selecto, em frequentador dos grandes salões.

Montenegro é isso mesmo.

E esta mensagem de Natal só veio comprová-lo.

O que raio é isso de ter a mentalidade de Cristiano Ronaldo, algo que ele acha que todos nós devíamos ter?

Ser acusados de fugir ao fisco e pagar uns quantos milhões para que nos limpem o cadastro?

Ser acusados de assédio sexual e pagar para que a queixa seja retirada?

Esta é que deve ser a nossa mentalidade?

O Montenegro deve estar fascinado com a fortuna do Ronaldo e deve aprovar o facto de ele estar, agora, ao serviço dos xeiques sauditas, marcando golos extraordinários para gáudio daqueles abusadores de mulheres – e deve achar que o Ronaldo foi o maior ao visitar o fascista do Trump em plena Sala Oval, ladeado pela sua esposa, ambos em êxtase perante o líder da maior potência agressora do Mundo!

Que grande saloio que tu és, ó Montenegro!

Achas que estás credibilizado pelas duas vitórias eleitorais à tangente?

Que estás safo depois do Amadeu te ilibar?

Como é que dormes à noite?

Tão pequenino que és, pá…

O peido que a Dona Marquesa deu, não foi ela, fui eu!

Bocage continua actual.

Todos escutámos, com muita atenção, as declarações do ministro da educação, Fernando Alexandre.

Disse ele:

“Vamos ter residências renovadas que daqui a cinco anos vão estar todas degradadas… é por colocar na residência universitária estudantes dos meios mais desfavorecidos que se degradam…

A prática do Estado é não misturar e pôr nas residências universitárias os estudantes de meios socioeconómicos mais desfavorecidos.

E por isso, já agora, é que elas se degradam, por isso é que elas depois não são cuidadas”.

Resumindo: metendo os estudantes pobres, todos juntos, nas mesmas residências universitárias, os filhos da puta, estragam tudo porque estão habituados a casas degradadas, a não limpar os quartos, a cagar nas alcatifas e a partir a loiça e os vidros das janelas. O que eles mereciam era ir todos para um daqueles bairros de Loures ou do Monte de Caparica para aprenderem a passar a dar valor ao que o Estado lhes oferece, à custa dos impostos dos liberais que se fartam de trabalhar e de descontar.

Elevador social, caraças!

Claro que o ministro Fernando Alexandre não queria dizer isto, mas fugiu-lhe a boca para a verdade.

E disse mais:

“Quando metemos pessoas que são todas de rendimentos mais baixos a beneficiar de um serviço público, sabemos que o serviço se deteriora. É assim nos hospitais, nas escolas públicas, sabemos que é assim.”

Que mania que o Estado tem!

Pobres para um lado – ricos para outro e remediados, logo se vê.

Mas ele não queria dizer nada disto!

Como já dizia Bocage…

O pum que o Alexandre deu, não foi ele, foi outro qualquer…

Ventura é um lavagante

Depois de 40 anos de Medicina, 33 dos quais como Médico de Família, depois de ter assistido à melhoria espectacular dos cuidados de saúde neste país, de ter passado pelas Caixas de Previdência, pelo Serviço Médico à Periferia, pelos Centros de Saúde e por ter visto a evolução dos hospitais públicos, depois de ter visto como foi instituído o salário mínimo, o direito à greve, de ter visto a instituição de um período de férias, coisa que o meu pai não teve, a liberdade de expressão, o fim da guerra colonial, que era uma espada sempre em cima da minha cabeça, caso chumbasse um ano na faculdade e, mesmo assim, ainda tive de cumprir o serviço militar obrigatório, já depois de ser médico, passando um ano e meio a passar receitas para as famílias dos oficiais, depois de ter assistido ao direito à reforma, de ter visto a minha avó, que trabalhou e não descontou, a ter direito a uma reforma mínima, depois de ver a sociedade portuguesa a desenvolver-se na cultura, na música, na dança, na literatura, sem censura, sem amarras, depois de ter trabalhado num Centro de Saúde durante mais de 30 anos, perto de Bairros sociais e de ter convivido com uma população carente e muito diversa, com brancos, negros, indianos, mestiços e ter sentido toda essa diferença e ter percebido que, no fundo, somos todos iguais – vejo-me agora, com quase 73 anos, rodeado por energúmenos, egocêntricos, fascistóides, gente sem empatia, que só pensa em si própria, que tem ódio pela diferença, liberais, gente de extrema-direita, facínoras que não me merecem mais do que um vómito.

Começa no Putin e passa pelo Trump, o Órban, a AfD, a Meloni, o Vox, o Milei e, por cá, o miserável André Ventura, um tipo full of shit, capaz de se ajoelhar na igreja e rezar e, ao mesmo tempo, cagar no próximo se ele tiver uma pele de cor diferente, um tipo que não tem empatia por ninguém, a não ser por ele próprio e pelos seus apaniguados, um ignorante que não conhece as dificuldades das pessoas, que não se sente solidário com nada, um católico de merda, daqueles capaz de rezar hoje e pecar amanhã, porque é absolvido pela hipocrisia da Igreja.

Infelizmente, o desprezível Ventura tem muitos seguidores. Não quer dizer nada. Hitler também ganhou as eleições e fez o que todos sabemos. O rapaz é tão básico que, com os seus argumentos de taberna, consegue arrastar consigo todos os que, como ele, só têm argumentos rasteiros.

Qual é o programa para a Saúde do Chega: acabar com a corrupção e expulsar emigrantes.

E qual é o programa do Chega para a Educação: acabar com os alunos emigrantes e com a corrupção.

E no que respeita à Justiça, o que propõe o Chega: acabar com a corrupção e não deixar entrar mais emigrantes.

A isto se resume o programa daquele partido.

E a comunicação social deixa andar. O Ventura garante audiências. Ninguém o questiona sobre as suas propostas para o país, sobre o famoso governo sombra, que nunca teve intervenção pública, sobre o sindicado Solidariedade que ele disse que iria criar e que nunca saiu do papel. O Chega é o Ventura e pouco mais.

E este país está rendido a essa figura básica, iletrada, ignorante, um xico esperto sem estofo para governar.

Espero bem que venha a ser primeiro-ministro, para que o povo português perceba o que é ser governado por um lavagante, um tipo que andou a engordar o safio e que, quando ele ficou bem gordinho, o comeu.

Todo!