Passos com três ésses

Passos Coelho veio à superfície e participou num comício da AD no Algarve.

Escusava de se ter incomodado.

E porquê Passos com três esses?

S de sonso (sujeito que esconde as suas verdadeiras intenções), porque Passos não quer que a AD vença com maioria absoluta, quer que a AD vença, mas seja obrigada a aliar-se ao Chega para governar. E aí, o Montecoiso tem de dar o dito por não dito. Portanto, o sonso Passos não foi ao comício ajudar Montecoiso – foi apertá-lo.

S de sujo (ignóbil, indecente, sórdido, torpe, em que há fraude), porque Passos esteve envolvido naquela cena da Tecnoforma, que nunca foi esclarecida e, depois de ter prometido, na campanha eleitoral, que não iria tocar nas pensões nem subtrair subsídios de Natal, foi isso mesmo que fez depois, quando chefiou o governo.

S de sacana (finório, espertalhão…), porque Passos teve a lata de se referir à imigração e de a ligar à falta de segurança, durante o discurso que proferiu no comício no Algarve. Passos sabe que Portugal é um dos países mais seguros do mundo e sabe que os imigrantes, neste momento, são essenciais para manter em funcionamento muitos sectores da nossa economia, nomeadamente, o turismo. No entanto, apesar de saber isso, deu a entender que são os imigrantes que provocam a insegurança que algumas pessoas não sentem, mas acham que existe.

Mas três esses são poucos para Passos!

Safardana, sacrista, sevandija, sabujo, sórdido, sebento – tudo isto sem ofensa, claro!

Para quando a sua adesão ao Chega?

O Ventura já tem o boletim de inscrição pronto. Basta assinar.

O Grande Debate

O debate entre Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro decorreu.

Todos foram unânimes.

Curioso, o nome do teatro. Capitólio, como o outro. Por isso, um dos debatentes capitulou.

Os moderadores eram três, um por cada estação de televisão. Os directores também.

Foi, também, o debate com mais protecção policial.

Em redor do teatro, algumas centenas de polícias fizeram um cordão para proteger os dois políticos e os três moderadores.

Eis alguns dos momentos mais altos do debate:

Esta é a verdadeira razão que leva Montenegro a não querer debater com o Rui Tavares e o Paulo Raimundo

Ficámos a saber – aparentemente, com alguma estupefação – que o líder do PSD, Luís Montenegro, se recusa a participar nos debates pré-eleitorais com o líder da CDU, Paulo Raimundo e com o líder do Livre, Rui Tavares. No seu lugar, indicou o nome do desconhecido Nuno Melo, que parece que é o líder de uma agremiação chamada CDS, uma sigla que talvez signifique Centro Democrático Social, mas não há a certeza.

As televisões, em uníssono, disseram que não era possível essa alteração, que o acordo tinha sido que os debates decorreriam entre os líderes dos partidos e/ou coligações com assento parlamentar.

Ripostou o PSD que, em 2015, também Jerónimo de Sousa, então líder da CDU, tinha sido substituído por Heloísa Apolónia, líder de Os Verdes, para debater com Paulo Portas, da coligação Prá Frente Portugal, no lugar de Passos Coelho.

O problema é que qualquer destes quatro políticos faziam parte de partidos com assento no Parlamente, ao passo que o tal Melo, ninguém sabe quem é, muito menos o dito CDS.

Enfim, perante a recusa do Montenegro, há quem diga que ele tem medo de debater com o Tavares e o Raimundo – e, no fundo, têm razão.

O que, de facto, acontece é que Montenegro é um perigoso esquerdista encapotado, uma espécie de agente secreto da esquerda radical que milita num partido de direita para o minar por dentro. Se Montenegro for eleito e se se tornar primeiro-ministro de Portugal, a primeira coisa que ele vai fazer é uma aliança política-económica com Cuba.

É por isso que ele teme confrontar-se com Tavares e Raimundo: teme ser descoberto, receia que, durante o debate, se descubra que, afinal, ele é um trotskista dos sete costados.

E isto não é especulação; foi uma fonte de Belém que me assegurou ser verdade.

Agora, aguentem-se…

Promessas eleitorais

Depois de ouvir as propostas dos partidos políticos para as próximas eleições, decidi fazer um resumo, tentando juntar uma proposta daqui com outra dali.

Assim temos:

– Um médico de família para cada português; para os portugueses doentes, dois médicos de família para cada um;

– Acabar com os tempos de espera nos hospitais; passam a ser os hospitais que ficam à espera dos doentes;

РUma casa para viver e outra para passar f̩rias; toda a gente tem o direito a passar f̩rias numa casa;

– Rendas de bilros acessíveis para todos;

– Retirar o suplemento à Judiciária, de modo a que fique nivelada com as outras polícias;

– Descongelar os anos aos professores; desse modo ficarão mais velhos e poderão reformar-se já;

РAumentar todas as pens̵es e baixar todos os hot̩is;

РDiminuir IRS, IVA e IMI; passam todos a ser escritos com letra min̼scula (irs, iva e imi);

Assim de repente, é o que me lembro. Se tiver mais ideias, depois digo.

Uma campanha alérgica

O chefe do PSD, Rui Rio, a percutir um bombo, perante o sorriso alarve de um apaniguado, que grita PSD! PSD!, conseguindo abafar o ruído do bombo.

A líder do PAN a visitar um canil e a ser lambida por cãezinhos.

O brilhantinas da IL, com uma barriguinha liberal, a jogar futebol de praia.

O futuro ex-primeiro-ministro Costa, a dançar o vira, em Viana do Castelo.

O candidato facho vestido de camuflado a prometer pensões aos ex-combatentes e que vai acabar com todas as portagens.

O rapazito do CDS a beber vinho por uma malga em Ponte de Lima.

O substituto da CDU, qual matraca, a fazer lembrar o Cunhal.

A Caratina, a convidar o Costa para uma reunião, no dia após o Bloco ganhar as eleições.

O esforçado líder do Livre, a caminhar na serra de Carnaxide, com três militantes em fila indiana.

Arruadas, visitas a feiras e mercados, comícios, entrega de panfletos, oferta de canetas.

A campanha eleitoral continua igual, quase 50 anos depois do 25 de abril.

Ninguém faz diferente.

Alguém muda de opinião quando vê passar a caravana deste ou daquele partido, alguém deixa de estar indeciso porque lhe oferecem uma caneta na Feira lá da vila, alguém muda o seu sentido de voto depois de ler o panfleto, alguém vê o tempo de antena na televisão?

Que o PS, o PSD, a CDU, o CDS e até o Bloco mantivessem o figurino das campanhas, ainda se percebia – é difícil mudar. Mas os partidos mais recentes continuam a fazer tudo da mesma maneira.

O meu voto está decidido há muito e não é a campanha que o vai mudar, mas gostaria de assistir a algo de diferente.

Talvez a próxima campanha seja mais inovadora… daqui a dois anos, não?…

Feliz Moedas Oliveira Leite

Rui Rio não teve qualquer dificuldade em escolher os candidatos do PSD às principais Câmaras do país.

Escolheu pelos nomes.

A Câmara do Porto foi a mais difícil. Não podendo apoiar a recandidatura do seu homónimo, por razões relacionadas com ódios figadais, viu-se um bocado aflito para encontrar um candidato cujo perfil encaixasse nas suas premissas, e que eram, já que não posso ganhar, ao menos que seja feliz.

E foi quando se lembrou do Vladimiro que, apesar do primeiro nome com ressonâncias soviéticas, tem um apelido feliz- exactamente, Feliz.

Portanto, para o Porto, Vladimiro Feliz.

Quanto a Gaia, que tal aquele coleccionador de arte contemporânea que nada tem a ver com futebol, de apelido Oliveira?

Pois não é a oliveira um dos símbolos da paz, quando um dos seus ramos é transportado pelo bico de uma pomba?

Fica então o António Oliveira para a Gaia.

Sintra era outro problema bicudo, já que, pela frente, vai haver um Horta.

Neste caso, foi o rapazinho do CDS que lhe deu a ideia, ao recordá-lo desse grande democrata que dava pelo nome de Jacinto Leite Capelo Rego.

Tamb̩m tenho um Leite! Рexclamou Rio.

E Batista Leite ficou por Sintra.

Quanto a Santana Lopes, Rio ainda tentou Torres Vedras, mas Lopes é um apelido fraco e o Sr. Lopes ficou sem Câmara.

Finalmente, para Lisboa, que tal um Moedas, para atirar à cara do Medina?

Esse tipo que só tem testa está farto de gastar dinheiro só para ser reeleito – agora até se lembrou de ir testar os lisboetas à covid, só para garantir votos.

Mas o Moedas vai fazer-lhe frente!

Como se viu na conferência de imprensa de apresentação do candidato, o Moedas estava cheio de pica para avançar.

Não admira, ele é Carlos – vale por dois!…

A esfinge de Boliqueime está triste

Cavaco Silva fez saber que está triste com o resultado do PSD nas eleições legislativas.

Habituado a maiorias absolutas, não consegue digerir os 28% de Rui Rio – e faz questão de o dizer publicamente, o que equivale a uma facada nas costas do actual líder do PSD.

A criatura foi comparada a um eucalipto, que tudo seca à sua volta. Ainda hoje, quando o vejo na televisão, não consigo tirar essa imagem da cabeça. Cavaco faz mesmo lembrar um eucalipto – hoje em dia, um eucalipto velho, seco, depauperado e com uma azia do camandro!

Deve ser difícil para ele ver um socialista ocupar o seu lugar durante tantos anos. No entanto, apesar de se afirmar triste, no fundo, Aníbal deve sentir uma pontinha de felicidade por assistir à derrota de Rio, de quem não gosta especialmente.

De quem ele gosta, pelos vistos, é da Maria Luís Albuquerque, aquela especialista em swaps.

Nesta sua afirmação pública de tristeza, Cavaco lembra o nome de Maria Luís, dizendo que ela é “uma das mulheres com maior capacidade de intervenção que conheci”.

Será que a Dona Maria Cavaco Silva teve conhecimento destas afirmações?

Algo vai mal no reino de Boliqueime!…

Rui Rio não se esfarrapa

Ontem, num debate televisivo que colocou frente-a-frente, os líder do PSD e do PCP, o inegualável Rui Rio reafirmou que não está muito interessado em ser deputado.

O que ele quer é ser primeiro-ministro.

Por isso mesmo, faz o frete de se candidatar a deputado, já que nós, os patetas dos eleitores, elegemos deputados e não primeiros-ministros.

Rio acrescentou que até sugeriu ao seu Partido não ser candidato; depois, quando o Partido ganhasse as eleições (ah! ah! ah!), ele seria escolhido para ser primeiro-ministro.

E disse mais: disse que havia, no PSD, quem se esfarrapasse para ser deputado.

Ele não!

Rio não se esfarrapa!

Já está todo esfarrapado, coitadinho…