“Os Nomes de Feliza”, de Juan Gabriel Vásquez (2024)

Feliza Bursztyn (Bogotá, 1933-Paris, 1982) foi uma escultora colombiana cuja vida dava, de facto, para um romance, um filme e uma série televisiva. Morreu subitamente, com apenas 49 anos, e a história da sua vida teria ficado por contar se não fosse, Juan Gabriel Vásquez, que decidiu contá-la neste livro, juntando factos, testemunhos e um pouco de imaginação.

Feliza, cujo nome teve várias versões, escolheu ter uma vida diferente daquela que parecia estar-lhe destinada. Depois de um casamento precoce, depois de ter tido três filhas, abandonou tudo e dedicou-se totalmente à escultura, criando obras a partir de sucata.

Teve uma vida muito acidentada e repleta de tragédias, como a morte num acidente de aviação do seu segundo companheiro e, mais tarde, o seu próprio acidente, desta vez, a bordo de um Volkswagen – acidente esse que a obrigou a um flagelo de cirurgias reconstrutivas.

A sua ligação a tudo o que fosse diferente e provocador, levou-a, depois, a Cuba e a um confronto com as autoridades colombianas que acabaram por resultar no seu exílio, primeiro no México, na casa de Garcia Marquez, depois em Paris, onde acabou por falecer de ataque cardíaco, quem sabe proporcionado pelos muitos vapores da soldagem que usava para unir a sucata, a partir da qual criava as suas obras (só muito tarde começou a usar máscara).

Livro muito interessante.

“O Desfufador”, de Valério Romão (2025)

Tenho feito um esforço, juro que tenho, mas desisto hoje, na página 262.

Quando li a entrevista ao autor, Valério Romão, no Ipsilon, do jornal Público, pensei que ia ser um livro que me iria divertir e, por alguma razão, lembrei-me de António Rebordão Navarro e do seu livro de 1972, “O Discurso da Desordem”, que li em março de 1973, com apenas 20 anos, deslumbrado com aquela narrativa revolucionária.

A entrevista que o Público publicou sobre este “O Desfufador” até falava no velho Mário-Henrique Leiria. Coitado! Daria voltas na campa se estivesse para aí virado! Mas o que é que o pobre do Mário teria a ver com isto?!

“O Desfufador” é um livro que não incomoda ninguém porque ninguém o pode levar a sério, quando um dos seus personagens principais é o Alex, um anão que tem “corpo de pónei e sarda de cavalo”. Mas que merda de piada é esta?!

A ironia do Mário-Henrique não tem nada a ver com este chorrilho de palermices!

E eu sei o que estou a dizer…

O que é isto, afinal?

“Ao que o homem pobre não se pode negar (…) era transformar o sonho em fumo (…) ele que sempre sonhara ir ao cu a uma gaja e nunca o tinha feito”

Ou isto, na página 145:

“… quanto à execução de um orçamento cuja leitura e avaliação por parte do eleitor comum estaria, normalmente e em termos de prioridades, bem abaixo da sujeição a uma colonoscopia caseira às mãos de um tio parkinsoniano munido de uma mangueira de bombeiro”

Não, não me sinto ofendido, nem sequer me ruborizo por esta linguagem – simplesmente acho-a infanto-juvenil, como mais este exemplo absolutamente idiota, na página 181:

“a prova de que o português, em focando-se e trabalhando em grupo (!!! Exclamações minhas), é capaz de expulsar qualquer um e reclamar o que é seu. E havia que afastar da cachimónia a ideia de pequenez lusitana, a ladainha do povo simpático sempre enrabado pela sarda estranja, dos bons costumes a troco da gorjeta liliputiana…”

O autor parece enfeitiçado pelos termos “camurço” e “sarda”.

Chega de exemplos.

Fiz em esforço do caralho para ler esta preciosa merda até quase às 300 páginas e assusto-me só de pensar que ainda vai sair mais um volume.

A culpa é apenas do tipo do Público, cuja entrevista me fez despertar o interesse por esta miséria.

Volta Rebordão Navarro!

“Maligna Ofélia! Deves estar na tarde de domingo num café de domingo, com famílias passadas a papel químico, filhas iguais às mães, filhos iguais aos pais, criados baralhados nas contas, queixando-se dos joanetes e um cego que senta numa cadeira vazia e toca duas músicas antigas num acordeão ainda mais antigo, enquanto o seu acólito, um tipo de oleosa, doentia gordura explodindo no intervalo das rugas, passa de mesa em mesa uma caixa-mealheiro onde os cavalheiros depositam o seu pequeno óbulo”.
(in “O Discurso da Desordem”, 1972)

Mas o que me deu nesta cabeça, para me lembrar deste pequeno-grande livro do Rebordão Navarro quando li a entrevista ao autor deste “O Desfufador”.

Cenas…

“O Último Avô”, de Afonso Reis Cabral (2025)

Nem de propósito, acabei de ler hoje o último livro de Afonso Reis Cabral, que se refere ao avô do narrador, um conhecido e afamado escritor, chamado Campelo (não sei porquê, mas identifiquei-o como o Lobo Antunes), que morrera sem publicar nada relacionado com a guerra colonial.

E digo, nem de propósito, porque os apaniguados do 25 de novembro, esquecem, de propósito, o que o 25 de abril fez de mais importante: acabar com a guerra colonial!

Claro que falo em meu benefício, mas é verdade que, para mim, tão importante como o fim da ditadura, o 25 de abril significou o término daquela guerra que não fazia qualquer sentido histórico, já que todos os países europeus já tinham concedido a independência às suas colónias africanas.

O narrador deste livro é um jovem que viveu numa comunidade “hippie” no Algarve e que tem uma ligação muito importante com o avô escritor.

No fundo, o segredo deste livro é a intervenção do avô na guerra colonial, já depois do 25 de abril, num lugar tão problemático como Cabinda.

Afinal, parece que o avô não era assim um grande herói: ”O Campelo nunca o pôs o pé no mato, homem!, continuou o Anselmo. “Nem o dedo no gatilho, porra. Eu não sou ninguém para julgar, ainda menos se fosse por objeção de consciência ou motivações políticas…”

Gostei muito deste livro.

A guerra colonial continua a ser um assunto tabu na sociedade portuguesa, ainda hoje ouvi o cabrão do Ventura perorar contra o facto dos antigos combatentes não estarem a receber aquilo que deveriam. Tão preocupado que ele estava, coitadinho!… E, no entanto, deve estar bem se cagando para os antigos combatentes – ou será que, caso consiga tornar-se primeiro-ministro, irá propor que a tropa portuguesa regresse aos territórios ultramarinos?

Há coisas na História que não podemos mudar e a descolonização foi o que foi – se há muita gente que foi prejudicada, também há muitos que se lixaram por causa da guerra, quer por mortes e feridas graves, quer por situações que ficaram suspensas, aguardando pelo fim da guerra.

O livro de ARC não fala de nada disso, fala apenas de um neto que é influenciado por um avô, que ele pensa ter sido um eventual herói e que, afinal, foi mais um que se viu envolvido numa guerra sem significado.

Aconselho!

“O que Podemos Saber”, de Ian McEwan (2025)

McEwan continua a ser um dos meus escritores preferidos e este último livro é mesmo muito bom.

Thomas Metcalfe é um universitário académico que estuda a literatura do século 21. Ele e a sua companheira Rose, também académica, vivem em 2119, numa Europa destroçada pelas alterações climáticas, numa Inglaterra transformada num arquipélago, depois da Grande Inundação, num mundo totalmente alterado pela Desordem, em que a América voltou à confusão do wild west e em que a Nigéria domina a internet.

McEwan não perde muito tempo a explicar como é o planeta Terra no século 22. A história é narrada por Thomas e ele vive naquela actualidade e não sente necessidade em explicá-la, dando-nos, apenas, algumas pistas que nos permitem pensar que o mundo mudou muito depois de ataques nucleares e alterações climáticas extremas.

Thomas está obcecado por um poeta inglês do século 21, Francis Blundy e, sobretudo, pela sua mulher, Vivien. Na noite em que Vivien festejava o seu 54º aniversário, Francis ofereceu-lhe um poema, em forma de coroa, uma série de sonetos em que o último verso é o primeiro verso do soneto seguinte. Seria uma cópia única, escrita em pergaminho, e que até então, nunca tinha sido encontrado.

Francis Blundy não acreditava nas alterações climáticas, mas Thomas pensa que talvez aquele poema pudesse mostrar que ele estava a mudar o seu pensamento e não descansa enquanto não o encontrar.

Entretanto, pesquisa tudo o que pode sobre o poeta, a sua mulher e os amigos que estiveram no célebre jantar onde o poema foi lido, vasculhando e-mails, diários escritos on-line e outros documentos. Acabará por deduzir que o poema poderá estar enterrado algures perto da propriedade onde Francis e Vivien viveram, entretanto, localizada numa das pequenas ilhas, onde apenas se pode ir de barco dirigido por um capitão conhecedor daquele mar estranho, cheio de torres de igrejas.

O que fica de cada um de nós quando morremos?

Daqui a cem anos, o que poderão saber sobre cada um de nós? Por mais fotos que publiquemos no Instagram, por mais post colocados no X, ou no Facebook, ou no Whatsapp, por mais blogs que inventamos, como poderá alguém, daqui a cem anos, reconstituir a nossa vida, as nossas intenções, o que de facto nos aconteceu?

É isso que McEwean nos mostra, magistralmente, com a segunda parte deste livro, um longo capítulo, em que Vivien Blundy nos conta a sua vida e as suas atribulações e nos revela um segredo que não consta de nenhum e-mail, de nenhum diário, de nenhum registo informático.

Mesmo depois de lermos esse longo capítulo, a nota final que McEwan acrescenta e que diz que esse capítulo foi anotado e editado por Thomas Metcalfe deixa-nos a dúvida: será que essa é toda a verdade?

Um dos melhores livros que li nos últimos tempos!

Outros livros de McEwan: A Barata; Máquinas Como Eu; Numa Casca de Noz; A Balada de Adam Henry; Mel; Na Praia de Chesil; Cães Pretos; Entre os Lençóis; O Jardim de Cimento; Solar; Lições

“Todos os Amantes da Noite”, de Mieko Kawakami (2011)

Mieko Kawakami (Osaka 1976) é considerada uma das mais importantes escritoras japonesas da actualidade.

Depois de ter lido o excelente “Seios e Óvulos”, fiquei com curiosidade para ler este “Todos os Amantes da Noite”, publicado nove anos antes e não fiquei desiludido.

Kawakami conta-nos a história de Fuyuko, uma revisora de textos freelancer, na casa dos trinta anos. Vive sozinha e teve apenas uma experiência sexual, muito má – no fundo, foi violada por um colega de escola.

Com uma vida monótona e triste, Fuyuko acaba por cair no alcoolismo. O saké e a cerveja ajudam-na a descontrair-se e a enfrentar o mundo. A certa altura conhece um homem, que diz ser professor, e a sua vida muda por algum tempo.

A escrita de Kawakami cheira a Japão por todos os lados e quem a ler percebe o que quero dizer, embora a tradução, que é feita a partir do inglês, use expressões idiomáticas que são demasiado portuguesas para serem ditas por uma japonesa.

Outra curiosidade: Fuyuko é revisora de textos e diz que não há livros perfeitos, que todos os livros têm erros, que escapam as revisores e editores, e este livro não foge a essa regra. Na página 127, quando a jovem Fuyuko está no quarto do rapaz que a há de violar, escreve:

“(…) entretive-me a olhar para as minhas mãos e para os pelos do tapete onde pousara o meu saco. Imaginei um globo terrestre suspenso entre mim e o tapete. Depois de ter circum-navegado, atravessando mares e oceanos, deixei que rodasse devagar até chegar à América do Sul, onde adquiriu a forma filiforme da Argentina…”

Tenho quase a certeza de que a autora estava a pensar no Chile e não na Argentina.

Mas gostei.

“A Desconhecida do Retrato”, de Camille de Peretti (2024)

Estes factos são verdadeiros: pintado em Viena, em 1910, o quadro de Klimt, Retrato de Uma Senhora, é comprado por um colecionador anónimo em 1916, alterado pelo mestre no ano seguinte e depois roubado em 1997, antes de reaparecer em 2019 nos jardins de um museu de arte moderna de Itália.

A partir desta história verdadeira, a escritora, nascida em Paris em 1980, inventou uma história à volta destes eventos que mais parece o enredo de uma telenovela, com muitos clichés.

Camille de Peretti foi “aprendiz de análise financeira num banco de investimentos em Singapura, professora de cozinha francesa na televisão japonesa num programa chamado A Cozinha de Camille e, depois de obter o diploma, inscreveu-se no Cours Florent, famosa escola de teatro, e criou uma empresa de eventos.”

Para além de tudo isto, teve tempo de escrever este livro de 300 páginas em que inventa uma história inverosímil e muito cor-de-rosa.

Cansativo.

“Funeral Divertido”, de Ludmila Ulitskaya (1997)

Alik é um russo emigrado nos Estados Unidos, pintor sofrível, que está à beira da morte. Confinado à cama, os seus últimos momentos são rodeados de uma série de personagens mais ou menos caricatas, incluindo a sua actual e a sua ex-mulher, a sua filha adolescente e mais uma série de supostos amigos, todos russos, todos emigrantes.

Ulitskaya nasceu em 1943, nos Urais e estudou e cresceu em Moscovo, vivendo actualmente em Berlim.

Apesar de um dos principais protagonistas estar a morrer, o tom do livro é sarcástico e, apesar de ser traduzido do russo pela dupla de tradutores Nina e Filipe Guerra, dá a sensação de que algumas piadas ficam perdidas na tradução, que serão piadas demasiado russas, por assim dizer…

Gostei desta:

“O que importava era isto: ambos eram médicos de nascença, no mesmo sentido em que as pessoas nascem loiras, cantoras ou cobardes, ou seja, por imposição da natureza; havia em ambos o instinto da compreensão do corpo humano, um bom ouvido para a circulação do sangue, uma maneira especial de raciocinar”.

O livro foca-se nos emigrantes russos na América, mais especificamente, os judeus russos e a sua maior ou menor dificuldade em se adaptar.

“Alik, um homem do terceiro mundo, o da Rússia, aos trinta anos travou conhecimento com a Europa e a América. Primeiro, Viena e Roma (com todas as delícias italianas que não chegaram a saciá-lo durante quase um ano)… Só quando emigrou para a América e lá se fixou, sem sair das duas fronteiras, compreendeu a inveja americana velha Europa, com a sua decrepitude diáfana, o seu requinte e quase esgotamento cultural, assim como compreendeu a atitude arrogante, mas no fundo também invejosa, da Europa em relação à América espadaúda e elementar”.

Um curioso pequeno livro.

“Sobre o Cálculo do Volume – I” – de Solvej Balle (2020)

Solvej Balle é uma escritora dinamarquesa nascida em 1962 que, com este livro, conseguiu ser finalista do Booker Prize deste ano.

Parece que os escritores nórdicos gostam de publicar as suas obras em vários volumes. Tivemos o exemplo do norueguês Knausgard, com os seus seis volumes de autobiografia romanceada e agora temos esta escritora com este projecto que engloba sete volumes.

O que está na base destes sete livros é já conhecido e explorado anteriormente: a protagonista acorda sempre no mesmo dia, dia após dia. O exemplo mais conhecido é o do filme Groundhog Day, de 1993, realizado por Harold ramis e protagonizado por Bill Murray.

No caso deste livro de Balle, há uma pequena grande diferença. A protagonista, Tara Selter, apercebe-se que acorda sempre no dia 18 de novembro, mas que as restantes pessoas, não, nomeadamente o seu companheiro Thomas, que, dia após dia, repete sempre os mesmos gestos. Ela, pelo contrário, tenta mudar alguma coisa, na tentativa de saltar para o dia 19.

Este primeiro volume tem apenas 150 páginas e fico a pensar que voltas é que a autora vai dar para encher mais seis livros?…

“Tóquio Express”, de Seicho Matsumoto (1958)

Este livrinho editado pela Presença e traduzido por André Pinto Teixeira, é apresentado como “um dos grandes clássicos da literatura japonesa”, e quem sou eu para contestar…

O autor, Matsumoto – que também é o nome de uma cidade, que visitei no ano passado – é apresentado como o “mestre do mistério japonês”.

Comparado com os seus contemporâneos norte-americanos da literatura policial, este Matsumoto parece ser muito – como direi? – japonês. Enquanto os escritores policiais norte-americanos são malandrecos, violentos, sacaninhas, estes dois detectives japoneses são tão puros e tão inocentes que até dá raiva.

A história gira à volta de dois eventuais amantes que se suicidam – coisa que parece ser banal para os japoneses. No entanto, há por ali muito mistério, sobretudo em redor de horários de comboios.

“O Asakaze chega à plataforma quinze às 17:49 e parte às 18:30. Fica na plataforma um total de quarenta e um minutos. Entretanto, nas linhas treze e catorze, efectuam-se as seguintes movimentações: na linha treze, um comboio da linha Yokosuka chega às 17:46 e parte às 17:57. Pouco depois, às 18:01, chega outro comboio, que parte às 18:12. Contudo, mesmo após a partida deste comboio, há o comboio regular 341, na linha catorze, com destino a Shizuoka, que dá entrada pelas 18:05, partindo apenas às 18:35. A sua paragem durante esse período bloqueia a vista do expresso Asakaze na linha quinze, ao lado”.

E é graças a todas estas verificações que o detective acaba por descobrir o crime.

Para quem nunca foi ao Japão, tudo isto soa a brincadeira – mas não é! Os japoneses nunca brincam com comboios!

“Trilogia da Paixão”, de Ariana Harwicz (2012-2016)

Que difícil foi ler esta Trilogia, caramba!

Aliás, até decidi não a ler toda…

Ariana Harwicz (Buenos Aires, 1977), é uma escritora argentina que alguém compara a Virginia Wolf e Sylvia Plath e este livro reúne três novelas: Mata-te, Amor (2012), A Atrasada Mental (2014), e Precoce (2015).

Segundo a autora, trata-se de uma trilogia involuntária sobre a maternidade e os seus tabus.

Então, não percebi nada!

Os três textos são muito parecidos (o terceiro, Precoce, nem o acabei). A autora escreve como se fosse uma escrita automática.

“Se pudesse usava uma bengala, vestia-me como uma velha, pintava o cabelo de branco, tomava comprimidos para doenças neurológicas até que o meu cérebro se habituasse a elas. Quero ser uma velha. Desagradável em todos os sentidos, hedionda, insuportável, fedorenta, e tomaria a medicação para que me tivesse de lavar durante muito tempo. Assim, ainda com o sexo a latejar, ouvi-o, vi-o mexer uma boca já distante, dizer palavras que não compreendi. As folhas cortavam o ar, o cenário tremia como se alguém nos dirigisse. Até que ouvi, cura. Isso vinha de mim. Uma mulher que precisava de se acalmar. Tornar-se uma ameba.”

E assim continua…

As duas primeiras novelas são um conjunto de textos deste género; cada textos cobrindo página e meia.

O terceiro é um texto contínuo, mas, no fundo, é mais do mesmo.

Há uma narradora, uma mãe, um amante (?), muitas ereções e ejaculações e textos, todos eles, herméticos.

“Trava de repente na berma. Olha para mim. Sei que me teria cravado uma agulha de costura no corpo mas tem a cara e a boca demasiado secas”.

Está bem, vou ler outra coisa…