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Já não se fazem comunistas como antigamente

Wednesday, May 8th, 2019

Mário Nogueira, líder da Fenprof, sindicato-mor dos professores, afirmou que considera a hipótese de se afastar do seu Partido de sempre, o Partido Comunista.

Esta decisão de ruptura surge depois de Jerónimo de Sousa, líder do PCP, ter ignorado os apelos de Nogueira, ao afirmar que o Partido iria votar contra as propostas da Direita.

Confusos?

Eu explico.

Há anos (daqui a pouco, há 9 anos, 4 meses de 2 dias), que andamos a discutir a possibilidade de os professores reaverem os anos em que as suas carreiras estiveram congeladas (que, como todos sabem, é desde o Cretácio Superior…).

Ora, acontece que, caso o Governo decidisse conceder aos professores todos os anos que eles estiveram congelados, logo os polícias, magistrados, auxiliares de acção educativa, jardineiros e afins, exigiriam o mesmo.

Eu próprio, que não passo de um reformado e pensionista (nunca percebi a diferença entre uma coisa e outra…), exigiria, também, que me descongelassem o último escalão da minha carreira. É que, quando me reformei (ou aposentei – qual será a diferença?…), estava colocado no penúltimo escalão da minha carreira há anos. Claro que, para subir para o último escalão, teria que apresentar um trabalho e ser avaliado por uma comissão; não seria uma subida automática, mas, mesmo assim, estou convencido de que conseguiria esse desiderato e, portanto, poderia ter-me aposentado (ou reformado…), com o escalão máximo da minha carreira.

Mas, enfim, o tempo não volta para trás, o que já foi não volta a ser e o passado fica lá atrás.

Não para o Mário Nogueira, que insiste, há anos, na recuperação dos tais nove anos e etc e tal.

Pois na quinta-feira, passou-se aquela cena curiosa, que consistiu numa coligação negativa, formada pelo PCP, Bloco, Verdes, PSD e CDS: todos votando a favor do descongelamento dos tais nove anos e tal, sem contrapartidas.

Mário Nogueira exultou, os líderes de todos os Partidos, menos o do Governo, também, e António Costa resolveu esticar a corda, ameaçando demitir-se.

O PCP e o Bloco mantiveram-se na deles, já que sempre defenderam o descongelamento dos nove anos e tal. Os deputados do CDS e do PSD, presentes na Comissão de Educação, aplaudiram; estavam a lixar o Costa, e isso era uma vitória.

Assunção Cristas estava contentíssima e Rui Rio desapareceu.

Claro que, a pouco e pouco, tanto o CDS como o PSD deram o dito por não dito, embora dizendo que nunca tinham dito o que tinham, de facto, dito.

Afinal, só aprovariam o descongelamento dos nove anos e tal se houvesse dinheiro, e se não houvesse dívida e se não chovesse…

O PCP e o Bloco, apressaram-se a dizer que, no fundo, até votariam a favor, mas como o CDS e o PSD punham como condição que não chovesse, não podiam ficar reféns da Direita e da Meteorologia…

Foi quando Nogueira vacilou e disse que teria que repensar o seu lugar no Partido Comunista.

Claro que os cerca de 100 mil professores ficaram aterrorizados. Então o seu líder comunista estava a hesitar?

A fé de um verdadeiro comunista é inabalável!

Eu sou do tempo em que os comunistas morriam pela sua causa.

Afinal, Nogueira é um fraquinho…

Necrologia partidária

Sunday, April 28th, 2019

O PS não se safa dos jobs for the boys, ou do mais recente familygate – tudo nomes anglo-saxões para os velhos jeitinhos.

Conheces alguém lá no Banco, ou na seguradora, ou no hospital, ou na repartição? Todo o português que se preze gosta de usar os conhecimentos, os favorzinhos, as atenções, as cunhas, para obter benefícios.

O PS, como partido dos portugueses genuínos, faz isso mesmo (aliás, como o PSD – e o PCP, o Bloco e o CDS só não o fazem porque não podem, isto é, porque não estão no Poder).

Ora, eu estou num lugar cimeiro, digamos, num Ministério, e preciso de colaboradores nas secretarias de Estado e nas Direcções-Gerais – quem vou convidar se não o meu filho, a namorada de um primo, o amigo de um cunhado, ou mesmo a minha esposa – conheço-os bem, sei que não me vão apunhalar pelas costas e, ainda por cima, até têm formação nessa área… portanto, concurso público?… para quê?!… para demorar meses a escolher um colaborador?…

Foi assim que, nesta campanha eleitoral, todos se lembraram que o Governo tinha, no seu seio, marido e mulher, pai e filha, e mais…

A partir daí, foi só começar a escavar e descobriram-se muitas outras ligações perigosas.

Tão perigosas que chegaram aos cemitérios!

Vocês lembram-se das esquisitas Associações de Amizade Portugal-Albânia, ou Portugal-Coreia do Norte?

Pois existe uma Associação dos Amigos dos Cemitérios de Lisboa (AACL)!

Isso mesmo: um grupo de pessoas que se juntam porque gostam de cemitérios – e gostam tanto que se auto-intitulam amigos dos cemitérios.

É que uma pessoa pode trabalhar com cadáveres, como fazem os especialistas em Medicina Legal, mas daí a gostar de cadáveres ao ponto de se dizer amiga deles, vai uma diferença muito grande.

Mas pronto – cada maluco com a sua mania – e esta associação reúne pessoas que são amigas dos cemitérios de Lisboa.

Pois o PSD descobriu que a maior parte dos membros da Associação são do PS: o presidente é Jorge Ferreira, fotógrafo do PS; o vice-presidente é Pedro Almeida, funcionário do PS no Parlamento; e entre os membros estão Inês César (sobrinha do líder parlamentar do PS, Carlos César) e a sua mãe, Patronícia (deputada municipal do PS), e o seu pai, Horácio (irmão de Carlos César), João Soares (filho de Mário Soares), e Diogo Leão (deputado do PS).

Na minha opinião, é assustador que tantos membros do PS sejam amigos dos cemitérios. No mínimo, cheira a almas do outro mundo…

Mas, afinal, o que é que esta Associação quer fazer com os cemitérios?

Pelos vistos, quer transformar o cemitério dos Prazeres, numa espécie de Parque Temático dos Mortos Ilustres, juntando, um mesmo local, os restos mortais de Agostinho da Silva, Lourdes Pintassilgo, João César Monteiro, Raul Solnado, Carlos Paredes, Al Berto, Laura Alves, Alfredo Marceneiro e outros…

Assim, os turistas poderiam visitar o cemitério e, passando perto dos jazigos respectivos, ouviriam a guitarra de Paredes, um poema de Al Berto, um fadinho do Marceneiro, etc.

Cobravam-se uns bilhetes e a autarquia teria mais uma fonte de riqueza…

O PSD denunciou esta tramóia, não porque esteja contra a ideia mórbida, mas apenas porque a Associação dos Amigos dos Cemitérios não inclui familiares do PSD…

Mas esta amizade pelos mortos não é apanágio dos partidos do centrão.

Também a extrema-direita, consubstanciada no inacreditável Partido Chega, liderado pelo não mesmo inacreditável André Ventura, exibe uma atracção pelos mortos. Atracção fatal, claro…

Pois o Chega entregou, no Tribunal Constitucional, cerca de dez mil assinaturas para obter a legalização.

Dessas dez mil, cerca de 2600 assinaturas foram consideradas inválidas porque alguns desses subscritores já tinham morrido.

O Tribunal dá, como exemplo, o Sr. Adelino Lopes, que facilitou a sua assinatura para a legalização do Chega e que, caso ainda fosse vivo, já teria 114 anos!

Por maioria de razão, o Partido Chega devia também fazer parte da Associação dos Amigos dos Cemitérios!

E o PSD, por se ter lembrado de levantar esta questão em pelo período eleitoral, merecia, também, um lugarzinho na Associação.

Aliás, todos deveriam ir parar ao cemitério dos Prazeres, onde estar morto deve ser um gozo…


Assunção Cristas acusa o Governo de ignorar o interior

Wednesday, April 24th, 2019

É este o título de uma notícia da RTP.

Eu sei bem o que isso é!

Durante quase 40 anos, ignorei o meu interior, fumando quase um maço por dia e deixando as minhas coronárias ao deus-dará.

Claro que, agora, tarde piaste e nada mais posso fazer senão esperar que a sorte me proteja!…

Cristas, coitada, quer o melhor para o interior.

Por isso, só usa cuecas de algodão, brancas (cuecas pretas é para as doidas, que só pensam em sexo!…)

De facto, como é que um governo chefiado por um Costa pode ligar ao interior? O próprio apelido explica tudo: Costa da Caparica, Costa de Prata, Costa Vicentina – o interior que se lixe!

Deve ser por isso que a Cristas quer o nosso apoio.

No outro dia, vi-a a apanhar couves com o jeitoso do Nuno Melo. Que bem que eles defendem o interior das couves! Que engraçado ver aquele senhor de 50 anos, mas que continua com cabelo à Beatle, a apanhar couves. Quase que me apetecia fazer um cozido à portuguesa com ele. Lá dentro, claro!

Depois, vi a Sãozinha em Pedrógão Grande e Castanheira de Pera.

Não, não foi ajudar a construir as casas destruídas – foi criticar o facto de ainda haver algumas casas que não foram reconstruídas. Mais uma vez, o Governo a ignorar o interior.

Juro que fiquei a pensar: se a Cristas, por absurdo, ganhasse as eleições, a capital de Portugal seria em Canas de Senhorim!

E então, poderíamos dizer que os de Canas são sacanas e os de Nelas são panelas!

António Costa apoia toxicodependentes

Wednesday, April 3rd, 2019

O engenheiro Luís Cabral da Silva, diz que é especialista em Transportes e Vias de Comunicação.

Foi à Sic Notícias, como convidado, comentar a criação do passe único, intermunicipal, que o governo de António Costa acaba de implementar, e que permite que os cidadãos e as famílias, poupem muito dinheiro, todos os meses.

Os exemplos são muitos. O passe intermunicipal custa, agora, 40 euros, e há quem poupe mais de 100 euros por mês.

E o que teve a dizer o sr. engenheiro sobre esta medida?

Pois disse que era uma boa medida, porque as pessoas ficavam com mais dinheiros para comprar leite, tabaco e drogas! (o link para a notícia está aqui)

O engenheiro Silva deve ser daqueles activistas anti-leite, daqueles que pensam que, como a espécie humana é a única que continua a consumir leite depois da fase da amamentação, o leite só pode fazer mal, sendo o causador de inúmeras doenças. Ao fim e ao cabo, como o tabaco e as drogas – daí a criatura ter incluído tudo no mesmo saco.

Ontem, quando viajava no cacilheiro, a caminho de Lisboa, ouvi a conversa entre duas passageiras. Uma delas congratulava-se com o novo preço dos passes e a outra ripostava: vamos ver quanto tempo isto dura; se for para lá outro!…

De certeza que, se o engenheiro Silva – o tal especialista em Transportes – fosse nomeado por um hipotético governo PSD/CDS, os passes voltariam aos preços antigos e, como contrapartida, o Rio e a Cristas distribuiriam pacotes de leite, maços de tabaco e cigarrinhos para rir a todos os portugueses.

Aqui fica a foto do sr. engenheiro Silva, para que todos saibam quem é o indígena…

Cozinho para as eleições

Friday, March 8th, 2019

Este título do Público fez-me espécie:

“Cataplana de Costa foi mais vista do que arroz de Cristas”

Conheço cataplanas de tamboril e de marisco e arroz de ervilhas ou de cenoura, mas nunca tinha ouvido falar de cataplana de Costa, muito menos de arroz de Cristas.

Fui investigar.

Parece que existe um programa de televisão, chamado Programa da Cristina, que tem muito sucesso. Descobri que essa tal Cristina, de apelido Ferreira, é uma mulher que subiu as pulso, tendo passado de feirante a apresentadora de televisão em poucos anos, auferindo agora um ordenado de jogador de futebol (gosto muito do verbo auferir…).

Descobri até que o próprio Presidente Marcelo telefonou à tal Cristina, a dar-lhe os parabéns pelo programa – coisa que nunca fez comigo, ao longo de todos estes anos de dedicação à escrita. Mas enfim, continua a haver filhos e enteados…

Esse tal Programa da Cristina é diário e há umas semanas foi lá a líder do CDS, Assunção Cristas, e cozinhou, em directo, um arroz de atum.

Fiquei mais descansado.

Afinal o arroz não era de Cristas, era de atum.

Dias depois, o primeiro-ministro, António Costa, também foi ao programa e cozinhou uma cataplana de peixe.

Tudo explicado!

Ora, o Público relatava na notícia com aquele título que, enquanto o arroz de Cristas foi visto por 493 mil pessoas, a cataplana do Costa foi vista por 745 mil pessoas.

Não chega à maioria absoluta, mas anda lá perto…

Se a Cristina for esperta, leva ao seu programa o Rui Rio, para cozinhar uma francesinha, o Jerónimo de Sousa, para fazer umas pataniscas e a Catarina Martins, para preparar um prato vegan, à escolha.

Quanto ao Santana Lopes, se fosse ao tal programa, teria que se contentar com restos…

Daqui a 10 anos…

Monday, March 4th, 2019

Quando eu ler isto daqui a 10 anos…

Os britânicos, em referendo, decidiram sair da União Europeia mas, na prática, não o estão a conseguir. Se calhar, queriam sair assim, sem mais nem menos, mas a UE não foi na conversa e foi aprovado um acordo, que teve a assinatura da primeira-ministra Theresa May, mas não teve a aprovação do Parlamento britânico. Conservadores e Trabalhistas dizem querer sair da UE, mas não assim – então como?

Ninguém sabe e, a 29 deste mês, acaba o prazo estabelecido e, ou o Reino Unido adia a saída ou sai sem acordo, o que parece ser catastrófico.

À beira da catástrofe está a Venezuela, dominada por um Presidente que veste fatos de treino coloridos e que se diz herdeiro de Símon Bolívar. Este é o Presidente que dizem ser usurpador, Nicolas Maduro, seguidor de Hugo Chávez, e que surge na TV rodeado de milhares de apoiantes, todos vestidos com cores garridas, as da bandeira da Venezuela. Mas há outro presidente, Juan Guaidó, líder da Assembleia Nacional e que se auto-proclamou presidente interino, e que se passeia pelo Brasil, Colômbia, Argentina e Equador, colhendo apoios. Num arremedo de Guerra Fria, em tempos de aquecimento global, os Estados Unidos apoiam Guaidó e a Rússia apoia Maduro. No meio, fica o povo, pelos vistos, cheio de fome.

Na Rússia manda o Putin, nos Estados Unidos, Donald Trump. Putin foi agente do KGB, deixa-se fotografar em tronco nu, a pescar ou a andar a cavalo, caminha com as pernas arqueadas, gingando o tronco, parece um vilão saído dos filmes do 007. Trump é um calmeirão bronco, com gravatas até à braguilha, cabelo oxigenado e preso com laca e pele bronzeada por solário. Nunca trabalhou na vida – especulou, sempre, e não acredita no aquecimento global, nem na evolução das espécies, julgo eu. Aliás, ele próprio é a prova de que Darwin, se calhar, estava errado – a espécie não está a evoluir, continuam a surgir gerações espontâneas de idiotas.

Não só na América. Por cá, também.

Agora surgiu um juiz, chamado Neto Moura, que acha que o facto de um homem rebentar o tímpano da sua companheira com um soco, não é violência extrema, porque não foi usada nenhuma arma. O mesmo juiz também escreveu que, segundo a Bíblia, uma das piores ofensas que podem ser feitas a um homem, será o adultério – e por isso mesmo, foi benevolente na condenação do ex-companheiro e do amante que sovaram uma mulher, usando uma moca de pregos.

Muitos comentadores ficaram indignados com estas decisões do juiz e chamaram-lhe nomes; em resposta, ele avisou que os vai processar por injúria. Espero bem que o juiz não lhes rebente os tímpanos, nem os sove com a moca de pregos porque, entre os que vai processar estão duas moças, duas Joanas, a Amaral Dias e a Mortágua que, coitadas, não merecem tal sorte.

Quem também não merece tal sorte são os clientes do Novo Banco, ex-Banco Espírito Santo.

Quando foi anunciado que o BES estava na fossa, tanto o Governo do Passos Coelho, como o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, apresentaram uma solução que – garantiram eles – ia salvar o Banco. Criaram um Banco bom e um Banco mau e, para o Banco bom, supostamente, só passaram as coisas boas.

O pequenino Marques Mendes, em 2014, dizia que o Banco bom nunca precisaria do dinheiro do Estado (ver aqui), mas agora vem dizer que Mário Centeno enganou a malta porque, afinal, vai ser preciso meter lá mais mil e tal milhões de euros. Mas, espera lá, quem era ministro das Finanças em 2014?… Então não era a pê-ésse-dê Maria Luís Albuquerque?…

Mas já estamos habituados a estas mudanças de opinião: quando se está no Governo, diz-se preto, quando se está na oposição, diz-se branco, ou vice-versa.

Um bom exemplo é a Dona Assunção Cristas. Quem a oiça hoje falar – o que acontece todos os dias, em todos os telejornais – pensará que ela nasceu este ano para a política, que nunca esteve no Governo, que nunca tomou nenhuma decisão em Conselho de Ministros, sobre as rendas de casa, sobre o SNS, sobre o Novo Banco, sobre tudo e mais alguma coisa. Cristas é pura, inocente e virgem – salvo seja!…

Enquanto isto, o Costa, com aquele seu ar de Buda satisfeito, tenta passar entre os pingos da chuva – que, aliás, está escassa – mas vai ter vários fogos para apagar até às eleições, em outubro.

A começar pelos professores, que querem que lhes seja contado o tempo de progressão na carreira, que foi congelado, os tais 9 anos e alguns meses. O problema é que, ao descongelar esse tempo para os professores, o Governo tem que fazer o mesmo para todas as restantes carreiras da Função Pública.

Depois, há os enfermeiros, que querem começar a carreira a ganhar 1600 euros e, aos 57 anos, reformarem-se sem penalizações. Para isso, seria preciso aumentar todas as carreiras que exigem licenciatura (técnicos superiores, psicólogos, fisioterapeutas, etc) e considerar muitas outras carreiras como sendo de risco. Em breve estaríamos como na Grécia, em que a única carreira que não era de risco era a de guarda-livros (seria?…)

E há ainda os magistrados, os guardas-prisionais, os auxiliares de toda a espécie, os bombeiros, os sapadores, os das fronteiras, os estivadores, camionistas, guardas-florestais, funileiros, pintores e ofícios correlativos.

Se fosse ao Costa, dava tudo a todos e entregava o Governo ao Rui Rio, ao Santana Lopes ou até ao Conan Osíris que, pelos vistos, tem, agora, a aprovação de todos porque é moderno e bué da giro.

Vão mas é dar banho ao cão!…

Assunção Cristas é contra a igualdade entre sexos

Friday, March 1st, 2019

No seio do CDS, existe uma tendência chamada TEM, que significa Tendência Esperança em Movimento (TEM).

O nome, só por si, faz-nos sentir ligeiramente indispostos. Por que raio é que a Esperança tem que estar em Movimento e por que razão isso é uma Tendência? Será que a Esperança tem Tendência a estar Imobilizada?

A Dra. Joana Bento Rodrigues é médica desde 2007, ortopedista desde 2016 (certificar aqui) e está especialmente interessada em ombro e cotovelo.

Talvez o Freud explique por que razão uma especialista em cotovelo ingressa num movimento como o TEM. Será dor de cotovelo?…

A Dra. Joana assina um artigo publicado no Observador que é digno de um daqueles textos publicados no jornal Época, no tempo do Dr. Salazar.

Não vou incluir aqui um link para esse artigo, porque isso seria dar publicidade a uma coisa que dá náuseas. Quem quiser, que procure no Google. Vai encontrar, certamente.

Limito-me a transcrever uma parte do texto incrível que a ortopedista escreveu. Ela critica as feministas e acha que a igualdade entre sexos é uma treta, porque a mulher deve sentir-se orgulhosa pelo facto do seu marido ganhar mais do que ela!

Ora leiam…

“O potencial matrimonial reside, precisamente, no amparo e na necessidade de segurança. A mulher gosta de se sentir útil, de ser a retaguarda e de criar a estabilidade familiar, para que o marido possa ser profissionalmente bem sucedido. Esse sucesso é também o seu sucesso! Por norma, não se incomoda em ter menos rendimentos que o marido, até pelo contrário. Gosta, sim, que seja este a obtê-los, sendo para si um motivo de orgulho. Porquê? Porque lhe confere a sensação de protecção e de segurança. Demonstra-lhe que, apesar poder ter uma carreira mais condicionada, pelo facto de assumir o papel de esposa e mãe, a mulher conta com esse suporte e apoio do marido, para que nada falte. Por outro lado, aprecia a ideia de “ter casado bem”, como se fosse este também um ponto de honra. Naturalmente que o contrário não pode ser visto como menos meritório, em particular quando as oportunidades não são equivalentes. Assim, o casal, enquanto um só e actuando em uníssono, pode optar pela inversão destes papéis, que em nada diminuiu qualquer dos elementos, desde que movidos por objectivos comuns e focados no Amor.”

Ora, como esta Tendência faz parte do CDS, chegamos à conclusão que a líder do Partido, a Dra. Cristas, está de acordo com esta filosofia que não está muito longe da burka: a mulher, submissa, em casa, escondendo o seu rosto, enquanto o marido, lá fora, ganha o sustento da família.

A Dra. Cristas, no entanto, anda por aí, à solta, sempre rodeada de homens, falando às televisões todos os dias. Onde estão os seus quatro filhos? Onde está o seu pobre marido? Em casa, a lavar a loiça, de avental e chinelos?…

Muita coisa vai mal na Direita portuguesa!…

Há greves e greves…

Tuesday, February 26th, 2019

Nunca estive muito de acordo com o facto de a minha classe profissional fazer greve. Sempre achei que os médicos, ao fazerem greve, só estavam a prejudicar os doentes.

Sempre vi as greves como uma manifestação da luta de classes.

Os operários de um fábrica, ao fazerem greve, estão a lutar contra os patrões. Operários versus burguesia. Tipos que vão de transportes para o trabalho contra tipos que se deslocam de Mercedes.

Pelo contrário, no caso das greves dos médicos, é ver os tipos que vão de transportes para a consulta do Centro de Saúde, terem que voltar para trás porque os tipos que se deslocam em viatura própria, estão de greve.

Além disso, é muito difícil considerar os médicos como proletariado e os doentes como burguesia.

Dirão que os médicos não estão a fazer greve contra os doentes, mas para obterem qualquer coisa do Governo – no entanto, temos que concordar que quem é imediatamente prejudicado são os doentes.

Mais confusão me faz a greve dos magistrados. Como único órgão de soberania, não entendo como é possível fazerem greve. Acaso o Presidente da República também pode fazer greve?

Claro que isto é uma caricatura, mas é assim que eu vejo as greves.

Compreendo-as e apoio-as quando os prejudicados são os patrões.

No entanto, quando os prejudicados são os doentes, os alunos, os utentes dos transportes públicos, penso que poderiam ser escolhidas outras formas de luta, digamos, mais imaginativas.

Vem isto a propósito das catadupas de greves que estamos e vamos enfrentar, neste ano de eleições.

Não há grupo profissional que não tenha entrado ou vá entrar em greve.

Dizem que há mais greves este ano do que nos anos da troika, o que é espantoso – até parece que os sindicatos tiveram medo da troika, ou estavam de acordo com a política de austeridade imposta naqueles quatro anos.

Das greves recentes, dois grupos profissionais se destacam: os professores e os enfermeiros.

Nestes conflitos, as posições, quer dos sindicatos, quer do Governo, extremaram-se de tal modo, que não será possível qualquer tipo de acordo, a não ser por decreto.

Não vi os professores exigirem o descongelamento das carreiras e a contagem do tempo congelado com tanto vigor, no tempo do Passos Coelho e não vi os enfermeiros fazerem greve quando o mesmo Passos sugeriu que os licenciados procurassem emprego lá fora, e desse modo, temos, neste momento, mais de 15 mil enfermeiros emigrados (números da Ordem dos Enfermeiros).

Talvez fosse o momento dos sindicatos inventarem outras formas de luta que, simultaneamente, não prejudicassem os utentes, mas tivessem a mesma dimensão mediática, que é, no fundo, o que se pretende com estas greves burguesas.

Nacionalismo? Não, obrigado

Friday, February 8th, 2019

Na página 140 do livro de Yuval Noah Harari, “21 Lições para o Século XXI”, pode ler-se:

“Consequentemente, durante a Guerra Fria o nacionalismo ficou em segundo plano face a uma abordagem mais global à política internacional, e quando a Guerra Fria acabou, a globalização pareceu ser a onda irresistível do futuro. Esperava-se que a Humanidade deixasse as políticas nacionalistas completamente para trás, transformando-se elas numa relíquia de tempos mais primitivos que podiam seduzir, no máximo, os habitantes mal-informados de alguns países subdesenvolvidos. Todavia, os acontecimentos dos últimos anos mostraram que o nacionalismo ainda exerce uma atração poderosa sobre os cidadãos da Europa e dos EUA, já para não falar da Rússia, da Índia e da China.”

Mas afinal, o que é que eu tenho em comum com o Gaspar Andorinha, que vive em Mirandela, que não tenha com o Jeremy Smith, que vive em Bristol?

O que faz de mim português, em oposição a cidadão da Europa?

Como diz o historiador Harari, eu tenho gostos e preferências comuns com meia-dúzia de pessoas; talvez me consiga integrar numa pequena comunidade, uma família, talvez uma tribo – nunca uma nação.

Portanto, seria mais fácil admitir que faço parte de um Planeta global, com todas as diferenças permitidas e respeitadas.

Mas eis que, agora, querem regressar aos nacionalismos, ao orgulho da ser húngaro, ou polaco, ou italiano, por oposição a ser europeu, ou cidadão do mundo. Do mesmo modo, estamos a criar pequenos grupos, e pertencemos, com orgulho, aos coletes amarelos, aos motards, aos guardas prisionais, aos enfermeiros, aos professores, etc. E estes grupos têm interesses em comum que, aparentemente, são contrários aos dos restantes grupos, ou independentes deles.

Pode parecer exagerado comparar interesses de pequenos grupos profissionais com interesses nacionais, mas o espírito é o mesmo. Não podemos pensar num país isoladamente, assim como não podemos pensar numa classe profissional separada das restantes.

Vem tudo isto a propósito da recente celeuma entre Itália e França – que já não se via desde a 2ª Guerra Mundial -, e da recente requisição civil dos enfermeiros, após uma greve prolongada.

Assim como a Itália não pode pensar no problema dos imigrantes que vêm de África sem a ajuda da França e dos restantes países da Europa, também os enfermeiros não podem tentar resolver as suas reivindicações, ignorando que estão integrados num Serviço Nacional de Saúde, que integra muitos outros profissionais.

RIR, CHEGA e PORRA!

Tuesday, February 5th, 2019

A parvoíce não tem limites.

Não bastava o CHEGA, daquele senhor que era do PSD, mas que decidiu fundar um Partido só para ele, agora apareceu o RIR.

André Ventura fundou o CHEGA e Tino de Rans decidiu fundar o RIR.

É para rir?

Não, é para chorar.

CHEGA não é um acrónimo, é assim mesmo, CHEGA. Podia ser BASTA ou LIVRA ou SAFA, que ia dar ao mesmo.

Mas RIR é uma sigla de Reagir, Incluir e Reciclar.

Afinal, é mesmo para rir…

Os membros deste Partido querem reagir (a quê?…), incluir (o quê?…) e, como não se lembraram de mais nada começado por “erre”, querem também reciclar.

Podiam querer reaprender, racionalizar, rentabilizar, roçar, rapar ou ripar – mas reciclar é mais bonito e liga muito bem com incluir e com reagir.

Agora só falta alguém criar o Povo Organizado Reage Rapidamente a Aventesmas – o PORRA!