Assunção Cristas é contra a igualdade entre sexos

March 1st, 2019

No seio do CDS, existe uma tendência chamada TEM, que significa Tendência Esperança em Movimento (TEM).

O nome, só por si, faz-nos sentir ligeiramente indispostos. Por que raio é que a Esperança tem que estar em Movimento e por que razão isso é uma Tendência? Será que a Esperança tem Tendência a estar Imobilizada?

A Dra. Joana Bento Rodrigues é médica desde 2007, ortopedista desde 2016 (certificar aqui) e está especialmente interessada em ombro e cotovelo.

Talvez o Freud explique por que razão uma especialista em cotovelo ingressa num movimento como o TEM. Será dor de cotovelo?…

A Dra. Joana assina um artigo publicado no Observador que é digno de um daqueles textos publicados no jornal Época, no tempo do Dr. Salazar.

Não vou incluir aqui um link para esse artigo, porque isso seria dar publicidade a uma coisa que dá náuseas. Quem quiser, que procure no Google. Vai encontrar, certamente.

Limito-me a transcrever uma parte do texto incrível que a ortopedista escreveu. Ela critica as feministas e acha que a igualdade entre sexos é uma treta, porque a mulher deve sentir-se orgulhosa pelo facto do seu marido ganhar mais do que ela!

Ora leiam…

“O potencial matrimonial reside, precisamente, no amparo e na necessidade de segurança. A mulher gosta de se sentir útil, de ser a retaguarda e de criar a estabilidade familiar, para que o marido possa ser profissionalmente bem sucedido. Esse sucesso é também o seu sucesso! Por norma, não se incomoda em ter menos rendimentos que o marido, até pelo contrário. Gosta, sim, que seja este a obtê-los, sendo para si um motivo de orgulho. Porquê? Porque lhe confere a sensação de protecção e de segurança. Demonstra-lhe que, apesar poder ter uma carreira mais condicionada, pelo facto de assumir o papel de esposa e mãe, a mulher conta com esse suporte e apoio do marido, para que nada falte. Por outro lado, aprecia a ideia de “ter casado bem”, como se fosse este também um ponto de honra. Naturalmente que o contrário não pode ser visto como menos meritório, em particular quando as oportunidades não são equivalentes. Assim, o casal, enquanto um só e actuando em uníssono, pode optar pela inversão destes papéis, que em nada diminuiu qualquer dos elementos, desde que movidos por objectivos comuns e focados no Amor.”

Ora, como esta Tendência faz parte do CDS, chegamos à conclusão que a líder do Partido, a Dra. Cristas, está de acordo com esta filosofia que não está muito longe da burka: a mulher, submissa, em casa, escondendo o seu rosto, enquanto o marido, lá fora, ganha o sustento da família.

A Dra. Cristas, no entanto, anda por aí, à solta, sempre rodeada de homens, falando às televisões todos os dias. Onde estão os seus quatro filhos? Onde está o seu pobre marido? Em casa, a lavar a loiça, de avental e chinelos?…

Muita coisa vai mal na Direita portuguesa!…

Há greves e greves…

February 26th, 2019

Nunca estive muito de acordo com o facto de a minha classe profissional fazer greve. Sempre achei que os médicos, ao fazerem greve, só estavam a prejudicar os doentes.

Sempre vi as greves como uma manifestação da luta de classes.

Os operários de um fábrica, ao fazerem greve, estão a lutar contra os patrões. Operários versus burguesia. Tipos que vão de transportes para o trabalho contra tipos que se deslocam de Mercedes.

Pelo contrário, no caso das greves dos médicos, é ver os tipos que vão de transportes para a consulta do Centro de Saúde, terem que voltar para trás porque os tipos que se deslocam em viatura própria, estão de greve.

Além disso, é muito difícil considerar os médicos como proletariado e os doentes como burguesia.

Dirão que os médicos não estão a fazer greve contra os doentes, mas para obterem qualquer coisa do Governo – no entanto, temos que concordar que quem é imediatamente prejudicado são os doentes.

Mais confusão me faz a greve dos magistrados. Como único órgão de soberania, não entendo como é possível fazerem greve. Acaso o Presidente da República também pode fazer greve?

Claro que isto é uma caricatura, mas é assim que eu vejo as greves.

Compreendo-as e apoio-as quando os prejudicados são os patrões.

No entanto, quando os prejudicados são os doentes, os alunos, os utentes dos transportes públicos, penso que poderiam ser escolhidas outras formas de luta, digamos, mais imaginativas.

Vem isto a propósito das catadupas de greves que estamos e vamos enfrentar, neste ano de eleições.

Não há grupo profissional que não tenha entrado ou vá entrar em greve.

Dizem que há mais greves este ano do que nos anos da troika, o que é espantoso – até parece que os sindicatos tiveram medo da troika, ou estavam de acordo com a política de austeridade imposta naqueles quatro anos.

Das greves recentes, dois grupos profissionais se destacam: os professores e os enfermeiros.

Nestes conflitos, as posições, quer dos sindicatos, quer do Governo, extremaram-se de tal modo, que não será possível qualquer tipo de acordo, a não ser por decreto.

Não vi os professores exigirem o descongelamento das carreiras e a contagem do tempo congelado com tanto vigor, no tempo do Passos Coelho e não vi os enfermeiros fazerem greve quando o mesmo Passos sugeriu que os licenciados procurassem emprego lá fora, e desse modo, temos, neste momento, mais de 15 mil enfermeiros emigrados (números da Ordem dos Enfermeiros).

Talvez fosse o momento dos sindicatos inventarem outras formas de luta que, simultaneamente, não prejudicassem os utentes, mas tivessem a mesma dimensão mediática, que é, no fundo, o que se pretende com estas greves burguesas.

Venezuela, quem tem razão?

February 24th, 2019

A pergunta é quase insultuosa.

Ao vermos as notícias das televisões e dos jornais, parece óbvio que Nicolas Maduro é um ditador sádico, que impede a ajuda humanitária entrar num país depauperado, com pessoas a morrer à fome e por falta de medicamentos, enquanto Juan Guaidó é um democrata do caraças que, apesar de se ter autoproclamado Presidente interino, tem toda a legitimidade para dirigir esta República das Bananas.

A RTP tem um enviado especial, Helder Silva, que está há vários dias na Venezuela, fazendo um excelente trabalho jornalístico, todo baseado nas coisas más que Maduro faz à sua população e nas coisas boas que Guaidó quer fazer.

Por mero acaso, vi uma reportagem da BBC, noutro canal, em que o repórter entrevista gente do povo, a viver em bairros miseráveis, com frigoríficos ridiculamente vazios, mas que continua a apoiar Nicolás Maduro e a sua chamada revolução bolivariana, que já vem de Hugo Chávez.

As coisas nunca são pretas ou brancas.

Nem apoiar indefectivelmente Maduro, como faz o PCP, nem apoiar sem reservas Guaidó, como faz a comunicação social em bloco, para além do PSD, por exemplo. O cabeça de lista às eleições europeias pelo PSD, Paulo Rangel, viajou até à fronteira entre a Venezuela e a Colômbia, integrado numa delegação do Partido Popular Europeu, para apoiar a entrada da ajuda humanitária proveniente dos Estados Unidos.

E aqui entra o Trump que, ao mesmo tempo que prende os mexicanos que tentam entrar no território dos EUA e quer construir um muro que os impeça de imigrar, está a enviar camiões cheios de comida e medicamentos para ajudar os venezuelanos, desde que sejam contra o Maduro.

Nada disto é branco, nem preto – há por aí muitos cinzentos que, no entanto, não fazem parte da nossa comunicação social.

Enquanto isto, no Iémen, muitas crianças morrem à fome, vítimas de uma guerra interminável, para a qual contribui a Arábia Saudita que, como sabemos, é alimentada pelo armamento americano.

Enfim, o Iémen parece que é mais longe, são todos muçulmanos e, pelos vistos, têm menos valor que os venezuelanos, segundo a comunicação social…

“A Praia de Manhattan”, de Jennifer Egan (2017)

February 21st, 2019

Jennifer Egan (Chicago, 1962) ganhou o Prémio Pulitzer de 2011 com o romance A Visita do Brutamontes (está ali na prateleira para ler) e com este A Praia de Manhattan parece ter-se afirmado como uma das mais importantes escritoras norte-americanas da actualidade.

A acção deste novo livro de Egan passa-se nos anos 40 do século passado, durante a Segunda Grande Guerra e a protagonista, Anna, percorre todo o livro, desde os tempos em que, ainda criança, acompanha o pai nas suas visitas a dirigentes sindicais do Porto de Nova Iorque mais ou menos relacionados com as máfias irlandesa e italiana, até à sua mudança para a Califórnia, por motivos de força maior, que só a leitura deste excelente livro revelará.

O pai de Anna vai desaparecer de cena, assim como a sua irmã deficiente, e até a sua mãe, ex-bailarina, e Anna, sozinha, acaba por arranjar trabalho no Porto, como soldadora e, pouco depois, torna-se uma das primeiras mulheres a mergulhar com escafandro.

Para além de uma história muito rica de peripécias, em que as personagens são consistentes e credíveis, o principal destaque deste livro vai para a narrativa verdadeiramente cinematográfica. Com efeito, ao lermos o livro, estamos a “ver” as cenas num écran.

Não me admira nada que este livro seja, em breve, adaptado ao cinema, como já aconteceu com outro romance de Jennifer Egan, O Circo Invisível (2014).

Recomendo.

Edição Quetzal, tradução de Vasco Teles de Menezes.

Ramalho, o enfermeiro mártir

February 20th, 2019

Para memória futura, relembro os factos.

Há alguns meses, dois sindicatos dos enfermeiros iniciaram uma luta a favor daquilo que consideram justas reivindicações dos enfermeiros.

Entre essas reivindicações destacam-se o aumento salarial de 400 euros (de 1200 para 1600) para todos os enfermeiros em início de carreira e a reforma aos 57 anos (neste momento, a reforma é aos 66 anos e 5 meses).

Como o Governo não cedeu, o Sindicato Democrático dos Enfermeiros e a Associação Sindical dos Enfermeiros (ambos formados recentemente), declararam greves prolongadas em novembro e dezembro do ano passado e todo o mês de fevereiro deste ano.

Em resposta, o Governo pediu um parecer ao Conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República sobre esta greve e a PGR considerou que a greve era ilícita, por dois motivos.

Em primeiro lugar, porque o pré-aviso de greve indicava que ela seria total e, afinal, só os enfermeiros dos blocos operatórios fizeram greve e, mesmo assim, em regime rotativo. Graças a esta artimanha, bastava que um enfermeiro fizesse greve para que o bloco não pudesse funcionar. No dia seguinte, outro enfermeiro faria greve e o bloco continuava parado. Deste modo, milhares de cirurgias tiveram que ser adiadas. Entretanto, os restantes enfermeiros, quer os hospitalares, quer os dos Centros de Saúde, não faziam greve.

Em segundo lugar, a PGR considerou ser ilícito o financiamento dos grevistas por um crowdfunding, angariado no Facebook, e que era gerido por uma empresa e não pelo sindicato.

Após este parecer da PGR, a Associação recuou e desconvocou a greve, mas o Sindicato reagiu, através do seu presidente, e levou a luta para novos patamares.

Carlos Ramalho, o presidente do Sindicato Democrático dos Enfermeiros, criado em 2017 e cujos estatutos foram alterados e republicados no final do mês passado, afirmou aos jornalistas:

“Se era necessário um mártir, ele está aqui, sou eu, Carlos Ramalho, presidente do Sindepor”.

E, por esse motivo, iniciou hoje uma greve de fome à porta do Palácio de Belém.

Acho pouco.

Considerando as reivindicações – aumento salarial de 400 euros e reforma 9 anos antes dos restantes trabalhadores – Carlos Ramalho deveria, pelo menos, imolar-se pelo fogo, em frente ao Ministério da Saúde.

Só assim o nome de Carlos Ramalho poderia figurar no monumento patente no Campo Mártires da Pátria!

“The Mule”, de Clint Eastwood (2018)

February 19th, 2019

Devo ter falhado poucos filmes do, e com o, velho Clint Eastwood. Segundo os meus registos, vi 36 filmes de e com o antigo mayor de Carmel. Não vi The Snipper e acho que nunca o irei ver.

Enfim, Clint está velhote (tem 88 anos), é um republicano empedernido e, de vez em quando, demasiado à direita para o meu gosto – mas que é um autor/actor do caraças, lá isso é!…

Desde os tempos em que fazia de cowboy nos western spaguetti do Sergio Leone, como The Good, The Bad and the Ugly, com aquele célebre trielo com o sol a pino e a música inconfundível de Morricone.

(Chiça, que até pareço um crítico de cinema – só me faltam alguns adjectivos e umas quantas frases indecifráveis!).

Fui hoje ver o último filme realizado e protagonizado pelo velho Clint.

E chamo-lhe novamente velho porque, para além do homem ter 88 anos, interpreta o papel de um tipo com 90 anos! Portanto, bastou-lhe “act naturally”, como cantava o Ringo Starr.

Este The Mule, baseado numa história verdadeira, conta a aventura de um horticultor de 90 anos que, vendo-se na falência, cede à tentação de arranjar dinheiro fácil, transportando droga entre o Texas e Chicago. Quem ia suspeitar de um velhote, conduzindo uma camioneta de caixa aberta?

Durante cerca de um dúzia de viagens, Earl vai transportando cada vez maiores quantidades de cocaína, proveniente do México.

Earl esteve na guerra da Coreia e, embora muito popular e divertido junto das associações de horticultores e dos clubes de veteranos de guerra, é mal-visto pelos membros da sua família. A ex-mulher não lhe perdoa o abandono e a filha nem sequer lhe fala. Resta-lhe uma neta que, apesar de tudo, sente alguma ternura por ele.

No final, Earl vai ter que decidir entre entregar mais de 300 quilos de coca ou acompanhar os últimos dias de vida da ex-mulher, que sofre de cancro.

A história está bem contada, sem rodriguinhos nem cenas desnecessárias, Eastwood percorre todo o filme com aquele seu ar seco e de poucas falas e gostámos muito.

Recomendo.

Sãozinha, estuda os dossiers!

February 14th, 2019

Os factos são estes:

A ADSE contratualizou com os privados uma determinada maneira de pagar os cuidados de saúde.

Exemplo: uma prótese da anca custa, no Hospital da Luz, 100, na Cruz Vermelha, 150 e, nos Lusíadas, 250. A ADSE só paga uma média destes preços.

Acontece que os prestadores privados, com contrato com a ADSE, estavam habituados a sobrefacturar determinados cuidados de saúde, para compensar outros cuidados que eles achavam estar muito baratos, nomeadamente, as consultas, que não chegam aos 5 euros cada.

Só que os contratos dizem, explicitamente, que a ADSE só paga uma média do cobrado pelos vários prestadores e que, ao fim do ano, os privados terão que devolver dinheiro, se tiverem sobrefacturado.

É o que está a acontecer agora: a ADSE exige a devolução de 38 milhões de euros que terão sido cobrados a mais pelos diversos hospitais privados.

Claro que os privados, em resposta, ameaçam denunciar o contrato com a ADSE.

Perante isto, a candidata a primeira-ministra, Assunção Cristas, veio logo dizer que a culpa era do Governo, porque não paga atempadamente aos privados.

Disse a Sãozinha:

“Neste momento o que nós sabemos é que há um conjunto de situações graves que se vêm arrastando, de o Estado não pagar aos prestadores de serviços que têm acordo com a própria ADSE, e portanto, lamentamos mas entendemos que o Governo também nesta área tem estado particularmente mal e está a destruir a saúde dos portugueses”, referiu.

Ora, não é nada disto que está em causa e a Cristas, se quer vir a ser primeira-ministra, nem que seja daqui a 30 anos, tem que estudar os dossiers – não pode limitar-se a dizer, como aquele mexicano anarquista – “se hay gobierno, soy contra!”

No entanto – e apesar de só continuar a representar menos de 7% do eleitorado – a Sãozinha continua a ter lugar em todos os telejornais, dando opiniões sobre tudo e mais alguma coisa, sem que ninguém a questione.

Neste caso particular da ADSE, é óbvio que os jornalistas também não estavam informado sobre o verdadeiro cerne do conflito e, por conseguinte, ninguém disse à líder do CDS-PP que, no que respeita à ADSE, não se trata do não pagamento por parte da entidade estatal, mas sim, pelo contrário, pelo não cumprimento do contrato por parte dos privados.

Acresce que, desde há alguns anos, a ADSE é autónoma financeiramente, sendo paga pelos funcionários do Estado e que, portanto, o Governo tem pouco a ver com isso.

Mas, enfim, a Cristas só quer vir a ser primeira-ministra – o resto é música.

Sacra…

 

Nacionalismo? Não, obrigado

February 8th, 2019

Na página 140 do livro de Yuval Noah Harari, “21 Lições para o Século XXI”, pode ler-se:

“Consequentemente, durante a Guerra Fria o nacionalismo ficou em segundo plano face a uma abordagem mais global à política internacional, e quando a Guerra Fria acabou, a globalização pareceu ser a onda irresistível do futuro. Esperava-se que a Humanidade deixasse as políticas nacionalistas completamente para trás, transformando-se elas numa relíquia de tempos mais primitivos que podiam seduzir, no máximo, os habitantes mal-informados de alguns países subdesenvolvidos. Todavia, os acontecimentos dos últimos anos mostraram que o nacionalismo ainda exerce uma atração poderosa sobre os cidadãos da Europa e dos EUA, já para não falar da Rússia, da Índia e da China.”

Mas afinal, o que é que eu tenho em comum com o Gaspar Andorinha, que vive em Mirandela, que não tenha com o Jeremy Smith, que vive em Bristol?

O que faz de mim português, em oposição a cidadão da Europa?

Como diz o historiador Harari, eu tenho gostos e preferências comuns com meia-dúzia de pessoas; talvez me consiga integrar numa pequena comunidade, uma família, talvez uma tribo – nunca uma nação.

Portanto, seria mais fácil admitir que faço parte de um Planeta global, com todas as diferenças permitidas e respeitadas.

Mas eis que, agora, querem regressar aos nacionalismos, ao orgulho da ser húngaro, ou polaco, ou italiano, por oposição a ser europeu, ou cidadão do mundo. Do mesmo modo, estamos a criar pequenos grupos, e pertencemos, com orgulho, aos coletes amarelos, aos motards, aos guardas prisionais, aos enfermeiros, aos professores, etc. E estes grupos têm interesses em comum que, aparentemente, são contrários aos dos restantes grupos, ou independentes deles.

Pode parecer exagerado comparar interesses de pequenos grupos profissionais com interesses nacionais, mas o espírito é o mesmo. Não podemos pensar num país isoladamente, assim como não podemos pensar numa classe profissional separada das restantes.

Vem tudo isto a propósito da recente celeuma entre Itália e França – que já não se via desde a 2ª Guerra Mundial -, e da recente requisição civil dos enfermeiros, após uma greve prolongada.

Assim como a Itália não pode pensar no problema dos imigrantes que vêm de África sem a ajuda da França e dos restantes países da Europa, também os enfermeiros não podem tentar resolver as suas reivindicações, ignorando que estão integrados num Serviço Nacional de Saúde, que integra muitos outros profissionais.

RIR, CHEGA e PORRA!

February 5th, 2019

A parvoíce não tem limites.

Não bastava o CHEGA, daquele senhor que era do PSD, mas que decidiu fundar um Partido só para ele, agora apareceu o RIR.

André Ventura fundou o CHEGA e Tino de Rans decidiu fundar o RIR.

É para rir?

Não, é para chorar.

CHEGA não é um acrónimo, é assim mesmo, CHEGA. Podia ser BASTA ou LIVRA ou SAFA, que ia dar ao mesmo.

Mas RIR é uma sigla de Reagir, Incluir e Reciclar.

Afinal, é mesmo para rir…

Os membros deste Partido querem reagir (a quê?…), incluir (o quê?…) e, como não se lembraram de mais nada começado por “erre”, querem também reciclar.

Podiam querer reaprender, racionalizar, rentabilizar, roçar, rapar ou ripar – mas reciclar é mais bonito e liga muito bem com incluir e com reagir.

Agora só falta alguém criar o Povo Organizado Reage Rapidamente a Aventesmas – o PORRA!

Arranje uma doença e ganhe um carro!

February 5th, 2019

Recebi um mail do Hospital da Luz que me deixou de boca aberta.

Diz o mail:

Parabéns por já fazer parte da
comunidade digital Hospital da Luz!
Por ter aderido ao nosso Portal do Cliente, ganhou um código digital que o habilita a ganhar este carro e + de 5000 prémios!

Esclareço que, há alguns meses, fiz alguns exames no Hospital da Luz, através da ADSE e, portanto, aderi ao tal Portal do Cliente para poder receber o resultado dos exames na aplicação do telemóvel.

E agora, eis que me informam que posso ganhar um VW T-Roc!

E quem não for cliente do Hospital da Luz, isto é, quem for saudável e não precisar dos serviços do Hospital?

Bom, essa infeliz pessoa terá que arranjar uma hipertensão, ou uma dor abdominal ou uma hemorragia, mesmo que pequenina, para poder aderir ao Portal do Cliente e habilitar-se ao automóvel e a mais de 5 mil prémios!

É esta uma das grandes vantagens dos Privados, em relação ao Serviço Nacional de Saúde.

Enquanto no SNS falta tudo, de medicamentos a anestesistas, para já não falar nas greves dos enfermeiros, nos hospitais privados até podemos ganhar um carro!

É caso para dizer: vale a pena estar doente!