“O Golfinho”, de Mark Haddon (2019)

Li dois excelentes livros deste escritor britânico (Northampton, UK, 1962), “O Estranho Caso do Cão Morto” (2003) e “Um Pequeno Inconveniente” (2006).

No entanto, este “O Golfinho” (no original “The Porpoise”) deixou-me com sabor a pouco.

O livro começa com a história trágica de uma mulher grávida que sofre um acidente de avião. Ela morre, mas a bebé sobrevive.

A bebé chama-se Angélica, e o pai, Philipe, é um tipo super-rico, que cria a filha longe da sociedade e, em breve, começa a violá-la.

De repente, Angélica já é uma adolescente e vive isolada de tudo e de todos, sofrendo as violações do pai. Surge um jovem que a tenta libertar, mas as coisas não correm bem e ele é obrigado a fugir.

E eis que o jovem se transforma em Péricles, príncipe de Tiro e a história passa para a Grécia Antiga, ou coisa que o valha.

E, mais à frente, ainda há de passar por Shakespeare, e voltar à Grécia, e depois à actualidade, com Angélica a fazer greve de fome e… em resumo, uma confusão, sem ponta por onde se lhe pegue…

Não gostei…

Mas afinal, o disco é bom ou é uma merda?

Há muito tempo que não compro discos e confesso que estou um pouco arredado das novidades musicais.

No entanto, continuo a deitar um olho às críticas aos novos discos, que surgem, por exemplo, no Público ou no Expresso.

Já sei, por experiência própria, que o facto de o crítico atribuir uma ou cinco estrelas a um determinado disco, pode não querer dizer nada.

E digo por experiência própria porque já enfiei alguns barretes, à custa das cinco estrelas. Recordo o caso do cd triplo “69 Love Songs”, dos Magnetic Fields, que mereceu cinco estrelas por parte dos críticos, que elogiavam o seu autor Stephin Merritt, como se de um génio se tratasse.

Para mim, aquilo não passa de 69 pequenas cançonetas, a maior parte delas indigentes, sem qualquer originalidade.

Vem isto a propósito de mais um título bombástico, atribuído ao novo disco de Jarvis Cocker, dos Pulp, agora a solo.

A revista do Expresso gasta duas páginas com este tipo.

Uma das páginas é toda ocupada com uma foto do tal Jarvis, um senhor de 56 anos que, apesar do seu metro e oitenta e seis, calça botins de tacão alto. Apresenta-se em pose “artística”, com um pé no ar, casaco e gravata e aspecto de quem foi apanhado desprevenido.

Conheço os Pulp e acho que as suas canções são histriónicas e pouco interessantes. No entanto, o título do artigo de Luís Guerra, no Expresso, deixa-me na expectativa.

Diz ele, em título:

“25 anos depois da bola de espelhos e dos contos de alcova de “Different Class”, Jarvis Cocker dança a desagregação do mundo com o escapismo de sábado à noite”

Mas que raio de merda é esta?!

Como é que um tipo, que não passa de um cantor pop, consegue que a desagregação do mundo e o escapismo do sábado à noite se conjuguem como tema de dança?

O que quererá dizer o crítico?

Se tivéssemos paciência para ler a prosa que ocupa toda a segunda página da revista do Expresso, encontraríamos pérolas como esta:

“Com os Pulp, Jarvis Cocker substituiu matizes e impressões por canções, adornando com arabescos sentimentais a suposta vacuidade da literatura de cordel”.

Ora, um gajo que substitui matizes e impressões por canções, só pode ser um génio que,

“transformou sintomas em diagnósticos, suspeitas em delito, fluidos em transe”.

Depois de ler isto, fico com a impressão de que o Jarvis é uma espécie de médico-cantor. Um tipo diz que está com febre, e o Jarvis diagnostica síndroma depressivo e compõe logo uma canção.

A Direcção-Geral da Saúde inglesa devia contratá-lo para tentar resolver o problema do Covid.

E afinal, o disco é bom, ou é uma seca?

Diz o crítico:

“Mais cronista do que profeta, Jarvis Cocker transporta para 2020 algumas das suas obsessões mais estimadas, envolvendo em neurose os pontos negros na parede, mas desembrulhando a paranoia como um mestre da guerra formado em coreografia”.

E quem não percebe, é porque não consegue desembrulhar a paranoia…

Rui Rio chega-se ao Chega

Rui Rio gostava muito de ser primeiro ministro antes de morrer. Depois, já não lhe daria tanto gozo…

O problema é que, à esquerda, o Costa, está de costas voltadas, e, olhando à direita, Rio vê o CDS lá muito longe, escondido atrás de 3% das intenções de voto.

Um pouco mais perto, está o Chega, com cerca de 7%.

Mas o que é o Chega?

Rio é sexagenário e pertence à velha guarda, ao tempo em que os partidos tinham, no seu nome, algo de esclarecedor, tipo, socialista, comunista, liberal, esquerda, direita, democrata-cristão, centro – enfim, qualquer coisa que indicasse a ideologia do partido.

Mas Chega?!…

Chega de quê?

Chega de democracia?

É verdade que o Chega é liderado por um homem que já foi militante do PSD. Nesse caso, é de supor que Chega signifique “chega de social democracia”!

Mesmo assim, Rui Rio afirmou que, caso o Chega se tornasse mais macio, que seria possível uma coligação.

Em resposta, Ventura, o líder do Chega, disse que, por ele, até podia considerar uma coligação com o PSD, desde que este deixasse de ser a dama de honor do PS.

Foi assim que, esta noite, tive um pesadelo que me fez suar e me obrigou a tomar um alprazolam!

Nesse pesadelo, Rui Rio era primeiro-ministro e André Ventura era presidente da República e eu não conseguia emigrar!

“O Olhar do Outro”, de Maria Filomena Mónica (2020)

Sempre achei curiosa a leitura de comentários de visitantes estrangeiros ao nosso país, depois do terramoto de 1755. Li-os, esporadicamente, em artigos de jornal.

Maria Filomena Mónica fez-nos o favor de ler dezenas de publicações em que diversos autores estrangeiros comentam visitas ao nosso país, desde o século 18 ao século 20.

A lista de autores é extensa, começando com Giuseppe Baretti, logo a seguir ao terramoto, e passando por muitos outros, uns mais conhecidos que outros; destaco, apenas, William Beckford, Lord Byron, Joseph Forrester, Hans Christian Andersen, Mark Twain, Miguel Unamuno, Saint-Exupéry, Simone de Beauvoir, Sartre, Gabriel Garcia Marquez e Enzensberger.

Os diversos turistas que por cá passaram até ao final do século 19 e princípio do século 20 foram unânimes em considerar os portugueses feios, porcos e maus, as ruas de Lisboa sujas e cheias de cães e mendigos, os nobres uns pedantes iletrados e o povo, uma cambada de analfabetos, sujos e maltrapilhos.

Claro que uns mais e outros menos, acharam que o país era bonito, o povo é que nem por isso.

As coisas melhoraram um pouco, à medida que o século 20 foi avançando e, depois da revolução de abril, as visitas foram sobretudo políticas. Destas, destaco os escritos de Gabriel Garcia Marquez, que, sobre a euforia post-25 de abril, escreveu:

“Toda a gente fala e ninguém dorme. A maioria das pessoas trabalha sem horários e sem pausas, apesar de os portugueses terem os salários mais baixo da Europa. Marcam-se reuniões para altas horas da noite, os escritórios ficam de luzes acesas até de madrugada… Se alguma coisa vai dar cabo desta revolução é a conta da luz”.

Nem todos os visitantes do século 19 disseram mal dos trabalhadores portugueses. Forrester, que esteve por cá em 1831, escreveu:

“Têm uma aparência desleixada, mas isso deve-se a serem pobres, andarem mal calçados e estarem mal alimentados. Mas são alegres, felizes, espertos, generosos, hospitaleiros, honestos, trabalhadores, sóbrios, sofredores, perseverantes e destituídos de ambições.”

Tantos adjectivos, deixam-nos confusos!

Oswald Crawfurd visitou Portugal em 1866, mas esta sua frase podia ter sido escrita actualmente:

“Se for suficientemente rico, um nobre português vive em Lisboa ou no Porto e se tiver uma casa no campo, apenas a visita um ou dois meses no outono; e, mesmo quando é o caso, muitas vezes prefere a miséria de um casebre na praia, entre uma multidão, à vida no interior do país.”

A primeira vez que Simone de Beauvoir veio a Portugal foi em 1945, em plena ditadura salazarista.

Eis o que escreveu:

“Desde que uma miúda seja crescida, como aquela que vi a remexer nos caixotes de lixo do Porto – isto é, que tenha aí uns 14 ou 12 anos – procurará ganhar dinheiro seja de que maneira for. Das 194 prostitutas que haviam sido tratadas num centro de saúde, 43% eram menores; o governo dá uma carteira profissional às mulheres desde que tenham 14 anos.”

E mais à frente:

“O povo português sempre foi pobre. Mas desde 1939 que o custo de vida aumentou 140% e, nalguns produtos, até mais, uma vez que um fato completo que, antes da guerra, custava 350 escudos, agora custa entre 1200 a 1500… Uma lei proíbe que as pessoas andem descalças no interior da cidade de Lisboa, bem como nos arredores, mas esta gente tira os chinelos porque não os quer gastar… pois não tinha possibilidade de comprar outros (sapatos)”.

O último visitante, Enzensberger, conclui:

“Se as estatísticas fossem verdadeiras, a maior parte dos portugueses estavam mortos.”

Livro muito curioso e que fazia muita falta.

After Life, de Ricky Gervais (2019-2020)

Gervais encontrou, nesta série, o tom certo para “brincar com coisas sérias”.

Uma imagem com animal, exterior, sentado, mamíferoDescrição gerada automaticamenteAfter Life é uma série de apenas 12 episódios, divididos em duas temporadas, e que nos conta a história de um redactor de um jornal de província, Tony, que perdeu a mulher há pouco tempo, vítima de cancro. Tony está deprimido, suicida e, uma vez que acha que perdeu tudo na vida, diz e faz o que lhe apetece, sem remorsos, acabando por espalhar azedume à sua volta – mas com muita graça.

Ricky Gervais é um Tony convincente, sempre de rosto fechado, só sorrindo quando, de algum modo, goza com os seus estranhos colegas do jornal.

A série decorre numa vila de província, com as suas figuras estranhas, o carteiro, a prostituta, a cuidadora do Lar, o psiquiatra (talvez a personagem menos conseguida, porque demasiado caricaturada).

Gostámos muito.

“Ozark”, de Bill Dubuque (2017-2020)

Terminámos hoje o visionamento de Ozark, uma série da Netflix.

São três temporadas, cada uma com 10 episódios de uma hora e picos. Uma quarta e última temporada está quase pronta.

Ozark conta a história de um conselheiro financeiro de Chicago (Marty Byrde), que se muda com a mulher e os dois filhos para Ozark, depois do seu sócio ser assassinado pelo cartel mexicano dirigido por Navarro.

Byrde lava dinheiro para Navarro e acaba por envolver a mulher, Wendy, e os dois filhos, Charlotte e Jonah.

Marty Byrde é interpretado por um excelente Jason Bateman, que raramente se ri ao longo dos 30 episódios, consegue quase sempre manter a calma perante todas as adversidades, mesmo quando está quase a ser morto por vários tipos de diversas proveniências, quase sempre entalado entre o FBI, o cartel e vários mafiosos locais.

Wendy, interpretada por Laura Linney, a pouco e pouco vai entrando no negócio e, às tantas, parece querer rivalizar com o marido em manobras e artimanhas.

Destaque ainda para Ruth (Jluia Garner), uma miúda local que começa a trabalhar para Byrde e que se envolve cada vez mais nos negócios e nas suas desgraças e Marlene (Lisa Emery), uma sessentona local, dona de um vasto terreno onde cultiva papoilas para o fabrico de heroína e que se torna sócia de Byrde, mas sempre com a ameaça de o trair.

Toda a série envolve momentos de grande tensão e violência latente, a fotografia é óptima, sempre sombria e, logo a partir do terceiro episódio, estamos com a impressão de que Marty Byrde vai ser assassinado por alguém.

Não vai – pelo menos, até ao fim da terceira temporada…

O estranho caso dos dois homens chamados Gil

Fenómenos muito estranhos se passam neste país e, muitas vezes, não nos damos conta deles.

O Público de hoje relata um desses fenómenos estranhos.

A estranheza começa logo pelo local onde o fenómeno ocorreu: as freguesias de Colmeias e Memória, no distrito de Leiria.

Um dos membros da Junta que une essas duas freguesias, demitiu-se em dezembro do ano passado e era preciso eleger um seu substituto. Com a entrada em cena do Covid, essa eleição acabou por só se realizar em maio. Foi então eleito para o lugar do demissionário, um outro elemento do PS, de nome Gil Costa, mecânico de profissão.

Um mês depois, já com o desconfinamento em vigor, a Junta de Freguesia de Colmeias e Memórias reúne-se novamente e é então que a garbosa Oposição repara que o Gil Costa recém-eleito não fazia parte da lista do PS; quem fazia parte da lista era a sua esposa.

De facto, na lista do PS constava um Gil Costa, mecânico, mas era outro.

Em resumo: nas freguesias de Colmeias e Memória, existem dois homens chamados Gil Costa e ambos são mecânicos de automóveis e ambos são do PS, só que um fazia parte da lista e outro, não, embora a sua mulher fizesse.

Quais são as hipóteses de isto acontecer em qualquer outro país?…

Atestados

A propósito de um twitter que vi por aí, de uma médica, sobre os atestados para carta de condução, lembrei-me que fiz uma lista dos atestados que me pediram ao longo dos anos.

Como médico de família, durante 33 anos, numa zona com vários bairros sociais, alguns desses atestados eram “especiais”.

Aqui fica a lista (não exaustiva), sem qualquer comentário:

– atestado de doença

– atestado para tirar e/ou renovar carta de condução

– atestado de uso e porte de arma

– atestado de robustez física para exercer determinada profissão ou para frequentar um curso

– atestado específico para certas faculdades (ausência de problemas de visão, audição, etc)

– atestado em como pode frequentar a creche, infantário e/ou ATL

– atestado para praticar natação ou qualquer outro desporto

– atestado para uso de arma de caça

– atestado para embarcação de recreio e patrão de mar

– atestado em como já não pode assinar o nome para que outra pessoa possa levantar a reforma

– atestado para os professores deixarem a filha ir à casa de banho mais vezes

– atestado em como precisa de fazer acupunctura por sofrer de deficiência congénita

– atestado para não fazer ginástica quando está menstruada

– atestado em como a mãe está doente para que o filho, que está preso, seja transferido para uma prisão mais perto de casa

– atestado de doença crónica para que o filho receba bolsa de estudo

– atestado de necessidade de acompanhamento psicológico para que a ADSE comparticipe a psicoterapia

– atestado para que a cantina da empresa forneça dieta

– atestado para mudar do 4º andar para o 1º porque sofre de asma

– atestado de doença crónica para que a assistente social arranje creche para a filha

– atestado para o filho não ficar muito atrás na sala de aula porque vê mal

– atestado para não fazer natação e/ou ginásio durante determinado mês, para não perder a inscrição

– atestado para reaver o dinheiro de tratamento estético post-parto

– atestado para reaver o dinheiro já pago para uma viagem que não se realizou por motivo de doença

– atestado para a filha deficiente poder levar um objecto metálico numa viagem de avião

– atestado de deficiente mobilidade para que lhe instalem um poliban

– atestado de doença crónica para a filha ter direito a bolsa de estudo

– atestado de doença crónica para ter prioridade no atendimento em serviços públicos

– atestado para poder dançar

– atestado para ser reembolsada do preço do bilhete de um concerto a que não assistiu porque estava com dores na sacro-ilíaca

– atestado para não usar luvas com pó de talco

– atestado para não dar aulas no próximo ano lectivo

– atestado para a criança não ir para o infantário porque a mãe fracturou um pé e não pode conduzir

– atestado para poder beber água nas aulas de educação física

“Elucidário de Conhecimentos Quase Inúteis”, de Roby Amorim (1985)

Roby Amorim (1927-2013) foi jornalista, tendo trabalhado em diversos órgãos de comunicação, nomeadamente O Século, Diário de Lisboa, agência Lusa, entre outros.

Conheci-o em 1985, no ano em que ele publicou este pequeno livrinho.

Gostei tanto dele que o emprestei a alguém e nunca mais o vi!

No mês passado, lembrei-me dele, a propósito de uma recolha de frases feitas que estou a fazer e decidi procurá-lo na imensidão da net. Acabei por encontrá-lo no Custo Justo, num alfarrabista de Braga e, por 12 euros, veio parar à minha caixa do correio em três tempos!

Reli-o com gosto acrescido nestes últimos dias.

Roby Amorim percorre diversas palavras e suas origens, bem como frases feitas que usamos no dia-a-dia, explicando como nasceram.

Clássica é a explicação da frase “ir para o maneta”, relacionada com o oficial francês Junot, que era maneta. Ser enviado à presença de Junot, o maneta, era morte certa…

Mas Amorim conta-nos outras histórias deliciosas.

Registo apenas estas duas.

“Um sujeito bem vestido, com o seu quê de preciosismo é um janota, embora o termo comece a cair em desuso. É quase, sem dúvida, um galicismo…”

E Amorim pergunta-se se virá de Janot ou Jeanot, diminutivo de Jean. Talvez venha de “«Jeanot et Colin», um conto de Voltaire? Este voltaireano Jeanot era um pobre pretensioso que se fazia passar por marquês de La Jeanottière”.

Mais à frente, Roby Amorim conta-nos que (António Feliciano) Castilho “não gostava dos janotas nem da palavra”, e, por isso, escreveu este delicioso naco:

“Pelo que toca a janotas, confesso-vos com a minha sinceridade de roupeta encanecido, que ainda não caí bem no que tal nome signifique. O meu amigo (…) disse que janota designava hoje (1850) o que em diversos tempos se chamava: peralvilho, taful, petimetre, casquilho, pimpão, peralta, quebra-esquinas, , namorador, coraçãozinho de alcorce, cavalheiro servente, chichisbéu, maricas, espanadinho, alfanado, cãozinho de regaço, almiscarado, menino, frança, francelho, faceira, loireiro, loiraça, amoladinho, pintalegrete, maricas macha, neutrinho, perna-tesa, trasgo, bule-bule, boneco enfeitado”.

A outra palavra que decidi destacar aqui – e podiam ser muitas outras – é “faria”.

Escreveu Amorim:

Far significa por cereal. E daí, o fardo que carregamos às costas (inicialmente uma saca de farinha), o farnel que levamos para o trabalho ou para o passeio, a farinha (feita à base de cereais).

Mas também a farda, porque os soldados eram pagos em farinha ao fim de semana.”

Este precioso livrinho está esgotado (teve duas edições em 1985, das edições Salamandra), e é pena… felizmente, há alfarrabistas!

PS – Obrigado, Alfredo Oliveira, de Braga!

“Coração: Uma História”, de Sandeep Jauhar (2018)

Sandeep Jauhar é um cardiologista especializado em insuficiência cardíaca, que trabalha no Bellevue Hospital, em Nova Iorque, e escreve para o New York Times, tendo já publicado alguns livros de divulgação.

Partindo do seu caso pessoal (Jauhar tem doença coronária e ambos os avôs sofreram morte súbita), o médico fala-nos dos progressos na área da cardiologia, de um modo simples e acessível, mas numa linguagem que tanto interessa leigos, como médicos. Por vezes, a escrita deste cardiologista fez-me lembrar a de Bill Bryson, esse outro grande divulgador.

Confesso que aprendi muito sobre a história da Cardiologia e dos seus progressos: as angioplastias, as válvulas artificiais, os pace makers, os desfibrilhadores, os corações mecânicos e todos os incríveis avanços que, nas últimas décadas, diminuíram, de foram drástica as mortes cardiovasculares.

Jauhar pergunta-se se não teremos chegado ao limite máximo da ciência e da tecnologia; provavelmente, não conseguiremos melhorar mais as técnicas – pelo contrário, muito podemos ainda fazer por nós próprios, para diminuir os riscos de doença cardiovascular; diminuir o stress, deixar de fumar, fazer mais exercício físico, comer melhor.

Boa leitura, que aconselho.

(Edição Elsinore, tradução de Rita Canas Mendes)