“Tudo é Possível”, de Elizabeth Strout (2017)

Este é o terceiro livro da série Lucy Barton, da autoria de Elizabeth Strout.

Começámos pelo fim, “Oh William”, de 2021 e, como o livro nos despertou curiosidade, lemos o primeiro da série, “O Meu Nome é Lucy Barton”, de 2016.

Se nos outros dois livros desta série, Lucy Barton, a escritora que veio de uma família extremamente pobre, é a narradora, neste “Tudo é Possível”, ficamos a conhecer as histórias de outras personagens que Barton refere nos seus livros.

São histórias simples de pessoas simples e Lucy Barton surge apenas como personagem periférica dessas histórias.

Dos três livros, este pareceu-me o menos interessante…

“O Meu Nome É Lucy Barton”, de Elizabeth Strout (2016)

Depois de ter lido “Oh William!”, fiquei com curiosidade em ler os dois livros anteriores que Elizabeth Strout escreveu, dando vida à personagem da escritora Lucy Barton.

Neste primeiro livro, Lucy conta episódios passados durante o seu internamento de 9 semanas num hospital, devido a uma apendicite que correu mal. Nesse internamento, Lucy é visitada pela mãe, que vive longe e a quem não via há anos. Lucy nasceu num meio pobre; ela, os pais e os irmãos, viveram numa garagem durante anos e a relação de Lucy com os pais sempre foi muito má, com muita falta de carinho.

Apesar de ser uma escritora com algum sucesso, Lucy não deixou de ser uma mulher simples e isso reflecte-se na sua escrita. Ao longo de 170 páginas, E. Strout, pela voz de Lucy B, vai-nos contando episódios da vida, como se estivesse sentada connosco, na nossa casa.

Elizabeth Strout encontrou um tom e conseguiu explorá-lo bem, pelo menos, nestes dois livros.

“Oh William!”, de Elizabeth Strout (2021)

De Elizabeth Strout, tinha lido o excelente “Olivia Kitteridge”, livro com o qual venceu o Pullitzer.

Neste “Oh William”, Strout retoma uma sua personagem, a escritora Lucy Barton que, num tom coloquial, nos conta alguns episódios da sua vida e do seu relacionamento com um dos seus ex-maridos, William, que descobre que, afinal, tem uma meia irmã, de quem a sua mãe nunca lhe falou.

O livro tem uma estrutura narrativa contínua, isto é, não está dividido em capítulos, mas em pequenos textos em que a narradora, Lucy, nos vai contando o que se passa, como se estivesse sentada na nossa sala.

Fiquei com muita curiosidade em conhecer os restantes livros desta escritora.

“Olive Kitteridge”, de Elizabteh Strout (2008)

Elizabeth Strout (Portland, Maine, 1956), ganhou o Prémio Pulitzer com este romance, mas, na sua carreira, tem já mais alguns best-sellers. Em Portugal, para além deste, tem publicados “Tudo é Possível” e “O Meu Nome é Lucy Barton”.

Olive Kitteridge foi professora de matemática em Crosby, uma pacata povoação próxima de Portland, no Maine. É uma mulher grande, que engordou depois da menopausa, mas, sobretudo, é uma mulher mal humorada, sempre zangada com o mundo.

Toda a gente em Crosby conhece Olive e o seu mau feitio; é casada com Henry, o dono da farmácia local – um homem simpático, o oposto da mulher.

A narrativa começa quando ambos estão à beira da reforma e continua até pouco depois da morte de Henry.

Cada capítulo conta-nos uma história que, de algum modo, está relacionada com Olive, embora ela nem sempre participe directamente na história.

Há a história da pianista alcoólica, do ex-aluno de Olive que se quer suicidar, da mãe destroçada pelo crime do filho, e mais.

Olive tem dificuldade em aceitar o facto do seu filho ter casado com uma mulher que ela detesta e se ter mudado para a Califórnia. Cristopher quis fugir de uma mãe autoritária e azeda.

É com este ambiente que a narrativa evolui, sempre com muito interesse.

A tradução é de Tânia Ganho e a edição da Alfaguara e eu recomendo.