“No País do Ogre”, de Leila Slimani (2014)

Depois de ter lido o excelente No País dos Outros, fiquei com curiosidade em ler os restantes romances desta autora franco-marroquina (Rabat, 1981).

Este No Jardim do Ogre não fica atrás. Lê-se de um fôlego e é difícil parar de ler.

Slimani conta-nos a história de Adéle, uma jovem atraente, que trabalha como jornalista e que é casada com um médico. Apesar de ter uma vida boa, Adéle sente-se insatisfeita e procura a felicidade nas suas aventuras sexuais, arranjando sempre mentiras cada vez mais inverosímeis para enganar o marido que, pelos vistos, não se interessa muito por sexo.

Adélia provém de uma família modesta e tem uma relação conflituosa com a mãe, e indiferente com o pai. Tem vergonha da família.

Richard, o marido, vem de uma família abastada, mas Adéle considera os sogros e os cunhados aborrecidos, enfadonhos. É um suplício passar o Natal em casa deles, mas pior é passar o Ano Novo em casa dos pais.

Vinga-se bebendo muito e fodendo ainda mais, com colegas do jornal, colegas do marido, desconhecidos.

Adéle é possuída pelas suas pulsões sexuais e troca tudo por uma nova aventura, incluindo deixar o seu filho de dois anos, dias seguidos, à guarda de amas.

As situações vão-se complicando ao longo do livro e o desfecho não pode ser bom.

Gostei muito.

“O País dos Outros”, de Leila Slimani (2020)

Leila Slimani nasceu em Rabat em 1981 e aos 17 anos mudou-se para Paris. Publicou o seu primeiro romance (No Jardim do Ogre) em 2014. Com o livro Canção Doce (2016), venceu o Prémio Goncourt.

Este O País dos Outros, publicado no ano passado, é o primeiro volume de uma trilogia e tem, como subtítulo, A guerra, a guerra, a guerra.

A acção passa-se em Marrocos, pouco depois da Segunda Guerra Mundial. Mathilde, uma jovem francesa conheceu Amine, um marroquino, quando este servia no exército francês. Casaram-se e Mathilde abandonou tudo e foi viver com o marido para Marrocos, para uma quinta que ele herdou do pai.

Com um ritmo que nos faz querer avançar na história, Slimani vai relatando a vida dura de Mathilde, habituada ao modo de vida europeu e como teve que ir engolindo os seus sonhos de adolescente para se adaptar aos costumes de uma sociedade onde a mulher tem muito pouca importância.

Por outro lado, Amine, tendo servido no exército francês durante a guerra, vê-se dividido entre apoiar os desejos de independência dos seus compatriotas e manter-se fiel aos colonizadores, ainda por cima, sendo casado com uma francesa.

Aconselho.