Expressionismo parlamentar

O Expressionismo surgiu na Alemanha no início do século 20, como um movimento artístico que, de certo modo, se opunha ao Impressionismo, dando mais importância à visão interior do artista – à sua expressão.

Aparentemente, o Expressionismo atingiu, agora, a Assembleia da República.

Depois do Ventura ter sugerido que o povo turco gosta pouco de trabalhar, a deputada Alexandra Leitão, do PS, perguntou ao Presidente da Assembleia se um deputado poderia dizer que uma determinada etnia é mais burra que outra e Aguiar Branco respondeu que sim – que isso seria liberdade de expressão. Expressionismo, portanto.

Logo a seguir, a deputada do PS, Isabel Moreira veio revelar que os deputados do Chega costumam chamar vacas a algumas deputadas, gostam de mugir, quando elas se levantam e insinuou que, às deputadas assumidamente lésbicas, chamam determinados nomes (Fufa? Sapatona? Fressureira?).

Por seu lado, uma ex-deputada do PS, africana, disse que um deputado do Chega a cumprimentou com uma boa noite, em pleno dia, numa referência à cor da sua pele.

Também um deputado do Livre afirmou ouvir algumas bocas lançadas pela bancada do Chega e a deputada do PAN também acrescentou mais algumas achas para a fogueira.

Não sei qual é o espanto…

Tudo isto é liberdade de expressão, isto é, Expressionismo.

Aguardamos, a todo o momento, que a Assembleia da República passe rapidamente ao Cubismo.

PS – Liberdade de expressão na Assembleia não é novidade. Recordo, a propósito, este texto de marco de 2009

Uma vergonha de coelho!

No passado dia 21 de Dezembro, na Assembleia da República, Passos Coelho disse:

«2013 será um ano de viragem» e 2014 será o ano de «recuperação da actividade económica».

A deputada Heloísa Apolónia ficou mais verde do que já é e disse:

«O senhor veio aqui, há uns tempos atrás, veja se se lembra, por favor, dizer que o ano de 2012 era o ano de viragem, e que 2013 era o ano da retoma do crescimento!»

Passos Coelho ficou irritado e ripostou:

«Senhora deputada, isso é uma falsidade! Nunca disse isso em lado nenhum, e desafio a senhora deputada a trazer afirmações minhas nesse sentido. Senhora deputada, não podemos dizer tudo aquilo que nos apetece sem sermos confrontados com a realidade. Não é assim, isso é falso, senhora deputada!»

E, no entanto, basta consultar os registos do Parlamento para verificar que o primeiro-ministro disse, a 6 de Janeiro deste ano, isto:

«Vamos ter um ano de grandes exigências, mas que será também um ano de viragem económica para o país, é aquilo em que o governo, e eu próprio, firmemente acreditamos».

Em que ficamos?

Afinal, parece que “podemos dizer tudo aquilo que nos apetece sem sermos confrontados com a realidade”, desde que sejamos primeiro-ministro e tenhamos deixado, há muito, de ter vergonha na cara!

IVA (cada vez mais) terrível

A Assembleia da República aprovou as novas taxas de IVA para alguns espectáculos.

Por exemplo: espectáculos musicais vão pagar 13%, enquanto jogos de futebol pagarão 23%.

Acho mal.

O IVA é o imposto mais injusto que existe.

O rico e o pobre pagam o mesmo IVA pelo pão.

Do mesmo modo, não é justo que eu pague 23% para ir ver o Benfica jogar e, se me der um amoke, for ver o Porto jogar, pago os mesmo 23%. Claro que, se eu for ver um jogo do Porto, por qualquer doença neurológica degenerativa de início súbito, devia pagar 50% de IVA.

Pior ainda: pagar 13% para ver o Tony Carreira e 23% para ir ver o Benfica?

Onde está a justiça?

Madeira – farol da Democracia

Na v̩spera de uma Greve Geral, em que milhares de portugueses iṛo mostrar a sua indigna̤̣o perante as medidas de austeridade que nos esṭo a atirar para a recesṣo, num momento em que muitos se interrogam sobre o destino da Democracia, numa altura em que o capitalismo selvagem parece estar a tomar conta das nossas vidas Рeis que a Madeira, a P̩rola do Atl̢ntico, nos mostra o caminho.

Como?

Simples!

Os deputados do PSD na Assembleia madeirense decidiram que um único deputado pode votar pelos restantes 25.

De facto, por que raio é que 25 deputados se hão-de deslocar à Assembleia, quando um único pode fazer o trabalho de todos?

O PSD continua com a maioria absoluta, mas mais curta do antes; com efeito, o PSD tem apenas mais dois deputados do que a soma dos deputados da Oposição. Imagine que, por exemplo, dois ou três deputados do PSD têm outra coisa mais importante para fazer do que ir apanhar secas na Assembleia. O partido fica em minoria e pode perder votações.

Nada disso.

O líder da bancada do PSD vota e o seu voto vale pelos 25 deputados!

É assim mesmo!

Obrigado, Alberto João, pelo exemplo que continuas a dar!

E obrigado pelos 3 milhões que vais gastar no fogo de artifício!

Eu próprio já contribuí para os teus foguetes, com metade do meu subsídio de Natal!

Espero que te rebentem na peida, pá!

A pão e água

Segundo o DN, «o PS vai propor na terça-feira que a Comissão parlamentar do Ambiente passe a consumir água da torneira, uma medida para dar o “exemplo” no Parlamento, onde se consomem anualmente mais de 45 mil garrafas de água».

Acho mal.

Percebe-se que, em tempos de crise, os deputados fiquem a pão e água, mas penso que os nossos deputados deviam ajudar a nossa economia e passar a consumir vinho.

As sessões parlamentares seria muito mais divertidas!

A tia de Louçã

No debate quinzenal, na Assembleia, Louçã disse que Sócrates, de debate para debate, estava “cada vez mais manso”.

Sócrates fez cara de poucos amigos e murmurou qualquer coisa.

Como não falou para um telemóvel, os jornalistas tiveram que recorrer à ajuda de um tipo que é capaz de ler nos lábios, para perceberem o que o primeiro-ministro disse, em resposta à provocação de Louçã:

РManso ̩ a tua tia! Рfoi o que ele disse.

Ora como é costume chamar “manso” aos bois, acho que Sócrates até foi moderado, pois poderia ter respondido, com toda a propriedade: “Manso és tu, meu ganda boi!”. E eu teria aplaudido!

Ou poderia, ainda, ter dito algo deste género, que seria, provavelmente, a minha escolha: “mansa é a zona genital da tua tia!”

Utilizava, assim, o eufemismo “zona genital”, em vez do termo mais corrente, porque se encontrava na Assembleia da República e ainda vai tendo algum respeito pelos deputados da Nação.

E é assim que a tia de Louçã entra na política portuguesa. Pela porta grande.

Palhaço, Maria José? Actualize-se!

A D. Maria José Nogueira Pinto, que já foi deputada do CDS e, agora, é do PSD, faz parte de uma comissão parlamentar da saúde. Não gostando de um comentário feito pelo deputado socialista Ricardo Rodrigues, a D. Maria José disse:

«Tenho estado a interrogar-me quem é este palhaço que apareceu aqui na Comissão. Deve ter sido eleito para nos animar».

Ó Maria José, palhaço?!

Então a menina não costumava levar os seus filhos ao Coliseu, todos os natais – ou será que a sopeira é que ia com eles?

Palhaço é insulto, Maria José?

E se, agora, os artistas circenses passarem a insultar-se, chamando-se deputados uns aos outros. Do género: “quem é aquele deputado que nem malabarismos sabe fazer?!”

Um palhaço na Assembleia da República?

Então, agora que querem acabar com os animais no circo, a senhora quer tirar, também os palhaços, levando-os para a Assembleia?

Um palhaço na Assembleia da República?

Só um?!

Não me faça rir, querida! Quando a menina foi eleita pelo PSD, cuidava que ia fazer o quê para Assembleia, se não animar a malta?

Tauromaquia parlamentar

E, de repente, Manuel Pinho virou-se para Bernardino Soares e mimoseou-o com um par de cornos, em plena Assembleia da República.

manuelpinho_cornosSócrates demitiu-o.

Acho mal.

Para já, se a Assembleia costuma ser uma grande tourada, mais cornos, menos cornos, não há-de fazer diferença.

Tive pena foi do Bernardino Soares, coitado. Com aquela carinha de sacristão, nunca devia ter visto ninguém a fazer cornos…

Depois, há os antecedentes: é bom não esquercer que há poucas semanas, o vice-presidente da bancada do PSD mandou um deputado do PS para o caralho.

E nem vale a pena falar das tiradas fantásticas do Alberto João. Elas são tantas, que basta talvez recordar aquela vez que ele chamou filhos da puta aos jornalistas.

E ainda ontem, o presidente da Assembleia Geral do Benfica, Manuel Vilarinho, ao ser questionado sobre a possibilidade das eleições serem impugnadas, respondeu: “estou-me cagando!”.

Portanto, foda-se! que mal faz um simples par de cornos à porra desta democracia de merda!?

Afinal, os deputados são humanos

Contextualizemos: na sexta-feira passada, dia 6, 40% dos deputados do PSD faltaram. Muitos deles assinaram a folha de ponto e puseram-se na alheta, para um fim de semana prolongado.

Acontece que havia uma votação importante. O plenário ia decidir se recomendava ao governo que suspendesse a avaliação dos professores, ou não. Seis deputados do PS votaram contra o governo mas, mesmo assim, a proposta foi chumbada porque 40% dos deputados do PSD fizeram gazeta.

História habitual.

A propósito disto, Almeida Santos disse que, quando era Presidente da Assembleia, nunca fazia plenários à sexta-feira, por ser véspera de fim-de-semana.

E acrescentou: «Talvez esteja errado é que as votações sejam à sexta-feira, é preciso arranjar horas para a votação que não sejam as horas em que, normalmente, é mais difícil e mais penoso estar na Assembleia da República».

É o que eu digo aos meus doentes: por favor, não adoeçam à sexta-feira, porque é véspera de fim-de-semana.

Almeida Santos tem 82 anos.

Talvez por isso se perceba porque diz mais uma enormidade como esta: “Os deputados são humanos, não são máquinas”.

E eu que pensava que Paulo Portas, com aqueles dentinhos tão brancos e brilhantes, fosse um robot. Só um robot (ou um ditador africano) consegue votações como Portas conseguiu ontem: mais de 95% dos militantes votaram nele e ninguém votou nos outros candidatos que, aliás, não havia. Também é verdade que 65% dos militantes nem se incomodaram em ir votar, mas Almeida Santos veio desfazer esta imagem que eu tinha de Portas. Afinal, não passa de um reles humano!…

E Rangel, o anafado líder do PSD? Não será uma enfardadeira?

E o mal-encarado Alberto Martins, do PS – humano?

E o camarada Jerónimo de Sousa não será apenas um reprodutor de cassetes, perdão, de dvd?

E Louçã não pode ser humano! Tão perfeitinho, tão politicamente correcto, tão resposta na ponta da língua, tão beato – Louçã é definitivamente uma máquina, não é humano!

Dr. Almeida Santos, permita-me discordar: os deputados são máquinas.

O problema é que, às sextas-feiras, muitas dessas máquinas têm que ir à manutenção para ajustes…