“Castle” – 3ª temporada

Richard Castle (Nathan Fillion) é um escritor de livros policiais de grande êxito popular que começa a colaborar com a polícia, depois de alguns casos de homicídio se parecerem muito com os argumentos dos seus livros.

Fica adstrito a uma equipa de detectives chefiada por Kate Beckett (Stana Katic), que acaba por inspirar a Castle a personagem de Niki Heat, nova heroína dos seus romances.

Esta é a base para a série Castle, da ABC, estreada em 2009, e criada pelo argumentista Andrew W. Marlowe (nome de detective…).

Um dos atractivos da série é a tensão erótica entre Castle e Beckett, que faz lembrar, um pouco, a que existia entre Bruce Willis e Cybill Shepherd, na série Moonlighting.

Apesar de ser um grande canastrão, ou talvez por isso mesmo, Castle acaba sempre por dar uma sugestão que leva à descoberta do assassino.

É uma série ligeira, sem grandes pretensões e que dispõe bem, sem aleijar a inteligência.

Dexter – 4 temporada (2009)

Dexter é uma das minhas séries preferidas, mas deve ser vista com parcimónia.

São 12 episódios mas, se os virmos à razão de um por dia, 12 dias seguidos, arriscamos uma depressão reactiva nas semanas seguintes.

Durante o dia, Dexter Morgan é o especialista em sangue na Miami Police mas, durante a noite, é um serial killer muito especial, que só mata e esquarteja os bad guys.

Michael C. Hall compõe um psicopata perfeito e a sua performance, por si só, faz com que valha a pena ver a série. Mas os argumentos também são muito bons e as personagens secundárias, muito ricas.

Nesta 4ª temporada, para além de despachar um bandido por episódio, Dexter ainda tem que se preocupar com um perigoso psicopata, conhecido por Trinity, e superiormente composto por John Lithgow.

O último episódio desta temporada é devastador e, embora goste muito da série, e embora já tenha a 5ª temporada pronta para ser vista, tenho que descansar um pouco do clima pesado que Dexter impõe.

Programas da manhã

Programas da manhã das televisões.

Não vejo, felizmente.

Diariamente, no restaurante onde almoçamos, fico sentado de frente para a televisão muda e leio os rodapés: “grávida dormia com o tio da prima”, “tentou salvar a tia e ficou queimado”, “foi violada por um marreco de raça negra”, “comeu fruta estragada e teve trigémeos”.

Sorrio, encolho os ombros e dedico-me ao almoço, sempre saboroso. Obrigado, Tucha!

Mas há um personagem que me deixa ficar sempre incomodado. Não me lembrava do nome da criatura, mas fui procurar no site da Sic e descobri que se chama Hernani Carvalho.

Diz que é jornalista, penso que já trabalhou na TVI, mas agora está na Sic… e é um especialista!…

Caramba, que especialista do caraças!

Enquanto devoro o almoço, vou deitando o rabo do olho para o televisor e vejo o homem a gesticular, sempre de cenho cerrado. Ele parece ser assertivo, ter a certeza de tudo e ter uma palavra definitiva para dizer sobre tudo, desde o caso da moça violada quando regressava a casa, até ao tipo que disparou a espingarda sem querer e matou o amigo.

Hoje, de férias, “apanhei” o tal Hernani ao vivo, isto é, com som, cá em casa, mais uma vez, enquanto almoçava, um excelente curry de frango, preparado pela Mila, em honra de um outro que comemos em Tromso, em Junho.

Pois lá estava o Hernani a cagar sentenças, desta vez, sobre a Sónia Frazão, personagem que eu só passei a conhecer depois da dita ter feito explodir o seu próprio apartamento.

Apanhei a coisa a meio, mas o especialista criminal (!) dizia qualquer coisa sobre doença celíaca e neuro-transmissores e tinha um careca ao seu lado, que parece que também era especialista (eles são todos especialistas!…)

Gritei um palavrão e mudei para a RTP-1 e dei com o bispo Manuel Martins, um velhinho muito bem conservado, com as unhas arranjadinhas, o anelinho na mão direita, os ésses sibilantes, perorando sobre o mundo e os seus pecados!

O velhinho estava contra as telenovelas e dizia que não percebia como é que as famílias não faziam uma revolução contra as telenovelas!

Porra!

O Hernani na 3, o bispo na 1… nem fui ver a 4!

Com programas da manhã destes, não admira que a malta continue um pouco estúpida…

15 anos de Emergency Room

A série televisiva ER, estreou na NBC, a 19 de Setembro de 1994 e manteve-se durante 15 temporadas; o último episódio foi para o ar a 2 de Abril de 2009.

O seu criador, Michael Crichton (1942-2008), era um médico que nunca exerceu medicina e que ficou conhecido por ter 2 metros e 6 centímetros de altura e por ser autor de diversas novelas que, adaptadas ao cinema, se tornaram êxitos instantâneos, como “Jurassik Park” e “Andromeda Strain“.

Crichton morreu de linfoma, um ano antes do final da série que ele criou, com a ajuda de Steven Spilberg, produtor da primeira temporada.

Na verdade, Crichton só escreveu os três primeiros episódios, mas a concepção de toda a série é de sua autoria: a acção decorre nas urgências de um hospital público de Chicago, onde acorrem todo o tipo de doentes, desde baleados a vítimas de frieiras.

Por razões pessoais, ER foi a série televisiva que mais me marcou.

Séries de médicos, sempre houve, desde o velho Dr. Kildare, ao actual House, mas ER é a única que tem verosimilhança, embora as últimas temporadas sejam já muito romanceadas, aproximando-se mais do estilo soap opera.

Uma das características de ER é a sua cinematografia. Um doente chega, transportado numa maca e rodeado de paramédicos, um deles, encavalitado no doente, fazendo-lhe massagem cardíaca; rapidamente, médicos e enfermeiros da urgência acercam-se do doente e fazem perguntas rápidas, que são respondidas pelos paramédicos, as circunstâncias do acidente e os sinais vitais são relatados em frases curtas e incisivas, um dos médicos dá ordens claras e precisas e corre a assistir o próximo doente, a câmara acompanha-o, novo diálogo rápido com outra equipa de paramédicos e a câmara continua a acompanhar o médico que, entretanto, já deu a volta toda ao cenário. A cena decorre sem nenhum corte aparente, o que ainda dá mais emoção à acção.

Esta maneira de filmar conferiu a muitos episódios do ER mais suspense e emoção do que muitos filmes de aventuras.

Ao longo de 15 anos, a série foi perdendo algumas das suas figuras míticas, a começar pelo pediatra Dr. Ross, interpretado por George Clooney. A enfermeira Hathaway, interpretada por Julianna Margulies (hoje, a protagonista da série The Good Wife), saiu logo a seguir, mas foi com a saída de Mark Green, o chefe das urgências, que a coisa começou a descambar. Interpretado por Anthony Edwards, o Dr. Green era o bonzinho que aguentava todos os conflitos do County Hospital e que tentava sempre o consenso. Morreu com um tumor cerebral em 2002 e deixou a série mais pobre.

Mas a machadada final foi dada com a saída de John Carter, que se manteve nas primeiras 11 temporadas. Interpretado por Noah Wyle, o Dr. Carter, literalmente, cresceu com a série.

Wyle tinha 23 anos quando começou a interpretar o papel do estudante de Medicina, John Carter, e saiu da série já com 34 anos. Voltou na 15ª temporada, desgostoso e com insuficiência renal, coitado…

Nomeada para 124 Emys, ER ganhou 23.

Acabei agora a 15ª e última temporada e, apesar de já bocejar durante alguns episódios, tenho pena de não poder ver novos episódios de ER.

 

Dez anos depois

Dez anos depois, os acontecimentos do 11 de Setembro, em Nova Iorque, transformaram-se em mais um fait-divers.

As televisões nacionais mudaram-se para Manhattan e transformaram tudo em “motivo de reportagem”.

E vemos o primo da amiga que era namorada do bombeiro que faleceu na queda das Twin Towers a ser entrevistado, mais o português emigrado que assenta tijolos na nova torre, mais o outro que esteve numa das torres horas antes do primeiro avião ter atravessado a estrutura.

O significado do ataque ao coração do capitalismo acaba por ser relegado para enésimo plano, enquanto diversas equipas de reportagem aproveitam para se passear pela Times Square, pela 5th Avenue, pelo Central Park, reportando insignificâncias.

A RTP, que tem não-sei-quantos milhões de prejuízo, enviou para Manhattan, pelo menos três equipas de reportagem e hoje, à hora do almoço (e à noite também, certamente) os telejornais foram transmitidos directamente de Nova Iorque!

Mas que merda é esta?!

Então não estamos em crise?

Afinal ainda há dinheiro para enviar todas esta maltósia para a terra do Uncle Sam?

Mas o que é que aconteceu de novo, que mereça tamanha cobertura jornalística por parte de um país periférico, a braços com uma crise económica do caraças?

Cambada de saloios novos ricos!

P.S. – E ontem no Congresso do PS, aquela cena do jornalista da Sic a mostrar os bastidores jornalísticos ao António José Seguro? Orgulhoso, dizia-lhe que ali trabalhavam 53 profissionais! 53 profissionais para cobrir o congresso do PS? Só da Sic? Se a RTP e a TVI, o DN e o Público, a TSF e a Antena Um, etc e tal, enviaram o mesmo número de pessoas, serão mais os profissionais da informação que os congressistas!

O muro

Ontem, a RTP e a SIC proporcionaram-nos reportagens formidáveis, directamente da Líbia (se calhar, a TVI também, mas eu não vejo a TVI por uma questão de princípio)

Bem, eu não tenho a certeza se aquilo era mesmo na Líbia, mas parece que sim. Os jornalistas estavam mesmo na Líbia, mais precisamente, em Tripoli.

Mais precisamente, num hotel da capital líbia, cheio de jornalistas.

Mais precisamente, atrás de um muro.

E o muro foi a estrela das reportagens.

Na RTP, Paulo Dentinho, deitado no chão, atrás do tal muro, falava para o microfone e tinha um telemóvel na outra mão. Ao fundo, ouviam-se estampidos.

Na SIC, Cândida Pinto, deitada no chão, atrás do mesmo muro, fazia a mesma figura.

Os tais estampidos eram, supostamente, tiros.

Os repórteres, com ar de quem está com cólicas abdominais, iam descrevendo o óbvio: estamos aqui, o hotel é ali, ouvem-se tiros… tudo afirmações definitivas.

Do lado de cá, um José Rodrigues dos Santos, aos gritos, e um Rodrigo Guedes de Carvalho, aos berros, tentavam sacar mais informações dos seus colegas. Mas eles limitavam-se a debitar vulgaridades.

Os repórteres como sujeitos da notícia.

A notícia deixou de ser a guerra civil líbia e passou a ser o repórter, deitado no chão, atrás de um muro…

No mínimo, ridículo.

De Balocas até Valpaços

O telejornal da Sic está a transformar-se, a pouco e pouco, num excelente programa humorístico.

Depois da história do roubo do Pilinhas, hoje tivemos direito a uma excelente reportagem sobre dois padres.

O primeiro padre é de Balocas, uma localidade do concelho de Seia.

Pois o senhor prior recusou-se a dizer missa durante as festas da aldeia, porque as mesmas eram abrilhantadas por um artista pimba, chamado Gabriel (?), acompanhado por duas bailarinas, “duas putas”, na opinião do pároco.

O segundo padre é o de Valpaços, que se recusou a dar a hóstia a uma menina, porque ela usava um decote que ele considerou indecoroso.

A repórter entrevista a menina à porta da igreja. A moça, com ar cândido, responde com os olhos postos no chão e exibe o tal decote, que deixa entrever dois milímetros dos seus seios púberes.

E, com os ésses sibilantes da beira, explica:

“O xenhor prior levantou a hóstia ainda maij alta e eu, como não chegava lá, voltei para o banco!”.

Coitadinha!…

Com a hóstia tão alta, como podia ela abocanhá-la?!

Xenhor! Por que obrigaich ach môchas a tão durach provachões?…

E a moça acrescentou que, depois, ao ver que ela olhava para ele, o eclesiástico exclamou, alto e bom som:

“Não me olhech com eches olhoch!”

Impagável!

Estas reportagens da Sic fazem mais mal à nossa dívida soberana do que o governo de Passos Coelho!

O revólver e o pilinhas

De palito na mão, franze o sobrolho, com ar entendido e explica que o homem estava sentado na esplanada quando o outro apareceu e deu-lhe um tiro de raspão na cabeça. E não lhe deu logo outro tiro porque a arma se encravou.

“Não sei se era uma pistola ou era um revólver, mas parece-me que era uma pistola, porque um revólver não encrava!” concluiu, triunfante.

Tudo se passou em Mação. Um agente da GNR, de folga, estava sentado numa esplanada, com amigos, quando outro homem, com cerca de 80 anos, ex-agente da autoridade, surgiu e disparou três tiros, atingindo o GNR.

O corajoso repórter, explicou-nos que os dois homens tinham problemas antigos por resolver e que o baleado, depois do segundo tiro, fugiu e, quando levou o terceiro tiro, caiu num descampado (a imagem mostra-nos um baldio com tranquilas ovelhas pastando…). Foi aí que foi assistido.

Claro que este acontecimento em Mação, não se compara com a catástrofe ocorrida em Oliveira de Azeméis: roubaram o Pilinhas!

O Pilinhas é uma estátua de bronze, de 1930, representando uma criança, de pilinha alçada, no cimo de um paralelepípedo, que é uma fonte. Estava há 80 anos num jardim de Oliveira de Azeméis. Estava, mas já não está, por alguém roubou o Pilinhas.

Como disse o Presidente da Câmara, as autoridades têm que fazer alguma coisa, caso contrário, começará a desaparecer o nosso património.

Hoje, o Pilinhas de Oliveira de Azeméis, amanhã, o Mosteiro dos Jerónimos!

Estas foram duas intrépidas reportagens que passaram no telejornal da Sic de hoje.

I rest my case!

“The Good Wife”, 1ª temporada

Ainda é possível fazer uma série de advogados que traga algo de novo e que consiga agarrar o espectador?

Claro que é, e “The Good Wife” é um bom exemplo.

Confesso que os primeiros episódios não me entusiasmaram e até passei pelas brasas. Mas, a pouco e pouco, “it grows on you” e, às tantas, estamos agarrados ao “plot”.

A “good wife” é Julianna Margulies (a enfermeira Hatahway das primeiras séries do ER), que faz o papel da seráfica, mas boazinha, advogada Alicia Florrick. Ela deixou de trabalhar há muitos anos, para passar a encarregar-se da casa e da educação dos dois filhos, agora adolescentes, enquanto o marido (Chris Not, o Mr. Big do “Sex and the City”), prossegue a sua carreira de State Attorney de Cook County, Chicago.

Só que o marido é envolvido num escândalo sexual com prostitutas, acusado de corrupção e preso. E Alicia tem que voltar a trabalhar.

A firma de advogados onde a Mrs. Florrick exerce, é chefiada por um antigo colega do liceu, Will Gardner (Josh Charles), que tem um fraquinho por ela e que passa alguns episódios a ver se a desvia para a cama, e pela sua sócia Diane Lockhart (Christine Baranski).

Para além destas personagens, destaque ainda para a Kalinda Sharma (Archie Punjabi), que é uma espécie de detective que trabalha em estreita colaboração com os advogados.

Os casos tratados em tribunal são quase todos curiosos e complexos e, muitas vezes, Alicia encontra um modo de os resolver recorrendo ao chamado bom senso de uma dona de casa e mãe de família, isto é, de uma “good wife” ou, como se dizia (e ainda diz) por cá, com a argúcia da “minha patroa”.

Para além dos casos, corre, em paralelo, a história de Peter Florrick que, apesar de andar enrolado com prostitutas, parece não ser assim tão corrupto e acaba por conseguir uma liberdade com pulseira electrónica, enquanto vai tentar demonstrar a sua inocência.

A série é da autoria de Michelle e Robert King, vagamente inspirada no escândalo de Eliot Spitzer, produzida por Tony e Ridley Scott para a CBS e passa no Fox Life.