Vamos adoptar um cardeal?

Ora aqui está uma coisa que não lembrava nem ao menino Jesus: adoptar um cardeal!

Está um tipo sentado na sala, morigeradamente enfastiado, sem saber muito bem o que fazer, quando, folheando o prestimoso Diário de Notícias, dá de caras com esta notícia.

Um grupo católico alemão, chamado Jugend 2000, decidiu criar um site onde qualquer um de nós pode adoptar um cardeal.

E para quê?

Sim, para que raio quero eu adoptar um cardeal?

Ainda poderia pensar em adoptar um cão, um gato, ou mesmo um canário… mas, um cardeal?

Pois a ideia, supostamente genial, resume-se a isto: se todos nós adoptarmos um cardeal e nos comprometermos a rezar por ele, talvez o Espírito Santo ilumine o conclave e a escolha do Papa seja acertada.

Talvez…

Para adoptar um cardeal, basta aceder a este site: http://www.adoptacardinal.org/

Depois, colocas lá o teu nome e o teu e-mail e surge-te logo o nome de um cardeal, com dados biográficos e tudo.

Acabaste de o adoptar.

Agora só tens que rezar.

Esclarece a notícia: «não se trata de um jogo, daí não ser permitido escolher o seu cardeal preferido».

cardeaisOra bolas! e eu que ia escolher o mais giro de todos, que é aquele, lá ao fundo, com aquela colcha de renda sobre o vestido cor-de-laranja…

A ideia, portanto, é atribuir-nos, aleatoriamente, um dos 207 cardeais do Colégio Cardinalício, de modo a que todos eles tenham alguém que reze por eles.

Suspeito que seja um fracasso.

Se, em vez de “adopta um cardeal”, fosse “despe um cardeal” ou “dispara sobe um cardeal”…

Eles andem aí!…

O Diário de Notícias publicou duas locais que me deixaram preocupado.

Muito.

Uma na sexta-feira, intitulada “Bispo denuncia roubo de hóstias para bruxaria”, e outra hoje, sob o título “Matadouro ao abandono é palco de rituais satânicos durante a noite”.

É que agora, que o Papa renunciou, estamos à mercê do Diabo!

Na primeira notícia é o bispo de Bragança e Miranda, D. José Cordeiro que diz: «estou muito preocupado com a profanação dos sacrários e os roubos das hóstias consagradas que ultimamente se têm verificado na minha diocese. E ao que me dizem, destinam-se a bruxaria».

Também fiquei preocupado, depois de ler estas declarações. É que não é um padreco qualquer que diz isto, mas sim um bispo, que é um daqueles padres mais importantes, que tem direito àqueles chapéus grandes, em bico, que dão uma solenidade completamente diferente à personagem.

Mas o país está assim tão mal que os ladrões já não se contentam em roubar carteiras, fios de ouro ou até arte sacra, e decidem fanar também hóstias?

Bolas – aquilo não passa de pão! Sem fermento, ainda por cima!

Diz a notícia que as hóstias roubadas são, depois, «vendidas a “bruxos” para a realização de missas negras. Aproveitam-se da ignorância das pessoas para prometerem curas milagrosas… (as hóstias) podem valer 250 euros e, caso tenham sido consagradas por um bispo, chegam a atingir 5 mil euros».

Mais preocupado fiquei!

Então, se os “bruxos” se “aproveitam da ignorância das pessoas”, por que raio se dão ao trabalho de roubar as hóstias?

Bastava que fabricassem as hóstias lá em casa e, depois, diziam aos ignorantes que eram hóstias consagradas pelo senhor bispo.

Quem acredita em bruxos papa qualquer hóstia!

E a notícia acrescenta que «A Espanha pode ser o destino de muitas hóstias furtadas».

Ora aí está todo o fulgor das nossas exportações!

No final, a notícia assusta-nos, ao dizer: «na vizinha diocese de Vila Real não se registaram furtos recentes, mas um padre local revela que detectou haver paroquianos que não engolem a hóstia para depois a poder utilizar em rituais».

Grandes sacanas!

Sugiro que os padres coloquem acólitos à porta da igreja a verificarem se os paroquianos engolem o corpo de Deus como deve ser, porra!

A segunda notícia chega-nos de Viseu e começa assim:

«O antigo matadouro de Viseu estará a ser utilizado para a prática de culto satânico. Na madrugada do passado dia 11, um grupo de pessoas, vestindo capas pretas e capuzes (sic) na cabeça, invadiu o espaço pintando nas paredes e3 no chão vários símbolos como pentagramas, símbolo evocatório do Diabo, e símbolos enoquianos entre outros desenhos.»

Medo!

Ora e quem descobriu esta cena diabólica?

Voltemos à notícia:

«O alerta é dado por um jovem de 22 anos que, na altura, passou no local e assistiu aos estranhos acontecimentos. “Regressava a casa depois de estar com uns amigos e, pelas três da manhã, ao circular junto ao antigo matadouro, reparei nuns focos de luz em movimento no interior. Abrandei e, mais à frente, vi um grupo de pessoas de capas pretas a entrar”, conta Artur Costa.

De início ainda pensou que no interior do matadouro estavam toxicodependentes ou marginais, mas quando viu várias figuras negro ficou na dúvida».

Compreende-se… o jovem Artur Costa, ao ver uns tipos vestidos de negro, ficou na dúvida se eram toxicodependentes, marginais ou servos do Diabo. Como se sabe, tanto uns como outros, gostam de se vestir de preto, sobretudo os seguidores de Lúcifer que consomem cocaína, por exemplo…

Ao jovem Artur não lhe ocorreu que poderia ser um grupo de foliões mascarados, já que era segunda-feira de Carnaval…

O mais curioso é que o jornalista (Alfredo Teixeira) não se importa nada em divulgar a fonte da notícia e pespega com o nome do jovem, só faltando dizer onde ele mora e qual é a matrícula do seu carro.

E acrescenta:

«Artur Costa parece ter sido o único a detectar estas práticas no interior do antigo matadouro, uma vez que a população que reside nas proximidades nunca se apercebeu de nada de estranho no edifício.»

Mas o jovem, que deve ser um perito na matéria, está preocupado e relembra que, em 2010, «uma situação foi denunciada na localidade de Ranhados, envolvendo a prática de bruxaria no cemitério local. Foram encontradas várias galinhas pretas mortas, encima (sic) de panos pretos, velas, caixas de fósforos e uma garrafa de whisky».

Aqui, mijei-me a rir!

Com que então, os servos de Satanás gostam da pinga!

E afinal, o que pretende Artur Costa?

«O que eu pretendo é chamar a atenção para este problema, não tanto pelo culto que foi realizado ali, mas para o facto de qualquer pessoa poder entrar ali. Pode acontecer mesmo alguma tragédia caso desperte a atenção de crianças».

Quer-me parecer que estas duas notícias estão relacionadas.

Não que eu pense que as hóstias roubadas em Bragança sejam, depois, usadas em rituais satânicos no matadouro de Viseu.

O que eu acho é que está tudo doido, o jornalista Alfredo Teixeira, o jovem Artur Costa e o até o bispo de Bragança e Miranda!

A graça do padre Guerra

O Padre Fernando Guerra – o tal que tinha, na sacristia, um verdadeiro arsenal – é suspeito de lavagem de dinheiro.

Nas suas contas bancárias, passearam 5 milhões de euros.

Lavagem de dinheiro?

Não, diz o padre: «eu de lavagem apenas percebo da de roupa».

Aposto que Deus deu uma gargalhada celestial.

Mas o padre não se ficou por aqui.

Sobre o facto de ter vários cavalos, explicou que «como gosto de andar a cavalo, comprei um casal há uns anos. Depois procriaram e hoje são seis».

Não foi Deus que disse “crescei e multiplicai-vos”?

O mesmo se deve ter passado com os carros do padre Guerra: três Mercedes, uma carrinha e um jipe.

Suponho que ele tenha comprado um casal de carros que, depois, foram procriando.

Padre do caraças!

A vaca, o burro e o Papa

A um mês do Natal, o Papa Ratzinger lança o livro “A Infância de Jesus”, em nove línguas e em cinquenta países.

Não tenciono comprar.

Muito menos ler.

No entanto, chamou-me a atenção o destaque que o Diário de Notícias dá ao acontecimento, enchendo uma página com um texto mais ou menos hermético sobre o livro.

Tão hermético que contém frases absolutamente incompreensíveis, como esta: «apesar de falar de um menino e da sua infância, está cheio de questões teológicas e difíceis de empreender».

Um livro sobre a infância de Jesus está cheio de questões teológicas? Que disparate!

E, ainda por cima, coisas “difíceis de empreender”! Empreender o quê?

Mas o mais importante de tudo isto é que o Papa determina que a vaca e o burro se mantenham no presépio, apesar de acreditar que eles não estiveram lá (onde?).

De facto – e segundo a notícia – «o teólogo Ratzinger lembra que os evangelhos não falam de animais mas explica que a iconografia cristã preencheu esse espaço com as figuras do burro e da vaca, que são popularmente ali representadas.»

E o Papa determina: «nenhuma representação do presépio renunciará à vaca e ao burro».

Mais nada!

Podia ser um gorila e uma zebra, ou um caracol e uma mosca, ou um morcego e uma tartaruga, mas o povo escolheu um burro e uma vaca e, apesar de não terem existido, é imperioso que se mantenham no presépio.

Faz-me lembrar a história do homem que estava a fazer o gesto de atirar alguma coisa para o chão. Quando lhe perguntaram o que fazia, disse estar a dar milho aos pombos. Milho? Mas não vejo nenhum milho, disseram. Pois não, respondeu o homem – também não há aqui nenhum pombo!…

Alucinações verdadeiras e falsas

A religião católica deu mais um passo no estudo das alucinações, estabelecendo um conjunto de regras que permite distinguir as verdadeiras das falsas.

Suponhamos, por exemplo, que eu tenho um surto místico e começo a ter visões.

Pode muito bem acontecer.

Como saberei eu se essas visões são verdadeiras ou falsas?

Simples – consulto o guia criado durante o papado de Paulo VI e agora, finalmente, tornado público por Ratzinger.

E esse guia diz, claramente, que, no caso de um de nós começar a ver a Virgem Maria ou outra qualquer divindade do universo católico (se virmos Maomé, não vale), devemos “manter o silêncio e não chamar a atenção de jornalistas ou outros fiéis”. Seremos, depois, submetidos a consultas de psiquiatria e psicologia, mas terão que ser escolhidos uns especialistas católicos e outros ateus, para haver isenção de opiniões.

Esses especialistas têm que confirmar que não sofremos de nenhuma patologia histérica (como, por exemplo, discutirmos o serviço público da RTP – certificar palavras de Passos Coelho, que disse que “não razão para histeria”, na discussão da eventual privatização da televisão pública).

Será avaliado o nosso nível de instrução e teremos que entregar a uma comissão diocesana os nossos computadores, para se verificar que não fizemos buscas sobre outras aparições, que queiramos copiar. Finalmente, será averiguado se não ganharemos alguma coisa, sob o ponto de vista económico, com o início de peregrinações ao local onde eventualmente tivemos as visões.

Se passarmos neste exigente teste, seremos ainda interrogados por exorcistas e especialistas em demónios (que profissão do caraças!).

Só depois, o bispo diocesano poderá tomar uma decisão, com a ajuda do Vaticano.

Garanto-vos: se algum dia vir a Nossa Senhora, não me vou meter num sarilho destes. Mando-a dar uma volta ao bilhar grande e sigo em frente, sem dizer nada a ninguém!

Safa!

A senhora Merkel e o prepúcio

Para que serve o prepúcio?

Que importância tem o prepúcio?

E o que é que a Sra. Merkel tem a ver com isto?

Pelos vistos, o prepúcio tem tal importância na Alemanha que a própria Sra. Merkel teve se referir, publicamente, a ele.

Tudo começou quando um tribunal de Colónia proibiu a circuncisão de menores, na sequência de uma operação a um miúdo de 4 anos, que correu mal.

Os judeus ficaram muito zangados com isto.

Para eles, o prepúcio tem que ser retirado à nascença.

A polémica subiu de tom e a Sra. Merkel acabou por ter que manifestar a sua opinião e disse: «não quero que a Alemanha se torne o único país do mundo onde os judeus não podem praticar os seus ritos. Nesse caso, tornar-nos-íamos uma nação ridícula».

Por outras palavras, manter o prepúcio torna os alemães ridículos.

Confesso que me custa a perceber por que razão, tanto os judeus, como os muçulmanos, têm tanta aversão a esse bocado de pele que, a mim, me faz tanta falta!

E agora, de repente, tive um pressentimento medonho: será que, de entre as novas medidas de austeridade que nos vão ser impostas, a Sra. Merkel decide obrigar-nos, a nós, portugueses, a desfazermo-nos dos nossos prepúcios?

Estou preocupado!…

A globalização dos taliban

No Paquistão, os taliban que controlam as regiões do noroeste do país, estão a impedir a vacinação das suas crianças contra a poliomielite.

Na Alemanha, um tribunal de Colónia considerou que o direito à integridade física das crianças é mais importante do que práticas religiosas e proibiu a circuncisão. O gabinete de Angela Merkel já criticou a decisão do tribunal, dizendo que ela limita a liberdade religiosa.

O taliban estão em toda a parte!

Torgal versus Passos

Não gosto de bispos.

Acho-os supérfluos. Vestem mal. E não se importam de ser tratados por Dom.

D. Januário Torgal é (ou foi) o bispo das Forças Armadas.

Primeira incongruência: por que carga de água umas forças armadas de um país laico precisa de um bispo?

Adiante.

Há três ou quatro dias, Januário disse que Portugal «não tem governo. (…) E no fim ainda aparece um senhor, que pelos vistos ocupa as funções de primeiro-ministro, dizendo um obrigado à profunda resignação de um povo dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no jardim zoológico. Conclusão: parecia que estava a ouvir o discurso de uma certa pessoa há 50 anos.»

O raça do bispo!

A comparar o Passos Coelho com o Salazar!…

Logo no dia a seguir, o Correio da Manhã revelava que o bispo ganhava 4500 euros de reforma e tinha direito a gabinete de apoio, carro, motorista, secretária e telemóvel.

Januário foi aos arames.

Hoje, disse ao jornal i que está a ser vítima de um “linchamento público” e que só ganha “pouco mais de 2500 euros” por mês e que abdicou daquelas regalias todas.

E acrescentou: «depois de uma vida inteira a trabalhar, praticamente metade do que ganho vai para o Estado, que depois não sabe gerir esse dinheiro: vai para espiões e para empresas privadas».

Januário, posso fazer-te uma pergunta?

Por que raio foste para bispo, pá?

Quem quer cheirar os pastorinhos?

Será inaugurado amanhã, “O Milagre de Fátima” – um espaço que recria as aparições da virgem aos três pastorinhos, recorrendo a hologramas, sons e – pasme-se! – odores!…

Isso mesmo, odores!

Já acho bizarro haver pessoas que queiram ver e ouvir a recriação das alucinações dos pastorinhos.

Mas estranho mesmo é pagar um bilhete para cheirar as aparições.

Uma vez que a cena envolveu três pastores, será que se sente o cheiro das caganitas das ovelhas?

Acrescente-se que “O Milagre de Fátima” custou um milhão de euros!

Anda a malta a dar sacos de arroz e bolachas ao Banco Alimentar e os padrecas a esbanjar um milhão de euros com disneylandias marianas!