Sentença, já!

Segundo escreve a incontornável Felícia Cabrita, na primeira página do jornal angolano Sol, “Polícia investiga vida faustosa” de Sócrates.

Abrimos o jornal na página 4 e ficamos a saber que Sócrates:

1. Paga, todos os meses, “60 mil euros das rendas da casa de Paris e de outras em Lisboa”;

2. “Em julho, passou férias em Formentera, uma paradisíaca ilha espanhola, onde alugou uma casa que custa 2.000 euros por dia” e ficou lá dez dias, (e podemos ver um foto muito tremida de um tipo que parece o Sócrates, em calções, e uma mulher, que a Cabrita diz ser a namorada, Fernanda Câncio).

Claro que estes dois simples factos seriam suficientes para prender qualquer gajo, uma vez que o Código Penal estabelece, claramente, que é crime pagar rendas de 60 mil euros e passar férias em Formentera com gajas que sejam jornalistas…

Mas Cabrita descobriu mais coisas.

Descobriu, por exemplo, que “sempre que Sócrates necessitava, Santos Silva levantava montantes que variavam entre quatro e 12 mil euros, ou emitia cheques que eram levantados pelo advogado Gonçalo Ferreira, sendo o dinheiro depois entregue pelo motorista João Perna».

E descobriu, também, que é Sócrates “quem suporta as prestações bancárias mensais do Monte das Margaridas, uma herdade com 12 hectares em Montemor-o-Novo, com moradia e piscina, ocupada por Sofia Fava e pelo actual companheiro”.

Depreendem-se grandes macacadas entre os três, ou os quatro, se a Fernanda também se quiser ajuntar!…

Além de tudo isto, “sempre que se desloca ao Rio de Janeiro, Sócrates instala-se no Copacabana Palace, onde a diária mínima é de 370 euros”.

Claro que tudo isto seria mais que suficiente para prender a criatura, mas há mais.

O Diário de Notícias de ontem, titula “Sócrates suspeito de ter entrado no negócio dos direitos televisivos do futebol”.

Pelos vistos, “a investigação do caso Operação Marquês suspeita que José Sócrates e Carlos Santos Silva financiaram, em 2011, a compra dos direitos televisivos da Liga espanhola feita por uma empresa de Rui Pedro Soares, ex-administrador da PT e actual presidente da SAD do Belenenses”.

Ainda vamos descobrir que é o engenheiro que paga o ordenado ao Ronaldo!

Por outro lado, o Expresso de hoje revela que “Sócrates passou a receber avença de Lalanda de Castro depois de este ter vendido equipamento a empresa de Santos Silva” e o DN afirma que “amigo de Sócrates confirma que lhe entregou dinheiro e pagou carro e motorista” e que “juiz disse que tanta generosidade sem contrapartida não encaixa”.

Ora bem, depois de tudo isto, pergunto eu:

Por que carga de água o juiz Carlos Alexandre teima em fazer os seus interrogatórios à porta fechada? Por que razão o homem não vende os direitos televisivos dos interrogatórios, por exemplo, à TVI?

E, já agora, para quê esperar meses para condenar o Sócrates?

Eu dava-lhe, no mínimo, 10 anos de cadeia, quanto mais não seja por ser tão burro e deixar tantas pistas e ainda não se ter pisgado para um país bem longe desta choldra!

E dava dois anos à Fernanda, por cumplicidade e mais dois por não ter convencido o namorado a dar à sola.

Ao amigo e ao motorista de Sócrates, condecorava-os. Pela mesma razão que o velho Cavaco condecora tudo o que anda.

Quanto à Felícia Cabrita, já que escreveu a biografia de Passos Coelho, obrigava-a a escrever as memórias de Cavaco Silva, até à sua morte (dele ou dela, o que ocorresse primeiro…)

Teorias da transpiração

Primeira: está provado que a prisão de Sócrates foi planeada para ofuscar o escândalo dos vistos Gold.

Segundo Luís Lima, presidente da associação das mediadoras imobiliárias: «falou-se muito do caso (vistos Gold) a nível internacional e pensei que ia retrair o investimento, mas continuam a fazer-se negócios como antes. Penso que os acontecimentos que se seguiram, ou seja, a detenção de Sócrates e depois as buscas no Novo Banco, por causa do BES, atenuaram o impacto que se previa” (hoje, no Diário de Notícias).

Por outras palavras, Paulo Portas, temendo que o seu querido projecto dos vistos Gold fosse por água abaixo, autorizou a prisão de Sócrates, desviando, assim, as atenções para Évora.

Segunda: A ideia inicial do juiz Carlos Alexandre era determinar a prisão domiciliária de Sócrates. No entanto, as administrações dos vários jornais tinham acabado de investir uns milhares de euros em câmaras de filmar daquelas que os tipos do National Geographic usam, e que são activadas pelo movimento.

Portanto, o juiz pespegou com Sócrates no estabelecimento prisional de Évora, para que os órgãos de comunicação social pudessem testar as referidas câmaras. Como se tem visto, os jornalistas estão calmamente sentados no café em frente, a comer croissants e a beber minis e, sempre que um socialista se aproxima da prisão, as câmaras começam a filmar e os jornalistas correm para lá, de microfone em punho.

Terceira: O motorista de Sócrates é mudo.

Segundo o Expresso de hoje: «João Perna, o motorista de José Sócrates, nunca teve consciência de que andava a fazer entregas de dinheiro ao ex-primeiro ministro. Foi isso, pelo menos, que disse quando foi confrontado pelo procurador Rosário Teixeira e pelo juiz de instrução Carlos Alexandre.»

Por outro lado, segundo o Público, também de hoje: «O motorista de José Sócrates, um dos detidos da Operação Marquês, não prestou qualquer esclarecimento ao juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal Carlos Alexandre sobre o seu alegado envolvimento no processo».

Ora, como ambos os jornais têm que falar verdade, uma vez que os órgãos de comunicação social nunca mentem, chegamos à conclusão que, mantendo-se em silêncio, João Perna  utilizou a linguagem gestual para explicar a Carlos Alexandre que não sabia que andava a transportar dinheiro para Sócrates.

Logo, Perna é mudo!

É um vírus, estúpido!

Afinal, a estupidez é uma infecção!

Segundo um estudo norte-americano, citado pelo Diário de Notícias, é o vírus ATCV-1 “que ataca o DNA e que faz que os infectados fiquem menos inteligentes”.

Diz a notícia: “Investigadores da Escola de Medicina John Hopkins e da Universidade do Nebraska, descobriram vestígios do vírus na garganta de 40 indivíduos que participaram no estudo, num total de 90. Aqueles que estavam infectados apresentaram resultados em testes de inteligência”.

Logo, a jornalista Joana Capucho conclui que o tal vírus é o responsável pela estupidez humana!

No âmbito do estudo, alguns ratinhos foram alimentados com algas infectadas pelo vírus e, depois, tiveram mais dificuldade em sair dos labirintos – isto é, ficaram mais estúpidos!

E digo que ficaram “mais estúpidos” porque quem participa num estudo destes só pode ser estúpido.

Por muito exíguo que seja o estudo, é estimulante pensar que, afinal, a estupidez humana não passa de uma virose que, teoricamente, poderá ser tratada com um anti-viral – ou, pelo menos, controlar a situação, como se faz com os anti-retrovirais e o HIV e transformar a situação numa doença crónica.

Além disso, este estudo faz com que passemos a olhar para o estúpidos de outra maneira, com mais condescendência: coitados, são pessoas doentes…

Ébola ataca jornalistas

Título e chamada de primeira página do Diário de Notícias de hoje:

“Planta de tabaco usada para fazer soro contra ébola – Médico aceitou submeter-se a tratamento experimental e passou a andar pelo próprio pé. Já morreram 887 pessoas”

Mas afinal, em que ficamos?

O tal soro, feito a partir da planta do tabaco, é bom ou mau (como o Banco)?

É bom porque salvou a vida ao médico ou é mau porque já morreram 887 pessoas?

Quem matou tanta gente: o soro ou o ébola?

E o médico, depois de ter tomado o soro milagroso passou a andar pelo próprio pé porque, antes, andava pelo pé de outra pessoa?

Afinal, o soro da planta do tabaco cura a paralisia?

E ainda falam dos professores que deram erros de sintaxe!…

Massacrar o português, esmagar o jornalismo

Na página 10 do Diário de Notícias de hoje, quatro exemplos de mau português e péssimo jornalismo.

O primeiro tem a ver com o novo acordo ortográfico e o título da notícia é: «Fação criticada por admitir “governação”».

O que será “fação”?

Não quero ser faccioso, mas por que carga de água se deixou cair o segundo cê de FACÇÃO, porra?!

O segundo exemplo intitula-se «Autarca histórico perde pelouros» e é uma grande confusão.

Diz a notícia que “O presidente da Câmara de Elvas, Nuno Mocinha (PS), retirou ontem os pelouros a dois vereadores socialistas do município, o ex-presidente Rondão de Almeida e a vice-presidente Elsa Grilo”.

Então, mas se o presidente retirou os pelouros aos outros dois, como é que se pode dizer que os perdeu?

E a notícia acrescenta que “Nuno Mocinha justificou a decisão por, desde o início do mandato, «não ter a liberdade suficiente para exercer o cargo».

Mas qual cargo?

Não se percebe nada…

Passemos ao terceiro exemplo, intitulado “Leilão em Viana de par de muletas”.

Estranho e curioso título.

Ao lermos a notícia percebemos que “um par de muletas está entre o material que a administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo vai voltar tentar vender em leilão, na próxima semana”.

Um par de muletas no leilão dos Estaleiros?

Porquê?

Não se sabe e a notícia não nos esclarece, acrescentando, apenas, que “os cerca de 60 leilões já realizados desde janeiro representam 1,12 milhões de euros”.

Quantas muletas terão sido leiloadas?

E termino com o quarto exemplo, intitulado “PS expulsa dirigente local”.

A notícia conta-nos que o presidente da Comissão Política Concelhia de Pedrógão Grande do PS, Diogo Coelho, foi expulso do partido.

E porquê?

Porque “terá tido «atuação continuada» e «infracional» toda «dominada e presidida pelo mesmo processo resolutivo», o desejo de «querer ser a todo o custo» o cabeça de lista do PS à câmara do concelho.”

E mais nada!

A notícia não nos explica o que é isso de “atuação infracional” ou o que será o “processo resolutivo”.

Jornalismo vergonhoso…

Há vidas muito difíceis!

Não conheço a Maria João Bastos, não me lembro de a ter visto alguma vez, quer ao vivo, quer no écran e se passasse por ela na rua, não a reconheceria – e tenho a certeza que ela também não me conhece…

No entanto, no passado sábado, ao folhear a revista Tabu, que sai com o semanário Sol, reparei em algumas páginas dedicadas a uma entrevista a essa tal Maria João Bastos.

Não tive pachorra para ler a entrevista, mas as pequenas caixas que acompanhavam as fotografias da actriz chamaram-me a atenção.

Um tipo lê uma dessas caixas, fica tão surpreendido com o que está a ler que decide ler as restantes.

E só pela leitura das caixas ficamos a saber quão dura e difícil tem sido a vida de Maria João Bastos.

Comecemos pela primeira caixa, que diz: «Em Equador, foi uma mulher de alta sociedade com um amor proibido. Teve aulas de inglês, equitação e valsa».

Parabéns para ti, Maria João! Passaste a saber falar inglês, dançar o Danúbio Azul e, o que é mais importante, aprendeste a montar, que é uma coisa que dá sempre jeito…

Passemos a outra caixa, mais surpreendente: «A menina selvagem de A Flor do Mar levou-a a passar um dia a observar macacos e uma semana no mato».

Há quem vá pentear macacos, a Maria João foi observá-los. Um dia inteiro, coitada da rapariga! E uma semana inteira no mato também deve ter sido uma grande espiga. Em que mato terá sido? Ou terá sido mata?…

Adiante. Terceira caixa: «Em Mistérios de Lisboa, enquanto interpretou esta mulher sofrida, só usou perfume de alfazema».

Muito deve ter sofrido a Maria João, pobrezinha! Ela que está habituada ao Jimmy Choo, ao J’Adore, ao Channel nº5, só cheirava a alfazema!

Quarta caixa: «A estrela de Destinos Cruzados, intérprete de Pancadinhas de Amor, obrigou-a a ter aulas de canto e dança».

Nesta altura, a moça já sabe montar, valsar, falar inglês, imitar macacos, cantar e dançar. Ufa!

Mas há mais: «Para dar vida à criminosa da série Bairro, fez treinos bi-diários de ginásio, teve aulas de tiro e frequentou o Bairro Padre Cruz».

Vejam lá se a vida da Maria João não é uma estafa: treinos bi-diários! E teve aulas de tiro o que, pelos vistos, a preparou para frequentar o Bairro Padre Cruz porque, como se sabe, para frequentar aquele bairro é preciso saber usar uma arma!

Interrogo-me: como terá a Maria João frequentado o Bairro Padre Cruz? Subiu e desceu a rua principal algumas vezes, roçou o cu pelas esquinas, deu umas voltas de carro?… Mistério…

Última caixa e a mais dolorosa: «No filme Giacomo Variations, protagoniza uma cena ao lado de John Malkovich que a obrigou a estar 24 horas sem atender o telefone, apenas a ver filmes do actor».

Caramba! Um dia inteiro sem atender o telefone! Uma verdadeira tortura! Não sei o que será mais difícil: usar só alfazema, estar um dia inteiro a observar macacos ou passar 24 horas sem atender o telefone!

Mas uma coisa é certa: há vidas muito difíceis, porra!

Obsessão amorosa à moda da Madeira

Hoje estava para escrever um texto sobre a privatização da TAP, tão transparente que ninguém sabe como vai ser, ou sobre a visita do Passos Coelho à Turquia e o facto do gajo falar tão mal inglês – aliás, falar tão mal em inglês como fala em português -, ou sobre os Pandur comprados por Paulo Portas e cujas contrapartidas nunca foram realizadas (e não esquecer os submarinos), ou sobre o Orçamento de 2013, que me vai lixar completamente o meu rendimento e que me vai obrigar a trabalhar cerca de 9 meses para pagar os impostos.

Estava para escrever uma merda qualquer para humilhar estes cabrões todos, mas o Diário de Notícias, como é habitual, proporcionou-me uns momentos de descontracção com a notícia intitulada “Paixão obsessiva leva mulher a raptar homem”, da autoria de Lília Bernardes, proveniente do Funchal.

E não resisti.

Ora, comecemos:

«Paixão não correspondida associada a um alegado distúrbio de personalidade levaram uma mulher de 47 anos, apoiada por duas amigas de 17 e 18 anos, a sequestrar na Madeira um homem de 57 anos de idade, mantendo-o durante quatro dias no interior de uma residência localizada no município da Ponta do Sol. Segundo a PJ, o trio está “fortemente indiciado pela prática de crime de sequestro”»

A história promete… Aposto que muitos homens de 57 anos pagariam para ser sequestrados por três mulheres, sobretudo quando duas delas têm 17 e 18 anos… mas para a PJ, que é uma desmancha-prazeres, isto é crime!

Curioso, também, o facto da jornalista, além de ter dificuldade em colocar vírgulas no texto, frisar que as mulheres mantiveram o homem sequestrado “no interior de uma residência”. Ainda bem que não o mantiveram no exterior…

Mais à frente, outra informação curiosa:

«De acordo com as informações recolhidas, o homem não terá sofrido maus tratos durante o cativeiro, tendo sido as próprias mulheres a libertá-lo devido a um agravamento do seu estado de saúde».

Imagino o que é que aquelas três malucas terão feito ao pobre do homem, que ficou tão fraquinho que o tiveram que libertar! Chupadinho das carochas, certamente!

E a jornalista acrescenta:

«Trata-se, portanto, e segundo uma fonte consultada pelo DN, da história de uma mulher de 47 anos que dá sinais de uma “obsessão amorosa”, definindo-se por um conjunto de ideias fixas ou pensamentos de carácter persecutório, em que a vontade do outro é não é levada em conta».

Não, não me enganei, é mesmo assim: «é não é levada em conta».

E ainda:

«Ou seja, a mulher tinha a “sensação” de que o homem gostava dela e que sem uma relação com ele a sua vida não teria sentido à vida, não lhe importando se era correspondida ou não».

E mais uma vez, não, não me enganei, é mesmo: «a sua vida não teria sentido à vida»!

Uma pessoa lê e não acredita!

Lília Bernardes explica que «esta história só chega às malhas da justiça porque houve uma denúncia e queixa por parte do visado ou familiares».

Ainda bem, caramba! Se não, a malta não conheceria esta história maravilhosa…

Ou, como diz a jornalista: «a história morria entre quatro paredes».

Xiça!

Lerpar não é crime!

Foi com alívio que li a notícia que o Diário de Notícias publicou no passado dia 13, da autoria de Alfredo Teixeira.

A notícia tem por título: «Tribunal decide que jogar lerpa é legal» e deixa-nos mais descansados. A todos!

Teixeira começa assim:

«O proprietário e um cliente de um café de Guimarães foram apanhados a jogar “lerpa”. Condenados em primeira instância a penas de multa, os arguidos recorreram e viram agora o Tribunal da Relação de Guimarães dar-lhes razão. Foram absolvidos porque, diz o acórdão, a “lerpa” não está tipificada na lei nem integra a lista dos jogos de fortuna e azar que apenas são permitidos em casinos».

Quando comecei a ler a notícia fiquei verdadeiramente assustado. Os dois valentes vimaranenses foram apanhados por quem? Então, uma pessoa já não pode estar calmamente a jogar à lerpa sem correr o risco de ser apanhado? Terá sido a GNR ou a ASAE?

Mas Teixeira continua:

«Os factos remontam a fevereiro de 2009, tendo proprietário e cliente sido apanhados pelas autoridades a jogar numa das mesas do café. O dono do estabelecimento, então com 38 anos, já explorava o café há cerca de 20.»

Ora aqui está uma informação incompleta: por que razão A. Teixeira nos revela a idade do proprietário e não a do cliente? E será que o facto do homem já ser proprietário do café há 20 anos tem relevância para o caso? Será que os proprietários de longa data podem jogar à lerpa e os proprietários recentes não podem?

Adiante.

Ficamos a saber, mais à frente, que «o empresário foi condenado a 220 dias de multa, à taxa diária de sete euros, num total de 154o euros. O cliente à multa de 747,5 euros».

Curiosa, esta dualidade de critérios: será que o proprietário, por sê-lo, tem mais responsabilidade que o cliente? Ou será que paga mais multa porque tinha melhor jogo? Teixeira não esclarece.

Não esclarece esse pormenor mas esclarece-nos sobre a lerpa, poupando-nos o trabalho de ir googlar o termo.

E ensina-nos:

«A lerpa é praticada com um baralho de 40 cartas e pode ter entre um mínimo de três e máximo de 13 jogadores que acordam no início quem dá as cartas e quem tira o trunfo e o valor da “casadela” que é a aposta mínima obrigatória para todos os jogadores. Lerpar é não fazer nenhuma basada e nesse caso é-se obrigado a repor uma quantia monetária igual à da jogada anterior mais a sua “casadela”».

Jogo complexo, hein?!

Ora, vamos lá a ver: acham que este é um jogo daqueles que só deviam ser jogados em casinos e, portanto, seria ilegal os dois homens estarem a jogá-lo num local público?

Foi esta dúvida colossal que o Tribunal da Relação de Guimarães teve que resolver.

E A. Teixeira continua:

«É um jogo cujo resultado, como o tribunal deu como provado, “é aleatório, estando fundamentalmente dependente da sorte”, embora o jogador possa beneficiar da “perícia” na recolha e no embaralhar das cartas, da capacidade de fazer bluff ou da destreza e memória visual. “Será sempre a sorte (ou o azar) a ditar o resultado final do jogo”, refere o tribunal. A Relação de Guimarães reapreciou o acórdão e concluiu que o jogo dos autos “apesar de ser um jogo ‘aleatório’, não é obviamente um jogo que se desenvolva em máquinas, nem é um dos jogos descritos numa das alíneas a) a e) do nº1 do artigo 4º da Lei do Jogo”, como é o caso de outros tal como o bacará, a banca francesa, a roleta francesa, a roleta americana, o black jack/21, o bingo e jogos em máquinas».

Ora toma!

Aqui está um acórdão histórico: a lerpa pode ser jogada em locais públicos!

Mais uma vez Guimarães fica ligada à História de Portugal: além de ter sido o berço da Nação, foi também nela que ficou decidido que lerpar é legal!

Obrigado Diário de Notícias, por teres divulgado esta excelente notícia, sobretudo em tempos de crise.

E parabéns, Teixeira!

Grande texto, pá!

Preguiça jornalística

Notícia do DN de ontem:

«Uma fila de pessoas carregadas com sacos, sacolas e até caixotes cheio de lixo reciclável era o cenário, ontem de manhã, em Cacilhas, junto ao quiosque da Câmara de Almada que promoveu a campanha “Viagens a troco de lixo”. No âmbito da Semana da Mobilidade, latas, garrafas, papel, óleos alimentares, pilhas usadas, pequenos electrodomésticos avariados, radiografias e até medicamentos foram trocados por viagens gratuitas de autocarro (TST), barco (Transtejo), metro (Sul do Tejo) ou comboio (Fertagus).»

Notícia do Público de ontem:

«Uma fila de pessoas carregadas com sacos, sacolas e até caixotes cheio de lixo reciclável era o cenário, ontem de manhã, em Cacilhas, junto ao quiosque da Câmara de Almada que promoveu a campanha “Viagens a troco de lixo”. No âmbito da Semana da Mobilidade, latas, garrafas, papel, óleos alimentares, pilhas usadas, pequenos electrodomésticos avariados, radiografias e até medicamentos foram trocados por viagens gratuitas de autocarro (TST), barco (Transtejo), metro (Sul do Tejo) ou comboio (Fertagus).»

Será que o jornalista trabalha, simultaneamente, para o DN e para Público?

Certamente que não.

Nos breves anos em que fui jornalista, nos anos 70 do século passado, chamava-se a isto a técnica do “recorta e cola”. O jornalista recebia um telegrama da Reuters, por exemplo, recortava a parte que lhe interessava e colava numa folha A4. Juntava-lhe, depois, um parágrafo final da sua autoria.

Hoje em dia, a técnica deve ter evoluído para “copy/paste”, mas vai dar ao mesmo.

Isto não tem importância nenhuma?

Tem.

Por alguma razão se chama redacção ao conjunto de jornalistas que trabalham num órgão de comunicação. Esses jornalistas são redactores. Fazem redacções.

Não são copistas.

Crise? Qual crise?!

1. O superintendente-chefe Guedes da Silva, director nacional da Polícia de Segurança Pública, viajou até Luanda, para participar numa reunião da CPLP. E foi em executiva.

O chefe da GNR também.

Segundo o Sindicato da polícia, a viagem da comitiva portuguesa custou 10 mil euros.

2. Cavaco Silva foi à Cimeira Ibero-Americana, no Paraguai e levou 22 pessoas com ele.

Hoje vi, nos telejornais, uma conferência de imprensa dada na capital paraguaia por Cavaco, Passos Coelho e Paulo Portas. Todos em Asuncion, carago!

Presumo que a Assunção (coincidência…) Esteves ficou a presidir ao país. E quem terá ficado no lugar do primeiro-ministro?

Podíamos ter aproveitado para tomar o Poder!

Mas estava um dia de sol, tão bonito!…

Enfim, foi preciso uma viagem à América Latina para vermos aqueles três passarões juntos, na mesma conferência de imprensa.

Claro que a minha irritação máxima vai para a pesporrência de Aníbal. Quando questionado sobre o teor das conversas que tem, às quintas-feiras, com o primeiro-ministro, respondeu que foi ele o inventor da “cooperação estratégica” (que dificuldade que o homem tem a dizer palavras com érres!) e que quando, daqui a muitos anos, foram tornados públicos os registos dessas conversas, então sim, vamos todos perceber o quão iluminado era o nosso querido Presidente! Porque ele sempre nos avisou de tudo o que está a acontecer, e não teve culpa de nada e nunca tem dúvidas e raramente se engana!

3. Os telejornais estão todos doidos com o caso Duarte Lima. A RTP, apesar da crise, apesar da dívida, tem já uma jornalista, enviada especial, lá no Brasil, para nos dizer, em directo, coisas que já sabemos, porque estão escarrapachadas na net.

Que eu saiba, a RTP tem um correspondente no Brasil, um jornalista que vive lá. Será que o tipo não é suficientemente competente para fazer as reportagens sobre este caso? É preciso mandar para lá mais uma jornalista (em económica?…)

Estes três exemplos mostram bem que, pelos vistos, a crise não chega a todos, da mesma maneira…