Boa notícia?

December 4th, 2016

José Eduardo dos Santos vai deixar a Presidência de Angola.

eduardo-dos-santos

Vestir um fato de Domingues

November 29th, 2016

Sou do tempo em que se considerava que vestir uma roupinha nova e elegante, era vestir fato de domingo.

Vestia-se fato de domingo para ir à missa ou para ir ao médico, por exemplo.

Sou também do tempo em que se dizia que as pessoas que falavam com palavras difíceis, usavam palavras de 7 mil e 500 (escudos?… acho que sim…).

Vem isto a propósito das afirmações de António Domingues, ex-Presidente da Caixa Geral de Depósitos que, depois das trapalhadas em que esteve envolvido, decidiu explicar-se em comunicado.

Diz ele que foi vítima de um:

“turbilhão mediático politicamente instrumentalizado e frequentemente a resvalar para a demagogia populista”

Ora quem diz isto, poderia também dizer:

“foguetão electro-estático realmente formalizado e justamente a descambar para a alergia realista”

Ou, melhor ainda:

“cagalhão majestático intrinsecamente idealizado e bruscamente a escorregar para a aerofagia moralista”.

cgd

Fidelidade

November 26th, 2016

fidel

Preocupações

November 10th, 2016

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Donaldo Trampa

November 9th, 2016

Nunca leu um livro.
Tem desprezo pelos políticos.
Considera-se fora do sistema.
Não se engana.
Não tem dúvidas.

Onde é que eu já ouvi isto?

trump

“Um Copo de Cólera”, de Raduan Nassar (1978)

November 6th, 2016

raduan-nassarRaduan Nassar (Pindorama, 1935) é um escritor brasileiro que este ano ganhou o Prémio Camões, o que fez com que as editoras se lembrassem dele.

A Companhia das Letras editou este Um Copo de Cólera, um texto que Nassar terá escrito em 15 dias, por volta de 1970, mas que só veio a público em 1978.

Trata-se de um conto, pequena novela, minúsculo romance, de qualquer modo, um texto escrito de supetão, como um grito ou um manifesto, sobretudo o capítulo mais longo, denominado, correctamente, O Esporro.

um-copo-de-colera-raduan-nassar-capaDepois de uma noite tórrida de amor e sexo, um casal zanga-se e lança-se num “bate-boca” violento.

Vale pelo ritmo, pelas palavras, pelo domínio da língua, embora seja um texto típico dos anos 70-80 do século passado, quase sem pontuação, como era, então, moda (recordo O Outono do Patriarca, do Gabriel Garcia Marquez, publicado em 1975).

Preciso ler mais coisas de Nassar para formar uma opinião.

“Numa Casca de Noz”, de Ian McEwan (2016)

October 30th, 2016

No ano em que celebra o 400º aniversário da morte de Shakespeare, Ian McEwan decidiu homenagear o bardo escrevendo uma pequena variação a Hamlet.

numa-casca-de-nozTrudy está grávida, fim de tempo, e planeia envenenar o marido e pai da criança, de conluio com Claude, irmão do marido.

A originalidade do Nutshell (Gradiva, tradução de Ana Falcão Bastos), é que toda a história é narrada pelo feto que, à medida que vai contando as peripécias da trama, vai fazendo comentários ao incómodo que lhe provoca as relações sexuais, sobretudo quando a sua mãe é penetrada por Claude, que é um bocado bruto e algo estúpido, contrastando com seu pai, editor, livreiro e poeta; o feto descreve-nos também as sensações que tem quando a sua mãe bebe uns copos a mais, ou quando ela está ansiosa, ou sonolenta ou excitada.

Prestes a nascer, o feto divaga, por exemplo, sobre o facto de nascer no Reino Unido:

“Vou herdar uma situação de modernidade (higiene, férias, anestésicos, candeeiros de leitura, laranjas no Inverno) e habitar um canto privilegiado do planeta – a Europa Ocidental bem alimentada e livre de pestes. A velha Europa, esclerótica, relativamente generosa, atormentada pelos seus fantasmas, vulnerável aos opressores, insegura, destino de eleição de milhões de infelizes. A minha vizinhança imediata não vai ser a próspera Noruega – a minha primeira opção devido ao seu gigantesco fundo soberano e às suas generosas prestações sociais; nem a segunda, a Itália, devido à cozinha regional e ao declínio abençoado pelo sol; nem sequer a terceira, a França, pelo seu pinot noir e auto-estima confiante. Em vez disso, vou herdar um reino não tão unido quanto isso, governado por uma estimada rainha idosa, onde um príncipe-empresário, famoso pelas suas boas obras, pelos elixires que usa (essência de couve-flor para purificar o sangue) e pela sua ingerência inconstitucional, aguarda com impaciência a coroa. Será essa a minha pátria, e terá de servir. Podia ter visto a luz do dia na Coreia do Norte, onde a sucessão é igualmente incontestada, mas onde há escassez de liberdade e de alimentos”.

São tiradas destas, da autoria de um feto em fim de tempo, que tornam o livro diferente, já que a história em si, não tem nada de especial.

Curioso.

Outras obras deste autor: A Balada de Adam HenryMel, Na Praia de Chesil, Cães Pretos, Entre Lençóis, Jardim de Cimento, Solar.

“Ronda das Mil Belas em Frol”, de Mário de Carvalho (2016)

October 23rd, 2016

Entre Janeiro e Maio de 1986, fiz parte da equipa do programa de rádio Uma Vez por Semana, da responsabilidade do José Duarte.

Uma Vez por Semana – o seu programa sexual, foi algo de único na rádio portuguesa; parte da equipa do Pão Com Manteiga decidiu dedicar-se à sexualidade, uma vez por semana, entre as 11 da noite e a uma da manhã e, à meia-noite, convidávamos os ouvintes a experimentarem uma das posições para o acto.

Em resumo: um fartar de rir.

Da equipa fazia parte o Mário de Carvalho que, já nessa altura, era um daquele marotos que parecem que não partem um prato.

rondaVinte anos depois, Mário de Carvalho publica este Ronda das Mil Belas em Frol, um conjunto de pequenos textos malandrecos que me fazem lembrar os textos que ele escreveu para aquele programa radiofónico da extinta Rádio Comercial.

Mário de Carvalho conhece a nossa língua como ninguém e usa-a – digo mesmo que abusa dela.

Poderia citar inúmeros exemplos, mas deixo aqui estes:

“Era minha incumbência garantir o fulcro daquele intenso circuito de mó. Ia o eixo sendo inclinado num vértice complacente, conforme solicitado por tal arco ou pelo contrário, em inversões bruscas, para as quais eu, o fulcro, contava pouco. Irrompia do meio de mim, ombros no chão, um cone projectado, abrindo em leque até que desse”.

Ele há maneira mais elegante de descrever uma foda?

Há – e Mário de Carvalho é perito nisso.

Outro exemplo, este relacionado com uma senhora muito concentrada em si própria:

A senhora serpeava, estorcia-se, molezas a dar a dar, relance torvo, mas todos os revolteios e sonoridades eram concentrados em si própria.”

A riqueza da nossa língua, a abundância de sinónimos e de imagens, espraiam-se nestas pequenas histórias de macho latino, a quem não escapam casadas, solteiras, jovens ou balzaquianas.

Eis como é descrita a principal atracção das senhoras:

“Não há mais elegante delineio da Natureza que aquela abençoada fenda, sulcada em macios conchegos, figurando duas mãos que rezam, unidas ao alto, entrada de catedral, gasalho de mistério”.

Lê-se em três tempos.

Vasco Putrefacto Valente

October 22nd, 2016

O azedo e reaccionário Vasco Pulido Valente não gosta de ninguém.

Detesta-se a si próprio.

Percebe-se isso pelo facto de, em todas as suas crónicas, ao longo de todos estes anos, não ser capaz de elogiar porra nenhuma.

Tudo o que aconteceu e acontece em Portugal é uma merda, o país é um lamaçal, os nossos políticos são todos uns cabrões, incluindo ele próprio, que também foi deputado e secretário de Estado.

Qualquer pequena conquista que o país faça é logo menosprezada por este intelectual pacóvio, porque é uma espécie de saloiice não perceber que, no meio de tanta porcaria, alguma coisa merece aplauso.

No fundo VPV é um snob saloio – não no sentido tradicional dos habitantes dos arredores de Lisboa, mas no sentido pejorativo atribuído aos saloios que não se actualizam, que continuam a viver no passado.

Vem tudo isto a propósito da última crónica do VPP, que não li, mas que vem citada no pasquim Sol, sobre a eleição de Guterres, e que diz isto:

“Agora que já acabou ou, pelo menos, se atenuou a campanha patriótica para a canonização de Guterres, talvez se possa olhar para ele com alguma tranquilidade e medida. Por acaso conheço a criatura. É um homem fraco, influenciável, indeciso e superficial. A crónica amnésia deste país fez desaparecer numa semana de glória o péssimo governo que dirigiu.”

Apetece dizer que, no que respeita a Pulido Valente, também conheço a criatura. Escreve crónicas medíocres há décadas, que agora saem naquela coisa chamada Observador, publica livros de História que ninguém lê e é um homem fraco, ao ponto de se ter casado duas vezes com a mesma mulher.

E invejoso, pelos visto…

Vamos apoiar o SNS!

October 16th, 2016

O Governo anunciou que o aumento dos impostos sobre o tabaco e o álcool e o novo imposto sobre bebidas açucaradas vai reverter para o Serviço Nacional de Saúde.

Assim sendo, a Direcção Geral da Saúde deve incentivar o consumo de álcool, refrigerantes e tabaco, para que as dívidas do SNS possam diminuir.

À atenção do Dr. Francisco George, aqui ficam duas sugestões para cartazes que poderão figurar numa campanha desse género.

coca-cola

fumando