Os 50 anos dos Cem Anos de Solidão

June 7th, 2017

No passado dia 5 deste mês, fez 50 anos que foi publicado o livro mais famoso de Gabriel Garcia Marquez, Cem Anos de Solidão.

Quatro dias antes, tinham passado 50 anos sobre o lançamento do Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles.

Estes dois aniversários estão ligados na medida em que Garcia Marquez, durante os quatro meses que esteve fechado em casa a escrever o romance, tinha sempre música a tocar, nomeadamente, dos Beatles.

Ambas as obras me marcaram muito e ao ler o texto que a Revista do Expresso publicou no passado sábado (O livro que ele não derrotou), ao recordar as peripécias que envolveram a escrita dos Cem Anos, quase que fiquei com vontade de reler o livro.

Garcia Marquez desempregou-se para escrever os Cem Anos e durante quatro meses fechou-se numa pequena sala na sua casa e escreveu. Mercedes, a sua mulher, tratava do resto, nomeadamente dos dois filhos, mas o dinheiro começou a escassear e foram obrigados a penhorar e depois vender o Opel, que era o orgulho do escritor. Em seguida, penhoraram as poucas jóias, a televisão e até o frigorífico, além de terem ficado a dever ao talhante, que lhes continuou a vender carne e até à tabacaria, onde Marquez comprava os três maços de cigarros que devorava todos os dias.

Há muitos pormenores como estes que se tornaram lendários, assim como o livro, e alguns deles talvez tenham sido inventados e tornados realidade depois de terem sido contados tantas vezes.

No entanto, acho que não vou reler os Cem Anos de Solidão porque tenho receio de ficar desiludido.

Li-o em Maio de 1978, com 25 anos, numa edição da Europa-América e todo aquele “realismo mágico”, como lhe chamam, me fascinou. Durante anos, se me perguntassem qual o melhor livro que tinha lido até então, diria, sem hesitação, Cem Anos de Solidão.

Passaram 40 anos e, entretanto, li milhares de livros e já não sou capaz de dizer qual é, para mim, o melhor livro que já li. Aliás, quanto mais livros leio, quanto mais música oiço, menos capaz sou de fazer listas de best of

É por isso que acho que li os Cem Anos de Solidão na altura certa e quero ficar com aquela boa recordação do livro, que uma nova leitura talvez estragasse.

Já agora, quanto ao outro cinquentenário, o do Sgt Pepper’s, continuo a preferir, de longe, o White Album e até o Abbey Road, embora perceba que o Sgt. Pepper’s tenha sido um marco.

Sabiam que, entre muitas outras inovações, foi a primeira vez que as letras das canções apareceram impressas na capa do disco?…

Paris forever!|

June 3rd, 2017

Ele só queria levantar dinheiro…

May 29th, 2017

Trump contribui para a paz mundial

May 21st, 2017

Na sua primeira visita de Estado a um país estrangeiro, Donald Trump escolheu a democrática Arábia Saudita.

Enquanto a sua esposa, Melania, exibia os seus longos cabelos às mulheres sauditas que, como se sabe, sofrem de alopécia hereditária, Trump fechava negócio com os xeiques, vendendo-lhes armas no valor de 110 mil milhões de euros (dava para a malta pagar o resgate ao FMI e ainda sobravam uns trocos para fazer as 20 estações de metro propostas pela Dona Assunção).

Este é, sem dúvida, o primeiro grande contributo de Trump para a paz mundial.

O que vai a Arábia Saudita fazer a tantas armas se, praticamente, não tem inimigos?

Com sorte, algumas dessas armas ainda vão parar às mãos do Daesh que, como agradecimento, são muito capazes de atacar a Coreia do Norte.

Haverá maior infiel que Kim-Jong un?

Benfica tira Portugal do Processo por Défice Excessivo

May 14th, 2017

António Costa e Mário Centeno estiveram ontem no Estádio da Luz a assistir à vitória do Benfica por 5-0 ao Guimarães e, assim, conquistar o Tetra-campeonato.

Aproveitaram a oportunidade para agradecer ao Benfica a saída de Portugal do Processo por Défice Excessivo, feito só conseguido graças à conquista do 4º campeonato consecutivo e do 36º, no cômputo geral.

A importância desta conquista foi confirmada por diversas entidades internacionais: o próprio Papa foi-se embora mais cedo para poder assistir, via Benfica TV, ao jogo decisivo; também Emanuel Macron adiou para hoje a tomada de posse como Presidente dos franceses para poder assistir ao jogo.

Escusado será dizer que a vitória de Salvador Sobral aconteceu graças, não só à simplicidade da canção, mas sobretudo ao facto de toda a gente, dos sérvios aos gregos, estarem com os olhos postos em Portugal, quanto mais não fosse, por solidariedade para com Feija, Mitroglou e Samaris.

Com a ida ao Estádio da Luz, António Costa deve ter perdido os votos de muitos sportinguistas e portistas, mas como foi a Fátima e aguentou a missa papal toda, em pé, e ficou com os filhos do pateta do Tavares na sexta-feira, deve safar-se nas próximas eleições.

Agora vos digo: quem for ateu, do Sporting e só gostar de música erudita, hoje deve sentir-se muito infeliz ao ver os telejornais.

Pensando melhor, se é do Sporting, deve ser religioso e acreditar em milagres e, muito provavelmente, nem sabe o que é música erudita.

Compensações…

25 Sempre!

April 25th, 2017

Em outubro de 1973 houve eleições para a Assembleia Nacional.

Concorreram a Acção Nacional Popular (ANP) e… a Acção Nacional Popular.

A Comissão Democrática Eleitoral (CDE), que congregava diversas forças da Oposição, desistiu antes do acto eleitoral, considerando que as eleições não eram democráticas.

Foi o último acto eleitoral antes do 25 de Abril de 1974, a última farsa permitida pelo sardónico Marcelo Caetano, que tinha prometido uma abertura democrática, que nunca aconteceu. No entanto, alguma liberdade de imprensa foi permitida, durante a campanha eleitoral.

Foi graças a essa ténue abertura, que foi possível publicar, no suplemento Fim de Semana do jornal República, estas pequenas “piadas”, sobre as eleições, a que chamámos “O Maumento Eleitoral” (claro que a ANP era a Lista A… e não havia mais nenhuma lista candidata…; três das curtas cenas foram ilustradas por um tipo que assinava Patrício e que, sinceramente, nunca conheci pessoalmente…)

Tudo isto parece um pouco patético e até infantil, mas era a única maneira de passar pelas malhas da censura e, digo-vos muito sinceramente, na altura fiquei espantado como aquele suplemento do República veio a público.

O Maumento Eleitoral

1º Voto

Um cavalheiro entra numa loja:

– Bom dia, eleições?

– Não temos.

2º Voto

 

3º Voto

Em frente à urna. um cidadão:

– Eu vinha votar, mas posso ter a certeza de que o sigilo do meu voto será mantido?

– Certamente! Passe para cá o seu voto na Lista A!

 

4º Voto

5º Voto

– Já contaram os votos do Barreiro?

– Não. As urnas foram a enterrar!

 

 

 

 

 

 

 

 

6º Voto

 

Um bispo muito pouco católico

April 23rd, 2017

D. Carlos Azevedo – aí está um bispo que tem ideias próprias.

Antes de continuar, gostaria de perguntar por que raio os bispos têm direito a Dom.

Então, D. Carlos Azevedo diz, por exemplo, isto:

 

 

 

 

 

 

Ora se Maria não vem do céu por aí abaixo, como raio apareceu ela em cima de uma oliveira, ali para os lados de Fátima?

Mas o bispo diz mais:

 

 

 

 

 

Se Nossa Senhora não aprendeu português para falar com Lúcia, como raio soube ela que o 3º segredo de Fátima era sobre o fim da União Soviética?

Foi por gestos?

Com bispos destes, a igreja católica não precisa de ateus!

Jornalistas com viroses de merda

April 22nd, 2017

O jornalismo tablóide passou a ser a regra.

Em todos os assuntos, procura-se o acessório, o mexerico.

No caso da nova epidemia do sarampo, como disse o ministro da Saúde, a opinião está a ganhar à Ciência.

Ah, eu sou contra as vacinas! Porquê? Porque acho que causam autismo…

Acho.

É uma questão de achar que deita para o lixo décadas de estudos.

Ouvi na RTP uma senhora, adepta da macrobiótica, que era contra as vacinas porque uma médica de medicina tradicional chinesa lhe tinha dito que as vacinas não eram seguras. Por causa do mercúrio.

Mais uma vez, um achismo.

A tal médica que, por ser de medicina tradicional chinesa deve ser especial, achava que as vacinas não eram seguras…

E então, a tal senhora, não vacinou a filha – também porque quer uma vida sem químicos.

Sem oxigénio, símbolo químico O2, ou água, símbolo químico H2O, presumo.

Os jornalistas, em geral (acredito em excepções), estão mal informados, o que é um contrassenso (acordo ortográfico de 1990).

No que respeita, por exemplo, à jovem de 17 anos que faleceu, vítima da epidemia de sarampo, o Expresso diz que a mãe da jovem, depois de a filha ter feito uma reacção anafilática a uma vacina (difteria, tétano e tosse convulsa) decidiu não vacinar nenhuma das irmãs mais novas, hoje com 5 e 12 anos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No entanto, o Sol, diz que a jovem de 17 anos, terá feito reacção alérgica à vacina do sarampo aos “2 meses”, o que é impossível, uma vez que a primeira dose dessa vacina é dada aos 12 meses, e afirma que a mãe da jovem vacinou as irmãs, agora com 19 e 13 anos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dirão que são pormenores.

São pormenores, de facto.

Mas se as versões são tão diferentes neste caso, tão simples de verificar, o que se passará em outras notícias que vamos papando por aí?

Hóstias para Venezuela!

April 2nd, 2017

A Páscoa aproxima-se e a Venezuela não tem farinha, nem para hóstias!

Segundo, a freira Concépcion Gómez, superiora das Servas de Jesus, em Caracas, “se não há farinha, não há hóstias, e sem hóstias não há eucaristia”, que é como quem diz “sem dinheiro, não há palhaços e, sem palhaços, não há circo”.

De facto, o que neste momento deve preocupar mais os venezuelanos, é o facto de não haver farinha que chegue para as hóstias.

O pão e os bifes que se lixem!

Segundo a freira, a produção diária costuma ser de 80 mil hóstias diariamente mas, sem farinha, o parabólico corpo de deus não pode ser fabricado.

Culpa dos portugueses, pois claro!

A maioria das padarias na Venezuela são propriedade de portugueses e os malandros parece que andam a desviar a farinha para o fabrico de croissants e bolos, em vez de a cederem para as sagradas hóstias!

Com croissants e bolos se enganam os tolos!

Diz a notícia que, em algumas paróquias, as hóstias têm que ser racionadas, divididas em quartos, o que quer dizer que cada católico só tem direito a receber um quarto do corpo do Senhor, o que cria alguns embaraços, como se pode imaginar…

Agora que se aproxima a visita do Papa a Portugal, seria uma boa altura de os católicos portugueses se solidarizarem com os seus congéneres venezuelanos. Bastava que cada peregrino que vai a Fátima ver o Papa, cedesse a sua hóstia a um venezuelano.

Na Venezuela, está em curso uma campanha “doe a farinha, por amor de Deus”.

Em Portugal – e mostrando a importância de termos mais dois candidatos a santos – poderíamos iniciar a campanha “não engula a sua hóstia – envie-a para Caracas, caraças!”

Aqui fica a sugestão.

“No Outono”, de Karl Ove Knausgard (2015)

April 2nd, 2017

Enquanto se aguarda a publicação do 5º volume da série A Minha Luta, a editora Relógio D’ Água publica este No Outono, o primeiro de mais quatro livros que este escritor norueguês escreveu.

Não há dúvida que o homem escreve que se desunha, mas nem tudo merecia ser publicado, acho eu.

Gostei muito, mas mesmo muito, de A Morte do Pai, gostei um pouco menos de Um Homem Apaixonado, já bocejei um pouco com A Ilha da Infância e tive alguma dificuldade em acabar Dança no Escuro.

Quanto a este No Outono, achei-o desinteressante.

Knausgard diz que esta série de quatro livros são uma espécie de carta para uma filha que vai nascer – e que será a sua quarta filha.

Suponho que, depois deste, surgirão volumes com as restantes estações do ano.

O livro é um conjunto de textos sob os mais variados temas, desde o silêncio, sacos plástico, golfinhos, a boca, víboras, molduras, igrejas, sapos, etc, etc.

A qualidade e interesse dos textos são muito irregulares; alguns são interessantes, outros são banais, muitos podiam ser textos de um qualquer blog mais ou menos confessional.

Não tenciono ler os outros três volumes, caso sejam editados por cá.