Cada país tem os jornalistas que merece

May 16th, 2008

Que aconteceu de importante na visita de Sócrates à Venezuela?

Duas coisas:

Primeira: Sócrates fumou no avião.

Segunda: os batedores venezuelanos borrifaram na comitiva que, no regresso aeroporto, esteve presa no trânsito cerca de 3 horas.

Para os jornalistas portugueses, há dois pesos e duas medidas.

Primeiro peso e primeira medida: é proibido fumar nos aviões; Sócrates fumou e quebrou as regras; devia ser punido ou, então, deixar que os jornalistas também fumassem no avião.

Segundo peso e segunda medida: as comitivas devem ter prioridade sobre os cidadãos que regressam a casa, depois de um dia de trabalho? Claro se, da comitiva, fizerem parte os jornalistas.

Os jornalistas que noticiam coisas destas têm os políticos, as leis, os ordenados e o país que merecem.

Reles…

Mais animais do Pantanal

May 14th, 2008

Pica-Pau de cabeça branca.

Sangue de Boi.

Macaco-bugio.

Bem-te-vi.

Soco-Boi.

Tuiuiú.

Tamanduá bandeira.

Cardeal.

E mais, muitos mais…

“Um Pequeno Inconveniente”, de Mark Haddon

May 12th, 2008

Haddon escreveu o excelente livro “O Estranho Caso do Cão Morto”, que era uma história narrada por uma criança autista. Daí, a curiosidade em ler este novo livro que, também ele, tem como principal personagem uma pessoa com dificuldades na relação com a realidade.

Trata-se de George, um vulgar chefe de família recém-reformado. A sua família é, também ela, uma vulgar família dos nossos dias: a mulher, Jean, cinquentona, redescobriu as delícias da vida sexual post-menopáusica com um ex-colega de trabalho de George; a filha mais velha, Kate, tem um filho pequeno, Jacob, vidrado em homens-aranhas e outros super-heróis e está prestes a casar-se, pela segunda vez, com um tal Ray; o filho mais novo, Jamie, é homossexual e a família ainda não aceitou bem esse facto. Depois, há uma série de pequenos personagens menores, que dão cor à história.

E a história, no fundo, resume-se a isto: nas vésperas do segundo casamento da filha, George descobre uma mancha na pele da coxa e decide que tem cancro. A partir desse momento, qualquer racionalização é impossível. Para piorar tudo, apanha a sua mulher a ser comida pelo ex-colega de trabalho, na sua própria cama!

A história está muito bem contada, numa escrita escorreita e fácil, sem grandes devaneios filosóficos, mas com uma grande dose de realismo.

Um bom livro para se ler em viagem.

A cavalo, no Pantanal

May 9th, 2008

O dia começou, novamente, às 5 da manhã, para o nascer do sol na torre do bugio.

A trilha é de cerca de 1 km, sempre suspensa sobre o solo, grande parte sobre água.

No final da trilha, a torre eleva-se a cerca de 25 metros e, lá de cima, uma vista soberba sobre o pantanal. À nossa espera, uma família de macacos-prego, que posaram para as fotos, aguardando recompensa, nem que fosse água mineral.

Passeio de cavalo pelo Pantanal. Duas horas de tranquilidade. No Pantanal, o cavalo andaluz está bem adptado à vida das fazendas. O pantaneiro e o seu cavalo são inseparáveis.

Ao fim da tarde, ver o pôr-do-sol, da torre do bugio.

No cimo da torre, os macacos estavam à nossa espera. Desta vez, levamos-lhe água mineral. O macaco bebeu da garrafa!

Por volta das 17h20, o sol começou a descer no horizonte, com uma luz espectacular.

Os nossos agradecimentos ao guia Roberto, que não nos deixou cair dos cavalos.

Os animais do Pantanal

May 8th, 2008

Às 5h30, a primeira caminhada do dia. Objectivo: ver animais. Sempre.

Vimos um veado, um tamanduá bandeira, macacos e os habituais pássaros e passarocos.

Omnipresentes são as garças e os gaviões, sobretudo o carcará ou caracara.

Perto das 8 h, passeio de camioneta até junto a um pequeno rio.

Por volta das 11 horas, pique-nique com um churrasco, sob o olhar atento de um jacaré, que fiscalizou todos os nossos movimentos, aguardando que algo lhe calhasse.

Às 15h30, passeio de camioneta de caixa aberta, ao longo da estrada, à procura de animais. Sempre. Desta vez, tornámos a ver um tamanduá bandeira, mais uma família de macacos, garças muitas, tuituiús, martins-pescador, veados, raposas e alguns araçaris, que são uma espécie de tucanos.

De Cuiabá ao Pantanal

May 7th, 2008

Visitar Cuiabá, capital do Mato Grosso, cidade com 600 mil habitantes, a mais quente do Brasil. Isto porque fica no vale, bordejado pelos paredões da Chapada.

Parar junto a um desses paredões, chamado Portão do Inferno, para admirar as formações rochosas que fazem lembrar o Bryce Canyon, devido à sua cor vermelha, embora, aqui, a vegetação seja luxuriante.

Mais à frente, um local onde os cuiabanos costumam juntar-se, aos fins de semana, junto à cachoeira da Salgadeira, mais uma queda de água muito bonita, com a habitual moldura de árvores e plantas e humidade.

A parte velha da cidade tem algum interesse. De resto, Cuiabá não tem nada de especial, a não ser o calor. Vale a pena visitar o Zoo, que só tem animais do Brasil e o mercado, para ver os legumes, os peixes, os temperos e as plantas medicinais.

De Cuiabá ao Pantanal de Poconé são cerca de 2 horas de carro, sendo que a parte final é na estrada Transpantaneira, que é de terra batida, em bom estado, atravessando as terras alagadas do Pantanal.

O Araras Eco Lodge tem tudo o que é preciso. O primeiro passeio, de 4,5 km, ao longo da Transpantaneira e na quinta, o Ronco do Bugio.

Araras, periquitos, soco-boi, garças, pica-paus, gaviões, jacarés, cavalos, capivaras, gansos, porcos, galos e galinhas, além de um gato siamês com os olhos muito azuis deram as boas-vindas.

Depois do jantar, focagem nocturna de animais. Duas raposas tímidas, alguns jacarés, alguns coelhos fugidios, um pequeno veado, uma coruja e um tamanduá, banqueteando-se com um formigueiro.

Foi cerca de hora e meia de solavancos para tão pouca recompensa. O melhor de tudo foi a visão do céu com milhões de estrelas e com a via láctea bem visível.

Chapada dos Guimarães

May 6th, 2008

Um acidente grave ocorreu na semana passada, junto a uma cascata conhecida como véu da noiva. Um grande bloco de rocha destacou-se lá de cima e atingiu, cá em baixo, seis pessoas que tomavam banho na cachoeira. Uma delas morreu. Em consequência, o Parque Nacional foi fechado.

Em vez do roteiro previsto, visitam-se outros lugares: uma caminhada pelos arredores da Pousada, passando por uma enorme caverna, depois por um percurso ladeado de rochas com formações curiosas (a máquina de costura, o cavalo de Tróia) e, finalmente, até à cachoeira do Éden, onde também se toma banho.

Almoço no Morro dos Ventos, um restaurante com uma vista espectacular.

Comida excelente: dois tipos de peixe: pacu e pintado, acompanhados de arroz com feijão, mandioca, farofa de banana e salada.

A cidade de Chapada dos Guimarães tem cerca de 10 mil habitantes. Tranquila.

Lá perto fica o centro geodésico da América do Sul, embora também haja um em Cuiabá.

A vista é, também deslumbrante, vendo-se todo o vale imenso que se estende depois dos paredões da Chapada.

Apetece ficar aqui.

Os nossos agradecimentos ao guia Hélio, que sabia tudo sobre pássaros, plantas, répteis, peixes, mamíferos, geologia e tudo, para além de nos ter iniciado nas maravilhas do remo e da flutuação.

A caminho da Chapada dos Guimarães

May 5th, 2008

São cerca de 400 km de estrada, entre a Amazónia Matogrossense e a Pousadado Parque, na Chapada dos Guimarães, grande parte dela em estrada de chão, sendo que alguns troços estão bem estragados.

E começou o festival de animais, sobretudo pássaros: quero-quero, urubu, carcará, coruja, seriema, picapau, saracura, etc. E mais lagartos e cobras e vacas, e mais pássaros.

Esta seriema, estava aos guinchos, em cima de uma cerca.

Perto de Nobres, possibilidade de fazer flutuação. A nascente está mesmo ali, a água é transparente e os peixes dão-nos dentadas nas pernas.

A viagem continua, sertão dentro; mais pássaros, a ponte de madeira sobre o Rio Cuiabazinho, a represa do Rio Manso. Chega-se, finalmente, à Chapada dos Guimarães.

Para chegar à Pousada do Parque, ainda há que percorrer cerca de 4,5 km de estrada de chão, em muito mau estado.

A Pousada é de uma tranquilidade do outro mundo, daquele que é melhor que este.

Amazónia - ao longo do Rio Claro

May 4th, 2008

Trilha de 7 km na floresta, com as habituais curiosidades.

Diversos tipos de formigueiros, as variadíssimas árvores de grande e pequeno porte, pegadas de onça, borboletas várias, pássaros muito bonitos (um pica-pau de cabeça vermelha, muito parecido com o Woody Woodpecker), as palmeiras, a árvore que deita uma seiva que parece e sabe a leite, outra que tem uma resina que, quando queimada, cheira a incenso, e mais e mais…

São 7 km de National Geographic ao vivo.

Comer pacu grelhado com arroz e feijão, descansar na rede, vendo as enormes morpheus azuis.

Embarcar num barco a motor e subir o Rio Claro, mirando as margens, em busca de pássaros: um martim- pescador e um urubu rei. Mais acima, um local onde, batendo com o remo no fundo do rio, se desprende, debaixo das folhas acumuladas, gás metano, que se pode incendiar com um isqueiro.

Depois, descer o rio de canoa. Tranquilamente, rio abaixo, remando, ao sabor da corrente.

A caminho da Amazónia Matogrossense

May 3rd, 2008

Avião da TAM, de Brasília a Cuiabá, capital de Mato Grosso. São 1200 km. Hora e meia de voo.

Depois, 300 km de estrada, atéà Pousada Jardim da Amazónia.

São de 4h30 de estrada muito esburacada e com um trânsito louco de camiões e bimeões (camiões com atrelado), carregados com soja, milho, algodão ou cana do açúcar. De um lado e do outro da estrada, a perder de vista, campos imensos, com essas culturas, que substituíram a vegetação do cerrado.

Apesar de longa, a viagem não é monótona, porque os motivos de interesse vão-se sucedendo: uma família de emas, comendo insectos, no meio de um campo de soja, dois urubus a debicar um tatu, morto na estrada, uma fila interminável de camiões, mais uma família de emas, um campo de girassóis…

Finalmente, a vegetação do cerrado começa a dar lugar a uma vegetação mais luxuriante, deixamos o asfalto e percorremos um pouco de estrada de chão, até à Pousada Jardim da Amazónia, que é uma delícia - pequenos chalés, espalhados por uma clareira, uma nascente água mineral e a densa vegetação amazónica a toda a volta.