Bryce Canyon, 12 de Maio

E ás 8 da manhã, partimos, em direcção ao Bryce Canyon. Serão 483 km.

A média de idades da população do Utah é de 26 anos, o que quer dizer que os mórmons fazem muitos filhos (ou morrem muito novos?). Nas ruas, pudemos ver muitas famílias com 3 e 4 criancinhas pequenas. Os mórmons são os Santos do Último Dia e, como são os escolhidos (eles, e não os Jeovás), irão para junto do Lord. Aí, terão que converter os seus antecessores, aqueles que viveram antes de Joseph Smith e que, por isso, não tiveram a oportunidade de conhecer a Verdade. É por esta razão que os mórmons estudam a genealogia e têm, na sua biblioteca, registos das gerações anteriores. É uma boa desculpa para construírem uma base de dados gigantesca.

Continuamos a atravessar o imenso deserto do Utah, um Estado com cerca de 500 por 400 km e custa a crer que isto era um deserto, transformado num vale verdejante, graças às abelhinhas mórmons e aos seus sistemas de irrigação.

Por volta da uma da tarde, entrámos no Bryce Canyon National Park. E as rochas vermelhas parecem dar as boas vindas, formando uma espécie de portão de entrada.

Um pouco à frente, duas rochas esculpidas pela erosão, são comparadas ao saleiro e ao pimenteiro.

bryce_saleiro.jpg

O Bryce Canyon já está no papo! No papo e nas pernas, já que descemos até ao fundo (cerca de mil metros) e, claro está, depois subimos. Ao todo, foram cerca de 5,5 km de caminhada por um trilho que desce, a partir do Sunrise Point, até ao fundo do canyon, segue depois durante algumas centenas de metros e torna a subir, até ao Sunset Point.

Que posso dizer do Bryce Canyon, a não ser que é algo de único, com as suas rochas avermelhadas, de formas estranhas, tudo fruto da erosão provocada pela chuva, pelos ventos e pelo gelo. O Bryce não é um verdadeiro canyon, já que não passa aqui nenhum rio. Todo este conjunto de rochas estranhas, faziam parte, tal como as Badlands, do fundo de um mar interior que, entretanto, desapareceu. A erosão fez o resto.

Vimos o Bryce Canyon de diversos pontos e, depois, iniciámos a descida, que acabou por ser pior que a subida, por ser mais íngreme. O trilho está desenhado em caracol, proporcionando excelentes escorregadelas e formidáveis tombos.

Quando se chega ao fundo do canyon e se olha para cima, o espectáculo das colunas rochosas, erguendo-se para o céu, o contraste entre o ocre da rocha e o azul do céu, os pinheiros descomunais, que nascem nos sítios mais incríveis e crescem por ali acima, o cheiro, o silêncio, tudo isso nos maravilha.

bryce_dofundo.jpg

O almoço foi no Ruby’s Inn, uma estalagem aqui instalada desde 1912. Foi caro demais para a qualidade. A noite vai ser no Bryce View Inn, que fica do outro lado da estrada, e que é um conjunto de quartos, alinhados em dois andares, ao estilo dos móteis de estrada.

bryce3.jpg

Leave a Reply

Your email address will not be published.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.