Palhaço, Maria José? Actualize-se!

A D. Maria José Nogueira Pinto, que já foi deputada do CDS e, agora, é do PSD, faz parte de uma comissão parlamentar da saúde. Não gostando de um comentário feito pelo deputado socialista Ricardo Rodrigues, a D. Maria José disse:

«Tenho estado a interrogar-me quem é este palhaço que apareceu aqui na Comissão. Deve ter sido eleito para nos animar».

Ó Maria José, palhaço?!

Então a menina não costumava levar os seus filhos ao Coliseu, todos os natais – ou será que a sopeira é que ia com eles?

Palhaço é insulto, Maria José?

E se, agora, os artistas circenses passarem a insultar-se, chamando-se deputados uns aos outros. Do género: “quem é aquele deputado que nem malabarismos sabe fazer?!”

Um palhaço na Assembleia da República?

Então, agora que querem acabar com os animais no circo, a senhora quer tirar, também os palhaços, levando-os para a Assembleia?

Um palhaço na Assembleia da República?

Só um?!

Não me faça rir, querida! Quando a menina foi eleita pelo PSD, cuidava que ia fazer o quê para Assembleia, se não animar a malta?

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One Response to “Palhaço, Maria José? Actualize-se!”

  1. a ponta do véu says:

    Posso partilhar convosco mais uns pensamentos que li no JUMENTO?
    Então aí vai:
    Passei ao lado da palhaçada parlamentar de Sua Ex.ª. Dra. Nogueira Pinto porque não sou grande apologista das boas maneiras parlamentares, estou tão interessado em saber o que a digníssima esposa do senhor doutor não sei quantos chama aos deputados dos outros partidos como em saber se no momentos de esplendor orgásticos a deputada apela à presença divina ou chama nomes feios ao marido.

    Cá por mim há uma grande semelhança entre a cama e o hemiciclo e não a insinuar que em ambos os casos estamos perante um bordel, sendo certo que no segundo as putas têm a mania de usar bigode, o que não é o caso de Sua Ex.ª a doutora de que falamos. Acho que a cama e o hemiciclo são dois sítios onde cada um diz o que lhe apetece, na cama diz-se o que vai no corpo, no hemiciclo diz-se o que se pensa, o que não se pensa, o que nos mandam dizer e, no caso da esmagadora maioria dos deputados nem dizem nada, chegam ao fim da legislatura em plena virgindande sem terem experimentado um momento de desabafo parmanetar.

    Mas hoje ouvi um belo argumento em defesa da prima dona da direita, não mer perguntem a quem ou em que estação, era a única estação que o rádio sintoniza, o que assegura que ainda vou ouvindo umas missas de vez em quando, quanto à personagem não me dei ao trabalho de lhe tentar saber o nome. A pobre alma perdoava Sua Ex.ª. Dra. Nogueira Pinto argumentando que ela estava tão acima do baixo nível do parlamento que tinha o direito a tratar os outros deputados por palhaço.

    Durante todo o programa a deputada era tratada por Dra. Nogueira Pinto e o deputado por “melga”, aliás, mais ou menos o mesmo sucedeu com a generalidade da comunicação os títulos das notícias eram invariavelmente “Nogueira Pinto chamou palhaço a deputado do PS”, até parece que um é apenas deputado e a outra foi eleita a prima dona do parlamento.

    Esta abordagem não é nova, ara uma boa parte da nossa direita é uma chatice terem de ir a eleições para governarem de vez em quando, quando deveriam governar sempre já que só a direita é competente. Ninguém como Vasco Graça Moura conseguiu expressar este desprezo pelo voto popular chamando idiotas aos eleitores por não terem votado na sua pileca.

    É evidente que o mandato de deputada da Sua Ex.ª. Dra. Nogueira Pinto vale mais do que o do “melga”, a primeira foi eleita por gente fina, o outro foi eleito por gente rasca, aliás, é uma pena que não haja diferenciação do números de deputados eleitos em função do rendimento per capita. Fazia todo o sentido que a Quinta da Marinha elegesse dois ou três deputados enquanto Alfama se ficasse pela escolha do presidente da junta, é inaceitável que alguém que veste Boss e se perfuma com Dior esteja tão representado como o que usa ténis com cheiro a cholé, comprados da loja do chinês.

    Na génese das ditaduras está este conceito de superioridade de um grupo social, esta abordagem nem sequer é um exclusivo da direita, Álvaro Cunhal chegou mesmo a escrever um livro com o título “A superioridade moral dos comunistas”.

    Note-se que este tipo de valores não se manifesta apenas na política, compare-se a forma como o nome de Armando Vara e o de Horta e Costa foram tratados pela comunicação social e pela própria justiça, de um dizem coisas que não provaram e foi o que se viu, ao outro que participou num negócio de milhões quase lhe pediram desculpa por o terem acusado. Há uma grande diferença entre nascer numa aldeia transmontana ou em Cascais, uns são gatunos, com os outros deve haver engano, um é condenado muito antes de haver provas e acusação, o outro vai a tribunal para ter a oportunidade de esclarecer tudo.

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