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“Life” – de Keiht Richards, com James Fox

Sunday, April 22nd, 2012

Diz-se que, quando o mundo acabar, restarão as baratas e Keith Richards. Ao ler esta autobiografia percebe-se porquê.

Numa linguagem adequadamente coloquial, o guitarrista e co-fundador dos Rolling Stones conta-nos as histórias da sua vida – e muitas histórias tem ele para contar!

Começamos pela infância de Keith, na Inglaterra do post-guerra, e ficamos a saber que os pais viviam com dificuldades. Filho único da Doris e do Bert, Keith cedo se destacou pelo mau comportamento:

Na página 62 conta-nos a perseguição que ele e outros moviam a um miúdo que se «julgava um generalzinho, só por ser capitão da equipa desportiva, o melhor da turma, e o representante de todos os delegados. Andava sempre de peito inchado e era muito arrogante com os miúdos mais novos. Decidimos pagar-lhe da mesma moeda. Lembro-me bem dele, chama-se Swanton. Chovia e fazia frio. Primeiro, despimo-lo, depois perseguimo-lo até ele trepar a uma árvore. Só lhe deixámos o boné com as fitinhas douradas. Muito depois de ele descer da árvore, o Swanton viria a tornar-se professor de estudos medievais na Universidade de Exeter.»

A memória de Richards é prodigiosa, lembrando-se de como e quando e com quem tocou o quê – ou então, foi capaz de manter uma espécie de diário, estes anos todos, o que pareceria improvável para um tipo que, como ele, foi heroinómano muitos anos, para além de ter experimentado todo o tipo de drogas, lícitas e, sobretudo, ilícitas.

Richards conta-nos como nasceram os Rolling Stones, uma banda despretensiosa, que apenas queria tocar blues de Chicago mas que, quase por acaso, começou a fabricar grandes êxitos. Um dos primeiros foi As Tears Go By, que valeram a Richards, as primeiras libras a sério.

Diz ele, na página 181: «Ainda me lembro do primeiro dinheiro a sério que recebi. (…) Punha-me a olhar para as notas. Contava-as, voltava a admirá-las. Tocava-as, cheirava-as. Não fiz nada com elas! Só as guardei numa caixa, enquanto pensava: “Foda-se! A massa que eu tenho!” Não queria comprar nada em particular e também não a queria estoirar. Pela primeira vez na vida, tinha dinheiro… “Talvez compre uma camisa nova, cordas novas para a guitarra”. Mas era, sobretudo: “Nem acredito nesta merda!” Com as fuças da rainha bem impressas, assinadas pelo tipo certo. Nunca tinha tido tanto dinheiro nas mãos., mais do que o meu pai ganhava num ano, ele que se matava a bulir.»

Richards era mesmo um pobretanas e, graças à música, tornou-se num milionário, proprietário de Bentleys e de várias mansões em, pelo menos, três continentes.

Autor de muitas das músicas dos Stones (Mick Jagger, embora também componha, dedica-se mais às letras), Richards vai-nos contando os altos e baixos da banda, a morte de Brian Jones, a saída de Bill Wyman, a entrada e a saída de Mick Taylor, a entrada de Ronnie Wood e, por vezes, não é nada meigo para com os seus companheiros.

Critica muito Brian, pelo seu gosto pelo vedetismo e por andar sempre tão drogado que pouco contribuía para a banda, fala, amargamente, dos desentendimentos com Jagger, nos últimos 20 anos, mais coisa menos coisa, o que não os impediu de continuar a compor e fazer mega-digressões. De Charlie Watts, o baterista, só diz bem…

Fala-nos, também, das suas namoradas e esposas e, claro, da sua dependência da heroína.

Na página 329, a propósito de uma das muitas curas a que se submeteu: «Não sei bem qual é a ideia que as pessoas em geral fazem de uma verdadeira crise de privação. (…) O corpo revira-se todo de dentro para fora; rejeita-se a si mesmo durante três dias. Sabes que depois disso há-de acalmar, mas serão os três dias mais longos da tua vida. É então que te perguntas: “Por que raio me sujeito eu a isto, quando podia estar a viver uma puta de uma vida perfeitamente normal de estrela de rock cheia de pasta?” Em vez disso, estás ali aos vómitos e a trepar pelas paredes. Por que é que te sujeitas a isso? Não sei, continuo sem saber. Com a pele arrepiada e as tripas num remoinho, braços e pernas aos safanões incontroláveis, vomitas-te e cagas-te ao mesmo tempo, tens merda a sair-te do nariz e dos olhos. À primeira vez que acontece a sério, um homem sensato diz: “Estou agarrado”. Mas nem isso impede um homem sensato de voltar à carga.»

Uma boa parte do livro é dedicada às digressões dos Stones, começando pelas primeiras, em ambiente familiar, com um ou dois autocarros, até às mais recentes, que envolvem centenas de pessoas e de veículos. Os acompanhantes dessas digressões podem ser, por vezes, bem curiosos, como um tal Dr. Bill (nome fictício), que acompanhou a banda na digressão de 1972.

Richards conta, na página 333: «Mas o Dr. Bill estava ali, sobretudo, para caçar pachachas. Sendo ele um médico jovem e atraente, foi coisa que não lhe faltou. Mandou fazer cartões de visita: “Dr. Bill”, digamos assim, “Médico dos Rolling Stones”. Antes do concerto começar, ele escrutinava cuidadosamente o público e entregava vinte ou trinta cartões às gajas mais boas que encontrasse, mesmo que estivessem com namorado. No verso do cartão, o nome do hotel e o número da suite. E mesmo as tipas com namorado apareciam, mais tarde, para o visitar. Mostravam o cartão na recepção e o Dr. Bill sabia que de entre seis ou sete miúdas, pelo menos uma ou duas havia de comer, só por lhes prometer que as apresentaria aos Stones.  Queca garantida todas as noites. Além disso, tinha uma mala cheia das mais variadas substâncias, Demerol ou qualquer merda que lhe pedisses.»

Problemas com as autoridades teve Richards de sobra, tendo estado detido várias vezes, a maior parte delas por posse de droga. Mas, certa vez, na Austrália, a razão foi outra.

Conta ele, na página 355: «E ainda houve a pequena temporada que eu e o Bobby passámos com duas gajas que engatámos em Adelaide. (…) Tinham ácido, que nem é uma das minhas drogas preferidas, mas tínhamos dois ou três dias de folga em Adelaide, as tipas eram jeitosas e viviam num pequeno bungalow hippie no cimo de uma colina, muitas velas e incenso e candeeiros a petróleo cheios de fuligem. (…) E quando tivemos que partir para Perth, na outra ponta da porra do continente, , dissemos-lhes: “Por que é que não vêm connosco?” Vieram mesmo. Estávamos todos mais pedrados que o Grand Canyon quando entrámos no avião. A meio caminho entre Adelaide e Perth, saíram de repente as duas da casa de banho, seminuas. Tinham-se estado a comer lá dentro e saíram aos saltos e aos risinhos, as destrambelhadas das tipas. (…) E, de facto, detiveram-nos aos quatro por algum tempo, depois de aterrarmos.»

Quase no final do calhamaço, Keith Richards conta o episódio recente, em que caiu de uma árvore, tendo feito uma fractura do crânio e respectivo hematoma subdural. E diz, na página 562: «Receitaram-me um medicamento chamado Dilantin, que torna o sangue mais espesso. Por causa disso, não voltei a snifar coca, que o torna mais liquefeito, tal como a Aspirina. Foi o Andrew quem mo explicou, na Nova Zelândia. “Faça o que fizer, acabou-se a cocaína!” Tudo bem, pá. A bem dizer, já tinha dado à narina quanto chegasse para uma vida inteira; não sinto a falta da coca nem um bocadinho. Acho que foi ela que se fartou de mim.»

De facto, com tantos excessos cometidos ao longo de quase 70 anos, chegamos à conclusão que foram as drogas e o álcool que se fartaram deste Rolling Stone genuíno.

“Life” é um livro que se lê com agrado, como um conjunto de histórias mais ou menos divertidas e, ainda, como um testemunho de um dos protagonistas da revolução que a música pop-rock causou nos usos e costumes do mundo ocidental, nos finais da década de 60.

Como bónus, Richards explica-nos como afina as suas mais de cem guitarras, com 5 cordas e em open tunning.

Beirut – The Rip Tide (2011)

Sunday, March 4th, 2012

Descobri-os há pouco tempo e cada vez gosto mais.

Beirut é um banda que serve os propósitos de um tipo chamado Zach Condon. Nascido em Santa Fé, no Novo México, em 1986, Zacharias foi profundamente influenciado pelos grupos de mariachi, daí a importância que os metais têm nas suas composições.

As canções de Condon estão carregadas de lirismo e a sua voz peculiar confere-lhes dramatismo; os diversos metais usados (trompete, saxofones, trombone, tubas), ainda adensam mais esse dramatismo.

Além dos metais, os arranjos incluem a percussão, violino, bandolim, violoncelo e quase nada de electricidade.

The Rip Tide é já o terceiro álbum, EP à parte. É difícil destacar algum tema, porque todos são bons. No entanto, chamo a atenção para “Vagabond” e “Port lof Call”, esta última, sublime!

Aconselho vivamente.

“Jazz and Beatles”

Saturday, November 27th, 2010

Os Beatles continuam a ser um grande negócio.

Segundo os jornais,uma semana depois de, finalmente, terem sido disponibilizados para venda no iTunes, os álbuns dos Beatles já tinham vendido mais de 450 mil exemplares e tinham sido vendidas mais de dois milhões de canções!

O álbum mais vendido tinha sido o “Abbey Road” (aprovo, mas aconselharia o álbum branco…) e, nos Estados Unidos, “The Beatles Box Set”, que junta todos os álbuns dos Beatles, e que custa 200 dólares, estava em 10º lugar no top de vendas!

Sou fã desde os 11 anos. Por volta de 1964, o meu tio Xico, jornalista do Mundo Desportivo e que acompanhava o Benfica nos jogos da taça dos Campeões Europeus, trouxe-me o meu primeiro EP dos Beatles. Era um 45 rotações com quatro canções tiradas do álbum “A Hard Day’s Night”. Incompreensivelmente, perdi o rasto a esse clássico, como a muitos outras preciosidades, que se diluíram na bruma da história…

E nunca me senti desiludido com os Beatles. Mesmo quando se separaram, aplaudi. Estávamos em 1970 e começavam a apetecer outras coisas. Acabaram antes de nos fartarmos deles.

Sendo um fã assim tão fiel, sou suspeito quando digo que gosto deste disco “Jazz and Beatles”. Os puristas do jazz hão-de chamar-me nomes, porque isto é um jazz de pacotilha, de lóbbi de hotel, de elevador de centro comercial, de sala de aeroporto. Os puristas dos Beatles, aqueles que acham que o Beatle mais importante não era o piroso do McCartney, nem o falso revolucionário do Lennon, mas sim o místico Harrison, hão-de dizer que as versões destas 12 canções dos Beatles desvirtuam os originais e não têm graça nenhuma.

Que se lixem!

São 12 canções dos Beatles, que gosto sempre de recordar, e com uma roupagem “cool”, que lhes fica bem, nomeadamente “Honey Pie” ou “Oh! Darling”, por exemplo.

As cantigas do GAC

Friday, June 4th, 2010

Os quatro discos do Grupo de Acção Cultural, de 1976 e 1977, foram agora editados em cd, remasterizados. Comprei os quatro.

Porquê?

Porque posso; porque gosto de ajudar espécies em vias de extinção; porque gosto de recordar o tempo em que tinha 23 anos; porque gosto de me espantar com as coisas que eu era capaz de dizer.

É muito difícil explicar hoje, aos meus filhos, que nós vibrávamos com algumas destas cantigas e éramos capazes de cantar, com convicção, coisas como: “e há tanta gente pra lutar/ p’la democracia popular/ que não há falsos amigos do povo/ que nos impeçam de um dia ganhar” – ou, ainda pior: “soldados e marinheiros suas armas erguerão/ ombro a ombro com o povo/ pra acabar com a exploração/ será a luta final/ em vermelho, em multidão”.

Foram anos, felizmente poucos, de delírio colectivo: fundar uma Democracia Popular num país europeu, membro da Nato! Como foi possível?

Mas que foi divertido, lá isso foi…

Quanto aos discos:

“A Cantiga é uma Arma” é o mais panfletário, cheio de hinos aos operários e camponeses. A influência de José Mário Branco é notória. Embora já se desconfiasse, ficamos agora a saber que é ele o autor das melhores cantigas deste álbum: “A Cantiga é uma Arma” (“contra quem, camaradas? Contra a burguesia!”), “A Luta do Jornal do Comércio” (“Ó Machado, vai-te embora!”), “Alerta” (“Democracia Popular e Ditadura Proletária, pois claro!”), “Ronda do Soldadinho”, entre outras.

São 17 faixas cheias de palavras de ordem e as músicas têm, muitas delas, estrutura de marcha. A faixa nº9 chama-se “Hino da Reconstrução do Partido” e alguns dos elementos do GAC estiveram envolvidos na fundação do PCP (R) e apoiavam abertamente a UDP. Aliás, durante algum tempo, a cantiga “Alerta” foi o hino da UDP.

Esta colagem de elementos do GAC aos partidos à esquerda do PCP, fez com que outros elementos, como Fausto, se afastassem do grupo.

Embora editado em 1976, o primeiro álbum do GAC resultava da junção dos vários singles saídos em 1975. “Pois canté!!” é outra história. Editado em 1976, o 2º álbum do GAC é um salto qualitativo enorme, em relação ao anterior. A noção de “cantiga ao serviço do povo” é enriquecida com a cultura musical dos vários elementos do GAC (instrumentistas, maestr5os, críticos de música, compositores, cantores, etc).

“Pois Canté!!” tem algumas cantigas que continuam a ser muito audíveis, apesar das letras “revolucionárias”. É o caso do tema que dá o nome ao álbum, da autoria do José Mário Branco. A estrutura da canção é muito trabalhada por instrumentos de sopro (fagotes e flautas) e a voz do compositor impõe-se: “enquanto anda lá no céu a cotovia/ ando a trabalhar o pão de cada dia/ para encher a pança a essa burguesia/ sempre a trabalhar/ pro patrão gozar/ isto inté qu’há-de mudar um dia/ Pois canté!”

Outras grandes cantigas (todas de José Mário Branco): “Cantiga sem maneiras”, “Cantiga do trabalho” e “Coro dos trabalhadores emigrados”.

Mas quase todos os temas de “Pois Canté!!” são música popular, folk, se quiserem, de qualidade, apesar das letras datadas (“lado a lado com o teu homem/as mesmas horas do dia/O patrão aos dois explora/Inda mais a ti Maria”).

Depois do êxito de “Pois Canté!!”, o GAC começou a enfrentar os problemas do PREC (processo revolucionário em curso): divergências internas, dúvidas quanto ao rumo a seguir. “…E Vira Bom” é o 3º álbum. A estrutura do álbum difere muito do anterior, alternando um cantiga de raiz popular, adaptada pelo GAC, com um instrumental tradicional. José Mário Branco é autor, apenas, de um tema, o “Hino da Confederação”.

Não se pode dizer que tenha esmorecido o fervor revolucionário, mas nota-se que as coisas já mudaram porque as letras estão mais “suavizadas”, embora ainda se digam coisas como “dia a dia a vida é um tormento/ e ao ricaço anda a gente/ a dar a dar sustento/ vida santa/ a vida do madraço/ que o trabalho é cá pra gente/a dar a dar/ cansaço”.

Também em 1977 saiu “…Ronda da Alegria”, o 4º e último álbum do GAC. Neste álbum, não consta nenhuma colaboração de José Mário Branco nem de Tino Flores (outro elemento muito activo do GAC, em 1975 e 1976). Aliás, se não me engano, os únicos nomes que se mantêm na ficha técnica dos quatro álbuns, são os de Eduardo Paes Mamede e de Luis Pedro Faro.

“…Ronda de Alegria” é mais do mesmo. Temas de raiz popular, com letras “revolucionárias” e arranjos “populares” – muita percussão, muitos bombos e tarolas, muitas gaitas de foles, Trás-os-Montes e Alentejo, operários e camponeses, menos soldados e marinheiros do que em 1975 porque, entretanto, tinha acontecido o 25 de Novembro de 75 e parecia claro que nem todos os soldados e marinheiros eram revolucionários…

E o GAC dissolveu-se pelas mesmas razões que se dissolvem as empresas capitalistas: falta de cacau, massa, carcanhol, papel, pasta, narta!

Mas lá que foi divertido, foi e nós, quando nos reunimos em família, não resistimos a cantar, em coro: “na herdade do Vale Fanado/ terra rica em trigo e gado/ freguesia de Albernoa…”

“High Violet”, The National

Monday, May 17th, 2010

Nunca tinha ouvido falar desta banda de Cincinatti, Ohio, sediada em Brooklyn mas, perante tantos encómios, encontrados em diversas publicações, arrisquei-me a comprar o CD (como diz o meu filho, eu sou a única pessoa que ele conhece que ainda compra discos…).

Arrisquei e petisquei, porque The National é uma banda e pêras.

Liderada por um tal Matt Berninger, com voz de barítono e responsável pela maioria das músicas e das letras, a banda tem ainda dois pares de irmãos: Scott (guitarra) e Bryan (percussão) Devendorf, e Aaron (baixo) e (guitarra) Dessner.

Activos desde 1999, The National vão no seu 5º disco e, segundo os entendidos, com “High Violet” deixaram de ser apenas uma banda apreciada por críticos, para passarem a uma banda que pode ser aplaudida por públicos mais vastos.

Duvido, porque os temas não são fáceis, o tom é depressivo q.b., o vocalista nunca levanta a voz e o ambiente tende sempre para a tristeza e a introspecção e será difícil extrair do disco um single para passar nas rádios (talvez “Conversation 16”).

Não há dúvida que The National são uma banda “indie”; tão “indie” que até os primeiros acordes de “Runaway” são iguais aos acordes base de “Vejam Bem”, do Zeca Afonso…

Mas gostei do disco. Os músicos são competentes, os arranjos são sóbrios e eficazes e o conjunto de temas é coerente. Recomendo.

Concertos no S.Luiz

Saturday, May 8th, 2010

Eu sou do tempo em que havia uma temporada de concertos no S. Luiz.

Por 10 paus (0,049 euros), podíamos assistir a um “pequeno concerto”. No dia 20 de Janeiro de 1972, assistimos a um concerto de Nella Maissa, que tocou obras para piano de Scarlatti, Beethoven, Croner de Vasconcellos e Chopin.

Uns dias antes, na mesma sala, tínhamos assistido à Abertura de “Gabriela, Cravo e Canela”, de Lopes Graça, ao 4º Concerto para piano de Beethoven e à 4ª Sinfonia de Tchaikovsky.

Com orquestra, era mais caro – 12 escudos (0,059 euros).


“I´m New Here”, de Gil Scott-Heron

Saturday, February 27th, 2010

Confesso que nunca tinha ouvido falar deste tipo – o que não é de espantar, já que ele próprio decidiu intitular este seu novo disco, desta maneira.

Gil Scott-Heron não é propriamente novo, nem aqui, nem em qualquer lado. Com 60 anos, tem já uma carreira longa, embora não com muitos discos. Há 16 anos que não editava qualquer disco.

Segundo dizem, Scott-Heron é um dos precursores do rap, embora, nos anos 90, tenha criticado os rapers, pela influência negativa que tiveram sobre a juventude. De facto, ele começou por publicar poesia e só depois ligou a música à poesia.

Este “I’m New Here” tem alguma coisa de rap, embora seja mais declamação com música de fundo, alguma coisa de r&b e hip-hop. Embora não seja propriamente a minha cena, gostei de ouvir “Me and The Devil”, “Your Soul and Mine” ou “New York Is Killing Me”.

Confesso, também, que só à terceira audição, consegui entrar no espírito do disco e acabei por ficar com pena que só tenha 28 minutos.

Obrigado, Doug Fieger

Wednesday, February 17th, 2010

Em 1973 saíram “Dark Side of The Moon”, dos Pink Floyd e “Houses of the Holy”, dos Led Zeppelin.

Depois disso, entreguei-me à música popular brasileira (Chico, Caetano, Gilberto Gil), à música portuguesa de intervenção  (Zeca, Zé Mário Branco, Sérgio Godinho, Adriano Correia de Oliveira…) e à chamada música erudita.

Papei de tudo, da Handel a Xenakis, de Mozart a Bartok, de Beethoven a Eric Satie.

Com o 25 de Abril, a coisa ainda se agravou mais. Era reaccionário gostar de rock’n’roll.

Foi em 1979, a fazer o estágio de Saúde Pública, em Armamar que, sem acesso ao gira-discos, recomecei a ouvir a Rádio Comercial e foi “My Sharona” que me fez voltar a bater o pé no chão, a compasso e, sem que ninguém visse, a abanar a cabeça, ao ritmo frenético dos Knack.

Deixei-me de preconceitos e recomecei a ouvir pop-rock.

O responsável foi Doug Fieger, líder dos Knack.

Morreu no passado domingo, com a minha idade, e um tumor cerebral.

Não conheço mais nenhuma música dos Knack, mas obrigado pela Sharona, pá!

“Quiet Is The New Loud”, dos Kings of Convenience

Sunday, December 6th, 2009

kings_quietQuando estes dois rapazinhos nasceram, em 1975, já Simon e Garfunkel estavam separados há muitos tempo. No entanto, foi a eles que Erlend ⱷye e Eirik Glambek Bⱷe foram buscar o estilo calmo e tranquilo, as guitarras dedilhadas e os restantes instrumentos acústicos, as melodias e as harmonias vocais.

Claro que as diferenças são maiores que as semelhanças – detecto, por exemplo, um ritmo tipo-bossa nova, que Simon & Garfunkel nunca usariam, mas enfim…

Já tinha ouvido falar destes Kings Of Convenience há uns tempos, mas ainda não conhecia nada deles. Agora, que saiu um novo álbum, decidi conhecer o primeiro, editado em 2001.

Confesso que gostei do que ouvi, embora não me entusiasme por aí além.

“Glitter and Doom Live”, de Tom Waits

Saturday, December 5th, 2009

waits_glitterQue pena, que raiva, que frustração não ter tido a iniciativa de programar a minha vida de modo a poder ir ver Tom Waits, por exemplo, a Milão!

Este disco é uma prova pálida do espectáculo formidável que deve ter sido esta tourné.

Waits reinterpreta, de forma irrepreensível, alguns dos seus temas mais recentes e eu fico rendido. Não precisa de cantar temas pré-Swordfishtrombones, não precisa de rebuscar nos baús da memória para ir buscar grandes êxitos de há décadas, como têm que fazer os Stones, ou McCartney, por exemplo. Waits tem evoluído, ao longo destas décadas, criando um estilo único, em que mistura valsas, polkas, tangos, blues, trash, hard, pop, histórias malucas, country, instrumentos desafinados e inventados.

E aquela voz rouca, funda, quase sinistra, faz o resto.

Prometo-me que, se o gajo fizer uma nova série de shows ao vivo, estarei atento e irei, nem que seja a Kuala Lumpur.

Sobretudo, se for em Kuala Lumpur!…