Archive for the ‘Coisas da Vida’ Category

Bater não resolve nada…

Monday, May 21st, 2018

Sou do tempo em que a porrada era uma medida pedagógica.

“Vê lá se queres levar uma chapada nessa cara”, ou “Estás aqui estás a levar”, ou ainda “Levas uma palmada no rabo”, eram expressões que os pais dos miúdos da minha geração usavam com frequência.

A panóplia de castigos físicos era imensa: chapadas, palmadas, estalos, chineladas, tabefes, tareias, sopapos, puxões de orelhas, lamparinas, carolos, chapadões, para já não falar nas reguadas e ponteiradas que apanhávamos na escola, sempre que falhávamos uma pergunta ou quando nos portávamos mal.

Temos que desculpar os pais dos anos 50 e 60 do século passado.

Por um lado, eles também tinham sido criados com porrada, por vezes com cintos e até chicotes.

Por outro lado, que castigos haviam eles de nos infligir? Não nos podiam proibir de mexer no iPad ou no iPhone – o próprio Steve Jobs nasceu em 1955 e também deve ter levado uns sopapos do pai, sempre que era apanhado a tirar macacos do nariz e a enfiá-los na boca.

Por outro lado, se os pais nos proibissem de ver televisão, a malta até agradecia – quem queria ver aqueles dois canais anémicos, a preto e branco?…

Portanto, não lhes restava outra alternativa senão chegarem-nos a roupa ao pêlo, sempre que nos portávamos mal…

Claro que, na maior parte das vezes, verificava-se que as tareias não resolviam coisa nenhuma e os putos ainda faziam pior

Ora, hoje em dia, as agressões físicas deixaram de ser aceites como método pedagógico.

Assim se vê o atraso da claque sportinguista.

De que é que lhes valeu irem bater nos jogadores?

Eles perderam a Taça na mesma!

25 de Abril sempre!

Wednesday, April 25th, 2018

Quanto mais não fosse, só para nos vermos livres da retórica de luminárias como o ex-presidente Américo Tomaz ou o então governador de Moçambique, Pimentel dos Santos, valeu a pena o 25 de Abril.

Deliciem-se com estes dois nacos, datados de Julho de 1973…

Desmanches

Tuesday, April 24th, 2018

Está deprimido, costuma desmaiar, tem insónia, sente nervosismo ou medo, tem dores de cabeça constantes, sofre de maldição hereditária, tem vícios, vive na miséria, está atolado de dívidas, foi à falência, é vítima de inveja e/ou de bruxaria, costuma ouvir vozes espirituais, vê vultos, é infeliz no amor, pensa em matar-se ou tem problemas familiares?

Esta igreja resolve todos estes problemas – mas só às sextas-feiras, que nos outros dias da semana tem mais que fazer…

Em compensação, nesse dia, há quatro turnos para desmanchar todo o mal: às 8, às 10, às 15 e às 20 horas.

Pressupõe-se que, se o mal for muito complicado, não deve escolher a sessão das 8 da manhã porque só terá duas horas para resolver o problema – já que há outra sessão logo às 10 horas. Talvez seja recomendável a sessão das 15.

Deve ser o caso, por exemplo, da maldição hereditária, sobretudo quando ela já vem do tempo dos bisavós.

Também deve ser complicado se a pessoa sofrer de mais males simultaneamente.

Convenhamos que estar deprimido, ter um vício, ser vítima de bruxaria, ouvir vozes, ver vultos e ser infeliz no amor, tudo ao mesmo tempo, para além de ser uma grande maçada, deve ser muito difícil de desmanchar.

No entanto, há uma coisa que não compreendo: esta lista foi feita aleatoriamente ou por ordem de frequência? Quer dizer, sem dúvida que a depressão, os desmaios, o nervosismo, a insónia e o medo devem ser dos males mais frequentes, por isso ocupam os dois primeiros lugares, mas colocar os problemas familiares em 12º lugar, parece-me errado.

De qualquer modo, ficam a saber: a IURD desmancha tudo isto e aqui bem perto, na Cova da Piedade.

Bem haja!

65 anos

Sunday, March 18th, 2018

Ouve lá, meu sacana, é mesmo verdade que fazes hoje 65 anos?!

Não estava nada à espera disto, pá!

É verdade que o teu filho Pedro vai fazer 45 anos e a tua filha Marta, 42, mas, mesmo assim, custa-me a acreditar que já tenhas idade para tirares bilhete de sénior nos museus!

65 anos, pá!

Ainda há pouco tempo te vi a correr no paredão da Costa, armado em Carlos Lopes, embora com menos barriga, e também sei que pedalas 20 quilómetros de bicicleta sem qualquer esforço, não te oiço queixar de nada de especial, a não ser umas dorzitas nas costas, de vez em quando.

É certo que tomas comprimidos para a tensão, mas isso já desde os 30 e poucos. Herança do teu pai.

Lembras-te dos teus pais?

Claro que te lembras, apesar de já estares mais anos sem pais do que os anos que estiveste com eles. Foram-se embora muito novos…

Mas vês, até a tua memória está boa! Lembras-te de coisas da tua infância, mas também te lembras do que fizeste ontem.

Lembras-te quando fazias comboios com cadeiras, no corredor da tua casa, para brincares aos maquinistas com o Vitinho e o Vargas?

Tinhas para aí, quê… oito anos?

E lembras-te do nascimento do teu irmão Paulo e da tua irmã Anabela?

Partos em casa, como o teu.

Os teus pais eram muito caseiros…

Tu e o teu pai iam dar uma volta enquanto a parteira fazia o seu trabalho… e passavam pela sede do Benfica, onde aprendeste a patinar e a dar cambalhotas (da ginástica, claro, que das outras, só muito mais tarde…).

E o Benfica ficou para sempre, claro!

E lembras-te daquele gira-discos cinzento e portátil que o teu tio Xico trouxe de Inglaterra, onde tinha ido, como jornalista, acompanhar o Benfica para o Mundo Desportivo? O gira-discos vinha acompanhado de um EP dos Beatles. Terias, no máximo, 12 anos e ficaste fã: Beatles, Stones, Moody Blues, Procol Harum, Turtles, Led Zeppelin, Pink Floyd, Queen, Doors, Hollies, Janis Joplin, Bowie, mas também Beethoven, Mozart, Bach, Shostakovitch, Bruckner, Stravinsky…

E lembras-te do Panças Kid, o teu professor de Físico-Química, que gaguejava e que, quando te chamava ao quadro, dizia Senhor C-c-c-outo e Santos venha ao q-q-quadro. Borravas-te todo! Nunca gostaste de Físico-Química, ainda menos de Matemática e, no entanto, foste para Ciências e tiraste Medicina.

Foi graças à Medicina que conheceste a Mila, embora não na Faculdade. Foi na Colmeia, lembras-te, aquela pastelaria dos croissants com creme?

Nessa altura, davas explicações a um miúdo chamado Olegário e foi a mãe dele que te ofereceu o primeiro livro “a sério”, “Casa de Correcção”, do Urbano Tavares Rodrigues. Com a tua mania das listagens, deste-lhe o número um e começaste a numerar e catalogar todos os teus livros e já ultrapassaste os dois milhares.

Depois, já se sabe, tu e a Mila começaram a estudar Anatomia comparada pelo método de Braille e, pouco depois, nasceu o Pedro!

Lembras-te do almoço do vosso casamento no Restaurante Polícia, todos com cara de caso, menos vocês, que estavam felicíssimos, e os miúdos, o Paulo, a Bela e a Luísa, que acharam aquilo tudo muito divertido!?

E foi sempre a andar, a partir daí.

O curso foi-se fazendo, nasceu o Pedro, começaste a escrever para o República, conheceste o Álvaro Guerra e o Mário-Henrique Leiria, aconteceu o 25 de Abril, foste para a RTP como jornalista, nasceu a Marta, acabaram o curso, tu e a Mila, e começaram o internato nos Hospitais Civis em 1978.

E que bom e difícil, e bom outra vez, foi ter filhos, vê-los crescer, vê-los ser!

O resto foi história, mas foi sempre história movimentada.

Da primeira casa, que cabia quase toda na sala da tua casa actual e tinha um tanque na varanda, onde a Mila lavava as fraldas de pano, passaste para uma vivenda, alugada a meias, com um grande quintal, onde plantaste batatas e feijão verde.

Lembras-te dos meses em Moimenta da Beira, a fazer Saúde Pública, em casa dos teus tios, lembras-te do ano em Mourão, a fazer o Serviço Médico à Periferia, lembras-te do ano e meio a cumprir a merda do serviço militar obrigatório – é claro que te safaste da guerra, mas por que raio havias de interromper a tua vida para consultar as esposas dos senhores oficiais, em Évora?

Mas sobreviveste!

Depois veio a Pediatria para a Mila e a Psiquiatria para ti, após meses de estudo e de um exame que correu melhor do que estavas à espera.

E veio Almada, tua terra adoptiva – e a mudança para a Medicina Geral e Familiar, no Monte de Caparica, ao mesmo tempo que jorravas textos para a rádio, para a televisão, para semanários e revistas. O Pão com Manteiga foi um marco!

Os teus filhos foram crescendo e, em 1994, lá conseguiste ir até Nova Iorque com a Mila. Começaram as viagens anuais.

Lembras-te do teu deslumbramento perante os skyscrapers de Manhattan?

E o voo de helicóptero sobre o Grand Canyon?

E Machu Pichu, a Amazónia, o Titicaca, o Perito Moreno, Iguaçu, o Monument Valley, o Taj Mahal, a baía de Sydney, os masai, a muralha da China, as praias da Polinésia…

Em resumo, gostas mesmo de viajar – e ouvi dizer que, assim que te reformares, queres fazer uma outra grande viagem.

Reformar?

Mas já meteste os papéis?!… Claro que já meteste os papéis!

Aliás, desde que és avô que não pensas noutra coisa, não é?

Há anos que estás sozinho com a tua namorada de sempre.

O Pedro e a Marta seguiram as suas vidas e construíram famílias sólidas, que te deixam orgulhoso e feliz.

O Tiago fez 11 anos na semana passada e foi graças a ele que tu e a Mila deixaram de fumar. Foram 39 anos a chupar aqueles ridículos cilindros com tabaco lá dentro. Sempre que pensas nisso ficas perplexo como aguentaste tantos anos a fazer aquela figura.

Quando o Tiago nasceu, prometeram deixar de fumar para que a casa não cheirasse a tabaco, quando o neto vos fosse visitar.

Ser avô passou a ser algo de muito importante para ambos.

Veio a Joana, depois a Ema, depois a Clara e há quatro meses, a Mia.

Tens cinco netos, pá! Que alegria do caraças!

E 65 anos, caramba!

E saudades?… Tens saudades?…

Só saudades do que ainda não fizeste!

Então, reforma-te carago!

E parabéns porra!

Amanhã, começas o resto da tua vida!

Às armas, professores!

Thursday, February 22nd, 2018

Donald Trump, na sua imensa sabedoria, descobriu a solução para os tiroteios nas escolas norte-americanas: armar os professores.

Segundo a trumplógica, se um professor daquela escola da Florida tivesse uma concealed weapon, assim que o rapaz entrasse na escola e começasse a disparar, o sôtor sacava da arma e dava-lhe um tiro. Em vez de morrerem 17 miúdos, teriam morrido, digamos, cinco ou seis.

A menos que o sôtor falhasse e o atirador matasse também o professor.

Mas Trump também tem solução para isso: os sôtores, para usarem armas escondidas, terão, primeiro, que frequentar uma espécie de curso de atiradores.

Imaginem o sôtor de Matemática a enunciar o teorema de Pitágoras:

“O quadrado da hipotenusa é igual à soma… Desculpem, queridos alunos, já continuo a lição, mas agora tenho que matar um sacana de um ex-colega vosso que acaba de entrar na sala com uma AK-47!”

E o sôtor saca da sua concealed weapon, dispara e acerta bem na testa do atirador.

E continua, tranquilo:

“…é igual à soma dos catéteres…” (*)

No chão, o atirador contorce-se, ainda com sinais de vida.

Entra, então, o auxiliar de acção educativa que lhe dá o tiro de misericórdia, limpando depois o sangue com uma esfregona.

Deste modo, toda a gente beneficiaria: menos mortos nas escolas e mais armas vendidas.

A National Rifle Association agradece!

(*) Um pouco nervoso, o sôtor disse “catéteres” em vez de “catetos”…

Rio seco

Sunday, February 18th, 2018

A pescada, antes de o ser já o era.

Rui Rio é como a pescada.

Tantos anos a ser o prometido líder do PSD e, no momento em que se torna, finalmente, chefe daquele saco de gatos, ficamos com a impressão de que está de saída.

O Montenegro, o Abreu Amorim e outros, na sombra, vão-lhe fazendo a cama.

Já colocaram o colchão e os lençóis… Só falta a colcha, que deve estar para breve.

A seca também não ajuda e este Rio nunca vai chegar ao mar…

Curiosidades linguísticas: o verbo foder

Saturday, February 10th, 2018

O facto do cardeal de Lisboa ter aconselhado continência aos recém-casados despertou-me a curiosidade no que respeita ao significado dessa palavra.

Continência significa, então, privação (voluntária ou forçada) dos prazeres sexuais, mas também, cortesia militar.

Não deixa de ser curioso que a mesma palavra possa ter este duplo sentido: por um lado, privares-te de um prazer sexual e, por outro, ser cortês militarmente falando…

O que nos leva ao verbo foder.

A palavra foder é considerada uma obscenidade, mas não temos alternativa.

Se, em vez do verbo cagar (outra obscenidade), podemos dizer evacuar e se, em vez de mijar, podemos dizer urinar, em vez de foder, dizemos ter relações, o que é pouco adequado.

E é sempre no plural, não sei se já repararam.

Posso dizer, por exemplo, “tenho uma relação com o meu cão”, mas nunca “tenho relações com o meu cão”.

Isso seria zoofilia.

Portanto, ninguém diz “ontem tive uma relação com a minha mulher”, mas sim “ontem tive relações com a minha mulher”.

Mesmo que só tenha sido uma vez.

Claro que se disser “fodi a minha mulher” ou “comi a minha mulher”, é uma ordinarice.

Em suma, foder não tem termo alternativo – e comer, embora se conjugue da mesma maneira, também não se deve usar neste contexto.

No entanto, há tempos verbais que dão mais categoria ao verbo foder.

Se usarmos, por exemplo, o futuro simples, na segunda pessoa do plural, e dissermos: “se vós foderdes”, até parece uma coisa monárquica.

Voltando ao cardeal patriarca.

D. Manuel Clemente, no fundo, disse aos recasados: “ide e guardai continência”.

Ora aí está outro verbo curioso: o verbo ir que, de certo modo, está relacionado com o verbo foder, já que o objectivo final de foder é vir-se, que é a forma reflexa do verbo ir.

Em conclusão, e ao contrário da opinião do cardeal, dir-vos-ei, casados, solteiros e recasados, ide e fodei em paz.

E que o Senhor vos acompanhe, se for caso disso…

Portugal dos Pequenitos # 2

Saturday, February 3rd, 2018

O capítulo desta noite começa num gabinete do Ministério Público, onde um funcionário está a arquivar o inquérito contra o ministro Centeno.

Outro funcionário entra na sala e tenta impedir o colega.

“Não arquives isso já… espera pelo fim da Operação Lex… Se o Vieira for condenado, pode ser que a gente ainda aproveite isso…”

A cena passa para outra sala do Ministério Público, onde um juiz está às voltas com os documentos da Operação Atlântico. À porta, assoma uma colega carregada de dossiers.

“Onde vais com esse peso? Olha a tua coluna, rapariga!” – diz o juiz.

“É parte da Operação Fizz” – responde a juíza, e continua o seu caminho.

Na cena seguinte vemos Rangel a aparar a barba e a falar sozinho, enquanto se olha ao espelho.

Por trás, surge a ainda-mas-quase-ex-mulher, Fátima, que o manda calar:

“Olha que isso que estás a dizer aparece amanhã no Correio da Manhã!” – exclama ela.

Rangel olha em volta, como se estivesse à procura de microfones. Depois, encolhe os ombros e diz: “deixa estar, eles prendem o Sócrates e deixam de nos chatear…”

A cena final do capítulo de hoje é no Palácio de Belém.

Marcelo está triste e murmura:

“Não sei a quem hei de dar beijinhos este fim de semana!”.

  • Não perca os próximo capítulos…

Caça ao Centeno

Sunday, January 28th, 2018

Só faltava o Centeno!

Agora dizem que favoreceu os filhos do Kadhafi dos pneus e que se deixou corromper por uns bilhetes para a bancada central do Estádio da Luz.

O Ronaldo das Finanças foi fintado?

Chamem o Vídeo-árbitro!

Em defesa de Trump

Wednesday, January 24th, 2018

Está tudo muito indignado porque Trump terá mandado pagar 130 mil dólares à actriz porno, Stormy Daniels para ela ficar caladinha e não revelar que andou enrolada com o presidente norte-americano, já depois de ele estar casado com a Melania.

Cambada de invejosos!

Que queriam eles? Que a Sra. Dona Stormy pusesse a boca no trombone e começasse a publicitar as habilidades sexuais que praticou com o Sr. Trump?

Será que algum dos que criticam o presidente vem para a rua falar sobre as suas tristes vidas sexuais?

Basta olhar para a fotografia da Sra. Dona Stormy para perceber que ela é uma pessoa honesta, capaz de ter amado verdadeiramente o Donald e só aceitou os 130 mil dólares porque compreende que, sendo ele o actual presidente do país mais poderoso do mundo, tendo à mão um botão nuclear maior e mais potente que o do tipo da Coreia do Norte, o facto de continuar a ir para a cama com ela não seria bom para a paz no Mundo.

Se consultarmos a wikipedia, vemos que Stormy Daniels ganhou diversos prémios pelo seu desempenho nos muitos filmes em que já participou. Ganhou por três vezes o Prémio Favourite Breasts, o que não é para qualquer uma, com ou sem implantes – portanto, não precisaria dos 130 mil dólares para nada!

Além disso, a acreditar nas bocas que Donald gosta de mandar às mulheres, provavelmente, o alegado envolvimento dele com a Stormy não passou de uns apalpões.

Deixem mas é o Donald trabalhar, que ele há de acabar por se enterrar sozinho.