Uns açoites no Coelho

Quanto mais te baixas, mais se te vê o cu – lá diz o velho ditado…

Passos Coelho e sus muchachos tudo fizeram, ao longo destes três anos, para satisfazer os credores e a Comissão Europeia.

Eles diziam mata, o Coelho dizia esfola, mesmo que isso fosse uma enorme contradição (um coelho a defender o esfola é o mesmo que uma marta a pugnar por uma estola…).

Mas nada deste esforço é reconhecido.

Eis que, depois de tantos cortes, a Comissão Europeia vem dizer que o «Governo perdeu “apetite político” nas reformas mais ambiciosas», como titula hoje o DN.

Entre essas reformas, a Comissão Europeia destaca a das pensões.

Com efeito, o Governo subiu a idade da reforma para os 66 anos, mas é pouco!

Ainda hoje a Direcção Geral de Saúde revelou os números das causas de morte e parece que, finalmente, o cancro ganha vantagem e está quase a ultrapassar as doenças cardiovasculares.

Ora, toda a gente sabe que, com os avanços da medicina, o cancro se está a transformar numa doença crónica.

Portanto, se começarmos a morrer mais de cancro do que de enfarto de miocárdio, a esperança de vida poderá aumentar ainda mais.

É perfeitamente aceitável que um tipo continue a trabalhar aos 67 ou 68 anos, mesmo com um cancro da próstata, ao contrário de um palerma que morra aos 50 com enfarto – esse, sim, nunca mais vai trabalhar na puta da vida!

Tudo isto tem sido discutido entre o nosso formidável Presidente e os seus conselheiros.

Quando a gente pensa que Cavaco se está cagando para a prisão de um ex-primeiro ministro, para o descalabro da PT ou para a requisição civil da TAP, a verdade é que o homem está a pensar estas coisas importantes e ainda ontem disse esta frase essencial: «é uma ilusão pensar que os problemas do país estão resolvidos».

Vejam bem a dimensão deste pensamento, o alcance desta frase, a profundidade desta ideia: Cavaco diz-nos que os problemas do nosso país não estão resolvidos!

Porra, Cavaco! que grande desarrincanço!

É preciso ser um grande Presidente para chegar a essa conclusão!

Enfim, com um primeiro-ministro e um presidente destes, de que é que estávamos à espera?

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