Charlene nada de costas?

Na varanda, Charlene contrai-se, no momento em que Alberto, do Mónaco, a beija na boca, perante a multidão de servos monegascos.

Graças à enviada especial da RTP, fico a saber que Charlene é uma nadadora sul-africana, campeã e tudo!

Que distraído que eu sou -nem sabia que a Charlene existia!…

Mas a enviada especial da televisão pública, vestida e calçada a preceito, explicou-nos tudo sobre o casamento. Uma enviada especial ao casamento do príncipe do Mónaco?

Depois, admirem-se que cada vez haja mais gente a favor da privatização da RTP…

Mas voltando à Charlene: achei-a triste e retraída.

É verdade que, no Mónaco, há muitas piscinas e Charlene poderá continuar a treinar.

Mas será que Alberto…nada?…

Referendo é coisa de suíços

A Suíça é um país estranho. Para além de estar dividida em cantões, quando toda a gente está a ver que aquilo são cantinhos, tem marinha, embora não tenha mar.

Para além da bandeira, que é bonita, os suíços pouco mais têm em comum – até a língua oficial é três.

Por isso, fazem referendos por tudo e por nada.

Agora, os portugueses parecem queres seguir-lhes as pisadas. Mais de 90 mil pessoas assinaram um abaixo-assinado pedindo um referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Porquê?

Porque é um tema “fracturante”, que é uma palavra muito na moda e que soa a ortopedia.

Também os impostos são um tema fracturante (partem muitas cabeças) e nunca ninguém se lembrou de propôr um referendo para saber se as pessoas querem, ou não, pagar impostos.

E, já agora que falamos de impostos, por que não um referendo para saber se as pessoas acham bem que as igrejas estejam isentas de impostos?

Se os deputados puderam aprovar uma lei que me obriga a trabalhar mais anos para atingir a reforma – por que carga de água não hão-de aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo?

E estou a ser injusto para os suíços… também gosto muito dos queijos e dos relógios…

Casamento gay

Ele lê o jornal, sentado à mesa da cozinha, enquanto o namorado prepara o pequeno almoço para os dois.

– E o Sócrates lá aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo!

– Não tinha outro remédio… até porque o Sócrates é cá dos nossos! – exclama o namorado.

– Lá estás tu a alinhar com essa malta dos boatos! Isso é conversa da oposição!

– Pois, pois! O que ele precisava era que lhe fizessem o que fizeram ao Berlusconi, só que, em vez de levar com o Duomo de Milão, levava com a torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos na tromba! – azucrinou o namorado.

– Vê lá se mordes a língua e morres envenenado!

– Pronto, pronto! Não te zangues! Não se pode tocar no Sócratezinho que ele fica logo todo picado!…

Ele continua a folhear o jornal, mas com movimentos mais bruscos. Depois, diz, já com a voz um pouco alterada:

– É que é toda a gente contra o homem! Até o Cavaco, com aquele ar de eucalipto em tempo de seca, sempre a dizer que não interfere, que não se mete na política partidária e, depois, diz que a crise e a dívida externa são mais importantes que o casamento homossexual!

– A culpa é do Sócrates. Ele é que provocou o Cavaco! Quando o PSD voltar a governar é que vais ver a diferença! – grita o namorado, queimando-se na torradeira.

– Está mas é calado! O PSD não se consegue governar a si próprio, quanto mais o país! – vocifera o primeiro, atirando com o jornal para o chão.

РMas agora, que o Pedro Santana Lopes vai pegar no partido outra vez, a coisa vai ser a s̩rio!

– És mas és um grande parvalhão! O Santana Lopes deixa sempre tudo a meio, até os casamentos!

– Tu não me chamas parvalhão, meu ordinário!

– Ordinário és tu, meu estúpido!

РOlha! Vou mas ̩ para casa da minha ṃe!

РVai, vai viver com essa l̩sbica que ṇo tem onde cair morta!

O namorado sai, batendo com a porta.

Terão que aguardar até sair a lei do divórcio gay…

“Rachel Getting Married”, de Jonathan Demme

rachelgetsmarriedPartindo do princípio que a Rachel (Rosemarie DeWitt) nos convidou para o seu casamento, é muito indelicado, da parte da sua irmã Kym (Anne Hataway), querer ser sempre o centro das atenções.

Mas é isso que acontece: Rachel pode estar a casar-se, o marido pode até ser de raça negra, alguns dos convidados podem até ser um pouco exóticos, Rachel até está grávida e tudo e, no entanto, é Kym que atrai todas as atenções.

Kym é um toxicodependente em reabilitação; há 9 meses que está limpa, mas a coisa não está segura. Aos 17 anos, levava o seu irmão mais novo no carro e, estando completamente pedrada, teve um acidente. O carro caiu a um lago e o irmão morreu afogado.

Kym nunca mais se recompôs.

Jonathan Demme faz um filme em jeito de reportagem, com a câmara ao ombro – o que já se vai tornando cada vez mais comum e é quase como se fosse um vídeo doméstico do casamento de Rachel. Aliás, algumas cenas são mesmo tão chatas como um casamento a sério porque nos limitamos a ver os convidados a dançar ao som de várias músicas, sem que nada de especial aconteça.

E acaba no fim…