Badlands, Black Hills, Mount Rushmore, Lead, 8 de Maio

7h 30 – Saímos de Sioux City, em direcção a Lead.

O pequeno-almoço foi mais uma desgraça americana. O Clarion Hotel decidiu oferecer o pequeno-almoço. Então, atirou com uns quantos baggels, que são duros como cornos, e outros quantos muffins, para cima de uma mesa, juntou-lhes café e sumo de laranja de pacote e chamou a isto, pomposamente, continental breakfast!

Vamos em frente.

Serão mais 800 km. Diz-se por aqui: “this is not the end of the world, but you can see it from here…”

Fizemos a nossa primeira paragem em Mitchell, já no South Dakota. Esta pequena localidade, no meio de lado nenhum, decidiu passar a vir no mapa, usando os seus próprios recursos. Assim, em 1892, os habitantes de Mitchell construíram um palácio em madeira, e decoraram-no com maçarocas de milho. O sucesso foi tão grande, que a coisa foi crescendo. Hoje em dia, o Corn Palace é de tijolo e, lá dentro, tem espaço para a realização de jogos de basquetebol, concertos, festivais. Por fora, toda a decoração é feita com maçarocas de milho. Todos os anos, por altura das colheitas, a decoração é renovada. No topo do palácio, minaretes dão-lhe um toque ainda mais bizarro.

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Este mirabolante Corn Palace fica na Maine Street de Mitchell e está rodeado de pequenas lojas de souvenirs e bares, em edifícios térreos, que fazem lembrar as cidades de cowboys.

A propósito deste show off tão tipicamente americano, sublinhe-se o facto de quase todos os restaurantes, cafés e bares, serem os melhores do mundo em alguma coisa, e anunciarem-no em letras garrafais. Em Sioux City, um restaurante chamava-se Famous Dave. Será que é famoso desde que foi inaugurado ou, começou por ser, simplesmente, Dave Restaurant e, depois, à medida que foi sendo conhecido, acabou por passar a ser o Famous Dave?

O Aurélio’s Pizza, em Chicago, tinha “the most famous pizza in the world”. E todos têm uma qualquer característica que os transforma nos mais populares, ou mais tradicionais, ou, mais simplesmente, os the world’s best!

Uns convencidos, estes americanos…

Almoçámos no Al’s Oasis, que fica logo ali ao lado do Missouri. Desta vez, tivemos a oportunidade de degustar uma salad bar, composta por mistela de galinha e massa, acompanhada por saladas diversas. Enfim, comeu-se…

Entretanto, começou a chover. A estrada continua, sempre em frente, através de campos infinitos, verdejantes. Aqui e ali, pequenas quintas, com celeiros. De vez em quando, vacas a pastar. No Dakota do Sul, a população não chega ao milhão de habitantes.

Ao contrário da maior parte das nações, os States não conquistaram as suas terras: compraram-nas. Já conhecia a velha história da compra de Manhattan aos índios, pelo equivalente a 24 dólares. Fiquei agora a saber, que o Presidente Jefferson comprou a Louisiana a Napoleão, por 15 milhões de dólares, o que só prova que Napoleão não era nenhum índio!

Naqueles tempos, a Louisiana era um território extenso, que ia desde o sul dos actuais States, até ao Canadá, incluindo esta região do South Dakota. O Louisiana, era maior que os EUA de então. Jefferson não sabia muito bem o que estava a comprar e Napoleão não sabia muito bem o que estava a vender. A maior parte da região, ainda não tinha sido explorada. Depois da compra, Lewis e Clark organizaram uma expedição, para explorarem estas terras de ninguém. Só depois é que os americanos começaram a matar os índios (como se sabe, os únicos índios bons são os índios mortos; o mesmo acontece com os polícias…)

As Badlands são outra daquelas coisas especiais que vão ficar na nossa memória, como Machu Pichu, Guilin, o Amazonas, o Grand Canyon…

As Badlands são um conjunto de montanhas arenosas, com estratos sedimentares e que se foram formando à medida que o Oceano foi recuando. Os índios e os pioneiros americanos, chamavam-lhes The Wall e, com efeito, após quilómetros de pradaria, erguem-se estas montanhas, como se fossem uma parede intransponível.

Tivemos sorte com o tempo: o sol abriu por entre as nuvens e até estava calor. Os flocos de nuvens sobre as rochas e a alternância de luz e sombra, conferem diferentes visões destas rochas. Algumas elevam-se, num imenso vale; outras, parecem abrir caminho para baixo. Paisagem lunar.

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Agora, vamos a caminho do Monte Rushmore, enquanto nos divertimos a ver os prairie dogs, de pé, nas patas traseiras, junto às tocas. São às dezenas. Mas tão pequenos e tão rápidos, que é impossível fotografá-los.

Entretanto, ganhámos uma hora, porque passámos um paralelo, algures na imensa estrada.

O Monte Rushmore é mais outra daquelas coisas que não lembrava a mais ninguém, senão aos orgulhosos patriotas americanos. Esculpir as cabeças de quatro presidentes (Lincoln, Jefferson, Washington e Roosevelt), no topo de uma montanha, num local praticamente inacessível, deve ter sido tarefa árdua. A obra ficou pronta pouco antes de começar a II Grande Guerra.

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A nossa visita ao Monte Rushmore esteve em risco. Quando chegámos às Black Hills (assim chamadas porque a densa floresta dá uma cor negra às montanhas), começou a chover intensamente. No entanto, quando atingimos o topo das montanhas, parou de chover e, apesar de o céu estar plúmbeo, a visibilidade era boa.

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Estava um frio do caraças, a contrastar com o calor das Badlands e o chão estava cheio de pedaços de gelo.

Só mesmo os americanos, para esculpir a capa de um disco dos Deep Purple, no cimo de uma montanha!…

Passámos a noite em Lead (pronunciar Lidz), uma pequena cidade que nos parece curiosa e que foi, no século 19, uma cidade mineira – daí que as Black Hills, aqui, assumam o nome de Golden Hills.


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