Félix – a nova unidade monetária

Agora que o Mark Zuckerberg está pronto para lançar uma nova criptomoeda, a Libra (livra!), o Benfica vai lançar também uma nova unidade monetária – o Félix.

O Félix vale 126 milhões e, sempre que falarmos de milhões, passarem,os a usar esta unidade monetária.

Por exemplo, hoje os jornais noticiavam que, para modernizar o Siresp, o Estado terá que gastar 25 milhões de euros.

Parece muito.

No entanto, é apenas cerca de um quinto de Félix!

Já no que respeita ao proposto fim das taxas moderadoras, isso custaria ao Estado à volta de um Félix, coisa pouca, portanto…

Finalmente, quanto ao descongelamento da carreira dos professores, que tanta polémica levantou, poderia chegar a custar mais de cinco Félix, e o Centeno não esteve para isso.

Portanto, basta que comparemos qualquer despesa do Estado com o valor de um Félix e logo saberemos se estamos a falar de muito ou de pouco dinheiro…

Os nossos agradecimentos ao Benfica e ao Atlético de Madrid, por supuesto…

O Ronaldo dos padres

O PSD e o CDS estão muito preocupados com duas coisas: as relações familiares dos vários membros do Governo e os novos passes sociais, medida eleitoralista escandalosa, que retira dezenas de euros por mês a milhares de famílias!

Onde é que já se viu isto?

Nomearmos pessoas da nossa família, em vez de escolhermos os amigos que nos têm feito favores – ou, ainda pior, baixar o preço dos passes sociais, em vez do preço da gasolina!

Mas o PSD e o CDS têm outras coisas mais importantes para discutir na Assembleia da República.

Hoje mesmo vai ser votada uma moção, proposta por estes dois partidos, para louvar a actuação da selecção de Portugal, que foi a vencedora do Campeonato Europeu de Futsal do Clero!

Isso mesmo, a selecção de futsal dos padres portugueses ganhou, na final, a selecção dos padres da Bósnia, por 3-0, com um hat-trick do padre André.

Um tipo lê e não acredita.

Mas é verdade!

O Diário de Notícias mostra-nos fotos, para comprovar.

Primeiro, vejamos a foto dos padres, devidamente equipados, prontos para conquistar o troféu.

Reparem no caparro dos priores!

O terceiro, a contar das esquerda, na fila de trás, deve ser o guarda-redes. Basta-lhe abrir os braços e nenhum padre adversário consegue meter a bola na baliza, já que o eclesiástico ocupa todo o espaço!

Gosto, sobretudo, da pose dos padres ajoelhados, apenas com um joelho no chão. Têm um ar confiante. Deviam ir assim a Fátima, em procissão, para espiar os seus pecados.

Sim, porque, a jogar futsal, todos os padres, por mais católicos que sejam, devem deixar escapar um foda-se de vez em quando.

No final dos jogos, e depois de um duche em que os padres partilham vergonhas, apresentam-se devidamente paramentados, como se vê nesta outra foto.

Na minha modesta opinião, os padres deviam jogar assim vestidos. Era muito mais católico.

Reparem que, lá atrás, está a Nossa Senhora de Fátima.

Isto não será batota, assim uma espécie de doping celestial, que ajudou os nossos priores a ganharem o campeonato?

Mas voltemos ao texto da moção que o PSD e o CDS apresentaram hoje na Assembleia.

O referido texto começa por classificar de “surpreendente” o hat-trick do padre André Meireles. Pelos vistos, o eclesiástico costuma ser um pé de chumbo, mas, desta vez, excedeu-se e, por obra e graça do Divino Espírito Santo, marcou três golos, Deus o abençoe!

A moção continua, elogiando o treinador da equipa, o padre Marco Gil, “conhecido entre os pares como o Cristiano Ronaldo da Igreja”. Já tínhamos o Cristiano das Finanças, agora também temos o da Igreja. Pergunto: quem será a Georgina deste Cristiano?…

Esta vitória, segundo a moção, “constitui motivo de orgulho para todos os portugueses”. Quer dizer, os deputados do PSD e do CDS, pensam que, o facto de um grupo de padres ter ganho um campeonato de futsal, é motivo de orgulho de todos nós, muçulmanos, cristãos evangélicos e ortodoxos, budistas, e ateus incluídos!

A última frase da moção, então, é de morrer a rir.

Diz a moção que os senhores de batina escreveram “mais uma brilhante página da meritória história do desporto nacional e da Igreja”.

Agora, que a selecção nacional de futebol empatou com a Ucrânia e com a Sérvia, no apuramento para o Europeu, não sei o que o engenheiro Fernando Santos está à espera para chamar alguns destes padres para a nossa selecção nacional de futebol.

Com a ajuda da Senhora de Fátima, com hóstias abençoadas e muita água benta, talvez nos apurássemos.

Quanto a Rui Rio e Assunção Cristas, uma palavra de agradecimento, por continuarem a fazer-nos rir desta maneira tão… religiosa…

Bater não resolve nada…

Sou do tempo em que a porrada era uma medida pedagógica.

“Vê lá se queres levar uma chapada nessa cara”, ou “Estás aqui estás a levar”, ou ainda “Levas uma palmada no rabo”, eram expressões que os pais dos miúdos da minha geração usavam com frequência.

A panóplia de castigos físicos era imensa: chapadas, palmadas, estalos, chineladas, tabefes, tareias, sopapos, puxões de orelhas, lamparinas, carolos, chapadões, para já não falar nas reguadas e ponteiradas que apanhávamos na escola, sempre que falhávamos uma pergunta ou quando nos portávamos mal.

Temos que desculpar os pais dos anos 50 e 60 do século passado.

Por um lado, eles também tinham sido criados com porrada, por vezes com cintos e até chicotes.

Por outro lado, que castigos haviam eles de nos infligir? Não nos podiam proibir de mexer no iPad ou no iPhone – o próprio Steve Jobs nasceu em 1955 e também deve ter levado uns sopapos do pai, sempre que era apanhado a tirar macacos do nariz e a enfiá-los na boca.

Por outro lado, se os pais nos proibissem de ver televisão, a malta até agradecia – quem queria ver aqueles dois canais anémicos, a preto e branco?…

Portanto, não lhes restava outra alternativa senão chegarem-nos a roupa ao pêlo, sempre que nos portávamos mal…

Claro que, na maior parte das vezes, verificava-se que as tareias não resolviam coisa nenhuma e os putos ainda faziam pior

Ora, hoje em dia, as agressões físicas deixaram de ser aceites como método pedagógico.

Assim se vê o atraso da claque sportinguista.

De que é que lhes valeu irem bater nos jogadores?

Eles perderam a Taça na mesma!

Portugal dos Pequenitos #1

Resumo do episódio desta semana:

Rui Rio anda à procura de casa em Lisboa, desde que foi eleito líder do PSD; enquanto não encontra, está hospedado numa hotel de 3 estrelas.

Hugo Soares, líder do grupo parlamentar do PSD, decide ir ter com Rio e coloca o seu lugar à disposição.

Rio declina e diz que quer continuar a dormir no hotel.

Entretanto, Pinto da Costa exige ir ver os estragos na casa de banho do Estádio do Estoril.

Olhando para a racha na parede, exclama: “Já vi rachas maiores!”

Todos se riem.

A cena muda para um jovem universitário que diz que respondeu a um inquérito sobre a Sida.

Faz parte dos 27% que responderam que achavam que a Sida pode ser transmitida por um talher.

Jura que nunca mais enfia a colher na vagina das namoradas.

Logo a seguir, vemos José Sócrates combatendo os vírus informáticos que atacaram as gravações das escutas telefónicas da Operação Marquês.

Alguém fala ao telefone com alguém mas só se percebe parte do que é dito: “Está… pois…. dinheiro… emprestas… aldrabão…. foge… inconstitucional… porra!”

Sócrates sorri. O seu rosto diz tudo: águas de bacalhau.

A última cena passa-se numa igreja de Nelas, onde um padre ucraniano, casado e com filhos, diz missa.

Será que sobrevive?

Esperemos pelas cenas dos próximos capítulos.

 

Benfica tira Portugal do Processo por Défice Excessivo

António Costa e Mário Centeno estiveram ontem no Estádio da Luz a assistir à vitória do Benfica por 5-0 ao Guimarães e, assim, conquistar o Tetra-campeonato.

Aproveitaram a oportunidade para agradecer ao Benfica a saída de Portugal do Processo por Défice Excessivo, feito só conseguido graças à conquista do 4º campeonato consecutivo e do 36º, no cômputo geral.

A importância desta conquista foi confirmada por diversas entidades internacionais: o próprio Papa foi-se embora mais cedo para poder assistir, via Benfica TV, ao jogo decisivo; também Emanuel Macron adiou para hoje a tomada de posse como Presidente dos franceses para poder assistir ao jogo.

Escusado será dizer que a vitória de Salvador Sobral aconteceu graças, não só à simplicidade da canção, mas sobretudo ao facto de toda a gente, dos sérvios aos gregos, estarem com os olhos postos em Portugal, quanto mais não fosse, por solidariedade para com Feija, Mitroglou e Samaris.

Com a ida ao Estádio da Luz, António Costa deve ter perdido os votos de muitos sportinguistas e portistas, mas como foi a Fátima e aguentou a missa papal toda, em pé, e ficou com os filhos do pateta do Tavares na sexta-feira, deve safar-se nas próximas eleições.

Agora vos digo: quem for ateu, do Sporting e só gostar de música erudita, hoje deve sentir-se muito infeliz ao ver os telejornais.

Pensando melhor, se é do Sporting, deve ser religioso e acreditar em milagres e, muito provavelmente, nem sabe o que é música erudita.

Compensações…

Bruno Trump Donald de Carvalho

Foi o jornal The Independent que postulou que Bruno de Carvalho é o Donald Trump do futebol português (confirmar aqui).

Não é exagero.

Bruno e Donald têm tudo em comum.

São ambos empresários da construção civil: Trump construiu hotéis e casinos, Carvalho foi sócio gerente da “Bruno de Carvalho, Revestimentos, Soluções de Interior e Representações Comerciais” (confirmar aqui).

Ambos ganharam prémios importantes: Trump recebeu o Jewish National Fund’s Tree of Life Award for outstanding contributions to Israel-United States relations, em 1983, e Carvalho foi agraciado com o Prémio Personalidade do Ano Desporto, na XII Gala dos Prémios Mais Alentejo (2013).

Ambos têm companheiras loiras.

Ambos são isolacionistas: Trump quer tornar America great again, fechando as fronteiras aos refugiados, Carvalho quer que o Sporting volte a ser grande, fechando Alvalade aos adversários.

América contra o mundo; Sporting contra todos.

Ambos ganharam eleições com poucos votos: Trump teve menos 2 milhões de votos que Clinton; Carvalho teve 96% dos 18 mil votantes, o que corresponde a menos de 1% dos portugueses.

Mas há uma coisa que separa Trump de Carvalho, uma coisa que distingue Bruno de Donald e que faz com que ele seja único.

É que, como diz a sua biografia na wikipedia, Bruno de Carvalho é neto materno do irmão do almirante Pinheiro de Azevedo, o almirante sem medo.

E assim como Pinheiro de Azevedo, então primeiro ministro provisório, sequestrado por operários que exigiam a demissão do governo, gritou “Bardamerda para a democracia”, também Bruno de Carvalho, rodeado por adeptos e simpatizantes, teve a coragem de afirmar “Bardamerda para quem não é do Sporting”.

Disto Donald Trump não se pode gabar!