Sem comentários

* “Os seus propagandistas (do Governo) podiam poupar-nos a ilusões e a demagogia ideológica: daqui (das medidas do Orçamento) não resultará qualquer Estado mais virtuoso na sua magreza, nem nenhum país mais competitivo, nem um Portugal melhor. Sairá um país mais pobre, exausto, mais dependente, menos culto, menos qualificado, com  maiores diferenças sociais, mais zangado e mais violento e, muito provavelmente, com menos liberdades”

– Pacheco Pereira, in Público de hoje

* “Não há alternativa? Há sempre uma alternativa mesmo com uma pistola encostada à cabeça. E o que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele estivesse, de forma incondicional, ao lado do povo que o elegeu e não dos credores que nos querem extrair até à última gota de sangue”.

– Nicolau Santos, in Expresso de hoje

* “Até há dias, a estratégia do Governo passava por diferenciar Portugal da Grécia. Paradoxalmente, para evitar sermos vistos como a Grécia, a solução agora proposta é a mesma que levou ao descalabro económico e social que se vive nas ruas de Atenas. O fim dos subsídios de férias e de Natal, a somar a todos os outros cortes salariais e aumentos de impostos, terá inevitavelmente duas consequências: o colapso da procura interna e uma recessão ainda mais profunda do que o previsto.”

– Pedro Adão e Silva, in Expresso de hoje

* “Já basta e ofende a desculpa da herança do anterior governo. Primeiro, porque juraram que não o fariam; segundo, porque só mostra que nada sabiam do estado do país e não estavam preparados para governar, mas apenas para ocupar o poder; terceiro, porque, que se tenha percebido, o tal buraco inesperado de 3 mil milhões decorre, todo ele, da privatização do BPN, nas condições definidas por este governo, e das dívidas escondidas do querido Jardim, criatura emérita do PSD”.

– Miguel Sousa Tavares, in Expresso de hoje

 

Considerem-me apóstata

No Facebook existe um grupo “apostasia: como abandonar formalmente a Igreja Católica”.

O semanário Expresso dá disso notícia, na sua edição de hoje.

Se quiseres deixar de ser católico, formalmente, deves preencher o tal formulário, que inclui o dia e o local do baptismo; deves anexar uma cópia da certidão de baptismo, enviar uma cópia do BI ou do cartão de cidadão; tudo deve seguir em carta registada, com aviso de recepção; deves juntar ainda um envelope selado e endereçado ao remetente, para que a paróquia te remeta a certidão de baptismo com o acto de apostasia averbado.

No caso de o processo não ser aceite, deves contactar o bispo da diocese.

Em último caso, falas directamente com Deus.

Resumindo: desbaptizar é mais complicado que baptizar.

Ora, se é certo que Deus está em toda a parte, é óbvio que está na internet.

Sendo assim, Deus, considera-me apóstata.

 

Um procurador que faz rimas

A notícia do Expresso é quase incrível.

Saiu ontem e diz assim: «O magistrado chegou vinte minutos atrasado ao julgamento de um caso banal, ouviu um reparo da juíza e justificou-se com o despertador do telemóvel, que não tocou. Depois, mandou o funcionário judicial ir ao casaco buscar umas folhas e disse dez quadras que escreveu durante a viagem de metro até ao tribunal cível de Lisboa».

Tudo isto já parece impossível, mas o jornalista Rui Gustavo (rgustavo@expresso.impresa.pt) faz questão de desenvolver a notícia e de nos presentear com quatro das dez quadras que o procurador José Vaz Correia escreveu.

A qualidade das quadras fica logo atestada por esta:

“Os comboios já vão cheios / muitos se levantam cedo
nas mulheres aprecio os seios / mas têm outro enredo”

Pausa para podermos reler a quadra e imaginar o procurador a lê-la, em voz alta, para a juíza – ou melhor ainda, para imaginarmos este membro de um órgão de soberania, sentado no metro, a escrever esta quadra.

As outras duas quadras têm, também, fino recorte literário, mas a minha preferida é esta:

“São sete e pouco da manhã/ viajo de Metro para o trabalho
fi-lo ontem, farei-o amanhã /só sou aquilo que valho”

“Farei-o”?!

Do verbo farar?!

A notícia continua dizendo que «o procurador pôs baixa médica e não tem estado no tribunal».

Deve estar a aprender a escrever português…

País de poetas…

País de patetas…

Ninguém prende este espanhol?!

Quem lesse só as gordas da primeira página do Expresso de hoje, ficaria convencido que anda por aí um espanhol aos tiros, nas escolas.

Depois, lendo a notícia, ficamos a saber que foi o ensino do espanhol a disparar nas nossas escolas, isto é, cada vez há mais portugueses a aprenderem espanhol.

Liberdades jornalísticas…