Archive for the ‘Coisas Vistas’ Category

“Blue Jasmine”, de Woody Allen

Friday, September 27th, 2013

A tradição ainda é o que era: nas minhas férias há sempre um novo filme de Woody Allen para ver.

blue jasmineDepois de um período menos bom (não gostei muito da “fase Barcelona” de Allen), o realizador parece que reencontrou a sua verve e os últimos filmes têm estado à altura do seu status (Midnight in Paris, 2011 e To Rome With Love, 2012).

Este Blue Jasmine também é um bom filme.

Woody Allen mantém-se atrás das câmaras (disse que, se fosse o protagonista, o filme passaria a ser uma comédia) e Cate Blanchett domina todo o filme, fazendo o papel de uma mulher da alta sociedade de Nova Iorque, cujo marido (Alec Baldwin) dirige negócios especulativos, que permitem, ao casal, levar uma vida de fausto.

Entretanto, as fraudes são expostas, o marido é preso e, na prisão, suicida-se e Jasmine vai viver para San Francisco, para casa da sua irmã (Sally Hawkins), uma simples empregada de supermercado.

Jasmine não está habituada a viver numa casa tão modesta, tem que aturar o  bronco do namorado da irmã (Bobby Cannavale), vai ter de arranjar um emprego e tirar um curso de computadores.

Sempre à beira de um ataque de pânico, recorrendo constantemente ao Xanax, Jasmine não consegue deixar de ser quem era.

Hora e meia bem passada.

“Forbrydelsen” e “Life”

Saturday, August 24th, 2013

Nos últimos tempos assisti a duas séries televisivas, policiais, que me deixaram ficam boas recordações.

forbrydelsenFalo da dinamarquesa Forbrydelsen e da norte-americana Life.

Forbrydelsen (que tem uma versão norte-americana, chamada The Killing), tem três temporadas. Vi as duas primeiras, de 2007 e 2009. Gostei mais da primeira.

A protagonista da série é uma detective, Sarah Lund (interpretada por Sophie Grabol), cuja vida pessoal é um caos, com um filho adolescente que a enfrenta, um namorado que acaba por se fartar com as suas ausências e uma mãe que não compreende a sua obsessão pelo trabalho.

Surpreendi-me como fiquei viciado numa série que é o oposto das séries norte-americanas.

A primeira temporada, sobretudo, tem um ritmo narrativo, digamos, nórdico… são 20 episódios para resolver um único caso! Está sempre frio, ou chuva, ou ambos, os cenários são lúgubres, os interiores são tristes e pouco decorados, quase ninguém se ri, o ambiente é sempre negro.

A segunda temporada não é tão bem conseguida, mas também merece ser vista.

lifeA outra série chama-se Life e teve duas temporadas, entre 2007 e 2009 e é pena que tenha acabado.

Aqui, o protagonista é o detective Charlie Crews (interpretado por Damian Lewis, o sargento Brody de Homeland).

Crews esteve preso 12 anos por um crime que não cometeu. Libertado, recebeu uma bela indemnização e regressou ao seu trabalho de detective em LA, disposto a descobrir quem o tramou. Tem umas ideias zen, gosta de fruta e de carros potentes e, no fim, mata o bandido e fica com a miúda.

Os meus filhos ofereceram-me as duas temporadas desta série há uns anos e estava ali na prateleira a apanhar pó. Em boa hora fui buscar os dvd, porque a série é bem divertida; ao contrário da série dinamarquesa, aqui os cenários são luxuosos, os dias são luminosos, há até um exagero na cor, um pouco ao estilo do CSI Miami. Cada episódio é um caso, sempre com assassínios bizarros, mas há sempre o fio condutor protagonizado por Crews, em busca de quem o tramou.

Duas boas sugestões para quem gosta de policiais.

“Ferrugem Americana”, de Phillipp Meyer (2009)

Wednesday, June 5th, 2013

ferrugem americanaNuma das badanas do livro, pode ler-se: «Ferrugem Americana tem o carimbo de Grande Romance Americano em toda a parte. Pode dizer-se que foi beber a Ratos e Homens, Huckleberry Finn, Cormac McCarthy, Salinger e Kerouac.» (The Daily Telegraph).

E isto resume a atmosfera deste romance. Meyer conta-nos as histórias de meia-dúzia de personagens trágicas, perdidas na imensidão do continente americano, numa região, a Pensilvânia, devastada pela crise económica e pelo fecho de várias fábricas, pelo desemprego, pela desilusão. O contrário do american dream.

As personagens principais são Isaac e Poe, dois jovens adultos sem nada que fazer e sem perspectivas de futuro. A mãe de Isaac suicidou-se há pouco tempo, o pai, desloca-se numa cadeira de rodas, devido a um acidente de trabalho e a irmã, mais velha, saiu de casa, foi estudar para Yale e casou-se com um tipo rico. Poe foi jogador de futebol americano, mas agora não faz nada e vive numa roulote com a mãe, Grace.

Isaac decide partir para a Califórnia e Poe acompanha-o mas, logo na primeira noite, ao pernoitarem num armazém abandonado, são surpreendidos por três calmeirões, que os querem roubar. Da confusão que se gera, resulta a morte de um dos bandidos. É Isaac que o mata, mas é Poe que assume as culpas e vai para a prisão.

Na história entra, também, Harris, um xerife desiludido e solteirão, que dorme ocasionalmente com Grace.

A narrativa de American Rust vai avançando em capítulos curtos, cada um deles dedicado a cada uma das personagens.

E não há dúvida que é uma história tipicamente americana, que poderá dar um bom argumento cinematográfico.

PhilippmeyerPhillipp Meyer nasceu em Baltimore, em 1974, desistiu da escola aos 16 anos, trabalhou como mecânico de bicicletas e aos 20 anos, decidiu que queria ser escritor, candidatando-se à Universidade de Cornell, onde se graduou em inglês.

Depois, trabalhou na bolsa, em Wall Street e como técnico de emergência médica. Em 2005, conseguiu um lugar na Universidade de Austin, onde escreveu Ferrugem Americana, o seu primeiro romance, que ganhou o prémio literário dos Los Angeles Times, em 2009.

Lançou agora o seu segundo livro, The Son, e vive entre Austin, Texas e Nova Iorque.

“Silver Linings Playbook”, de David O. Russell (2012)

Tuesday, May 21st, 2013

Pat Solatano (Bradley Cooper) é um professor de História substituto. Certo dia chega a casa e apanha a mulher a trocar carícias com outro professor de História sénior, no duche.

silver liningsPat é bipolar e a visão daquela cena provoca-lhe uma crise de fúria. Espanca o amante da mulher e é internado numa instituição psiquiátrica.

Quando regressa a casa, ainda obcecado pela mulher, conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma recente viúva de um polícia, que anda em fase ninfomaníaca.

Depois de avanços e recuos, Tiffany consegue convencer Pat a participarem num concurso de dança.

Lá em casa, Pat tem o apoio incondicional da mãe, figura apagada, e a contestação do pai (Robert De Niro), que sofre de doença obsessiva-compulsiva.

Em português, o filme chama-se “Guia para um Final Feliz”, portanto, sabemos que o filme vai ter um “happy ending”, ou um “silver lining”. E assim é.

O filme é um pouco “cromaço”, com cenas para puxar a lágrima e grande beijo final, com a câmara a rodar em volta dos protagonistas, mas é divertido e Jennifer Lawrence merece o óscar. E De Niro, claro, é um obsessivo compulsivo muito divertido e convincente.

Parece que os críticos, por cá, acharam o filme um pouco convencional e cheio de lugares-comuns.

Pior para eles – eu diverti-me!

“Life of Pi”, de Ang Lee (2012)

Sunday, April 28th, 2013

vida de piLi este livro de Yann Martel em 2003 e gostei.

Uma história que pode ser lida de várias maneiras: uma aventura extraordinária, um sonho maravilhoso, uma parábola da passagem para a idade adulta.

De qualquer modo, uma grande história – a história de um jovem, filho do dono de um Zoo na Índia, que emigra para o Canadá, com a família e com todos os animais do Zoo.

Acontece o naufrágio e o jovem sobrevive num salva-vidas, com uma zebra, uma hiena, um orangotango e o tigre Richard Parker.

Acho que a adaptação ao cinema é notável.

Ang Lee ganhou o óscar pela realização e o filme ganhou outro óscar pelos efeitos visuais que, de facto, são muito bons.

Duas horas de bom entretenimento.

The amazing team goal!

Monday, April 22nd, 2013

Palavras para quê?

É o Benfica, pá!

http://www.guardian.co.uk/football/video/2013/apr/22/benfica-amazing-team-goal-video

Cartazes de propaganda maoista

Wednesday, March 27th, 2013

DSC04486Exposição de cartazes da propaganda maoista, no Museu do Oriente. Nesta foto, vemos a Anita maoista…

“Lisboa amarga e doce”, fotos de Gageiro

Tuesday, September 25th, 2012

São apenas duas dúzias de fotos de Eduardo Gajeiro, feitas entre 1975 e 2010, mas valem a pena.

Estão em exposição na galeria dos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa.

Como legenda, excertos de poemas de Pessoa e de Ary dos Santos.

Das fotos, destaco esta, de três idosas em amena cavaqueira. Foi tirada em 1985 e diríamos que a cena se passa numa qualquer aldeia das beiras.

Errado.

A foto foi feita no jardim do Príncipe Real. Passaram pouco mais de 20 anos e será difícil, hoje em dia, “apanharmos” velhotas como estas, nas ruas e jardins de Lisboa.

Wallander – 1ª temporada

Sunday, September 2nd, 2012

Wallander é uma série de 5 estrelas.

Baseada nas novelas do sueco Henning Mankell, a série, produzida pela BBC, estreou-se em 2008 e já vai na 3ª temporada, sendo que cada temporada tem apenas três episódios. No entanto, cada episódio é um verdadeiro telefilme, com cerca de hora e meia de duração.

Kurt Wallader é um inspector da polícia da cidade sueca de Ystal; recentemente divorciado e pai de uma filha na casa dos 20 anos, Wallander está obviamente deprimido e cada novo caso de assassínio é, para ele, mais um fardo. Demonstra uma fadiga intensa, alimenta-se mal e parece arrastar-se penosamente. No 3º episódio desta temporada percebemos porquê.

Kenneth Branagh compõe um Wallader muito convincente, barba de cinco dias, olhar triste, roupa desalinhada, parece transportar um fardo, mostrando que, apesar da profissão, não consegue habituar-se à violência dos assassinos.

A série foi filmada em Ystal e a fotografia é óptima, com paisagens lindíssimas e uma luz, digamos, nórdica, muito bem retratada no 3º episódio, que se passa na altura do solstício de verão, quando o sol nunca se põe.

Nunca li nenhuma novela de Mankell, mas esta série despertou-me a curiosidade.

Aconselho vivamente.

Dexter, Luther, The Mentalist e outras séries (menores)

Tuesday, August 14th, 2012

Missing é uma série de cromos. Conta-nos a história de uma mãe (Ashley Judd), ex-agente da CIA, que perdeu o marido numa explosão (Sean Bean), também agente da CIA, e cujo filho de ambos, desaparece.

Becca Winstone, assim se chama a mãe, parte em busca do filho e mostra que é uma super-agente, uma espécie de Jack Bauer feminina, acabando por usar a tortura para obter informações.

Os 10 episódios da série passam por cenários como Dubrovnik, Roma e Istambul e envolvem personagens encarnadas por actores como Keith Carradine e Joaquim de Almeida.

A história é inverosímil, a super-agente não convence ninguém mas a série tem alguma piada e serve como entretenimento.

The Firm é outra série de cromos. Baseada na novela homónima, de 1991, de John Grisham, adaptada ao cinema dois anos depois, com Tom Cruise no principal papel.

O herói da série é o advogado Mitch McDeere (Josh Lucas), um tipo muito amaneirado e que ganha as causas porque sim – só que acaba por se envolver em casos grandes demais para ele e para os seus colaboradores: a esposa (Molly Parker), o irmão (Callum Keith Rennie) e a cunhada (Juliette Lewis).

A série usa, por vezes, um truque que resulta bem, mostrando-se cenas de grande suspense que se vão passar, por exemplo, daqui a duas semanas ou daqui a dois dias, o que faz com que fiquemos “apanhados”, aguardando o desenvolvimento da acção que vai levar à cena apresentada.

Parece que a série foi cancelada, depois dos 22 episódios da primeira temporada. Não me espanta.

A 4ª temporada da série The Mentalist é mais do mesmo. Simon Baker desenvolveu uma personagem simpática, o perspicaz Patrick Jane, bem secundado pela detective Teresa Lisbon (Robin Tunney) e os argumentos são um pouco acima da média.

No entanto, a série parece estar a entrar numa rotina e a história do Red John já chateia um pouco. 

Muito melhor é a série da BBC, Luther.

Luther é um detective sui generis, interpretado pelo calmeirão Idris Elba, que ganhou um globo de ouro este ano.

Com ar atormentado, de mãos nos bolsos e com andar gingão, Elba criou um John Luther convincente, um daqueles heróis de quem se gosta, um detective com muitos problemas pessoais mas que consegue resolver tudo: os casos intrincados que surgem à polícia e os seus próprios casos.

A primeira série, de 6 episódios, de 2010, apresentou-nos a personagem complexa de John Luther e da desafiadora Alice Morgan (Ruth Wilson), uma psicopata que lhe faz a vida negra.

A segunda série, de apenas 4 episódios, conta a história de um par de gémeos assassinos, adeptos da teoria do caos. Paralelamente, Luther salva uma jovem das malhas da indústria pornográfica masrginal e, depois, sofre as consequências.

A terceira série está garantida e ainda bem!

Finalmente, Dexter…

Que dizer mais sobre esta esplêndida série de televisão?

A sexta temporada de Dexter é ainda mais difícil de ver do que as anteriores. É uma daquelas séries que nos causa sofrimento mas que não somos capazes de deixar de ver!

Michal C. Hall compõe um Dexter impecável e implacável. Nesta 6ª temporada, Dexter enfrenta um assassino ainda mais terrível do que o Trinity da 5ª temporada – um assassino inspirado no eterno Norman Bates, do Psycho, de Hitchock…

Confesso: apesar de termos toda a série gravada, só conseguimos ver um episódio por semana…

E o final desta 6ª temporada põe tudo em causa…