“Cartas de um louco”, de Ted L. Nancy

cartasdeumlouco.jpgNão faço ideia de quem seja este Ted L. Nancy e não me admirava nada que este fosse um pseudónimo de Jerry Seinfeld, que escreve o prefácio deste livro singular, publicado em 1997.

O que é certo é que o tal Nancy escreveu uma série de cartas a hotéis, empresas, a clubes desportivos, universidades, ao vice-presidente dos EUA, ao rei do Tonga e muitas outras entidades, com as sugestões, os pedidos e os agradecimentos mais absurdos que se possam imaginar. E o mais surpreendente, é que recebeu resposta a essas cartas. Por vezes, as respostas ainda parecem mais absurdas que as cartas de Nancy.

Podia dar muitos exemplos, mas um basta, porque as restantes cartas são mais ou menos assim, ou pior:

“Ao balcão de reservas do Pan Pacific Hotel San Francisco:

Gostaria de me hospedar no vosso hotel na noite de 21 de Fevereiro. Porém, tenho um problema de saúde que gostaria de vos explicar.

Eu tenho três pernas. Duas delas são normais e com pés de tamanho normal (tamanho 42) e a terceira está a crescer ao lado da perna esquerda. A terceira perna calça o número 47. Como podem imaginar, é complicado arranjar calçado. Tenho montes de sapatos de tamanho 47 dos quais só poderei calçar uma das peças. E não ulso calções!

Gostaria de saber se posso ser hospedado assim que der entrada no vosso hotel. Haverá quartos disponíveis para o dia 21 de Fevereiro? E poderá um homem de três pernas hospedar-se no vosso hotel durante três dias? Para além disto, preciso de um divã ao lado da cama para conseguir dormir.

Obrigado pela resposta rápida que sei que me vão dar, pois preciso de fazer as minhas reservas o mais depressa possível, sempre ouvi dizer que a Pan Pacific chega a extremos difíceis de imaginar para conseguir receber decentemente pessoas com capacidades especiais, especialmente pessoas com três pernas.”

Perante uma carta como esta, quem responderia? Pois o que acontece é que quase todas as cartas de Nancy têm uma resposta. A esta, por exemplo, respondem-lhe com os preçários dos vários quartos, referindo o tamanho das respectivas camas e informando que todos os quartos possuem um divã. Quer dizer: o facto do candidato a hóspede ter três pernas, não causou qualquer estranheza!

Ele escreve, dizendo que viaja sempre com a sua própria máquina de gelo e pergunta se pode ser hospedado em determinado hotel, fazendo notar que ele mesmo carregará a máquina até ao quarto. Noutra carta, pergunta se pode ficar hospedado num hotel, levando as suas próprias cortinas. Escreve à Mars, sugerindo novas qualidades de barras de chocolate, absolutamente absurdas. Escreve a uma cadeia de lojas, pedindo que lhe vendam um manequim, que se encontra na montra de uma delas, e que é muito parecido com um vizinho seu, recentemente falecido e era sua intenção oferecer o manequim à viúva, para minorar a sua perda.

E todos lhe respondem sempre cordialmente, ignorando o facto do teor da carta ser completamente insano!

Não há dúvida que esta é uma grande ideia e, ao acabar de ler este livro, fiquei com uma grande vontade de ir alugar uma caixa postal e começar a enviar cartas semelhantes para algumas entidades portuguesas…

7 thoughts on ““Cartas de um louco”, de Ted L. Nancy

  1. Você pode ter ouvido, que a identidade de Ted L. Nancy foi revelado na televisão nos Estados Unidos. O nome dele é Barry Marder, e ele escreveu para a série Seinfeld. Não é Jerry Seinfeld, e não é qualquer um dos outros idiotas que alegou ser o real Ted L. Nancy.

    Os livros de Marder foram gênio cômico absoluto. Ele é autor de vários outros, incluindo “Mais Cartas de um louco”, “extra louco: as letras ainda mais de um louco”, “Todas as novas cartas de um louco: inclui e-mail lunático” e “Olá Correio lixo!”. Este material é completamente hilário e, talvez, o senso de humor do Brasil e de outros falantes do Português, é tão diferente, que a comédia é perdido na tradução, eu realmente não sei. O que eu sei, é que você tem perdido totalmente em conta o “Cartas de um louco”. Este material é o melhor!

  2. O que eu quis dizer, é que, talvez, o senso de humor é perdido na tradução, na medida em que, é melhor compreendida e apreciada no Inglês original. Ainda podia ser engraçado em outras línguas, mas eu tenho certeza que alguns dos materiais que tiveram de ser alteradas, o que fere a integridade do que foi feito no livro. Por exemplo, alguns dos erros cometidos pelos correspondentes estrangeiros em suas cartas para o autor, não vai ser apreciado por alguém que pode não saber a diferença. Esse tipo de minúcia é muito engraçado.

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