25 de Abril, sempre!

Para todos aqueles que dizem que isto está cada vez pior.

Esperança de vida antes do 25 de Abril – 68 anos; agora – 78,9 anos.

Médicos por 100 mil habitantes antes do 25 de Abril – 122; agora – 377.

Taxa de alfabetização antes do 25 de Abril – 72.6%; agora – 95%.

Número de alunos no ensino superior antes do 25 de Abril – 57 000; agora – 383 627.

Taxa de inflação antes do 25 de Abril – 25,1%; agora – 1,3%.

Mortalidade infantil antes do 25 de Abril – 37,9 crianças por mil nascimentos; agora – 3,6.

Isto chega e sobra.

Mas ainda há a liberdade…

 

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9 Responses to “25 de Abril, sempre!”

  1. Cascão da Silva says:

    Mil por cento de acordo.

  2. Por cada conjunto de dados que aponta para uma conclusão, existem n outros que apontam para todas as outras conclusões possíveis. Estatísticas, gotta love ’em… :-)

    1. Alguns desses números não contém em si prova de serem consequência directa da Revolução de Abril. Não esquecer que o mundo, a ciência, a arte, enfim, a humanidade vai evoluindo.

    2. Formamos hoje em dia mais preparados e melhores profissionais porque temos mais pessoas no ensino superior?

    3. Taxa de inflação: há uma explicação para tal. Por outro lado se analisarmos a situação económica do ponto de vista da dívida externa, durante o estado novo foi praticamente a única altura em que a tivemos controlada nos últimos cento e poucos anos.

    Tenho 33 (quase) anos, e não estava cá quando os meus pais e avós respiraram liberdade. O meu pai carregava livros proibidos para um tio-avô juntamente com as suas coisas da escola. Ouvi sempre pequenas histórias deste género que me deram sempre alguma perspectiva (julgo eu) sobre o que é a falta de liberdade.

    Não concordo por isso que o 25 de Abril seja reduzido a um slogan reduzido à sua forma, uma frase construída e automática, que não leva mais as pessoas a relembrarem o que esteve por detrás dela. O 25 de Abril para mim não é um conjunto de estatísticas que podem ser facilmente rebatidas ou viradas ao contrário por um aluno de secundário, nem é o que me dizem que é só porque sim. É o meu interesse em saber mais. É uma cidadania que se reveste de participação nos destinos do país, que se reveste de exigência de rigor pela governação do mesmo.

    Enquanto povo temos hoje menos força do que antes do 25 de Abril porque assumimos que em liberdade poderíamos ir às nossas vidas descansados. Resignamo-nos na fatalidade do nosso sistema político-partidário e na forma como os interesses corporativos e económicos se sobrepõem tão descaradamente ao interesse do país em n situações, porque perdemos a noção de perspectiva. Resignamo-nos em tudo, por isso somos uns resignados, condenados a seguir e a desenrascar.

    Por isso quando oiço alguém cantarolar “25 de Abril! SEMPRE!” fico triste por dentro. Porque se por um lado somos a nossa história, por outro e numa altura destas isso não passa de um acto auto-masturbatório que de alguma forma nos isenta de pensar e olhar para a frente.

    Acho que tenho um bocado de Abril dentro de mim, mas claramente o meu Abril é diferente do da maioria dos meus concidadãos…

    • Artur says:

      Apenas 2 reparos: “enquanto poco temos hoje menos força do que antes do 25 de Abril” – Não sabes mesmo do que estás a falar e se os teus antecessores eram do reviralho, pergunta-lhes como era o povo antes do 25, pá…
      Segundo reparo: “acto auto-masturbatório”; conheces outro tipo de masturbação ou tens alguém que te masturba habitualmente?

  3. RF says:

    “antes do 25 de abril” refere-se a quando? Não duvido que estejamos melhor agora, só que “antes do 25 de abril” é demasiado vago. Será 24 de Abril de 1974? Ou de 1964? ou de 1874? Quando é esse “antes”?

    • Artur says:

      Os números são todos de 1974; estão na edição do DN de 25 de Abril e disponíveis em muitos sítios; foram referidos nos telejornais desse mesmo dia. A taxa de mortalidade infantil em 1964 é obscena, meu amigo, mais de 30 por mil! Em 1874 não se calculava a taxa de mortalidade infantil, como deverias saber, se não fosses mal intencionado.

      • RF says:

        Assim está bem! Citando a fonte! E o meu comentário não foi de todo mal intencionado, antes uma tentativa de contextualizar melhor o artigo. Aliás, parece-me essa uma interpretação demasiado livre das minha palavras… Mas, continuando longe da má intenção, obrigado por esclarecer.
        Além disso, mal intencionado ou não, não tenho obrigação absolutamente nenhuma de saber o que era ou não calculado em 1874, mortalidade infantil incluida, mas mesmo assim, uma rápida pesquisa no google diz que existem dados para, por exemplo a taxa de alfabetismo em 1870. Será que mais 5 minutos de google não me responderiam a taxa de mortalidade infantil? Cá fica um desafio…
        Só por curiosidade: Introdução da escolaridade obrigatória em Portugal – 1844
        Taxa de escolarização em Portugal em 1870 : 13%Isto fazendo fé no que diz aqui:
        turmainoispa.no.sapo.pt/ficheiros/ice/Apresenta%20l%20l.ppt

        Não era minha intenção ser mal-intencionado, passe a redundância, mas que relação existe entre a minha intenção e aquilo que sei ou ignoro?

        Um reparo: a melhor masturbação, é, de facto, aquela que não é auto.

        Vou mas é para dentro que aqui não me safo…

  4. antonio dias says:

    Eu compreeendo o nosso amigo PMM quando refere ficar triste quando ouve gritar “25 de Abril Sempre!”
    A verdade é que quem viveu o 24 de Abril sabe, que o que se obteve com o 25 de Abril é dificilmente quantiificável.
    É preciso viver num regime de medo, de ignorância e obscurantismo, de falta completa de perspectivas, a não ser a guerra colonial, essa era certa, para se poder satisfazer com os ganhos do 25 de Abril, apesar dos pesares, esses que ele refere.
    Quem não viveu isto, quem nasceu depois de 74, e cresceu observando uma sociedade em crescimento, com uma população interessada e interventiva, quem cresceu tendo acesso ao essencial, porque as gerações anteriores o conquistaram, agindo, não consegue compreender que quando nos refugiamos em slogans como o “25 de Abril sempre” estamos simplesmente a dizer que não aceitamos voltar atrás, que aquele minímo (considerando as expectativas que se viveram), esse não não pode ser discutivel.
    Compreendo que as novas gerações entendam que estamos a pedir pouco, mas, como refere ACS, há ganhos enormes que não nos podem tirar, sendo que a liberdade de expressão é um deles, e não de somenos importância.

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