“Volver”, de Pedro Almodôvar

volver.jpgAlmodôvar gosta de filmar mulheres. “Volver” é uma história sem homens: apenas Paco, companheiro de Raimunda (Penélope Cruz), faz uma curta aparição, bebendo cerveja, enquanto assiste, na televisão, a um jogo de futebol, ao mesmo tempo que olha, lubricamente, para as pernas da filha adoptiva. No dia seguinte, estava morto.

A crendice popular, de que os mortos podem regressar à Terra, se tiverem deixado alguma promessa por cumprir, faz com que algumas das personagens de “Volver” não se apercebam que a mãe de Raimunda (Carmen Saura), afinal, não regressou dos mortos. Afinal, ela nunca chegou a morrer. O corpo carbonizado da mulher, na cama, ao lado do corpo do pai de Raimunda, era da amante, a mãe de Agustina, a “hippie” da aldeia.

O argumento é de telenovela e, talvez por isso mesmo, a irmã de Agustina é produtora de um “reality show” televisivo, dedicado a encontrar pessoas desaparecidas.

Mas, entre o “kitch” e a pieguice, o humor de Almodôvar parece levar a melhor e o filme é recomendável.

No entanto, Penélope Cruz parece um pouco deslocada naquele ambiente, demasiado sofisticada para uma empregada de limpeza que vive num subúrbio de Madrid e está casada com um morecão. Em resumo: os seus decotes são pouco realistas…

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