Um espião no Conselho de Ministros

Jorge Silva Carvalho, ex-director do Serviço de Informações Estratégicas do Estado, vai ser interrogado na próxima 4ª feira pelo Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

É acusado dos crimes de abuso de poder, acesso ilegítimo a dados, violação do segredo de Estado e corrupção passiva.

Foi esta semana integrado como funcionário da Presidência do Conselho de Ministros, por despacho conjunto do primeiro-ministro e dos ministro das Finanças, publicado no Diário da República.

Por outras palavras: Passos Coelho e Vitor Gaspar contrataram um ex-espião, suspeito de vários crimes, para o Conselho de Ministros.

Parece-me correcto.

Ao saber desta notícia pelos jornais, Silva Carvalho disse «estou disponível e posso ajudar».

E Coelho e Gaspar bem precisam de ajuda!

Mas Silva Carvalho – qual 007 de pacotilha – disse mais: «Eu não sou esquisito, temos de ter alguma dose de humildade nestas coisas».

Claro, pá – servir os americanos ou os soviéticos, espiar para os árabes ou para os israelitas, trabalhar para o Passos Coelho ou para o Gaspar – é igual – desde que paguem o salário.

Ao Expresso, Silva Carvalho disse, a propósito do seu pedido de reintegração ter demorado tanto tempo a ser aceite: «sou forçado a compreender que durante o período do governo de José Sócrates tenha havido algumas nuances políticas em relação ao meu processo».

Mas agora, que Sócrates regressou à ribalta, talvez dê jeito a Passos Coelho ter um ex-espião a trabalhar para si.

Ná! Deve ser só coincidência!

E falta de vergonha…

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