“Sexografias”, de Gabriela Wiener (2021)

De Gabriela Wiener já tinha lido o curioso “Retrato Huaco”, de 2021. Wiener nasceu em Lima, Peru, em 1975, mas vive em Espanha desde 2003, colaborando em diversos jornais com as suas crónicas sobre sexo.

E este livro, como o próprio nome indica, é sobre sexo, reunindo diversas crónicas que abordam assuntos tão díspares como a ejaculação feminina, as relações entre trans, entrevistas com Nacho Vidal, o actor porno com um pénis de 27 centímetros, a história da iguana com priapismo, experiências num clube de swingers e etc e tal.

Gabriela Wiener conta-nos que vive com Jaime, o seu marido e com a sua mulher, Rocío – e até nisso é provocadora.

O livro é curioso, embora, às tantas, tantas experiências sexuais acabem por enjoar um pouco e é pena que os textos não estejam datados.

De qualquer modo, é uma leitura divertida.

“Retrato Huaco”, de Gabriela Wiener (2021)

Gabriela Wiener (Lima,1975) é uma jornalista, colunista e escritora peruana emigrada em Espanha.

Retrato huaco é o nome que se dá a peças de cerâmica que representam rostos indígenas e que, segundo se dizia, capturavam as suas almas.

Gabriela Wiener, mestiça, é tetraneta de Charles Wiener, explorador austríaco-francês que visitou o Peru no século 19 e de lá levou, para Paris, muitas peças de cerâmica e não só, abrindo um museu perto da Torre Eiffel.

Gabriela escreve este pequeno livro de autoficção arrojado, confessando-se adepta do poliamor, vivendo com um marido e uma namorada. Fala-nos do trisavô, colonialista, do pai, revolucionário e adúltero, da mãe e da amante do pai, bem como das suas próprias aventuras sexuais, fora do seu núcleo familiar.

É, por isso, um livro arrojado e estranho, difícil de catalogar.

Duas citações:

Página 45:

“Os meus avós paternos eram tão brancos, que eu não me sentia confortável com eles. Quando o meu avô branco morreu, a minha avó branca começou a tocar-nos um pouco mais e a peidar-se quando ia de uma divisão para a outra, saiu do armário como uma católica simpática e ensinou-me a tricotar. A minha avó chola balançava-me nas pernas e ensinava-me a rezar, enquanto falava com o meu pai como se estivesse a falar com o dono da fazenda, até que adoeceu e começou a mandar todos à merda.”

Página 110:

“Não queremos deixar de foder com brancos, o que queremos é começar a foder entre nós. Branqueámos o sexo, branqueámos o amor, racionalizámo-lo. O poliamor, por exemplo, é uma prática branca que não tem em conta como funciona a circulação do desejo e os seus limites para pessoas como nós, as feias do baile. Desconfiem dos olhos azuis e da lógica do progresso aplicada ao corpo! Deixámos de desejar e de amar corpos como os nossos, afastámo-nos das nossas próprias formas de vida amorosa e sexual, do que nos sai da cona”.

Está dito!