País de anedota

O que se passa em Portugal?

Que acontecimentos importantes ditam o nosso futuro, como nação?

Em primeiro lugar, temos o caso gravíssimo do professor que foi alvo de processo disciplinar por dizer uma graça sobre a licenciatura do Sócrates.

O professor, Fernando Charrua, é daqueles que não dá aulas e está requisitado na DREN. Segundo umas versões, terá dito que somos um país de bananas, governado por um filho da puta de um primeiro-ministro; segundo outras versões, terá dito a um colega que, caso precisasse de um doutoramento, que lho mandasse por fax, nem que fosse falso.

Em qualquer dos casos, penso que o Charrua se estava a insultar a si próprio: ou porque, sendo português, se estava a considerar banana, ou porque insinuou que aceitaria um doutoramento enviado por fax, mesmo falso.

Enfim, o colega, que deve ser um amigo da onça, foi fazer queixa à Directora da DREN que, sendo das que são mais papistas que o papa, instaurou um processo disciplinar ao Charrua.

Deve ser por isto que Portugal está na cauda da Europa porque, de facto, isto é mesmo um assunto de merda.

Mais acontecimentos importantes.

O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, disse que “fazer um aeroporto na margem Sul seria um projecto megalómano e faraónico, porque, além das questões ambientais, não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio”. Enfim, queria Lino dizer que “aquilo é um deserto”!

Ai que mentira!

Todos nós sabemos – até pelas anedotas de alentejanos, de que tanto gostamos – que a margem sul do Tejo é a margem certa!

Eu, que vivo na margem sul, eu, que vivo no tal deserto, estou sinceramente farto destas multidões. Só aqui em Almada, hotéis são… são… olhem, se calhar até nem há hotéis em Almada, mas, se tivéssemos um aeroporto, claro que teríamos hotéis. E que falta fazem hotéis em Almada, Laranjeiro, Feijó, Amora! Proponho, já, a construção de um hotel ali, junto ao bairro do Picapau Amarelo!

O ministro veio logo a seguir pedir desculpa por ter dito aquilo que muita gente pensa e justificou-se: as suas palavras foram tiradas do contexto.

Não acho bem que ele tenha pedido desculpa.

Um aeroporto na margem sul seria, certamente, um projecto faraónico. E as pirâmides, senhor ministro, não estão lá, na margem sul do Cairo? Não são agora candidatas a um das sete novas maravilhas do mundo? Toca mas é a construir um aeroporto em Palmela e outro em Azeitão!

Como vêem, mais um assunto importantíssimo para o futuro da nação.

Isto para já não falar no senhor Lopes.

Santana Lopes não perde uma oportunidade: sempre que ouve um membro do governo dizer ou fazer alguma alarvidade, vem logo a terreiro dizer outra pior, porque não quer o seu lugar tomado.

Então, Lopes disse que a actual direcção do PSD é estalinista e mesmo nazi, por não deixar que membros do partido, que sejam arguidos em processos, possam ser candidatos às autarquias.

Pior: o Sr. Lopes, logo no dia seguinte, acrescentou isto: “retiro o que disse. (…) Não gostei de ler o que disse. Os políticos têm que dar o exemplo de boa educação.”

O Sr. Lopes não gostou de ler o que disse?

Só para terminar: Fernando Negrão, um dos 12 candidatos à Câmara de Lisboa (!!!), diz, hoje, ao Expresso, que “António Costa não é vaca sagrada”.

Será que vai gostar de ler o que disse?

Digam lá se este país não é mesmo um fartar de rir?…

8 thoughts on “País de anedota

  1. Isto só não tem piada porque o nosso país se atrasa cada vez mais em relação aos países mais desenvolvidos da Europa e é ultrapassado por países que acabaram de entrar na UE.

    Os nossos políticos são uma cambada de nabos!

    Mas a piada da semana passada que eu ponho no top é a do Almeida Santos! O homem tem de ser entrevistado mais vezes!

    Os nosso políticos (ele incluído), é que deveriam ser dinamitados!!!

  2. O melhor foi o Almeida Santos a dizer que a Ponte poderia ser dinamitada. E eu, que não me ria tanto desde a fábula do “Menino-Guerreiro” do Santana…

  3. aqui por onde eu vivo- dizem que é a província, mas acho que também é Portugal- a taxa de desemprego deve rondar os 30%. Nós andamos preocupados com isso (só um bocadinho). Eu diria que como tudo o que se passa, passa em Lisboa e arredores, as pessoas andam entretidas com esse tipo de coisas bem importantes. Como dizia o meu homónimo “queriam o quê? telenovelas?”.

  4. Bem artilhado! Mas, ó Coiso, e que dizer sobre a possibilidade de atentado terrorista à ponte se o aeroporto for construído no deserto!? Caiu no esquecimento?

  5. Esqueci-me, de facto, das palavras do Almeida Santos, sobre o atentado terrorista a uma das pontes sobre o Tejo, mas pensei que era apenas mais um sintoma de Alzheimer. Assim como me esqueci das palavras do puto Mendes, quando disse que o Lino não estava bom da cabeça. E já não fui a tempo de referir a diatribe dos jovens do PSD, que puseram um camelo no Centro Sul – só que era um dromedário…
    País de anedota, de facto!

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