“Olhó tabaco! Cá está o tabaco! Olhó tabaco!”

Este pregão é o único que retenho na minha memória, dos tempos em que ia à bola com o meu pai.

Era domingo – a bola era sempre ao domingo, nos anos 60 – e, à frente do estádio da Luz, alinhavam-se as bancas dos vendedores ambulantes.

Não me lembro de mais nenhum, a não ser a do tipo do “olhó tabaco!”

Tinha uma pequena baliza, talvez do tamanho de uma baliza de hóquei e, sobre a linha de baliza, dois maços de tabaco SG, lado a lado. A cerca de três metros de distância, uma pequena bola, talvez uma bola de ténis (deste pormenor, já não me lembro).

A malta que quisesse arriscar, pagava uma certa quantia ao “olhó tabaco!” (cinco tostões?), e chutava a bola. Se conseguisse mandar abaixo os dois maços de tabaco, ficava com eles. Valia a pena arriscar.

Apesar de estarmos nos tempos em que o tabaco não fazia mal à saúde, o meu pai nunca me deixou experimentar!

Mas nunca mais me esqueci do pregão: “Olhó tabaco! Cá está o tabaco! Olhó tabaco!”

2 thoughts on ““Olhó tabaco! Cá está o tabaco! Olhó tabaco!”

  1. Pois a mim, o que ficou na memória, foi o médico de cada vez que me dizia “não podes fumar, o tabaco faz muito mal”, acendia um cigarro…a secretária dele, parecia um imenso cinzeiro!E eu pensava: como é que só a mim é que faz mal?Será por ele ser médico que se acha imune aos malefícios????

  2. Lamento, repetindo-me, que dentro desta categoria “memórias de um fumador” encontre apenas este texto e não todo o resto.
    É que há certos documentos que valem pela genuidade com que são escritos, fazendo parte daquela história que não consta dos compêndios, mas que é tão ou mais verdadeira: as vivências!

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