“O Irmão Alemão”, de Chico Buarque (2014)

Aos 22 anos, Chico Buarque descobriu que tinha uma meio-irmão nascido na Alemanha. O seu pai, Sérgio Buarque de Holanda, vivera naquele país entre 1929 e 1930 e aí tivera um filho com uma alemã, filho esse que terá, depois, sido entregue à Segurança Social e, mais tarde, adoptado.

Mas isso, Chico Buarque só descobriria quase 50 anos depois, quando decidiu procurar o rasto de Sérgio Ernst.

E esta história verdadeira serviu de inspiração para este livro, onde um Francisco de Hollander procura obsessivamente o seu irmão alemão, ao longo de décadas, aproveitando para nos contar um pouco da história recente do Brasil, nomeadamente os tempos da ditadura.

O narrador está permanentemente a imaginar cenários, caso encontrasse o irmão e ele fosse este ou aquele, tivesse tido esta ou aquela profissão, fosse ou não judeu, tivesse ou não sido detido nos campos de concentração nazi, ou, pelo contrário, tivesse ele próprio sido um nazi.

De presunção em presunção, os anos vão passando, os pais de Francisco de Hollander morrem e ele acaba por viajar até à Alemanha, onde, de pista em pista, acaba por descobrir, finalmente, o que aconteceu ao seu irmão alemão. Muito bom!

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