Mudar de operador telefónico é árduo

No que respeita a novas tecnologias, sou muito conservador.

Quando o vídeo começou, comprei um leitor Sony Betamax, um monstro que pesava 30 quilos e que foi tão caro que tive que o comprar a prestações, na Bepaliz. Não resultou. O sistema beta foi para o maneta e a Bepaliz foi à falência – não por minha causa, que paguei toas as prestações, num total de 150 contos! 150 contos por um gravador de vídeo Betamax que, poucos anos depois, valia nada! Népia! Nicles! Mas eu fui resistindo e só comprei um leitor VHS quando, praticamente, me encostaram uma pistola à cabeça e me disseram: ou mudas para VHS ou nunca mais vais conseguir gravar porra nenhuma!

Com os cd, não fui tão conservador. Estava farto dos discos de vinil, todos cheios de riscos, humidade, fungos e lixo, que punham os Beatles a gritar “She Loves You”, com um ruído de batatas a fritar que se ouvia no vizinho do lado – de tal modo que ele chegava a vir bater-me à porta, incomodado com o cheiro.

Comprei, portanto, um leitor de cd Pioneer, ainda só havia três cd em Portugal: “Lover Over Gold”, dos Dire Straits, “Carmina Burana”, do Carl Orff e “Revolver”, dos Beatles. As caixas dos cd eram tão grossas que, se eu atirasse uma delas à cabeça do meu filho Pedro, na altura com 14 anos, lhe provocaria uma concussão cerebral, no mínimo.

Não funcionava. O leitor de cd estava estragado.

Mas arranjou-se…

No que diz respeito ao dvd, também só a eles aderi quando a procissão já tinha abandonado o adro há muito tempo. Não me estava a apetecer entrar numa guerra semelhante à do betamax-VHS. Assim como, agora, não sei se vou aderir ao blue-ray, enquanto os senhores não concordarem com um único sistema de alta definição.

O Ipod também entrou na minha vida já com algum atraso – embora, agora, não queira outra coisa. Os 80 gigas do meu pequeno aparelho permite-me ter tudo o que já tinha e muitos arredores.

Tudo isto para explicar que, no que toca a novas tecnologias, sempre preferi o tipo “wait and see”.

Assim foi, quanto aos operadores telefónicos. Este mês ainda vou pagar aluguer de telefone à PT, vejam bem!

Mas será a última vez!

Agora, sou cliente do cabo, também no telefone.

Liguei para o número que vem na publicidade e atendeu-me uma menina muito simpática. Respondi-lhe às perguntas que ela me fez e, no dia seguinte, por volta das 9 da noite, um tipo com ar de foragido político, oriundo da Roménia, tocou à minha campainha. Abri a porta e o tipo, depois de olhar sobre o ombro, como se estivesse a ser perseguido, entregou-me uma caixa e fugiu, escadas abaixo.

Abri a caixa e, lá dentro, estava um kit para a instalação do telefone por cabo – melhor dizendo, para a instalação da ligação telefónica, porque o telefone, propriamente dito, já eu tinha. Além de várias peças e fios, a caixa trazia, também, um manual de instruções e um envelope que, por fora, dizia esta coisa curiosa: «nem todas as peças deste kit podem ser necessárias para a instalação». Quer dizer: a própria empresa leva a sério o dito popular, segundo qual, quando a malta instala qualquer coisa, sobram sempre peças!

A instalação do kit é muito fácil e fiz aquilo tudo em cerca de 15 minutos. No final, o telefone não funcionava. Evidentemente.

Liguei para a linha de apoio ao cliente, pelo telemóvel, claro está, e um rapazinho muito simpático tentou ajudar-me. Como é habitual nestas coisas do cabo, pediu para eu me pôr de pé, apoiado só num pé, com o braço direito esticado e o indicador a tocar no nariz da minha mulher, ao mesmo tempo que carregava em todos os botões do telefone.

Não resultou.

Pediu, depois, que eu esticasse o fio até à varanda e cantasse o “I Am the Walrus”, em falsete.

Mesmo assim, o telefone não funcionou.

Combinámos que, no dia seguinte, um técnico credenciado haveria de visitar-me.

Assim foi.

No dia seguinte, um tipo com idade para ser meu neto e com cara de quem está a precisar de um par de estalos, veio cá a casa e viu logo o problema: sentou-se na minha cadeira, ligou-se à internet, digitou umas coisas, aproveitou para ver algumas fotos que estavam a passar no screen saver (numa delas, eu estava nu, na casa de banho, a fazer peitorais para o espelho… e o técnico olhou-me com ar condescendente e disse «não devia ter usado o flash»; pois não, a luz reflectiu-se no espelho e não se via a minha pila…), depois telefonou para alguém, a quem ditou o código do meu modem e com quem comentou o facto de Valentim Loureiro ir ser julgado, que era a notícia que estava a passar na minha televisão.

Depois, fez mais qualquer coisa no computador e anunciou: pronto, agora é só cortar o fio da PT, ali, naquela caixinha e está tudo à maneira.

Cortar o fio da PT?

Então não era suposto ser a empresa a informar a PT que eu deixava de querer ser seu assinante?

Quer que eu corte o fio agora? perguntou o técnico.

Deixe estar… eu depois faço isso – respondi, desejoso de o ver pelas costas.

O tipo foi-se e o telefone, de facto, ficou a funcionar.

O mesmo não se pode dizer do mail, que me começou a pedir a password e me recusava a que eu escrevia.

Telefonei, desta vez, para a linha de apoio aos clientes da netcabo.

Atendeu-me outro rapazito, também simpático, que me agradeceu por eu ter estado à espera e me tentou ajudar de todas as maneiras e feitios, mas o mail não quis funcionar, por mais versões da passaword que nós tentássemos.

Mais uma vez ficou agendada a visita de um novo técnico.

No dia seguinte, experimentei novamente a primeira password de todas e o mail funcionou.

Não precisei sequer de me pôr de cócoras e cacarejar, enquanto escrevia a password.

E não precisei de nova visita do técnico.

Zon é o novo nome da TV Cabo.

Zon é um bom nome.

Faz lembrar algo do outro mundo, não é?…

3 thoughts on “Mudar de operador telefónico é árduo

  1. Uma coisa:
    Já defeniram o formato de Alta Definição, o Blu-Ray venceu. Mas para o poder aproveitar é necessário um Plasma/LCD Full HD.

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