“Misericórdia”, de Lídia Jorge (2022)

Livro curioso, este.

Lídia Jorge consegue manter-nos presos na leitura de um livro que, no fundo, é um diário de uma idosa internada num Lar – coisa que, à primeira vista, pode parecer um pouco desinteressante.

No entanto, a narradora, que é a própria velhota, consegue manter-nos interessados, contando-nos o dia-a-dia de um lar, com a entrada e saída dos diversos cuidadores, com o ataque das formigas, que invadem as camas dos idosos, com o sr. Tavares, que é truculento e malcriado, o sr. Peralta, que toca piano, a menina Joaninha, que se atira a todos os velhos, a funcionária brasileira, que acaba grávida de um húngaro e por aí fora. Às tantas, o Lar é uma metáfora do país.

Curiosamente, a filha da narradora é escritora e quer fazer amor com o Universo e o genro assobia como um pássaro. Depois de muitas aventuras, a história termina com a chegada da pandemia do covid.

Aconselho.

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