Iguazu – as águas grandes

O Sheraton fica mesmo em frente às cataratas, que se vêem do lobby. Saímos logo para uma primeira exploração e, apesar do aviso que dizia que o Parque fecha às 18 horas, fomos andando, através do caminho que sai aqui mesmo, do hotel, passámos por vários coatis, à procura de restos de comida e chegámos à primeira visão das cataratas. Impressionante! 

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As cataratas do Iguaçu são um conjunto de mais de 250 quedas de água, na fronteira entre o Brasil e a Argentina. O rio Iguaçu corre tranquilamente e, de repente, cai. Na chamada Garganta del Diablo, são 1800 metros cúbicos por segundo, caindo de uma altura de 70 metros.

Fomos andando pelas passarelas, até que, pelas 19 horas, um ranger veio dizer que tínhamos mesmo que voltar para o hotel, porque o Parque já estava fechado.

Jantámos no Sheraton, porque não há alternativa: ou se janta no hotel, ou se pagam 100 pesos a um taxista para te levar a Puerto Iguazu, a cerca de 20 km. 

17.10.07 – Foi um dia longo, das 8 da manhã às 8 da noite, sem almoço. Sempre a andar. A agência “Águas Grandes” (Iguazu), responsável pelo nosso entretenimento, decidiu condensar todo o programa no dia de hoje, antecipando-nos o voo de amanhã para as 12h30.

Às 8 da matina, começámos a visita das cataratas. Formou-se um grupo de várias nacionalidades, como tem sido habitual e começámos por percorrer o chamado circuito superior. Caminhando ao longo das passarelas, fomos observando os vários braços do Iguazu a precipitarem-se no vazio. As aves e as borboletas multicolores, a floresta densa e algumas curiosidades: um caimão especado, que parecia uma estátua de bronze; uma pequena tartaruga; bandos de borboletas amarelas, esvoaçando de forma aparentemente anárquica.

Aqui, a selva é subtropical e, portanto, tão densa que é impossível penetrá-la, sem a ajuda de uma catana; isto deve-se ao facto de o sol atingir, por igual, toda a vegetação que, assim, cresce em todas as direcções. Na floresta amazónica, por outro lado, as árvores crescem muito, em direcção ao sol e, junto ao solo, o sol não chega, não havendo vegetação rasteira.

A certa altura, apanhámos o pequeno comboio que nos leva até perto da principal queda das cataratas – a Garganta del Diablo. Aí, o ruído das toneladas de água a cair é ensurdecedor. Andorinhas suicidas, que fazem os ninhos por detrás das águas para evitarem os predadores, furam a cortina de água numa azáfama constante. A bruma que se levanta, com o fragor da queda da água e forma uma cortina espessa e húmida. O espectáculo é esmagador. 

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As quedas de água de Vitória, no Quénia, são as mais altas, as do Niágara, são as mais volumosas, mas as de Iguazu são, de facto, as mais “dramáticas”, desde logo pelo número de cascatas, que enchem o horizonte.

Regressámos pelo comboio e partimos para um passeio intitulado “Grande Aventura”. Primeiro, enfiaram-nos numa camião, tipo militar, de caixa aberta e levaram-nos alguns quilómetros, floresta adentro, com uma menina esganiçando-se ao microfone em explicações sobre a vegetação, nomeadamente, sobre o palmito, muito apreciado na Argentina e no sul do Brasil – só que, para se extrair o palmito, a árvore morre. Depois do percurso na selva, descemos uma escadaria construída na encosta e chegámos a Puerto Macuco, um embarcadouro improvisado, no rio Iguazu inferior. O resto do percurso seria em barco de borracha. A coisa complicava-se. Enfiámos as mochilas em sacos impermeáveis, vestimos os coletes salva-vidas e embarcámos. O barco tinha capacidade para cerca de 30 turistas, alguns dos quais, avisados, iam de fato de banho. Não era o nosso caso…

Os primeiros 5 minutos do percurso foram tranquilos mas, depois, começaram os remoinhos e os respectivos solavancos. A certa altura, um dos tripulantes avisa-nos para guardarmos as máquinas fotográficas e logo somos atirados para debaixo de uma cascata. Não estava nada à espera daquilo e a água fria, caindo assim, de rúpia, em cima da cabeça, deixou-me sem ar. Fiquei logo ensopado até aos tint-tins. E percebemos que, a partir daquele momento, a coisa só podia piorar. Mas não podíamos fugir. E também não queríamos. E pronto: fomos novamente encharcados pela mesma cascata, demos mais umas voltas e reviravoltas, com a malta toda aos gritos e, finalmente, a piéce de resistance: duas investidas nas águas do salto Bosseti, que é um dos maiores das cataratas. Aí sim, o encharcanço foi total e o barco limita-se a passar, por segundos, nos limites da queda de água.

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Desembarcámos, encharcados até aos ossos e só tínhamos cerca de meia hora para trocarmos de roupa.

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