“A Polícia da Memória” , de Yoko Ogawa (1994)

Yoko Ogawa nasceu em Okayama, Japão, em 1962 e publicou mais de duas dezenas de romances e novelas.

Este “A Polícia da Memória”, editado no Japão em 1994, foi finalista do National Book Award for Translated Literature, em 2019, e finalista do International Booker Prize de 2020.

Depois de ler esta história, é impossível não nos lembrarmos de “1984”, de George Orwell, e, sobretudo, de “Farhenheit 451”, de Ray Bradbury.

A história desenrola-se numa ilha isolada onde, de vez em quando, desaparecem coisas, os laços do cabelo, sinos, as aves, caixas de música, barcos. De vez em quando, um determinado objecto desaparece da ilha, as pessoas estranham, mas acabam por habituar-se. E a Polícia da Memória tudo fiscaliza, para ter a certeza de que esses objectos desaparecem mesmo da memória das pessoas.

A narradora é uma romancista que vive sozinha, e cuja mãe foi levada pela Polícia da Memória porque, aparentemente, não se esquecia das coisas. Ela e um seu amigo, um velho marinheiro, vão acolher e esconder o seu editor, que também mantém a memória de tudo o que desapareceu na ilha; para ele constroem um quarto secreto, onde ele passa a viver, escondido.

Toda a história é uma imensa parábola sobre a resignação, sobre o facto de nos adaptarmos a tudo, até ao desaparecimento de coisas tão importantes para nós, mantendo-nos calados pelo medo.

Aconselho.

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