A manifestação esmagadora

Ponto prévio: em 1975 (ou 1976), com 22 (ou 23 anos), também participei numa manifestação, descendo a Avenida da Liberdade, gritando palavras de ordem, até S. Bento.

Hoje em dia, penso que as manifes já não têm tanto impacto como nesses tempos conturbados do PREC.

Alguém se lembra da gloriosa manif dos profes, contra a política da actual ministra da Educação?

Dizem que foi a maior mobilização de sempre dos professores – o que também não admira porque nunca houve tantos professores como agora…

O que conseguiram eles com essa manif, para além de alguns minutos de tempo de antena, nas têvês, e algumas linhas nos jornais?

As manifes passaram de moda.

Para afirmar as nossas convicções, hoje em dia, há que ser criativo.

Foi o que fizeram os apoiantes de Carmona Rodrigues, ao organizarem, no passado dia 6, uma manifestação de apoio ao quase ex-presidente da Câmara.

A manifestação foi convocada através do original email, de ressonância “beatle”, carmonaparasempre@gmail.com (impossível não nos lembrarmos do “Strawberry fields forever”).

O local da manif: a Praça do Município, claro.

Presentes estiveram apoiantes de Carmona e que, segundo o Público, eram “menos de uma dezena de pessoas”.

Isto sim, foi uma inequívoca demonstração de apoio a Carmona. Não foi preciso juntar milhares de munícipes, arregimentados pelo PSD e concentrando-se na capital, vindos dos quatro cantos do país, em camionetas pagas pelo partido.

Bastaram 8 ou 9 pessoas.

Disse Albertina Costa, uma das apoiantes: “valeu mais este pouco tempo que ele lá esteve do que os outros partidos em 30 e tal anos de governo da cidade”.

Disse Otto Czernin, outro apoiante: “foi muito mal tratado pelos partidos políticos, que gostam de ter marionetas e lhe tiraram o tapete”.

Se eu fosse ao Carmona, não me demitia nem à lei da bala e nomeava a Albertina para Vice-presidente da Câmara e o Otto para os restantes pelouros que vão ficar livres, depois dos traidores todos se demitirem.

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