“Um Homem Inquieto”, de Henning Mankell (2009)

Cheguei a este autor sueco através da séria Wallander, da BBC, protagonizada por Kenneth Branagh.

Gostei da atmosfera da série e fiquei curioso, para saber se os livros de Henning Mankell eram tão bons como a série.

homem inquietoEste “Um Homem Inquieto” (Editorial Presença, 2012, tradução de Ulla Baginha) é o último dos dez livros que Mankell escreveu tendo o detective sueco Kurt Wallander como principal personagem.

O ambiente do livro é tipicamente sueco ou, pelo menos, a ideia que fazemos da Suécia, vagamente depressivo, com pouco sol, quotidianos sombrios, rotineiros.

Wallander é um tipo um pouco perturbado com a sua história pessoal e, neste último livro, com a sua saúde: sofre de diabetes, faz insulina, tem hipertensão e, de vez em quando, lapsos de memória que, no final do livro, se aproximam cada vez mais do Alzheimer.

Por um lado, isto faz de Wallander uma personagem mais “humana”, por outro lado, conferem à narrativa mais traços depressivos, que se juntam às paisagens tristes, às manhãs frias, às noites escuras – e tudo isto é muito bem retratado na séria da BBC, que tem a virtude de resolver tudo em hora e meia de telefilme, enquanto aqui, no livro, as coisas, por vezes, demoram tempo demais.

O estilo da narrativa e a composição da personagem de Wallander fazem-me lembrar, por vezes, o comissário Maigret, criado pelo grande George Simenon; no entanto, enquanto Maigret apreciava um bom copo de vinho e, por vezes exagerava, ficando ligeiramente ébrio, mas divertido, Wallander afoga-se em vodca e, depois, fica com peso na consciência. A diferença entre os povos do norte e os do sul da Europa…

Este “Um Homem Inquieto” conta-nos a história de um oficial da marinha sueca que, subitamente, desaparece, seguido da sua mulher, a qual surge, mais tarde, assassinada. Por trás desta trama, há uma história inesperada de espionagem.

O livro lê-se bem, mas é um pouco longo demais e a história nuclear pareceu-me demasiado “sueca”.

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