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“A Visita do Brutamontes”, de Jennifer Egan (2010)

Tuesday, August 13th, 2019

Depois de ter lido A Praia de Manhattan, outro romance desta jovem escritora norte-americana, fiquei com curiosidade em ler este A Visita do Brutamontes, vencedor do Pulitzer de 2011.

Não me arrependi.

Este A Visit From the Goon Squad prende-nos do princípio ao fim e prima pela originalidade da escrita.

Egan muda de estilo ao longo do livro, mantendo, no entanto, uma uniformidade a toda a prova (há até um capítulo em forma de Power Point).

O brutamontes aqui é o tempo, que passa pelas pessoas e que tudo muda. As principais personagens do livro são Bennie Salazar, um músico punk que, com a idade deixa de tocar e passa a produtor discográfico, e Sasha, uma sua assistente, cleptomaníaca e que acaba por ser despedida.

Cada capítulo do livro conta-nos uma pequena história, de certo modo relacionada com aquelas duas personagens, embora elas próprias só surjam em três dos treze capítulos.

A acção do romance decorre em Nova Iorque, San Francisco, Nápoles e algures em África e aconselho vivamente a sua leitura.

“A Praia de Manhattan”, de Jennifer Egan (2017)

Thursday, February 21st, 2019

Jennifer Egan (Chicago, 1962) ganhou o Prémio Pulitzer de 2011 com o romance A Visita do Brutamontes (está ali na prateleira para ler) e com este A Praia de Manhattan parece ter-se afirmado como uma das mais importantes escritoras norte-americanas da actualidade.

A acção deste novo livro de Egan passa-se nos anos 40 do século passado, durante a Segunda Grande Guerra e a protagonista, Anna, percorre todo o livro, desde os tempos em que, ainda criança, acompanha o pai nas suas visitas a dirigentes sindicais do Porto de Nova Iorque mais ou menos relacionados com as máfias irlandesa e italiana, até à sua mudança para a Califórnia, por motivos de força maior, que só a leitura deste excelente livro revelará.

O pai de Anna vai desaparecer de cena, assim como a sua irmã deficiente, e até a sua mãe, ex-bailarina, e Anna, sozinha, acaba por arranjar trabalho no Porto, como soldadora e, pouco depois, torna-se uma das primeiras mulheres a mergulhar com escafandro.

Para além de uma história muito rica de peripécias, em que as personagens são consistentes e credíveis, o principal destaque deste livro vai para a narrativa verdadeiramente cinematográfica. Com efeito, ao lermos o livro, estamos a “ver” as cenas num écran.

Não me admira nada que este livro seja, em breve, adaptado ao cinema, como já aconteceu com outro romance de Jennifer Egan, O Circo Invisível (2014).

Recomendo.

Edição Quetzal, tradução de Vasco Teles de Menezes.