“Lord of War”, de Andrew Niccol

senhordaguerra.jpgÉ um filme difícil de classificar. Todo o seu tom é jocoso, fazendo lembrar algumas coisas dos irmãos Coen (é impossível não nos lembrarmos de “Razing Arizona”, até porque o protagonista é o mesmo).

Partindo do princípio de que Niccol quis fazer uma sátira, aceita-se. Cage interpreta a personagem de Yuri Orlov, um ucraniano emigrado nos States, que não se satisfaz com a vida pequeno-burguesa dos pais e decide tornar-se traficante de armas.

Em pouco tempo, vemo-lo a vender armas a tudo o que é grupo insurrecto, do Líbano à Libéria. Ao mesmo tempo, leva uma vida dupla, casando com uma modelo e proporcionando-lhe um elevado nível de vida.

Claro que, à medida que vai subindo no negócio, Orlov começa a deparar-se com uma série de dilemas morais: ele fornece armas a exércitos que chacinam crianças. O seu relacionamento com o presidente da Libéria, por exemplo, parece uma rábula dos Monty Python. O pior é que, se calhar, aquilo não está muito longe da verdade. Tipos como Charles Taylor e outros ditadores africanos, só podem ser uma de duas coisas: psicopatas perigosos ou perigosos psicopatas.

No final, a velha Teoria da Conspiração vem ao de cima: claro que Orlov não pode ser preso pela Interpol. Como ele próprio diz ao agente que o persegue há anos: ao presidente dos EUA dá jeito que existam free-lancers como ele, que podem fornecer armas, sem que o presidente tenha que sujar as mãos.

One Response to ““Lord of War”, de Andrew Niccol”

  1. Elso Lago says:

    Gostei do filme, principalmente, pelo cinismo com que apresenta um facto muito real e que todos fingimos não ser possivel.

    Nicholas Cage, sou suspeito porque é o meu actor preferido, seria talvez o unico actor capaz de fazer este papel assim tão bem.

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