A dieta de Passos Coelho

Ontem, Passos Coelho jantou com os deputados do PSD.

Jantou, não – petiscou, porque Passos está de dieta.

Foi ele próprio que revelou esta notícia importantíssima.

Disse: «Eu estou mais magro porque tenho feito dieta, é porque não quero ficar barrigudo, é só isso. Eu estou muito bem de saúde.»

Com efeito, um Coelho barrigudo parece mais um canguru!

No brilhante discurso que proferiu e que, por pouco, não ia adormecendo os deputados, Passos também explicou que «nenhum dos que aqui estão foi eleito para ganhar as próximas eleições, ou para ajudar a ganhar as autárquicas, nem as regionais deste ano nos Açores, nem as europeias que aí vêm a seguir. Não foi para isso que fomos eleitos».

Os deputados presentes, aqui, sobressaltaram-se.

Passos estava a contradizer-se: por um lado dizia que nenhum deles tinha sido eleito e depois dizia não era para isso que eles tinham sido eleitos.

Confuso.

Resultado da dieta, certamente…

Mas mais espantados ficaram os deputados quando Passos declarou: “Se algum dia tiver de perder umas eleições em Portugal para salvar o país, como se diz, que se lixem as eleições!»

Ora aqui está uma declaração democrática à brava!

Mas há antecedentes…

Ainda recordo, com saudade, o almirante Pinheiro de Azevedo que, em pleno PREC, declarou um dia: «Bardamerda para o socialismo!», para já não falar na também saudosa Manuela Ferreira Leite, que queria suspender a democracia durante 6 meses.

Agora é Passos que quer que as eleições se lixem…

Ó Passos, a dieta está-te a fazer mal… olha que isso é da fraqueza, pá…

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7 Responses to “A dieta de Passos Coelho”

  1. Cascão da Silva says:

    O macho engorda pelo menos em duas situações: Quando está no poder ou quando é capado. No caso do coelho as duas são possíveis e a dieta é apenas uma reacção.

  2. Mário Machaqueiro says:

    Só uma observação: se a memória não me falha, a famosa e colorida frase do não menos colorido almirante não foi «Bardamerda para o socialismo», mas sim qualquer coisa como «Vão bardamerda mais o fascista!», em resposta a uma manifestação que passava junto à janela onde Pinheiro de Azevedo se encontrava e que o teria mimoseado com um «Fascista! Fascista! Fascista!». Não que o dito almirante não pudesse proferir a frase que lhe atribui, a qual, se não foi pronunciada, foi por ele praticada. Mas, apesar de eu próprio não estar na referida manifestação, tenho quase a certeza que foi assim que as coisas se passaram. Já agora, podemos também invocar o «Não gramo ser sequestrado» como outra tirada memorável desse surreal primeiro-ministro.

    • Artur says:

      «Não gramo ser sequestrado» é um clássico. Mas olhe que ele disse mesmo “Bardamerda para o socialismo”. Nessa altura, O Coiso era um semanário humorístico e encheu as páginas centrais do seu nº 12 (novembro de 1975) com essa mesma frase e uma foto do almirante sem medo, vociferando (já nessa altura fazia legendagem de fotos, embora de um modo muito artesanal). No entanto, não me admira que ele também tenha dito «vão bardamerda mais o fascista!». O homem era muito capaz disso…

      • Mário Machaqueiro says:

        Caro Artur,

        É capaz de ter razão. As frases suscediam-se então a uma velocidade estonteante. Na altura, fez-se até um autocolante (bons velhos tempos, os dos autocolantes!) a gozar com o dito «bardamerda» do primeiro-ministro, autocolante que eu digitalizei e que teria todo o prazer em lhe enviar, coisa que, infelizmente, não posso fazer nesta caixa de comentários.

  3. carneiro says:

    Ok. Percebi.
    Felicidades pessoais e familiares.

  4. riela says:

    muito bem humorada este post, parabéns

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