A auto-avaliação

Juro que quando escrevi o post em que propunha que os professores fizessem auto-avaliação, estava a brincar. Talvez a piada não fosse muito boa, mas juro que era a gozar.

Pois não é que os sindicatos propuseram exactamente isso à ministra, que cada professor elaborasse um relatório de auto-avaliação, que seria depois apreciado pelo Conselho Pedagógico?

Custa a acreditar que seja esta a alternativa que os professores têm para contrapor ao modelo da ministra que, com tantas simplificações, já pouco deve a ter com o modelo inicial.

E pronto – continua o desacordo e vamos continuar a assistir ao espectáculo dos professores, na rua e nas escolas, contrariando uma decisão de um governo aprovado pela maioria absoluta dos eleitores.

Se fosse aos professores, esperava calmamente pela eleições (são já para o ano) e votava em todos os partidos menos no PS e convencia os familiares, amigos e pais dos alunos a fazerem o mesmo.

Entretanto, segundo o Público, vem aí mais uma guerra, desta vez com os médicos. Parece que o governo quer aumentar o horário de trabalho dos médicos de 35 para 40 horas semanais, sem contrapartidas.

Fica já dito que, por mim, podem estar à vontade: é rara a semana que não trabalho entre 45 e 50 horas.

Mas acho que os sindicatos dos médicos devem exigir apenas uma coisa: que o horário dos médicos passe a ser igual ao dos professores.

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6 Responses to “A auto-avaliação”

  1. Pedro says:

    Acabei de ver nas notícias que um grupo de 13 professores apresentou um manifesto em defesa do modelo de avaliação.

    Suponho que aquele grotesco idiota de bigode (como todos os sindicalistas, aparentemente), desculpe a coisa acusando esses 13 professores de serem do PS ou assim… mas lá que é interessante, é.

  2. Anda distraído. Em 27 de Novembro fiz referência a esse seu post no meu blog, pois já na altura se falava que iria ser essa a proposta dos professores e achei a sua premonição no mínimo curiosa.
    Já agora agradeço a sua referência no seu blog ao meu link para o site dos atacadores. Nesta altura deve ser o link mais visitado do meu blog. Pelo menos contribuimos para o pessoal andar com os sapatos mais arranjados.
    Um bom fim de semana e não pare de escrever.

  3. Peço desculpa pela imprecisão mas a referência ao meu link foi feita no blog Reflexões de um cão com pulgas… e não no seu. A confusão decorre de ser leitor de ambos.
    Mais uma vez um bom fim de semana.

  4. “Mas acho que os sindicatos dos médicos devem exigir apenas uma coisa: que o horário dos médicos passe a ser igual ao dos professores.”
    Completamente de acordo! 35 horas para os professores, 35 horas para os médicos. Certíssimo!
    Já agora: não se esqueça também de dizer que os professores têm o direito de ganhar tanto como os médicos…certo?
    Ou esta questão já não é pertinente?
    Ou não somos todos doutores?

    Francisco Trindade

  5. Artur says:

    35 horas para os professores? Estamos conversados…
    Para trabalho igual, salário igual?
    Compreendi-te.
    Doutores?
    Sim, os ordenados dos doutores são iguais, quer sejam médicos ou professores. Sabe quanto ganha um interno de medicina? Sabe quantas horas por semana ele faz de trabalho assistencial e quantas horas semanais de estudo e preparação da apresentação de casos clínicos para depois fazer concurso público, com um júri, no hospital e na Ordem dos Médicos, de modo a ter o título de especialista?
    Estamos, de facto, conversados…

  6. M. Bento says:

    Presumo não serão muito diferentes das que um professor gasta, para além das 35 horas semanais, a corrigir trabalhos e testes, a preparar aulas e materiais, etc.
    Admito e reconheço que, em ambos os casos, as 35 horas semanais são uma ilusão (por defeito) e que, quando levadas com seriedade e profissionalismo, se tratam de actividades profissionais de elevado nível de exigência.

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