“A Estrada”, de Cormac McCarthy

estrada.jpgSem hesitação: o melhor livro que li nos últimos anos.

Um homem e o seu filho percorrem a estrada, em direcção à costa, num mundo post-apocalíptico. Não sabemos o que aconteceu antes, não sabemos qual o seu objectivo. Sabemos apenas que aquele homem e aquela criança têm que sobreviver numa terra queimada, destruída, coberta de cinzas, enfrentando o frio e a chuva e a falta de alimentos, de abrigos, de ajuda. Sabemos, também, que não há aves, nem peixes, nem qualquer outro tipo de animais e que as árvores estão mortas, queimadas, que as cidades estão desertas, apenas habitadas por cadáveres ressequidos. Sabemos, ainda, que há outros homens e outras mulheres, sujos e andrajosos como eles, famintos e desesperados como eles, mas o homem e a criança têm que os evitar.

De vez em quando, ao longo da estrada, surge uma casa abandonada, com uma despensa repleta de conservas fora de prazo, de barras de chocolate com bolor, de bidões com água e de botijas de gás e que o homem e a criança fazem um festim e tomam banho e são felizes por dois dias. E depois, voltam à estrada.

O instinto de sobrevivência, em estado puro. O engenho do homem, para conseguir proteger o seu filho e fazer, de pequenos objectos, as armas da sobrevivência.

Ao ler a descrição desta caminhada, penso nas intermináveis estradas dos EUA, mas a acção poderia decorrer em qualquer outro lugar do mundo. McCarthy deixa muitas coisas em aberto. Nada sabemos da aparência, quer do homem, quer da criança. Ficamos com o campo aberto para imaginarmos as suas feições, assim como depende de nós a explicação para o que aconteceu ao mundo, para que ficasse daquela maneira e por que razão o homem quer, desesperadamente, chegar à costa.

Fiquei irremediavelmente agarrado à escrita de McCarthy, que, ainda por cima, nos conta a história de um modo original, sem divisão em capítulos, com os diálogos entranhados no texto, mas sem necessitar de deitar fora as vírgulas e os pontos finais.

Tenho que ler os anteriores livros de Cormac McCarthy rapidamente.

7 Responses to ““A Estrada”, de Cormac McCarthy”

  1. antonio dias says:

    Passe a publicidade, sou interessado apenas como leitor, se visitares o sitio http://www.webbom.pt encontrarás outras obras dele, sem saíres de casa.
    saudações bloguistas

  2. Ana Virgínia says:

    Olá! Eu gostaria de saber se você leu a versão em português desse livro. Se sim, onde a encontrou? Quero muito presentear meu pai com ele…

    Obrigada!

  3. Artur says:

    A versão em português, de Portugal, está à venda em qualquer livraria.

  4. Ana says:

    Por acaso foi aqui que vi este livro mencionado pela primeira vez. Ainda bem que falou dele e que fiquei com o título na cabeça. É realmente um dos melhores livros que li nos últimos anos, exactamente como disse. Pensava que não ia ler um livro tão bom escrito por alguém mais contemporâneo, mas felizmente enganei-me. A esperança renasce.

  5. Luís says:

    Realmente… depois de ver em Ophra o livro interessou-me.. está na lista das compras de natal..

  6. Recomendo também os livros de José Saramago, cuja pontuação também segue este estilo.

  7. Castela says:

    Meridiano de Sangue-Obra prima. Começei a ler a Estrada e estou a gostar.

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