“Diário de um Ano Mau”, de J.M. Coetzee

Um escritor sul-africano, radicado na Austrália, é convidado pelo seu editor a escrever um livro onde deverá expor as suas opiniões sobre diversos assuntos. Septuagenário e sofrendo de reumático, o escritor contrata uma vizinha, emigrante filipina, para lhe passar os textos à máquina.

A vizinha, de formas voluptuosas, faz despertar, no escritor, desejos difíceis de concretizar e entre os dois desenvolve-se uma relação platónica de sedução e atracção.

Para desenvolver esta ideia nuclear, Coetzee recorre a um estratagema curioso, acabando por escrever três livros: o livro principal, com as opiniões do escritor sobre a gripe das aves, a pedofilia, o terrorismo e outros temas actuais da nossa sociedade, um outro livro, onde o escritor vai descrevendo as sensações que a filipina lhe provoca e um terceiro livro, onde a própria filipina faz os seus comentários, introduzindo ainda a personagem do seu namorado. À medida que o livro vai evoluindo, as opiniões do escritor vão-se suavizando, com as críticas que a filipina lhe faz e esta, por sua vez, começa a consciencializar-se mais em relação a certos temas, ao transcrever os textos do escritor.

E os três livros convivem muito bem, mesmo na mesma página, obrigando-nos a alguma ginástica, que eu fiz com muito prazer.

Mais um excelente livro de Coetzee.

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