“Indignação”, de Philip Roth

indignacaoNão há dúvida que Roth é, neste momento, o meu escritor favorito e cada novo livro dele me proporciona um prazer substantivo.

“Indignação” é o 27º livro de Philip Roth e foge um pouco aos temas abordados nas últimas obras de Roth (“O Fantasma Sai de Cena” ou “Património”), que falavam da velhice, da doença, da decrepitude do corpo.

Neste livro, Roth conta-nos a história de Marcus Messner, filho de um talhante kosher de Newark, que decide sair de casa por já não poder aturar o protecionismo do pai, indo frequentar uma universidade longínqua, no Ohio.

A acção passa-se em 1951 e sabemos, desde o início, que o jovem não vai chegar aos 21 anos. Naquele tempo, decorria a guerra da Coreia e a única maneira de um jovem se livrar da guerra, era frequentar a universidade e não chumbar e/ou não ser expulso.

Mas Marcus é um jovem de ideais firmes, grande polemista, ateu convicto e a sua personalidade vincada vai acabar por lhe trazer dissabores numa universidade tão tradicionalista como era, então, a de Winsburg.

A prosa brilhante de Roth é, como sempre, versátil, luminosa, imensamente rica e cheia de humor cínico de quem sabe muito da vida.

Aqui fica um exemplo de como Roth transforma um episódio trágico, mas banal, numa pequena história bem colorida:

“No centro da cidade, onde o chefe da estação e o seu ajudante tinham mantido as linhas de comboio desimpedidas durante o nevão, o Elwyn terá tentado fazer uma corrida contra o comboio de mercadorias da meia-noite para ver quem chegava primeiro à passagem de nível que separava a Main Street da Lower Main, e o LaSalle, derrapando sem controlo, fez dois piões em cima dos carris e foi apanhado em cheio pela armadura limpa-neves da locomotiva vinda de leste a caminho de Akron. O carro em que eu tinha levado a Olívia a jantar e depois ao cemitério – um veículo histórico, mesmo um monumento, digamos assim, na história do advento da felação no campus de Winesburg na segunda metade do século XX, foi projectado para o lado, capotou e foi cair na Lower Main onde explodiu em chamas, e Elwyn Ayers Jr. morreu, aparentemente vítima do impacto,  e rapidamente ardeu no meio dos escombros do carro de que cuidara mais do que tudo na vida e que amara em vez de homens ou mulheres.”

Infelizmente, “Indignação” tem apenas 170 páginas…

One Response to ““Indignação”, de Philip Roth”

  1. Vespinha says:

    É também um dos autores que se está a tornar nos meus favoritos, e que bom saber que tenho tantos livros dele para ler!

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