House – 1ª série

house1.jpgDr. House não usa bata, é coxo, dependente de Vicodin (acetaminofeno mais um derivado de codeína), sarcástico, amargo, brilhante, solitário, descrente, bizarro, nada ético, intuitivo, experimentalista, impulsivo, e muitas outras coisas contraditórias, que o tornam uma personagem única.

Hugh Laurie, o actor, soube dar-lhe substância e torná-lo credível.

Sob o ponto de vista técnico, a série tem algumas inverosimilhanças: nenhum médico faria, por exemplo, uma laparotomia exploradora a um doente que apresentasse, apenas, dores abdominais e sintomas paranóides, mas essas inverosimilhanças acabam por se aceitar, se aceitarmos a técnica de diagnóstico que House usa: tentativa e erro. E, depois do erro, reformulação do diagnóstico.

Claro que os criadores da série arranjam sempre casos estranhíssimos, raríssimos que qualquer médico comum encontrará, em toda a sua vida profissional, uma única vez na vida (ou, mais provavelmente, nunca). Dr. House tem um caso destes todas as semanas: intoxicação por naftalina, doença do sono por contacto sexual, porfiria, etc.

Contra todas as convenções, House não gosta de doentes (só gosta de doenças), só os observa em último caso, preferindo raciocinar através dos sintomas que os médicos da sua equipa vão colhendo junto do doente e dos exames complementares que vai pedindo, receita dois cigarros por dia a um tipo com colite, anuncia a uma mulher grávida que tem um parasita dentro de si, prescreve rebuçados a um tipo com fibromialgia.

House faz-me inveja. Quantas vezes não me apeteceu fazer o que ele faz, na Clínica do Hospital onde trabalha!

Por exemplo: chegar à sala de espera e dizer: “bom dia, chamo-me House, estou muito mal disposto, tenho dores crónicas, não gosto de doentes; estou no gabinete nº 1 – quem quiser ser consultado por mim, faça favor; mas há mais dois médicos de serviço…”

Ou dirigir-se à sala de espera e consultar os doentes ali mesmo, dando-lhes conselhos simples para resolverem as suas queixas sem importância.

Para nós, médicos, ver House M. D. é quase como um jogo: à medida que os sintomas vão surgindo e ele vai raciocinando, nós acompanhamo-lo e, muitas vezes, conseguimos chegar ao diagnóstico.

Mas há um extra nisto tudo, e é um grande extra: Laurie é excelente, a composição que ele faz deste médico amargo e anti-convencional é brilhante e, para além dos diagnósticos feitos como se de uma investigação criminal se tratasse (uma espécie de CSI médico), há também os diálogos, com as tiradas sarcásticas de House: “como o filósofo Jagger dizia – you can’t always get want you want”…

9 thoughts on “House – 1ª série

  1. É uma excelente série que vai melhorando à medida que vai evoluindo. Do ponto de vista gráfico o caso mais impressionante é o de um miudo que durante a gestação absorveu o feto do irmão gémeo, tendo com isso pedaços de adn estranho espalhados pelo corpo e tem que ser removidos, implicando para isso o uso de agulhas através da retinas e outros procedimentos complicados

  2. Uma das melhores séries dos últimos tempos (mesmo para quem não percebe nada de medicina).
    O Laurie era muito bom no Blackadder e no House superou-se.
    Essa grande frase do “conhecido filósofo” Jagger também foi uma das minhas favoritas!

  3. GOSTO TANTO DA SÉRIE DR HOUSE QUE ESQUEÇO QUE É FICÇÃO ELE TRABALHA TÃO BEM QUE PENSO QUE SE EU LEVASSE MINHA DOENÇA SÉRIA AUTO-IMUNE PRA ELE, ELE RESOLVERIA PRA MIM, MAS INFELIZMENTE CONTINUAREI SONHANDO E DOENTE, E O QUE É PIOR SEM RECURSOS..
    ABRAÇOS

  4. Sou bastante ecletico no que diz respeito a filmes e seriados mas esse é sem dúvida o melhor de todos os tempos. Um dos mais completos que já existiu, com atores pouco desconhecidos da nossa tela, aqui do Brasil, sendo um dos fatores desse sucesso, onde nenhum ator e atriz holliwoodana faria melhor… não vou fazer mais comentarios pois tenho medo de ser insuficiente nos meus comentários, podendo esquecer algum e ficar incompleto tudo o que acho deste seriado! PARABÉNS…

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