“As Loucuras de Brooklyn”, de Paul Auster

loucurasdebrooklyn.jpgAuster é um excelente contador de histórias e, em cada livro que escreve, não é nada usurário: conta-nos sempre muitas histórias.

Neste “The Brooklyn Follies”, o narrador, Nathan, é um ex-angariador de seguros, quase a fazer 60 anos, que se reforma antecipadamente por sofrer de cancro do pulmão, sem nunca ter fumado. Como Auster é fumador, percebe-se a ironia. Nat conta-nos inúmeras histórias, ao longo das quase trezentas páginas deste livro: a sua própria história, como ele acaba por vencer o cancro, como se entretém a escrever um livro, nas horas vagas, e como quase que morre de um ataque cardíaco, que afinal era uma esofagite; do seu sobrinho Tom, que tinha um brilhante futuro académico, mas acabou por se tornar taxista em Manhattan, depois, empregado num alfarrabista e, finalmente, milionário; da sua sobrinha Aurora, mãe solteira, com uma vida desregrada, cheia de namorados de ocasião, álcool e drogas, que acaba por aderir a uma daquelas igrejas cristãs fundamentalistas; de Harry, o alfarrabista, ex-presidiário, homossexual e sempre a arranjar esquemas para ganhar dinheiro com falsificações, etc, etc.

Quando acabamos de ler este livro, sentimo-nos bem, por dentro. A vida é, de facto, feita destas pequenas coisas: coisas boas e coisas más, que nos vão acontecendo; algumas delas, acontecem-nos porque nós fazemos por isso mas, a maior parte dessas coisas, simplesmente acontecem, por acaso. E o nosso papel, parece-me, é tentar domar esses acontecimentos e fazer com que eles, por mais estranhos e desesperados que sejam, acabem por nos favorecer.

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